Exercício 13 · Exame Nacional Filosofia 1.ª fase 2026

Tema: Filosofia da ciência: Popper e Kuhn · Do exame 1.ª fase (2026)

Enunciado

Leia o texto seguinte e considere-o na resposta aos itens 13 e 14.

Se houvesse apenas um conjunto de problemas científicos, um só mundo no interior do qual nos pudéssemos ocupar deles e apenas um conjunto de regras que permitissem resolvê-los, a competição entre paradigmas poderia ser decidida de modo mais ou menos rotineiro por algum processo, como o de contar o número de problemas resolvidos por cada um deles. Mas, de facto, estas condições nunca estão completamente reunidas. Os proponentes de paradigmas rivais estão sempre, pelo menos ligeiramente, em desacordo. Nenhuma das partes admitirá todos os pressupostos não empíricos de que a outra tem de partir para defender a sua posição. [...] Embora cada uma delas possa ter esperança de converter a outra ao seu modo de ver a disciplina científica em causa e os seus problemas, nenhuma delas poderá esperar ter provas a seu favor. A competição entre paradigmas não é o tipo de batalha que possa ser decidida através de provas.

T. Kuhn, A Estrutura das Revoluções Científicas, Lisboa, Guerra e Paz, 2009, p. 202. (Texto adaptado)

13. Mostre, com base no texto, como defende Kuhn a ideia de que «a competição entre paradigmas não é o tipo de batalha que possa ser decidida através de provas».

Enunciado: Exercício 13 · Exame Nacional Filosofia 1.ª fase 2026

Resolução

Segundo os critérios oficiais de classificação

13. Mostre, com base no texto, como defende Kuhn a ideia de que «a competição entre paradigmas não é o tipo de batalha que possa ser decidida através de provas».

Resposta: Apresentação da argumentação de Kuhn: − se fosse possível recorrer a um processo «mais ou menos rotineiro», «como o de contar o número de problemas resolvidos», para decidir qual dos paradigmas em competição é o melhor, teríamos uma prova a favor do paradigma escolhido; − no entanto, «nenhuma das partes admitirá todos os pressupostos não empíricos de que a outra tem de partir para defender a sua posição», e isto significa que alguns dos pressupostos não empíricos (ou teóricos) de cada um dos paradigmas em competição não são partilhados pelos proponentes do paradigma rival; − os proponentes de paradigmas rivais não partilham, por exemplo, o mesmo «conjunto de problemas científicos», nem o mundo em que esses problemas ocorrem – não há «um só mundo no interior do qual» se ocupam dos problemas –, nem partilham sequer «um conjunto de regras» que permita adotar soluções para os problemas; − uma vez que esses pressupostos teóricos não partilhados são relevantes para a escolha de um dos paradigmas em competição por toda a comunidade científica, os proponentes de um paradigma não podem «esperar ter provas a seu favor», mas apenas «converter» os proponentes do paradigma rival.

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