Exame Nacional Filosofia 2025 · 1.ª fase

Exame Nacional de Filosofia 2025, 1.ª fase: 15 exercícios com resolução. Temas: O que é a filosofia: problemas filosóficos. Com correção imediata.

Temas do exame: O que é a filosofia: problemas filosóficos · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional · Determinismo e livre-arbítrio · Ética de Kant e de Mill · Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel) · Conhecimento, ceticismo e racionalismo de Descartes · Empirismo de Hume: impressões, causalidade e indução · Filosofia da ciência: Popper e Kuhn · Estética: o problema da definição de arte · Filosofia da religião: Deus e o problema do mal

Exercício 1 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional

1. Considere as afirmações seguintes e selecione a opção correta.

Todos os argumentos válidos têm conclusão verdadeira.

Todos os argumentos sólidos são válidos.

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Exercício 2 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional

2. Considere o diálogo seguinte.

Ana – A Sofia não está em casa, pois não tem o carro estacionado à porta.

Rui – Parece-me que não conseguiremos visitá-la hoje.

Ana – Também me parece. Se a Sofia estivesse em casa, teria o carro estacionado à porta. Talvez tenha ido ao médico.

Indique qual das opções seguintes apresenta a reconstituição do argumento válido presente no diálogo anterior.

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Exercício 3 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional

3. Quem nega que alguns limites à liberdade de expressão sejam legítimos tem de admitir que

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Exercício 4 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional

4. Considere a frase seguinte.

Nem a Maria nem o Manuel gostam de acampar.

Esta frase exprime uma proposição

Exercício 5.1 · Determinismo e livre-arbítrio

Embora admitindo que o comportamento humano é efetivamente determinado pelas leis da Natureza, parece igualmente razoável concluir que o resultado é determinado de uma forma de tal maneira complexa e envolvendo tantas variáveis que, na prática, se torna impossível prevê-lo. [...]

Dado que é impraticável utilizar leis físicas fundamentais para prever o comportamento humano, nós adotamos aquilo a que se chama uma teoria efetiva. Em física, uma teoria efetiva é um quadro criado para modelar certos fenómenos observados, sem descrever em pormenor todos os processos subjacentes. [...] No caso das pessoas, uma vez que não conseguimos resolver as equações que determinam o nosso comportamento, recorremos à teoria efetiva de que as pessoas têm livre-arbítrio.

S. Hawking e L. Mlodinow, O Grande Desígnio, Lisboa, Gradiva, 2011, pp. 37-38.

5.1. É razoável inferir do texto que

Exercício 5.2 · Determinismo e livre-arbítrio

Embora admitindo que o comportamento humano é efetivamente determinado pelas leis da Natureza, parece igualmente razoável concluir que o resultado é determinado de uma forma de tal maneira complexa e envolvendo tantas variáveis que, na prática, se torna impossível prevê-lo. [...]

Dado que é impraticável utilizar leis físicas fundamentais para prever o comportamento humano, nós adotamos aquilo a que se chama uma teoria efetiva. Em física, uma teoria efetiva é um quadro criado para modelar certos fenómenos observados, sem descrever em pormenor todos os processos subjacentes. [...] No caso das pessoas, uma vez que não conseguimos resolver as equações que determinam o nosso comportamento, recorremos à teoria efetiva de que as pessoas têm livre-arbítrio.

S. Hawking e L. Mlodinow, O Grande Desígnio, Lisboa, Gradiva, 2011, pp. 37-38.

5.2. Uma das teses apresentadas no texto é a de que «o comportamento humano é efetivamente determinado pelas leis da Natureza».

Esta tese pode ser defendida

Exercício 6 · Empirismo de Hume: impressões, causalidade e indução

6. De acordo com Hume, o nosso conhecimento do mundo é apenas acerca de

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Exercício 7 · Filosofia da ciência: Popper e Kuhn

7. Segundo Kuhn, a história da ciência mostra que a escolha individual entre teorias científicas rivais depende de uma mistura de critérios objetivos e de fatores subjetivos.

Alguns dos critérios objetivos referidos por Kuhn são

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Exercício 8.1 · Filosofia da ciência: Popper e Kuhn

Podemos dizer que todas as atividades [científicas] implicam curiosidade sobre um determinado aspeto do mundo [...] e o desejo de saber mais, de alcançar um entendimento mais profundo.

[...] E quanto aos adeptos da teoria da conspiração segundo a qual a Terra é plana? Não serão eles tão curiosos quanto os cientistas, ávidos de provas racionais que justifiquem a sua crença? A resposta está em que, ao contrário dos cientistas, [...] os adeptos da teoria da conspiração terraplanista não estariam preparados para rejeitar a sua teoria se fossem confrontados com provas irrefutáveis da sua falsidade, como é o caso das imagens espaciais da NASA que mostram a curvatura do nosso planeta. Claramente, ser-se apenas curioso em relação ao mundo não significa que se pense de forma científica.

Jim Al-Khalili, O Prazer da Ciência, Lisboa, Temas e Debates, 2024, p. 23. (Texto adaptado)

8.1. O problema abordado no texto é o da

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Exercício 8.2 · Filosofia da ciência: Popper e Kuhn

Podemos dizer que todas as atividades [científicas] implicam curiosidade sobre um determinado aspeto do mundo [...] e o desejo de saber mais, de alcançar um entendimento mais profundo.

[...] E quanto aos adeptos da teoria da conspiração segundo a qual a Terra é plana? Não serão eles tão curiosos quanto os cientistas, ávidos de provas racionais que justifiquem a sua crença? A resposta está em que, ao contrário dos cientistas, [...] os adeptos da teoria da conspiração terraplanista não estariam preparados para rejeitar a sua teoria se fossem confrontados com provas irrefutáveis da sua falsidade, como é o caso das imagens espaciais da NASA que mostram a curvatura do nosso planeta. Claramente, ser-se apenas curioso em relação ao mundo não significa que se pense de forma científica.

Jim Al-Khalili, O Prazer da Ciência, Lisboa, Temas e Debates, 2024, p. 23. (Texto adaptado)

8.2. De acordo com o texto, pensar de forma científica implica aceitar que as teorias propostas sejam

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Exercício 9 · Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel)

9. Considere o texto seguinte.

[Segundo] Rawls, [...] respeitar as pessoas como seres livres e independentes requer [...] uma estrutura de direitos e de outros bens que compense a arbitrariedade da sorte. [...]

[Segundo] Nozick, [...] respeitar os direitos significa negar ao Estado qualquer papel na redistribuição do rendimento e da riqueza. A justa distribuição é a que resultar, seja ela qual for, das trocas voluntárias que acontecem numa economia de mercado. [...]

Apesar das suas diferenças relativas à justiça distributiva, Nozick e Rawls concordavam em que os direitos individuais prevalecem sobre as considerações utilitaristas e que o governo deve ser neutro em relação aos fins, no intuito de respeitar a capacidade das pessoas de escolherem os seus valores e de buscarem os seus próprios fins.

M. Sandel, O Descontentamento da Democracia, Lisboa, Presença, 2023, p. 191. (Texto adaptado)

9.1.

Os princípios de justiça que, segundo Rawls, permitem que as desigualdades decorrentes da «arbitrariedade da sorte» sejam compensadas são o princípio da igualdade equitativa de oportunidades e o princípio da diferença.

Apresente estes dois princípios.

9.2.

Compare, a partir do texto, a posição de Rawls com a de Nozick acerca do utilitarismo.

Exercício 10 · Ética de Kant e de Mill

10. Considere o texto seguinte.

Discernimento, [...] capacidade de julgar, [...] coragem, decisão [...] são, sem dúvida, e a muitos respeitos, coisas desejáveis; mas também podem tornar-se extremamente más e prejudiciais se a vontade [...] não for boa. [...]

A boa vontade não é boa por aquilo que promove ou realiza, pela aptidão para alcançar qualquer finalidade proposta, mas tão-somente pelo querer, isto é, em si mesma, e, considerada em si mesma, deve ser avaliada em grau muito mais alto do que tudo o que por seu intermédio possa ser alcançado em proveito de qualquer inclinação [...]. [A boa vontade] tem em si mesma o seu pleno valor. A utilidade ou a inutilidade nada podem acrescentar ou tirar a esse valor. [...]

Esta vontade não será o único bem nem o bem total, mas terá de ser, contudo, o bem supremo.

I. Kant, Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Lisboa, Edições 70, 2009, pp. 21-23, 26. (Texto adaptado)

Que justificação apresenta Kant para que a boa vontade seja o bem supremo?

Na sua resposta, integre adequadamente informação do texto.

Exercício 11 · Ética de Kant e de Mill

11. Considere o caso seguinte.

Numa região densamente povoada de um certo país, devido às secas frequentes, o abastecimento de água é insuficiente. Isto limita o crescimento da economia e do emprego nessa região. Uma maneira de aumentar o abastecimento de água é construir uma barragem num rio de outra região – montanhosa e com poucos habitantes – e armazenar água na albufeira.

Os habitantes das áreas que ficarão submersas após a construção da barragem opõem-se ao projeto. Afirmam que tanto o seu modo de vida, que sempre esteve ligado ao rio, como o seu território serão destruídos. Não aceitam que o seu sacrifício seja justificado pelo aumento do abastecimento de água a pessoas que vivem longe dali.

Na sua opinião, qual é a decisão eticamente correta? Não construir a barragem ou construí-la?

Na sua resposta, deve

- apresentar inequivocamente a sua posição;

- argumentar a favor da sua posição.

Exercício 12 · Estética: o problema da definição de arte

12. Leia o texto seguinte.

As reações emocionais à arte abstrata são muito duvidosas, principalmente porque não parecem estar aqui [na arte abstrata] disponíveis as estratégias que, no caso da arte representacional, proporcionam explicações óbvias da razão por que reagimos emocionalmente e daquilo a que reagimos. Um romance, um filme ou uma paisagem impressionista dão-me a imagem de um mundo humano, com cujos elementos me posso identificar ou dos quais me posso compadecer, aos quais posso reagir compassivamente ou com aversão, ou os quais posso até espelhar impensadamente, por um tipo de contágio natural. No entanto, tratando-se de uma [peça de música puramente instrumental], uma escultura minimalista ou uma pintura [...] abstrata, essas explicações parecem não ter qualquer poder.

J. Levinson, Investigações Estéticas – Ensaios de filosofia da arte, Porto, Ed. Afrontamento, 2020, pp. 51-52. (Texto adaptado)

No texto, pode ser encontrada uma crítica à teoria da arte como expressão.

Na sua opinião, tal crítica põe em causa a teoria da arte como expressão?

Na sua resposta, deve:

explicitar a crítica em causa;

apresentar inequivocamente a sua posição;

argumentar a favor da sua posição.

Exercício 13 · Filosofia da religião: Deus e o problema do mal

13. Há diferentes conceções da divindade. Certas religiões, por exemplo, admitem a existência de deuses – um ou mais – com algumas características semelhantes às humanas, incluindo defeitos.

É razoável afirmar que a existência do mal é compatível com a existência de tais deuses. Porquê?

Na sua resposta, comece por explicar o problema do mal.

Exercício 14 · O que é a filosofia: problemas filosóficos

14. Considere as duas perguntas seguintes.

I – Será que a criminalidade violenta é menor nos países em que há pena de morte?

II – Será que deve haver pena de morte?

As perguntas anteriores exprimem problemas filosóficos? Justifique.

Exercício 15 · Conhecimento, ceticismo e racionalismo de Descartes

15. O desafio cético tem merecido a atenção dos filósofos e levanta um problema para o qual são apresentadas respostas muito diferentes, como as de Descartes e de Hume.

Na sua opinião, será possível superar o desafio cético?

Na sua resposta, deve:

– clarificar o problema levantado no desafio cético;

– apresentar inequivocamente a sua posição;

– argumentar a favor da sua posição.

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