Exercício 14 · Exame Nacional Filosofia 1.ª fase 2026

Tema: Filosofia da ciência: Popper e Kuhn · Do exame 1.ª fase (2026)

Enunciado

Leia o texto seguinte e considere-o na resposta aos itens 13 e 14.

Se houvesse apenas um conjunto de problemas científicos, um só mundo no interior do qual nos pudéssemos ocupar deles e apenas um conjunto de regras que permitissem resolvê-los, a competição entre paradigmas poderia ser decidida de modo mais ou menos rotineiro por algum processo, como o de contar o número de problemas resolvidos por cada um deles. Mas, de facto, estas condições nunca estão completamente reunidas. Os proponentes de paradigmas rivais estão sempre, pelo menos ligeiramente, em desacordo. Nenhuma das partes admitirá todos os pressupostos não empíricos de que a outra tem de partir para defender a sua posição. [...] Embora cada uma delas possa ter esperança de converter a outra ao seu modo de ver a disciplina científica em causa e os seus problemas, nenhuma delas poderá esperar ter provas a seu favor. A competição entre paradigmas não é o tipo de batalha que possa ser decidida através de provas.

T. Kuhn, A Estrutura das Revoluções Científicas, Lisboa, Guerra e Paz, 2009, p. 202. (Texto adaptado)

14. Discordando de Kuhn, Popper afirma que há justificações objetivas que determinam a escolha de uma das teorias em competição.

Que perspetiva acerca da escolha de teorias considera mais plausível?

Na sua resposta, deve:

apresentar inequivocamente a sua posição;

argumentar a favor da sua posição.

Enunciado: Exercício 14 · Exame Nacional Filosofia 1.ª fase 2026

Resolução

Segundo os critérios oficiais de classificação

14. Que perspetiva acerca da escolha de teorias considera mais plausível? Na sua resposta, deve: – apresentar inequivocamente a sua posição; – argumentar a favor da sua posição.

Resposta: Cenários de resposta consoante a posição defendida: No caso de defender a perspetiva de Popper (há justificações objetivas): − as teorias em competição são submetidas a testes experimentais rigorosos e independentes; − testes experimentais genuinamente rigorosos e independentes são testes concebidos com o propósito de falsificar as teorias em competição; − uma das teorias em competição poderá resistir às tentativas de falsificação a que foi submetida e a outra não; − se os resultados de testes rigorosos e independentes mostram que uma teoria resiste às tentativas de falsificação a que foi submetida, mas que a outra não, é correto inferir que uma teoria é falsa e que a outra ainda não se revelou falsa; − nesse caso, os testes fornecem uma justificação objetiva que determina a escolha de uma das teorias em competição, a qual passa a ser vista como corroborada, e a rejeição da teoria que foi falsificada. No caso de defender a perspetiva de Kuhn (não há justificações puramente objetivas): − há critérios partilhados pelos proponentes de teorias em competição que são usados para fazer avaliações das teorias (como simplicidade, consistência ou exatidão); − no entanto, estes critérios não fornecem regras que determinam inequivocamente a escolha de uma das teorias em vez de outra e têm de ser interpretados sempre que são aplicados; − diferentes cientistas interpretam e aplicam de modos diferentes o mesmo critério e atribuem-lhe pesos distintos (ex.: preferência pela simplicidade vs. fecundidade); − logo, a aplicação destes critérios não resulta numa justificação puramente objetiva, e a adesão da comunidade não é estritamente decidida por provas neutras.

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