Exame Nacional Filosofia 2023 · 1.ª fase
Exame Nacional de Filosofia 2023, 1.ª fase: 14 exercícios com resolução. Temas: Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional. Grátis.
Temas do exame: Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional · Argumentos não dedutivos e falácias informais · Determinismo e livre-arbítrio · Ética de Kant e de Mill · Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel) · Conhecimento, ceticismo e racionalismo de Descartes · Filosofia da ciência: Popper e Kuhn · Estética: o problema da definição de arte · Filosofia da religião: Deus e o problema do mal
Exercício 1 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional
1. Suponha que é exclusivamente por causa da sua forma que um dado argumento não é sólido.
Nesse caso,
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Exercício 2 · Argumentos não dedutivos e falácias informais
2. Considere o diálogo argumentativo seguinte.
Francisco – Vários cientistas reconhecem que há experiências científicas que causam sofrimento aos animais sem darem contributos relevantes para o avanço da ciência. Ora, uma vez que todo o sofrimento desnecessário deve ser evitado, tais experiências científicas não deveriam ser permitidas.
Madalena – Estás a propor que se constitua um novo Tribunal da Santa Inquisição que diga aos cientistas o que devem pensar e fazer. A única diferença é que, agora, em vez de motivos religiosos, a Inquisição invocaria motivos morais.
Em que falácia incorre a Madalena ao contra-argumentar?
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Exercício 3 · Argumentos não dedutivos e falácias informais
3. Suponha que alguém acredita que as monarquias modernas sempre estiveram associadas à estabilidade social e política.
Essa pessoa incorreria na falácia da falsa relação causal se, dessa crença apenas, concluísse que
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Exercício 4 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional
4. Considere as proposições seguintes.
P: Hume era ateu.
Q: Hume apresentou objeções ao argumento do desígnio inteligente.
R: Hume foi admitido na Universidade de Edimburgo.
Os biógrafos de Hume afirmam que Hume ter sido ateu e ter apresentado objeções ao argumento do desígnio inteligente foram, conjuntamente, condição suficiente para Hume não ter sido admitido na Universidade de Edimburgo.
A fórmula que representa tal afirmação é
Exercício 5 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional
5. Considere o argumento seguinte.
Se a Maria é polícia, então usa farda no exercício da sua profissão. De facto, a Maria usa farda no exercício da sua profissão. Por conseguinte, a Maria é polícia.
O argumento apresentado
Exercício 6 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional
6. Atente na seguinte tabela de verdade, parcialmente preenchida.
P
Q
R
P ∨ ¬R
Q ↔ ¬R
∴ P ∨ Q
V · V · V · V · F · V
V · V · F
V · F · V
V · F · F
F · V · V
F · V · F
F · F · V
F · F · F
Uma vez completada a tabela de verdade, verifica-se que a forma argumentativa testada é
Exercício 7 · Determinismo e livre-arbítrio
7. Os deterministas moderados defendem que a crença de que temos livre-arbítrio
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Exercício 8 · Determinismo e livre-arbítrio
8. Considere o texto seguinte.
O que torna as pessoas tão especiais? Alguns libertistas respondem que temos almas, [isto é,] fontes não físicas da consciência e da escolha que não são controladas por leis da natureza. Outros afirmam que os seres humanos são, na verdade, sistemas puramente físicos, mas que não estão sujeitos às leis da natureza que regem outros sistemas físicos.
E. Conee e T. Sider, Enigmas da Existência, Lisboa, Editorial Bizâncio, 2010, p. 153.
As perspetivas libertistas referidas no texto têm em comum a ideia de que
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Exercício 9 · Estética: o problema da definição de arte
9. A teoria formalista da arte é incompatível com a ideia de que
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Exercício 10 · Estética: o problema da definição de arte
10. O problema da definição da arte pode ser formulado do modo seguinte.
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Exercício 11 · Ética de Kant e de Mill
11. Considere o texto seguinte.
O conceito do dever em toda a sua pureza é [...] incomparavelmente mais simples, mais claro e, no uso prático, mais compreensível e mais natural, para quem quer que seja, do que todo o motivo procedente da felicidade [...].
A vontade que se orienta pela máxima da felicidade oscila entre os seus motivos quanto ao que deve decidir; com efeito, olha para o resultado, e este é muito incerto; é preciso ter uma boa cabeça para se desvencilhar do emaranhado de razões e contrarrazões e não se enganar na ponderação. Pelo contrário, se se interroga sobre qual é o seu dever, [...] sabe logo o que tem de fazer.
I. Kant, A Paz Perpétua e Outros Opúsculos, Lisboa, Edições 70, 1990, pp. 70-71.
11.1.
Explique a objeção kantiana, presente no texto, à adoção da máxima da felicidade.
Na sua resposta, integre informação do texto.
11.2.
Concorda com a perspetiva de Kant expressa no texto?
Na sua resposta, deve:
– apresentar inequivocamente a sua posição acerca da perspetiva de Kant expressa no texto;
– argumentar a favor da sua posição, recorrendo a um exemplo.
Exercício 12 · Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel)
12. Considere o texto seguinte.
Corria o ano de 2081 e, finalmente, todas as pessoas eram iguais. [...] Eram iguais em todos os sentidos. Nenhuma pessoa era mais inteligente do que outra. Nenhuma era mais bonita do que outra. Nenhuma era mais forte ou mais rápida do que outra. Toda esta igualdade se devia às emendas 211, 212 e 213 da Constituição e à vigilância permanente dos agentes do Serviço Geral de Incapacitação dos Estados Unidos.
[...] Hazel tinha uma inteligência perfeitamente mediana, e isso significava que era incapaz de pensar demoradamente acerca do que quer que fosse. E George, porque a sua inteligência estava muito acima do normal, tinha um pequeno rádio de incapacitação mental num dos seus ouvidos. Era obrigado por lei a tê-lo permanentemente colocado. O rádio estava ligado a um transmissor do governo. A cada vinte segundos, o transmissor enviava um ruído agudo para impedir as pessoas como George de tirarem vantagens injustas dos seus cérebros.
K. Vonnegut, «Harrison Bergeron», in L. P. Pojman (ed.), The Moral Life – An Introductory Reader in Ethics and Literature, Oxford, Oxford University Press, 2004, p. 719.
A ficção apresentada procura satirizar a ideia de eliminar todas as desigualdades.
De acordo com a teoria de Rawls, várias injustiças ocorreriam se pessoas como George fossem impedidas de usar as suas capacidades. Explique uma dessas injustiças.
Exercício 13 · Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel)
Nozick considera que a teoria da justiça de Rawls permite que alguns indivíduos sejam usados como recursos de outros.
Esta crítica à teoria da justiça de Rawls parece-lhe forte?
Na sua resposta, deve:
apresentar inequivocamente a sua posição;
argumentar a favor da sua posição.
Exercício 14 · Conhecimento, ceticismo e racionalismo de Descartes
Quando nós [os céticos] perguntamos se um objeto é como parece, admitimos que ele tem uma aparência. Deste modo, a nossa investigação não se dirige à própria aparência. Em vez disso, questiona o juízo que fazemos acerca dela, e isto é muito diferente de investigar a própria aparência. O mel, por exemplo, parece-nos doce. E isto nós concedemos, porque temos uma sensação de doçura ao sermos afetados pelo mel. A questão, no entanto, é se este é doce, independentemente do modo como nos afeta. Portanto, não é a aparência que é questionada, mas o juízo que fazemos acerca dela.
Sexto Empírico, Selections from the Major Writings on Scepticism, Man, & God, Indianapolis, Hackett Publishing Company, 1985, p. 38.
14.1.
Explique a dúvida cética apresentada no texto.
14.2.
Em que medida Descartes e Hume poderiam subscrever a dúvida cética expressa no texto?
Na sua resposta, explicite os aspetos relevantes das perspetivas de Descartes e de Hume.
Exercício 15 · Filosofia da religião: Deus e o problema do mal
De entre as propriedades de Deus, tal como é entendido pelos teístas, há três que são relevantes na discussão do problema do mal.
Explicite essas três propriedades.
Exercício 16 · Filosofia da ciência: Popper e Kuhn
Uma parte essencial da investigação científica consiste no teste empírico das teorias ou hipóteses e na análise dos resultados obtidos.
Será que, quando os resultados obtidos no teste rigoroso de uma teoria estão de acordo com ela, se pode considerar que a teoria é verdadeira?
Na sua resposta, deve:
clarificar o problema proposto;
apresentar inequivocamente a sua posição;
argumentar a favor da sua posição.
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