Exame Nacional Matemática B 2021 · 2.ª fase

Exame Nacional de Matemática B 2021, 2.ª fase: 9 exercícios com resolução. Temas: Comprimentos, áreas e volumes e Geometria analítica no plano e no espaço.

Temas do exame: Comprimentos, áreas e volumes · Geometria analítica no plano e no espaço · Trigonometria e fenómenos periódicos · Funções polinomiais e modelação com a calculadora · Modelos exponenciais, logarítmicos e logísticos · Taxa de variação e interpretação de gráficos · Sucessões e progressões · Probabilidades e distribuição normal · Programação linear

Exercício 1 · Programação linear

1. Um barco de pesca captura três espécies de peixe: cavala, sardinha e carapau.

Numa pescaria, foram pescados 640 kg640\text{ kg} de cavala, 240 kg240\text{ kg} de sardinha e 390 kg390\text{ kg} de carapau.

O peixe é vendido em lotes de dois tipos: A e B.

Cada lote A é constituído por 40 kg40\text{ kg} de cavala, 4 kg4\text{ kg} de sardinha e 20 kg20\text{ kg} de carapau.

Cada lote B é constituído por 16 kg16\text{ kg} de cavala, 12 kg12\text{ kg} de sardinha e 15 kg15\text{ kg} de carapau.

Cada lote A é vendido a 180 euros180\text{ euros} e cada lote B é vendido a 160 euros160\text{ euros}.

Determine o número de lotes A e o número de lotes B que se devem vender, de modo a obter o valor máximo com a venda desses lotes, nas condições referidas.

Na sua resposta, designe por xx o número de lotes A e por yy o número de lotes B a vender, e apresente:

a função objetivo;

as restrições do problema;

uma representação gráfica referente ao sistema de restrições;

o valor de xx e o valor de yy correspondentes à solução do problema.

•

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Exercício 2 · Modelos exponenciais, logarítmicos e logísticos

2. Num estudo sobre uma população de carapaus, concluiu-se que o comprimento, CC, em centímetros, de um carapau dessa população é dado, em função de tt, aproximadamente, por

C(t)=42(1−e−0,1056t−0,4222) com t≥1C(t) = 42(1 - e^{-0{,}1056t - 0{,}4222})\, \quad \text{com } t \ge 1

em que tt representa a idade, em anos, do carapau.

2.1.

De acordo com o modelo apresentado, quantos centímetros cresce um carapau dessa população durante o segundo ano de vida?

Apresente o resultado arredondado às décimas.

Em cálculos intermédios, se proceder a arredondamentos, conserve, no mínimo, duas casas decimais.

2.2.

Admita que a massa, MM, em gramas, de um carapau dessa população, com CC centímetros de comprimento, é dada, aproximadamente, por

M(C)=0,0084×C3 com C≥18M(C) = 0{,}0084 \times C^3\, \quad \text{com } C \ge 18

Determine a idade de um carapau dessa população cuja massa é 400 gramas400\text{ gramas}, de acordo com os dois modelos apresentados.

Apresente o resultado em anos e meses, com o número de meses arredondado às unidades.

Em cálculos intermédios, se proceder a arredondamentos, conserve, no mínimo, três casas decimais.

anos e meses

Exercício 3 - Funções polinomiais · Funções polinomiais e modelação com a calculadora

Ao largo da costa portuguesa, perto de Viana do Castelo, está em desenvolvimento um dos maiores parques flutuantes do mundo para captação de energia eólica. A central deste parque começou a injetar energia na rede elétrica no final de 2019.

A potência útil de uma torre eólica depende, entre outros fatores, da velocidade do vento. Devido a questões técnicas, a partir de um determinado valor da velocidade do vento, por mais que esta aumente, não se permite que a potência aumente, estabilizando-a num determinado valor, para que seja possível injetar a energia gerada na rede elétrica.

O gráfico representado na Figura 1 relaciona a potência útil, PP, em kW\text{kW}, de uma torre eólica com a velocidade, vv, em m/s\text{m/s}, do vento que faz girar as hélices da torre, para v>3v > 3.

De acordo com o gráfico, a potência útil, PP, desta torre:

é crescente até 3000 kW3000\text{ kW}, para valores da velocidade do vento a partir de 3 m/s3\text{ m/s} até um determinado valor, NN, do qual se sabe ser superior a 15 m/s15\text{ m/s};

é igual a 3000 kW3000\text{ kW}, para valores da velocidade do vento a partir de NN.

Admita que, para 3<v≤N3 < v \le N, a potência útil, PP, em kW\text{kW}, é dada por

P(v)=−2,731 v3+77,834 v2−393,264 v+553,023P(v) = -2{,}731\,v^3 + 77{,}834\,v^2 - 393{,}264\,v + 553{,}023

3.1.

Determine o valor de NN.

Apresente o resultado arredondado às unidades.

Exercício 3 - Taxa de variação · Taxa de variação e interpretação de gráficos

Ao largo da costa portuguesa, perto de Viana do Castelo, está em desenvolvimento um dos maiores parques flutuantes do mundo para captação de energia eólica. A central deste parque começou a injetar energia na rede elétrica no final de 2019.

A potência útil de uma torre eólica depende, entre outros fatores, da velocidade do vento. Devido a questões técnicas, a partir de um determinado valor da velocidade do vento, por mais que esta aumente, não se permite que a potência aumente, estabilizando-a num determinado valor, para que seja possível injetar a energia gerada na rede elétrica.

O gráfico representado na Figura 1 relaciona a potência útil, PP, em kW\text{kW}, de uma torre eólica com a velocidade, vv, em m/s\text{m/s}, do vento que faz girar as hélices da torre, para v>3v > 3.

De acordo com o gráfico, a potência útil, PP, desta torre:

é crescente até 3000 kW3000\text{ kW}, para valores da velocidade do vento a partir de 3 m/s3\text{ m/s} até um determinado valor, NN, do qual se sabe ser superior a 15 m/s15\text{ m/s};

é igual a 3000 kW3000\text{ kW}, para valores da velocidade do vento a partir de NN.

Admita que, para 3<v≤N3 < v \le N, a potência útil, PP, em kW\text{kW}, é dada por

P(v)=−2,731 v3+77,834 v2−393,264 v+553,023P(v) = -2{,}731\,v^3 + 77{,}834\,v^2 - 393{,}264\,v + 553{,}023

3.2.

Determine o valor da taxa de variação média da função PP no intervalo [5,15][5, 15] e interprete-o no contexto descrito.

Apresente o valor da taxa de variação média arredondado às unidades. Em cálculos intermédios, se proceder a arredondamentos, conserve, no mínimo, uma casa decimal.

3.3.

Seja TT a função que dá a taxa de variação instantânea da função PP, para cada valor de vv.

Qual é o valor da função TT quando v>Nv > N? Justifique a sua resposta.

Exercício 4 · Probabilidades e distribuição normal

4. Em Portugal, existem empresas que organizam passeios de barco pela costa. Quando estava de férias, a Mariana comprou, a uma dessas empresas, um bilhete para fazer um passeio.

4.1.

Admita que a variável aleatória, YY, «duração de uma viagem de autocarro desde o hotel onde a Mariana está alojada até ao ancoradouro onde se apanha o barco» segue, aproximadamente, uma distribuição normal de valor médio 2020 minutos e desvio padrão 44 minutos.

O autocarro em que a Mariana viajou saiu do hotel às 88 horas e 3232 minutos.

A chegada do autocarro ao ancoradouro está prevista para as 99 horas.

Determine a probabilidade de o autocarro chegar ao ancoradouro antes da hora prevista.

Apresente o resultado em percentagem, arredondado às unidades.

Em cálculos intermédios, se proceder a arredondamentos, conserve, no mínimo, cinco casas decimais.

%

4.2.

A empresa vendeu três tipos de bilhete para o passeio de barco:

tipo 1 – só a viagem;

tipo 2 – a viagem com almoço;

tipo 3 – a viagem com almoço e audioguia.

Seja XX a variável aleatória «preço, em euros, de um bilhete vendido para o passeio, tomado ao acaso», cuja tabela de distribuição de probabilidades é

xix_i

14,2014{,}20

aa

20,5020{,}50

P(X=xi)P(X = x_i)

0,550{,}55

0,250{,}25

bb

em que aa representa o preço, em euros, de um bilhete do tipo 2 e bb representa um valor de probabilidade.

Sabe-se que o valor médio da variável aleatória XX é 16,7616{,}76 euros.

Determine o preço, em euros, de um bilhete do tipo 2.

euros

Exercício 5 · Sucessões e progressões

Uma ponte, idêntica à da fotografia da Figura 2, tem uma torre central e duas torres laterais, cada uma destas à distância de 10001000 metros da torre central. A torre central é mais alta do que as torres laterais, e estas têm a mesma altura.

Do topo da torre central para o topo de cada uma das torres laterais estão fixos, no total, 44 cabos retilíneos iguais.

Entre cada um desses 44 cabos e o tabuleiro da ponte, existem cabos verticais, de 2525 em 2525 metros, perpendiculares ao tabuleiro, que o sustentam.

A Figura 3, que não está à escala, representa a situação relativa a um dos 44 cabos retilíneos fixos na torre central.

Seja (un)(u_n) a sequência dos comprimentos dos cabos verticais, do menor para o maior, relativa à Figura 3, definida por

un=2n+45u_n = 2n + 45 em que nn é a ordem do termo unu_n da sequência.

5.1.

Algum dos cabos verticais tem 100100 metros de comprimento?

Justifique a sua resposta.

5.2.

Determine a soma dos comprimentos de todos os cabos verticais usados para sustentar o tabuleiro da ponte.

Exercício 6 - Trigonometria · Trigonometria e fenómenos periódicos

O penúltimo rei de Portugal, D. Carlos I, era um apaixonado pela oceanografia e por barcos. Com grande talento para a pintura, deixou várias aguarelas ligadas ao mar.

A Figura 4 é uma fotografia de uma dessas aguarelas.

A partir das velas do barco da Figura 4, um desenhador está a estudar um logótipo composto por dois triângulos, que representou a sombreado, em referencial ortogonal e monométrico, OxyOxy, tal como mostra a Figura 5.

Nesta figura:

a circunferência tem centro no ponto OO;

os pontos A(1,0)A(1,0) e D(−1,0)D(-1,0) pertencem à circunferência;

o ponto MM é o ponto médio do segmento de reta [OA][OA];

a reta rr é tangente à circunferência no ponto AA;

os pontos BB e CC deslocam-se na reta rr, de tal forma que [MB][MB] é sempre paralelo a [OC][OC].

Para cada posição do ponto CC, seja α\alpha a amplitude, em graus, do ângulo AOCAOC, com

40∘≤α≤70∘40^\circ \le \alpha \le 70^\circ

A unidade de medida de comprimento é o metro.

6.1.

Mostre que a soma, TT, das áreas dos triângulos [DOC][DOC] e [MAB][MAB], em metros quadrados, é dada, em função de α\alpha, por T(α)=5tg⁡(α)8T(\alpha) = \frac{5\operatorname{tg}(\alpha)}{8}

6.2.

Determine o menor e o maior dos valores inteiros de α\alpha para os quais a soma, TT, das áreas dos triângulos [DOC][DOC] e [MAB][MAB] é superior a 1 m21\text{ m}^2.

Note que a soma, TT, das áreas dos triângulos [DOC][DOC] e [MAB][MAB], em metros quadrados, é dada, em função de α\alpha, por T(α)=5tg⁡(α)8T(\alpha) = \frac{5\operatorname{tg}(\alpha)}{8}.

Exercício 6 - Geometria analítica · Geometria analítica no plano e no espaço

O penúltimo rei de Portugal, D. Carlos I, era um apaixonado pela oceanografia e por barcos. Com grande talento para a pintura, deixou várias aguarelas ligadas ao mar.

A Figura 4 é uma fotografia de uma dessas aguarelas.

A partir das velas do barco da Figura 4, um desenhador está a estudar um logótipo composto por dois triângulos, que representou a sombreado, em referencial ortogonal e monométrico, OxyOxy, tal como mostra a Figura 5.

Nesta figura:

a circunferência tem centro no ponto OO;

os pontos A(1,0)A(1,0) e D(−1,0)D(-1,0) pertencem à circunferência;

o ponto MM é o ponto médio do segmento de reta [OA][OA];

a reta rr é tangente à circunferência no ponto AA;

os pontos BB e CC deslocam-se na reta rr, de tal forma que [MB][MB] é sempre paralelo a [OC][OC].

Para cada posição do ponto CC, seja α\alpha a amplitude, em graus, do ângulo AOCAOC, com

40∘≤α≤70∘40^\circ \le \alpha \le 70^\circ

A unidade de medida de comprimento é o metro.

6.3.

Considere α=45∘\alpha = 45^\circ.

Determine a equação reduzida da reta DCDC.

Na sua resposta, comece por obter as coordenadas do ponto CC.

Exercício 7 · Comprimentos, áreas e volumes

7. No início do século XX, um navio aportou numa ilha com o objetivo de comprar cereais. Nessa ilha, era hábito colocar os cereais numa vasilha de forma esférica.

Um comerciante vendia vasilhas que anunciava estarem cheias com 2600 dm32600\text{ dm}^3 de cereal cada uma.

Para verificar a capacidade de uma dessas vasilhas, o comandante do navio dispunha apenas de um bloco de madeira, com a forma de um paralelepípedo, de 2 dm2\text{ dm} de altura, graduado na face superior, como sugere a Figura 6.

O comandante encostou o bloco de madeira à esfera, como se ilustra na Figura 7, e mediu a distância representada por dd.

A Figura 8 é um esquema de um corte vertical que passa pelo centro da esfera e pelo ponto da esfera tangente ao solo, e que contém o ponto de contacto do bloco com a esfera.

Neste esquema, que não está à escala:

OO é o centro da esfera;

[OD][OD] é um raio horizontal da esfera, com OD‾=r dm\overline{OD} = r\text{ dm};

[DC][DC] é perpendicular a [OD][OD];

[OF][OF] e [EB][EB] são paralelos a [DC][DC];

[AB][AB] representa a altura do bloco, com AB‾=2 dm\overline{AB} = 2\text{ dm};

BC‾=d=3 dm\overline{BC} = d = 3\text{ dm}.

Apenas com estas duas medidas, o comandante calculou a capacidade da esfera e afirmou que a vasilha não podia conter 2600 dm32600\text{ dm}^3 de cereal.

Averigue se a afirmação do comandante estava correta.

Na sua resposta, determine a capacidade da esfera, considerando desprezável a sua espessura.

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