Exame Nacional Filosofia 2024 · Época especial
Exame Nacional de Filosofia 2024, Época especial: 15 exercícios com resolução. Temas: Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional. Grátis.
Temas do exame: Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional · Argumentos não dedutivos e falácias informais · Determinismo e livre-arbítrio · Juízos morais: subjetivismo, relativismo e objetivismo · Ética de Kant e de Mill · Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel) · Empirismo de Hume: impressões, causalidade e indução · Filosofia da ciência: Popper e Kuhn · Estética: o problema da definição de arte · Filosofia da religião: Deus e o problema do mal
Exercício 1 · Argumentos não dedutivos e falácias informais
1. Num argumento indutivamente forte, a conclusão
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Exercício 2 · Argumentos não dedutivos e falácias informais
2. Imagine que alguém argumentava do modo seguinte.
Com a desculpa da saúde pública, há quem queira impor-nos programas de vacinação obrigatória. Isto é inaceitável. Primeiro, vacinam-nos. Depois, se não resistirmos, decidem — para o nosso bem! — o que podemos ver e dizer na Internet. Por fim, hão de ditar aquilo em que temos de acreditar. Precisamos de resistir aos programas de vacinação obrigatória, pois já percebemos que querem controlar todos os aspetos da nossa vida.
Em que falácia incorreria quem argumentasse deste modo?
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Exercício 3 · Determinismo e livre-arbítrio
3. Leia o texto seguinte.
Dizer que «se o determinismo for verdadeiro, a natureza do leitor é fixa» significa dizer uma coisa que é falsa. As nossas naturezas não são fixas, porque ao longo da evolução nos tornámos em entidades concebidas de modo a alterar as suas naturezas em resposta às interações com o resto do mundo. […]
Se é daquelas pessoas que pensam que o livre-arbítrio só é realmente livre-arbítrio se emergir de uma alma imaterial que paira alegremente sobre o seu cérebro, lançando setas de decisão para o seu córtex motor, então, dado que o leitor pensa que o livre-arbítrio é isso, a minha opinião é que não existe de todo livre-arbítrio. Se, por outro lado, pensa que o livre-arbítrio pode ser moralmente importante sem ser sobrenatural, então a minha opinião é que o livre-arbítrio é de facto real, só que não é provavelmente o que pensava.
D. Dennett, A Liberdade Evolui, Lisboa, Temas e Debates, 2005, pp. 109, 236. (Texto adaptado)
Considerando os excertos transcritos, é possível inferir que o autor
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Exercício 4 · Ética de Kant e de Mill
4. De acordo com Kant, por sermos seres finitos com necessidades e inclinações, é possível que aquilo que a lei moral determina não seja o que desejamos. Tal possibilidade justifica que a lei moral tenha de ser especificada como um
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Exercício 5 · Ética de Kant e de Mill
5. De acordo com Kant, em qual dos casos seguintes a vontade do agente é autónoma?
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Exercício 6 · Ética de Kant e de Mill
6. Leia o texto seguinte.
A grande maioria das boas ações não tem em vista o benefício do mundo, mas o de indivíduos, a partir dos quais se constitui o bem do mundo; e nestas ocasiões os pensamentos do homem mais virtuoso não precisam de ir além das pessoas específicas envolvidas, exceto na medida em que lhe seja necessário assegurar-se de que, ao beneficiá-las, não está a violar os direitos – isto é, as expectativas legítimas e autorizadas – de qualquer outra pessoa. Segundo a ética utilitarista, o objeto da virtude é a multiplicação da felicidade: as ocasiões em que qualquer pessoa [...] tem o poder de a multiplicar a uma escala abrangente [...] são excecionais [...]; em todos os outros casos, [...] tudo aquilo a que tem de dar atenção é o interesse ou a felicidade de apenas algumas pessoas.
J. S. Mill, Utilitarismo, Porto, Porto Editora, 2005, pp. 59-60. (Texto adaptado)
No texto, Mill procura responder à crítica segundo a qual
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Exercício 7 · Ética de Kant e de Mill
7. As teorias morais de Kant e de Mill têm em comum
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Exercício 8 · Estética: o problema da definição de arte
8. A distinção entre emoção estética e emoções comuns, tais como a alegria e a tristeza, é central na teoria da arte seguinte.
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Exercício 9 · Estética: o problema da definição de arte
9. Leia o texto seguinte.
Desejando um certo pintor representar a beleza suprema, mandou reunir as mulheres bonitas que havia na região e, imitando de cada uma as partes mais belas, de uma os olhos, de outra o nariz, de outra as sobrancelhas e de cada uma um aspeto (pois não era possível que todas fossem bonitas em tudo), conseguiu realizar uma figura perfeita.
Dionísio de Halicarnasso, Tratado da Imitação, Lisboa, Instituto Nacional de Investigação Científica, 1986, pp. 66-67.
No texto, está patente a ideia de que
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Exercício 10 · Filosofia da religião: Deus e o problema do mal
10. Selecione a opção que apresenta uma objeção ao argumento cosmológico a favor da existência de Deus, tal como concebido pelos teístas.
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Exercício 11 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional
11. Admita que alguém afirma que Anselmo de Cantuária nasceu em Pádua ou em Aquino.
Admita, igualmente, que obtém a informação de que tal afirmação é falsa.
Partindo desta informação e considerando as regras de inferência estudadas, o que pode concluir acerca do local de nascimento de Anselmo de Cantuária?
Explique o processo inferencial realizado, nomeando a regra de inferência aplicada.
Exercício 12 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional
12. Todas as premissas do argumento seguinte são verdadeiras.
Zita Martins admite a existência de formas de vida extraterrestre e quer compreender o papel dos meteoritos na origem da vida na Terra, visto que é astrobióloga e, como é sabido, se é astrobióloga, admite a existência de formas de vida extraterrestre e quer compreender o papel dos meteoritos na origem da vida na Terra.
Avalie a solidez do argumento.
Na sua resposta, apresente todas as justificações necessárias.
Exercício 13 · Juízos morais: subjetivismo, relativismo e objetivismo
13. «Será legítimo manter animais em cativeiro para os usar em espetáculos?» e «Será a eutanásia moralmente permissível?» são dois exemplos de perguntas que suscitam debates acesos, motivados por juízos morais opostos.
A existência de juízos morais opostos, em resposta a perguntas como as anteriores, será uma boa razão para pensar que não há verdades morais objetivas?
Na sua resposta, deve:
– apresentar inequivocamente a sua posição;
– argumentar a favor da sua posição.
Exercício 14 · Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel)
14. Considere o texto seguinte.
Imaginar uma pessoa incapaz de vínculos constitutivos a uma comunidade não é conceber um agente idealmente livre e racional, mas imaginar uma pessoa inteiramente desprovida de carácter e de profundidade moral. Ter carácter é saber que me movo numa história que […] não controlo, mas que tem consequências para as minhas escolhas e conduta. É o que me compele a ser mais próximo de umas pessoas e mais distante de outras; é o que torna algumas finalidades mais apropriadas e outras menos. […] Sou capaz de refletir sobre a minha história e, neste sentido, de me distanciar dela, mas essa distância é sempre precária e provisória, e a posição de reflexão nunca se situará fora da própria história.
M. Sandel, «The Procedural Republic and the Unencumbered Self», in C. Farrelly, Contemporary Political Theory – A Reader, Londres, Sage Publications, 2004, pp. 120-121. (Texto adaptado)
14.1.
Sandel afirma que «ter carácter é saber que me movo numa história que […] não controlo, mas que tem consequências para as minhas escolhas e conduta».
Nesta afirmação, é criticado um aspeto da posição original concebida por Rawls.
Explicite esse aspeto.
14.2.
No texto, é evidente o contraste entre a conceção liberal de pessoa como agente livre e racional, que é a de Rawls, e a conceção comunitarista de pessoa como parte de uma comunidade à qual se encontra profundamente vinculada, que é a de Sandel.
Na sua opinião, qual é a conceção de pessoa mais adequada a uma sociedade democrática?
Na sua resposta, deve:
apresentar inequivocamente a sua posição;
argumentar a favor da sua posição.
Exercício 15 · Empirismo de Hume: impressões, causalidade e indução
15. Compare a posição de Descartes com a de Hume quanto à origem da ideia de Deus.
Exercício 16 · Empirismo de Hume: impressões, causalidade e indução
* 16. Leia o texto seguinte.
A fim de plenamente nos familiarizarmos com a ideia de poder ou conexão necessária, examinemos a sua impressão; e, de modo a encontrar a impressão com maior certeza, procuremo-la em todas as fontes de onde possivelmente se pode derivar.
Ao olharmos, à nossa volta, para os objetos externos e ao considerarmos a operação das causas, nunca conseguimos, num único caso, descobrir qualquer poder ou conexão necessária nem qualquer qualidade que liga o efeito à causa e transforma um em consequência infalível da outra. Descobrimos apenas que um, de facto, se segue realmente à outra. [...] Eis tudo o que aparece aos sentidos externos. [...] Não existe, em qualquer caso singular e particular de causa e efeito, coisa alguma que possa sugerir a ideia de poder ou conexão necessária.
[...] Pela experiência, aprendemos apenas a frequente conjunção dos objetos, sem alguma vez conseguirmos compreender algo como a conexão entre eles.
D. Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano, Lisboa, Edições 70, 1985, pp. 65, 71.
Que razões tem Hume para defender que a ideia de conexão necessária não é derivada de impressões externas?
Na sua resposta, integre adequadamente a informação do texto.
Exercício 17 · Filosofia da ciência: Popper e Kuhn
* 17. Leia o texto seguinte.
As leis gerais da natureza não são, na sua maior parte, objetos imediatos da perceção. Elas são inferências indutivas a partir de um extenso conjunto de factos, cuja verdade comum elas expressam, ou são, pelo menos na sua origem, hipóteses físicas, de natureza causal, que servem quer para explicar fenómenos com grande precisão quer para nos tornar capazes de prever novas combinações dos fenómenos.
G. Boole, An Investigation of the Laws of Thought, Londres, MacMillan, 1854, p. 4, in https://archive.org (consultado em 23/11/2023).
Concorda com a perspetiva expressa no texto acerca do conhecimento das leis da natureza?
Na sua resposta, deve:
− clarificar o problema em causa;
− apresentar inequivocamente a sua posição sobre a perspetiva expressa no texto acerca do conhecimento das leis da natureza;
− argumentar a favor da sua posição.
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