Exame Nacional Filosofia 2021 · Época especial

Exame Nacional de Filosofia 2021, Época especial: 15 exercícios com resolução. Temas: O que é a filosofia: problemas filosóficos. Com correção imediata.

Temas do exame: O que é a filosofia: problemas filosóficos · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional · Argumentos não dedutivos e falácias informais · Determinismo e livre-arbítrio · Juízos morais: subjetivismo, relativismo e objetivismo · Ética de Kant e de Mill · Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel) · Conhecimento, ceticismo e racionalismo de Descartes · Empirismo de Hume: impressões, causalidade e indução · Filosofia da ciência: Popper e Kuhn · Estética: o problema da definição de arte · Filosofia da religião: Deus e o problema do mal

Exercício 1 · O que é a filosofia: problemas filosóficos

1. Selecione a opção em que é formulado um problema filosófico.

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Exercício 2 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional

2. Considere o argumento seguinte.

As pessoas bondosas estudam Ética.

Quem estuda Ética considera os interesses dos outros.

Logo, as pessoas bondosas consideram os interesses dos outros.

O argumento anterior

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Exercício 3 · Argumentos não dedutivos e falácias informais

3. Considere os diálogos seguintes.

(I)

João – Estou com dificuldades em Matemática. Podes ajudar-me, Luís?

Luís – Poderia, mas isso não seria bom para ti. Se eu te ajudar agora, vais sempre precisar da minha ajuda e, no futuro, perante qualquer dificuldade, procurarás alguém para resolver por ti as tuas dificuldades.

(II)

Tânia – A Grande Conjunção de Saturno e Júpiter ocorreu em dezembro de 2020, pouco tempo antes de eu ter recebido a oferta de emprego com que sempre sonhei.

Ana – Isso mostra que tal oferta foi causada pela Grande Conjunção.

(III)

Paula – Creio que incentivar o uso de bicicletas e desenvolver a rede de transportes coletivos é mais sensato do que apostar na substituição do parque automóvel dependente da indústria petrolífera por um parque automóvel dependente da mineração de lítio.

Miguel – A tua posição é típica de um sonhador irrealista, sem grandes responsabilidades familiares, que pode fazer a sua vidinha a passear de bicicleta.

O Luís, a Ana e o Miguel incorrem, respetivamente, nas seguintes falácias.

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Exercício 4 · Argumentos não dedutivos e falácias informais

4. Atente no excerto seguinte, extraído da obra em que Copérnico procura mostrar que é errada a velha teoria de Ptolomeu segundo a qual a Terra é imóvel e todos os corpos celestes giram à sua volta.

Segundo Ptolomeu de Alexandria, se a Terra se movesse com uma rotação diária […], teria de haver um movimento muito rápido […] para poder levar a Terra a fazer um circuito completo em 24 horas. Realmente, as coisas que fazem uma rotação veloz parecem extremamente incapazes de se associar e capazes de se dispersar […], e os seres vivos e outros corpos pesados e soltos ainda menos teriam ficado nos seus lugares. […]

Mas por que razão não se levanta a mesma questão, ainda com mais intensidade, acerca do Universo, cujo movimento tem de ser tanto mais rápido quanto o Céu é maior do que a Terra?

N. Copérnico, As Revoluções dos Orbes Celestes, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1984, pp. 38-39. (Texto adaptado)

Neste excerto, para contra-argumentar, Copérnico recorre a

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Exercício 5 · Juízos morais: subjetivismo, relativismo e objetivismo

5. Para o subjetivista moral, o juízo de que roubar é errado

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Exercício 6 · Determinismo e livre-arbítrio

6. De acordo com o determinismo radical, afirmar que uma certa ação é provável ou que, pelo contrário, é improvável são modos de

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Exercício 7 · Estética: o problema da definição de arte

7. Há uma grande diversidade na arte. São arte uma sinfonia e uma escultura, uma pintura e uma canção, um filme e um bailado, um romance e uma ópera, um poema e uma fotografia. Além disso, a diversidade de géneros e correntes em cada uma das formas de arte aumenta a nossa perplexidade. Muitas pessoas chegam a pensar que, desde a coisa mais excecional e bela à mais banal, tudo pode ser arte.

A diversidade que existe na arte é apresentada por alguns filósofos como uma razão para questionar

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Exercício 8 · Estética: o problema da definição de arte

* 8. Leia os excertos seguintes.

I

Quando no poeta se repreende uma falta contra a verdade, há talvez que responder como Sófocles: que ele representava os homens tais como devem ser, e Eurípides os representava tais como são.

Aristóteles, Poética, Lisboa, IN-CM, 1986, p. 144. (Texto adaptado)

II

Talvez o que traz maior valor artístico seja a galeria de arte, pois a aceitação desta pode tornar quase tudo em arte.

P. Cave, Duas vidas valem mais que uma?, Alfragide, Academia do Livro, 2008, p. 192.

Identifique as perspetivas acerca da natureza da arte presentes nos textos I e II.

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Exercício 9 · Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel)

9. Considere a afirmação seguinte.

O princípio da eficiência não pode, por si só, servir como conceção da justiça.

J. Rawls, Uma Teoria da Justiça, Lisboa, Presença, 2001, p. 75.

De acordo com Rawls, para que uma sociedade eficiente do ponto de vista económico seja também justa,

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Exercício 10 · Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel)

10. O princípio da justiça que tem prioridade sobre os restantes diz respeito

Exercício 11 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional

11. Hume afirma o seguinte:

Todas as nossas ideias […] são cópias das nossas impressões.

D. Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano, Lisboa, Edições 70, 1985, p. 25.

Suponha que discordava da proposição expressa por Hume.

Nesse caso, aplicando o quadrado da oposição, que proposição teria de defender?

Justifique.

Exercício 12 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional

12. Avalie o argumento seguinte quanto à sua validade, construindo e interpretando uma tabela de verdade.

A nossa vida tem um propósito dado por Deus se e apenas se Deus existir e for o nosso criador.

Ora, é falso que Deus exista e seja o nosso criador.

Logo, a nossa vida não tem um propósito dado por Deus.

Na sua resposta, comece por formalizar o argumento, utilizando o dicionário apresentado.

Dicionário

P: A nossa vida tem um propósito dado por Deus.

Q: Deus existe.

R: Deus é o nosso criador.

1.

2.

P

Q

R

P ↔ (Q ∧ R)

¬(Q ∧ R)

∴ ¬P

3.

Exercício 13 · Ética de Kant e de Mill

13. Leia o texto seguinte.

Para provar que a felicidade é o único critério da moralidade, parece necessário mostrar [...] não só que as pessoas desejam a felicidade, mas também que nunca desejam qualquer outra coisa.

Que diremos, por exemplo, do amor ao dinheiro? [...] O seu valor consiste apenas nas coisas que pode comprar, no desejo de ter outras coisas que não o dinheiro, e que este permite satisfazer. Ainda assim, [...] o dinheiro é, em muitos casos, desejado em si e por si mesmo. O desejo de possuí-lo é frequentemente mais forte do que o desejo de usá-lo [...]. Deste modo, pode dizer-se que, na verdade, o dinheiro não é desejado em função de um fim, mas enquanto parte do fim. [...] Tornou-se um ingrediente [...] da conceção de felicidade do indivíduo. Pode dizer-se o mesmo sobre a maioria dos grandes objetivos da vida humana – o poder, por exemplo, ou a fama [...]. O desejo da sua posse não é diferente do desejo de felicidade, verificando-se o mesmo com o amor à música ou com o desejo de saúde. Estes estão incluídos na felicidade. [...]

Resulta das considerações precedentes que, na verdade, nada é desejado exceto a felicidade. Tudo aquilo que não é desejado como um meio [...] para a felicidade é desejado enquanto parte da felicidade.

J. S. Mill, Utilitarismo, Porto, Porto Editora, 2005, pp. 76-78. (Texto adaptado)

13.1.

Que razões apresenta Mill para concluir que «nada é desejado exceto a felicidade»?

13.2.

Imagine que, discordando de Mill, defende que não é a felicidade que tem importância moral, mas sim a felicidade ser merecida.

Como argumentaria a favor da sua posição?

Exercício 14.1 · Conhecimento, ceticismo e racionalismo de Descartes

Leia o texto seguinte.

Quis procurar [...] outras verdades e, tendo escolhido o objeto dos geómetras, [...] revi algumas das suas demonstrações mais simples. E, tendo notado que a grande certeza que todos lhes atribuem se funda apenas em serem concebidas com evidência, [...] notei também que não existia nelas absolutamente nada que me assegurasse da existência do seu objeto. Pois, por exemplo, via bem que, ao supor um triângulo, era necessário que os seus três ângulos fossem iguais a dois ângulos retos; mas, apesar disso, nada via que me garantisse que no mundo exterior existisse algum triângulo. Ao passo que, voltando a examinar a ideia que eu tinha de um ser perfeito, descobria que a existência estava nela contida, do mesmo modo, ou mais evidentemente ainda, que na ideia de um triângulo está compreendido que os seus três ângulos são iguais a dois ângulos retos [...].

R. Descartes, Discurso do Método, Lisboa, Edições 70, 2003, pp. 78-79.

14.1. Reconstitua o argumento a favor da existência de Deus apresentado no texto.

Exercício 14.2 · Empirismo de Hume: impressões, causalidade e indução

Leia o texto seguinte.

Quis procurar [...] outras verdades e, tendo escolhido o objeto dos geómetras, [...] revi algumas das suas demonstrações mais simples. E, tendo notado que a grande certeza que todos lhes atribuem se funda apenas em serem concebidas com evidência, [...] notei também que não existia nelas absolutamente nada que me assegurasse da existência do seu objeto. Pois, por exemplo, via bem que, ao supor um triângulo, era necessário que os seus três ângulos fossem iguais a dois ângulos retos; mas, apesar disso, nada via que me garantisse que no mundo exterior existisse algum triângulo. Ao passo que, voltando a examinar a ideia que eu tinha de um ser perfeito, descobria que a existência estava nela contida, do mesmo modo, ou mais evidentemente ainda, que na ideia de um triângulo está compreendido que os seus três ângulos são iguais a dois ângulos retos [...].

R. Descartes, Discurso do Método, Lisboa, Edições 70, 2003, pp. 78-79.

14.2. Considere a proposição «os três ângulos de um triângulo são iguais a dois ângulos retos».

Hume diria que esta proposição diz respeito a uma relação de ideias ou antes a uma questão de facto?

Justifique.

Exercício 15 · Filosofia da religião: Deus e o problema do mal

15. Na sua opinião, o argumento teleológico, ou do desígnio, a favor da existência de Deus é persuasivo?

Justifique.

Na sua resposta, deve:

– apresentar inequivocamente a sua posição;

– argumentar a favor da sua posição.

Exercício 16 · Filosofia da ciência: Popper e Kuhn

16. Será que a ciência progride à medida que mais previsões são verificadas?

Na sua resposta, deve:

– clarificar o problema filosófico inerente à questão formulada;

– apresentar inequivocamente a sua posição;

– argumentar a favor da sua posição.

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