Exame Nacional Filosofia 2026 · 1.ª fase

Exame Nacional de Filosofia 2026, 1.ª fase: 16 exercícios com resolução. Temas: O que é a filosofia: problemas filosóficos. Com correção imediata.

Temas do exame: O que é a filosofia: problemas filosóficos · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional · Argumentos não dedutivos e falácias informais · Determinismo e livre-arbítrio · Juízos morais: subjetivismo, relativismo e objetivismo · Ética de Kant e de Mill · Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel) · Conhecimento, ceticismo e racionalismo de Descartes · Empirismo de Hume: impressões, causalidade e indução · Filosofia da ciência: Popper e Kuhn · Estética: o problema da definição de arte · Filosofia da religião: Deus e o problema do mal

Exercício 1 · O que é a filosofia: problemas filosóficos

1. Ao contrário do que por vezes se pensa, o desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA) não depende apenas de engenheiros informáticos e de matemáticos. O seu desenvolvimento requer, cada vez mais, equipas multidisciplinares alargadas. Não basta ter especialistas que saibam programar e conceber sistemas ou desenvolver modelos estatísticos e algoritmos de aprendizagem automática. Para se enfrentar a diversidade de problemas postos pela IA, são também precisos sociólogos, economistas, juristas e filósofos.

Qual dos problemas seguintes requer diretamente o contributo dos filósofos?

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Exercício 2 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional

2. A proposição expressa pela frase «Aprender é bom se, e apenas se, contribuir para o florescimento humano.» é uma

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Exercício 3 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional

3. Considere o argumento seguinte.

Perry é um ornitorrinco; ora, se é um ornitorrinco, então tem bico, mas não é uma ave; por isso, Perry não é uma ave.

De que modo poderia este argumento ser representado na linguagem da lógica proposicional?

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Exercício 4 · Argumentos não dedutivos e falácias informais

4. Considere o argumento seguinte.

O céu está muito nublado, e o vento começou a soprar com muita intensidade, e, normalmente, nestas circunstâncias, acaba por chover. Portanto, hoje vai chover.

Admitindo que a premissa é verdadeira, a conclusão do argumento

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Exercício 5 · Argumentos não dedutivos e falácias informais

5. Considere o diálogo seguinte.

Emília – De todas as vezes que a polícia me mandou parar na estrada, fui tratada com gentileza. Portanto, as forças policiais que atuam na estrada abordam sempre as pessoas com gentileza.

Beatriz – Como quase sempre uso transportes públicos, não me posso basear na minha experiência. Contudo, sei que as forças policiais devem abordar os cidadãos com gentileza, pois ouvi o diretor da Escola Prática de Polícia numa entrevista, e ele disse que é assim que as forças policiais devem abordar os cidadãos.

José – Deixem-me ver. Admitamos que, como a Beatriz referiu, as forças policiais devem abordar os cidadãos com gentileza; e admitamos também que, como a Emília referiu, as forças policiais que atuam na estrada abordam todas as pessoas com gentileza. Sendo assim, é correto afirmar que as forças policiais que atuam na estrada cumprem efetivamente o seu dever de abordar os cidadãos com gentileza.

Os três intervenientes no diálogo recorreram a diferentes tipos de argumentos.

A Emília, a Beatriz e o José usaram, respetivamente,

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Exercício 6 · Determinismo e livre-arbítrio

6. Identifique a tese defendida tanto pelos deterministas radicais como pelos libertistas.

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Exercício 7 · Determinismo e livre-arbítrio

7. Considere o texto seguinte.

É certamente verdadeiro que, ao escolher, não temos consciência dos múltiplos processos que sustêm os nossos estados mentais. Não temos o dom de ter consciência do que se passa nos nossos cérebros, por exemplo, ou em muitos dos nossos músculos. Quando nos rimos de algo, por exemplo, estamos a dar atenção ao que nos está a fazer rir. Não temos qualquer consciência dos muitos processos musculares e neurológicos que são precisos para nos permitir rir. Mas isso significa apenas que não temos consciência desses processos. Não significa que temos consciência da sua inexistência. Se esses processos não existissem, não seríamos capazes de rir, nem seríamos também capazes de decidir rir. Isto significa que a «consciência da liberdade» é coisa que não existe. Tudo aquilo de que temos consciência é do mundo no qual decidimos agir e depois, se tudo correr bem, do nosso agir.

S. Blackburn, As Grandes Questões da Filosofia, Lisboa, Gradiva, 2018, p. 40.

No texto, defende-se, explicitamente, que

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Exercício 8 · Ética de Kant e de Mill

8. Kant considera que uma ação é moralmente boa desde que essa ação

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Exercício 9 · Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel)

9. De acordo com o princípio da igual liberdade, defendido por Rawls, é um dever do Estado

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Exercício 10 · Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel)

À primeira vista, pode parecer que o princípio da diferença requer um mínimo muito elevado. Podemos naturalmente pensar que as maiores posses dos que se encontram melhor devem ser reduzidas até que todos tenham praticamente o mesmo rendimento. Mas esta é uma conceção errada, embora possa aplicar-se em circunstâncias especiais. […] Suponhamos, para simplificar, que o mínimo é ajustado em função de transferências financiadas por impostos proporcionais ao consumo (ou ao rendimento). Neste caso, aumentar o mínimo implica aumentar a proporção em que o consumo (ou o rendimento) é tributado. Presumivelmente, à medida que essa proporção aumenta, atinge-se um ponto em que […] os impostos mais altos interferem de tal modo com a eficiência económica que as perspetivas dos menos favorecidos […] deixam de melhorar e começam a declinar.

J. Rawls, Uma Teoria da Justiça, Lisboa, Editorial Presença, 2001, p. 228. (Texto adaptado)

Pode concluir-se do texto que a aplicação do princípio da diferença, em circunstâncias normais,

Exercício 11 · Conhecimento, ceticismo e racionalismo de Descartes

Os céticos radicais, ou pirrónicos, defendem que as nossas crenças, ainda que possam ser verdadeiras, nunca são conhecimento.

Descreva o que, de acordo com os céticos radicais, há de insatisfatório nas nossas crenças, de tal modo que estas não são conhecimento.

Exercício 12 · Empirismo de Hume: impressões, causalidade e indução

Todos os objetos da […] investigação humana podem naturalmente dividir-se em duas classes, a saber, Relações de Ideias e Questões de Facto. […]

Qual é a natureza da prova que nos assegura acerca de qualquer existência real e questão de facto [?]

[…] A nossa razão nunca consegue, sem ser assistida pela experiência, fazer uma inferência acerca da existência real e da questão de facto.

D. Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano, Lisboa, Edições 70, 1985, pp. 31-33. (Texto adaptado)

Concorda com a posição de Hume segundo a qual «a nossa razão nunca consegue, sem ser assistida pela experiência, fazer uma inferência acerca da existência real e da questão de facto»?

Na sua resposta, deve:

– apresentar inequivocamente a sua posição;

– argumentar a favor da sua posição.

Exercício 13 · Filosofia da ciência: Popper e Kuhn

Leia o texto seguinte e considere-o na resposta aos itens 13 e 14.

Se houvesse apenas um conjunto de problemas científicos, um só mundo no interior do qual nos pudéssemos ocupar deles e apenas um conjunto de regras que permitissem resolvê-los, a competição entre paradigmas poderia ser decidida de modo mais ou menos rotineiro por algum processo, como o de contar o número de problemas resolvidos por cada um deles. Mas, de facto, estas condições nunca estão completamente reunidas. Os proponentes de paradigmas rivais estão sempre, pelo menos ligeiramente, em desacordo. Nenhuma das partes admitirá todos os pressupostos não empíricos de que a outra tem de partir para defender a sua posição. [...] Embora cada uma delas possa ter esperança de converter a outra ao seu modo de ver a disciplina científica em causa e os seus problemas, nenhuma delas poderá esperar ter provas a seu favor. A competição entre paradigmas não é o tipo de batalha que possa ser decidida através de provas.

T. Kuhn, A Estrutura das Revoluções Científicas, Lisboa, Guerra e Paz, 2009, p. 202. (Texto adaptado)

13. Mostre, com base no texto, como defende Kuhn a ideia de que «a competição entre paradigmas não é o tipo de batalha que possa ser decidida através de provas».

Exercício 14 · Filosofia da ciência: Popper e Kuhn

Leia o texto seguinte e considere-o na resposta aos itens 13 e 14.

Se houvesse apenas um conjunto de problemas científicos, um só mundo no interior do qual nos pudéssemos ocupar deles e apenas um conjunto de regras que permitissem resolvê-los, a competição entre paradigmas poderia ser decidida de modo mais ou menos rotineiro por algum processo, como o de contar o número de problemas resolvidos por cada um deles. Mas, de facto, estas condições nunca estão completamente reunidas. Os proponentes de paradigmas rivais estão sempre, pelo menos ligeiramente, em desacordo. Nenhuma das partes admitirá todos os pressupostos não empíricos de que a outra tem de partir para defender a sua posição. [...] Embora cada uma delas possa ter esperança de converter a outra ao seu modo de ver a disciplina científica em causa e os seus problemas, nenhuma delas poderá esperar ter provas a seu favor. A competição entre paradigmas não é o tipo de batalha que possa ser decidida através de provas.

T. Kuhn, A Estrutura das Revoluções Científicas, Lisboa, Guerra e Paz, 2009, p. 202. (Texto adaptado)

14. Discordando de Kuhn, Popper afirma que há justificações objetivas que determinam a escolha de uma das teorias em competição.

Que perspetiva acerca da escolha de teorias considera mais plausível?

Na sua resposta, deve:

apresentar inequivocamente a sua posição;

argumentar a favor da sua posição.

Exercício 15 · Estética: o problema da definição de arte

15. Caracterize, de acordo com a perspetiva formalista, a relação entre arte e emoção estética.

Exercício 16 · Estética: o problema da definição de arte

16. Considere o texto seguinte.

O facto de terem emergido novas formas de arte, tais como o cinema e a fotografia, e de as galerias de arte terem exibido coisas como um monte de tijolos ou uma pilha de caixas de cartão, forçou-nos a refletir acerca dos limites do nosso conceito de arte. É óbvio que a arte tem tido significados diferentes em culturas diferentes e em épocas diferentes: tem servido fins rituais e religiosos, tem servido como diversão e tem dado corpo às crenças, medos e desejos mais importantes da cultura na qual é produzida. Dantes, o que contava como arte parecia estar mais claramente definido. No entanto, nos finais do século XX, parece que chegámos a uma situação em que tudo e mais alguma coisa pode ser arte. Se isto é assim, o que fará com que um certo objeto […], e não outro, seja digno de se chamar arte?

N. Warburton, Elementos Básicos de Filosofia, Lisboa, Gradiva, 2007, pp. 235-236. (Texto adaptado)

Argumente a favor da ideia, referida no texto, de que tudo pode ser arte.

Na sua resposta, comece por distinguir as teorias essencialistas da arte das teorias não essencialistas.

Exercício 17 · Filosofia da religião: Deus e o problema do mal

17. Mostre que o argumento ontológico a favor da existência de Deus é um argumento a priori.

Na sua resposta, comece por apresentar o argumento ontológico.

Exercício 18 · Juízos morais: subjetivismo, relativismo e objetivismo

18. Considere a informação seguinte, da responsabilidade do Parlamento Europeu.

A União Europeia defende o bem-estar dos animais há mais de 40 anos. […]

De acordo com um inquérito [oficial], 84% dos cidadãos [europeus] disseram que o bem-estar dos animais de criação deveria ser mais bem protegido do que é agora. […]

As regras da UE sobre o bem-estar animal refletem as «cinco liberdades»: livre de fome e sede, livre de desconforto, livre de dor, ferimentos e doença, livre para exprimir o seu comportamento normal e livre de medo e angústia.

Parlamento Europeu, Temas – Bem-estar e proteção dos animais: a legislação da UE, in https://www.europarl.europa.eu (consultado em 20/09/2025).

É razoável inferir que a maioria dos europeus aprova os juízos morais em que se baseiam as regras da União Europeia sobre o bem-estar animal.

Será que a aprovação pela maioria dos europeus torna corretos tais juízos?

Na sua resposta, deve:

– formular o problema da natureza dos juízos morais;

– apresentar inequivocamente a sua posição;

– argumentar a favor da sua posição, recorrendo a, pelo menos, um exemplo.

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