Exame Nacional Filosofia 2021 · 1.ª fase
Exame Nacional de Filosofia 2021, 1.ª fase: 16 exercícios com resolução. Temas: O que é a filosofia: problemas filosóficos. Com correção imediata.
Temas do exame: O que é a filosofia: problemas filosóficos · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional · Argumentos não dedutivos e falácias informais · Determinismo e livre-arbítrio · Juízos morais: subjetivismo, relativismo e objetivismo · Ética de Kant e de Mill · Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel) · Conhecimento, ceticismo e racionalismo de Descartes · Empirismo de Hume: impressões, causalidade e indução · Filosofia da ciência: Popper e Kuhn · Estética: o problema da definição de arte · Filosofia da religião: Deus e o problema do mal
Exercício 1 · Argumentos não dedutivos e falácias informais
1. Imagine que um estudo feito a uma amostra representativa da população portuguesa indica que a percentagem das pessoas que exercem o direito de voto aumenta à medida que o rendimento das pessoas também aumenta.
Incorreríamos numa falácia da petição de princípio se justificássemos os resultados do estudo com a ideia de que as pessoas com mais rendimentos
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Exercício 2 · Argumentos não dedutivos e falácias informais
2. Considere que, para se opor à perspetiva de Kant, alguém argumenta do modo seguinte.
Kant erra ao atribuir uma excessiva importância ao dever. E esse erro acontece porque Kant vive fechado num mundo pequeno e provinciano, que o impede de compreender a complexidade da natureza humana. Além disso, limitado pela frieza germânica, Kant não reconhece que a boa ação possa simplesmente vir de um bom coração.
O argumento apresentado é
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Exercício 3 · O que é a filosofia: problemas filosóficos
3. Leia o texto seguinte.
Em quase toda a filosofia, a dúvida tem sido o estímulo e a certeza tem sido a meta. Tem existido dúvida sobre os sentidos, dúvida sobre a ciência e dúvida sobre os fundamentos da religião. Uma destas dúvidas tem sido mais notória nuns filósofos, e outra noutros.
B. Russell, «Why I Took to Philosophy», in The Basic Writings of Bertrand Russell, Londres, Routledge, 2009, p. 28.
Na Coluna I do quadro seguinte, são apresentadas as dúvidas referidas no texto, que podem ser associadas a problemas e argumentos, alguns dos quais são apresentados na Coluna II.
Coluna I · Coluna II
1. «dúvida sobre os sentidos»
2. «dúvida sobre a ciência»
3. «dúvida sobre os fundamentos da religião»
· a) problema da objetividade
b) argumento do sonho
c) argumento do génio maligno
d) problema do mal
e) argumento da divergência de costumes
f) problema da indução
Selecione a opção que contém três associações corretas.
Exercício 4 · Juízos morais: subjetivismo, relativismo e objetivismo
4. Selecione a afirmação que é incompatível com a perspetiva relativista acerca dos juízos morais.
Exercício 5 · Ética de Kant e de Mill
5. Mill considera que a avaliação moral das ações deve ser feita
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Exercício 6 · Filosofia da religião: Deus e o problema do mal
6. O argumento teleológico, ou do desígnio, de Tomás de Aquino a favor da existência de Deus inclui a premissa segundo a qual
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Exercício 7 · Estética: o problema da definição de arte
7. Que teoria permite classificar como arte qualquer objeto que seja intencionalmente produzido por alguém, de modo a ser encarado como o foram as obras de arte preexistentes?
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Exercício 8 · Estética: o problema da definição de arte
8. Leia o texto seguinte.
As pessoas sentimentais [...] consideram uma heresia que alguém não participe nas revoluções e tumultos do coração, que elas encontram em toda e qualquer peça musical e de que sinceramente participam. Caso não se participe, passa-se então por ser manifestamente «frio», «insensível», «de natureza intelectual». [...] O leigo e o sentimental costumam perguntar de bom grado se uma música é alegre ou triste [...]. Mas, a partir do momento em que se utiliza a música apenas como meio para fomentar em nós uma certa disposição de ânimo [...], a música cessa de atuar como arte.
E. Hanslick, Do Belo Musical, Lisboa, Edições 70, 2002, pp. 81-84. (Texto adaptado)
No excerto transcrito, há uma crítica da ideia de que a arte musical
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Exercício 9 · Filosofia da ciência: Popper e Kuhn
9. Popper considera que, quanto maior for o grau de falsificabilidade de uma afirmação, mais cientificamente interessante ela é.
Qual das afirmações seguintes é a mais falsificável?
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Exercício 10 · Filosofia da ciência: Popper e Kuhn
10. De acordo com Popper, a objetividade da ciência decorre, fundamentalmente,
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Exercício 11 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional
11. Um argumento sólido não pode ter conclusão falsa. Porquê?
Exercício 12 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional
12. Prove que o argumento seguinte é inválido, construindo e interpretando a tabela de verdade adequada.
Se Antígona é uma tragédia, então a heroína de Antígona morre.
Logo, se Antígona não é uma tragédia, então a heroína de Antígona não morre.
Na sua resposta, comece por formalizar o argumento, utilizando o dicionário apresentado.
Dicionário
P: Antígona é uma tragédia.
Q: A heroína de Antígona morre.
1.
Premissa:
Conclusão:
2.
P · Q · P → Q · ¬P → ¬Q
3.
Exercício 13 · Determinismo e livre-arbítrio
A experiência interior de fazermos escolhas leva-nos a acreditar que temos livre-arbítrio.
De que modo os deterministas radicais explicam este facto?
Exercício 14 · Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel)
Rawls é um dos mais destacados representantes do contratualismo político.
Caracterize o contratualismo de Rawls.
Exercício 15 · Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel)
Leia o texto seguinte.
Podemos ver-nos como eus independentes, [...] no sentido em que a nossa identidade nunca está ligada aos nossos propósitos e afetos?
Penso que não. [...] As pessoas particulares que somos são inseparáveis de uma certa família, comunidade, nação ou povo, de uma história e de uma república de que são cidadãs. Lealdades como estas são mais do que valores que me acontece ter. [...] Lealdades como estas permitem que eu tenha mais deveres para com algumas pessoas do que a justiça requer [...], não pela razão de ter feito acordos, mas em virtude dos [...] afetos e compromissos mais ou menos duradouros que, tomados em conjunto, definem parcialmente a pessoa que sou.
M. Sandel, «The Procedural Republic and the Unencumbered Self», in R. Goodin (org.), Contemporary Political Philosophy: An Anthology, Oxford, Blackwell, 2.ª ed., 2006, p. 244. (Texto adaptado)
A teoria da justiça de Rawls é um dos alvos da crítica comunitarista apresentada no texto.
Concorda com esta crítica a Rawls? Justifique.
Na sua resposta:
– apresente inequivocamente a sua posição;
– argumente a favor da sua posição.
Exercício 16.1 · Conhecimento, ceticismo e racionalismo de Descartes
Leia o texto seguinte.
Estabelecemos [...] que todos os corpos [...] são compostos de uma mesma matéria, indefinidamente divisível em muitas partes [...], as quais se movem em direções diferentes [...]; além disso, estabelecemos [...] que continua a haver a mesma quantidade de movimentos no mundo. No entanto, não podemos determinar apenas pela razão o tamanho dos pedaços de matéria, ou a que velocidade se movem [...]. Uma vez que há inumeráveis configurações diferentes de matéria, [...] apenas a experiência pode ensinar-nos que configurações realmente existem.
R. Descartes, «Les principes de la philosophie», in Oeuvres de Descartes IX, Paris, Vrin, 1996, p. 124. (Texto adaptado)
16.1. Identifique os factos referidos no texto que, de acordo com Descartes, são determinados a priori e os que são determinados a posteriori.
Exercício 16.2 · Empirismo de Hume: impressões, causalidade e indução
Leia o texto seguinte.
Estabelecemos [...] que todos os corpos [...] são compostos de uma mesma matéria, indefinidamente divisível em muitas partes [...], as quais se movem em direções diferentes [...]; além disso, estabelecemos [...] que continua a haver a mesma quantidade de movimentos no mundo. No entanto, não podemos determinar apenas pela razão o tamanho dos pedaços de matéria, ou a que velocidade se movem [...]. Uma vez que há inumeráveis configurações diferentes de matéria, [...] apenas a experiência pode ensinar-nos que configurações realmente existem.
R. Descartes, «Les principes de la philosophie», in Oeuvres de Descartes IX, Paris, Vrin, 1996, p. 124. (Texto adaptado)
16.2. Colocando-se na perspetiva de Hume, como avaliaria a distinção exposta no texto por Descartes?
Na sua resposta, considere os factos referidos no texto.
Exercício 17 · Ética de Kant e de Mill
17. Será que uma ação só é moralmente boa se for motivada pelo dever?
Na sua resposta, deve:
clarificar o problema filosófico inerente à questão formulada;
apresentar inequivocamente a sua posição;
argumentar a favor da sua posição, mobilizando conceitos ou teorias relevantes;
apresentar pelo menos um exemplo que ilustre a posição defendida.
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