Exame Nacional Filosofia 2024 · 1.ª fase

Exame Nacional de Filosofia 2024, 1.ª fase: 16 exercícios com resolução. Temas: O que é a filosofia: problemas filosóficos. Com correção imediata.

Temas do exame: O que é a filosofia: problemas filosóficos · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional · Determinismo e livre-arbítrio · Juízos morais: subjetivismo, relativismo e objetivismo · Ética de Kant e de Mill · Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel) · Conhecimento, ceticismo e racionalismo de Descartes · Empirismo de Hume: impressões, causalidade e indução · Filosofia da ciência: Popper e Kuhn · Estética: o problema da definição de arte · Filosofia da religião: Deus e o problema do mal

Exercício 1 · O que é a filosofia: problemas filosóficos

Os problemas filosóficos, em princípio, não têm um carácter essencialmente empírico.

Selecione a opção que apresenta um problema que não tem um carácter essencialmente empírico.

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Exercício 2 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional

Considere o argumento seguinte.

Camões foi poeta.

Logo, Camões escreveu Os Lusíadas.

Este argumento não é sólido, pois

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Exercício 3 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional

A negação de «Todas as obras de arte são belas» é

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Exercício 4 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional

4. Considere o argumento seguinte.

Uma sociedade é livre apenas se a investigação e o debate forem inteiramente livres. Ora, a liberdade de investigar e debater está em causa se certas teses forem consideradas inquestionáveis e, sobretudo, se a tentativa de as debater for objeto de alguma forma de repressão. Por isso, não aceitar quaisquer formas de repressão da investigação e do debate é uma obrigação de todos os cidadãos, independentemente das teses que defendem e que consideram ser verdadeiras, isto — claro! — pressupondo que todos desejam viver numa sociedade livre e que, nessa medida, todos devem preservar ou expandir o atual sistema de liberdades.

Selecione a opção que apresenta a conclusão do argumento anterior.

Exercício 5 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional

5. Considere o argumento seguinte.

É falso que Plutão seja um planeta ou uma estrela. Daí que Plutão não seja um planeta nem uma estrela.

De que modo poderia este argumento ser representado na linguagem da lógica proposicional?

Exercício 6 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional

6. Selecione a opção que apresenta um argumento inválido.

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Exercício 7 · Juízos morais: subjetivismo, relativismo e objetivismo

7. Imagine que algumas pessoas, simplesmente porque são mulheres, tém grandes dificuldades em aceder a cargos e funções para os quais são competentes.

Um objetivista moral diria que tal prática é reprovável, porque

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Exercício 8 · Conhecimento, ceticismo e racionalismo de Descartes

* 8. Ao aplicar o método da dúvida, Descartes pretende

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Exercício 9 · Empirismo de Hume: impressões, causalidade e indução

9. Leia o texto seguinte.

Todos os acontecimentos parecem inteiramente soltos e separados. Um evento segue-se a outro, mas nunca nos é dado observar qualquer laço entre eles. Eles parecem conjugados, mas nunca conectados.

D. Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano, Lisboa, Imprensa Nacional–Casa da Moeda, 2002, p. 87.

No texto anterior, Hume parte de uma posição empirista para apoiar uma perspetiva sobre

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Exercício 10 · Conhecimento, ceticismo e racionalismo de Descartes

* 10. Qual das afirmações seguintes é defendida tanto por Descartes como por Hume?

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Exercício 11 · Ética de Kant e de Mill

11. A imparcialidade é uma exigência do princípio da utilidade defendido por Mill.

Caracterize a imparcialidade exigida pelo princípio da utilidade.

Na sua resposta, comece por apresentar o princípio da utilidade.

Exercício 12 · Ética de Kant e de Mill

12. Kant defende que é possível fazermos o bem e, mesmo assim, as nossas ações não terem valor moral.

Concorda com a perspetiva de Kant acerca do valor moral das ações?

Na sua resposta, deve:

– apresentar inequivocamente a sua posição;

– argumentar a favor da sua posição.

Exercício 13 · Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel)

13. Rawls enfrenta o problema da justiça distributiva em Uma Teoria da Justiça. Um dos princípios de justiça propostos nesta obra é o princípio da diferença.

Descreva a distribuição que o princípio da diferença visa assegurar.

Exercício 14 · Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel)

14. Leia o texto seguinte.

Considere-se o caso famoso da marcha neonazi planeada para Skokie, Illinois, em 1978. Entre os habitantes de Skokie, um subúrbio de Chicago, havia um grande número de sobreviventes do Holocausto – era por isso que os neonazis queriam fazer a marcha ali. [...] Os críticos da marcha proposta [...] disseram que ela seria «ofensiva» para os sobreviventes; mas [penso que] era muito mais do que isso: era antes um desafio político – e mesmo físico – à sua existência.

[Contudo,] a União Americana das Liberdades Civis (American Civil Liberties Union – ACLU) defendeu a realização da marcha, opondo-se a todos os esforços para a impedir por parte das autoridades municipais, que invocaram as leis locais contra a desordem e o motim. Nos anos 60, no Sul [dos EUA], tinham sido invocadas leis semelhantes para impedir as marchas pelos direitos civis. Atualmente, a ACLU orgulha-se da sua corajosa defesa da liberdade de expressão. Ganhou o processo legal em Skokie, embora a marcha tenha acabado por não se realizar.

Compreendo o argumento jurídico – de que a lei deve ser a mesma para os afro-americanos que defendem a igualdade e para os nazis que defendem o genocídio. Mas penso que o adjetivo «liberal» exclui qualquer equivalência moral entre os dois grupos, ou entre o significado das suas marchas – e, se não são moralmente semelhantes [...], será que têm mesmo de ser tratadas da mesma forma? [Penso que] teria sido melhor se a ACLU tivesse defendido os manifestantes pelos direitos civis e se tivesse recusado a defender os neonazis.

M. Walzer, A Luta por Uma Política Decente – «Liberal» como Adjetivo, Lisboa, Gradiva, 2023, pp. 36-37. (Texto adaptado)

Nota – As marchas pelos direitos civis ocorreram no âmbito da luta das comunidades afrodescendentes por direitos iguais e contra a discriminação e a violência raciais. Uma das figuras centrais desta luta foi Martin Luther King.

Critique, com base na teoria da justiça de Rawls, a ideia de que há equivalência moral entre as reivindicações dos dois grupos referidos no texto.

Exercício 15 · Filosofia da ciência: Popper e Kuhn

Na sua opinião, há algum critério que permita demarcar satisfatoriamente ciência de pseudociência?

Na sua resposta, deve:

apresentar inequivocamente a sua posição;

argumentar a favor da sua posição, recorrendo a, pelo menos, um exemplo.

Exercício 16 · Estética: o problema da definição de arte

Atente no que escreve o filósofo da arte George Dickie.

O mundo da arte não requer procedimentos rígidos; admite, encoraja mesmo, a frivolidade e o capricho, sem sacrificar a seriedade dos seus objetivos.

G. Dickie, «O que é a arte?», in C. d'Orey (org.), O Que É a Arte?, Lisboa, Dinalivro, 2007, p. 118. (Texto adaptado)

O autor refere um conceito fundamental da perspetiva institucional da arte.

Caracterize-o.

Exercício 17 · Filosofia da religião: Deus e o problema do mal

Leia o texto seguinte.

Devemos ao matemático e teólogo francês Blaise Pascal [...] um argumento interessante e engenhoso, conhecido por «aposta de Pascal». [...] Este argumento não é a favor da verdade das crenças religiosas, mas a favor da utilidade de acreditar [...] num Deus monoteísta.

S. Blackburn, Pense – Uma Introdução à Filosofia, Lisboa, Gradiva, 2001, pp. 192-193. (Texto adaptado)

Permitirá a aposta de Pascal concluir que Deus existe? Justifique.

Na sua justificação, integre adequadamente informação do texto.

Exercício 18 · Determinismo e livre-arbítrio

Leia o texto seguinte.

Uma vez que a nossa vida mental está intimamente ligada aos processos fisiológicos do nosso corpo, mais especialmente aos do nosso cérebro, então, se estes processos forem rigorosamente determinados pelas leis naturais – físicas e químicas –, como explicar o sentimento inevitável de que nós tomamos decisões para agir desta ou daquela forma?

E. Schrödinger, A Natureza e os Gregos, seguido de Ciência e Humanismo, Lisboa, Edições 70, 2003, pp. 136-137. (Texto adaptado)

Será que a existência de livre-arbítrio é a melhor explicação para «o sentimento inevitável de que nós tomamos decisões para agir desta ou daquela forma»?

Na sua resposta, deve:

clarificar o problema proposto;

apresentar inequivocamente a sua posição;

argumentar a favor da sua posição.

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