Exercício 16 · Exame Nacional Filosofia Época especial 2024

Tema: Empirismo de Hume: impressões, causalidade e indução · Do exame Época especial (2024)

Enunciado

* 16. Leia o texto seguinte.

A fim de plenamente nos familiarizarmos com a ideia de poder ou conexão necessária, examinemos a sua impressão; e, de modo a encontrar a impressão com maior certeza, procuremo-la em todas as fontes de onde possivelmente se pode derivar.

Ao olharmos, à nossa volta, para os objetos externos e ao considerarmos a operação das causas, nunca conseguimos, num único caso, descobrir qualquer poder ou conexão necessária nem qualquer qualidade que liga o efeito à causa e transforma um em consequência infalível da outra. Descobrimos apenas que um, de facto, se segue realmente à outra. [...] Eis tudo o que aparece aos sentidos externos. [...] Não existe, em qualquer caso singular e particular de causa e efeito, coisa alguma que possa sugerir a ideia de poder ou conexão necessária.

[...] Pela experiência, aprendemos apenas a frequente conjunção dos objetos, sem alguma vez conseguirmos compreender algo como a conexão entre eles.

D. Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano, Lisboa, Edições 70, 1985, pp. 65, 71.

Que razões tem Hume para defender que a ideia de conexão necessária não é derivada de impressões externas?

Na sua resposta, integre adequadamente a informação do texto.

Enunciado: Exercício 16 · Exame Nacional Filosofia Época especial 2024

Resolução

Segundo os critérios oficiais de classificação

Que razões tem Hume para defender que a ideia de conexão necessária não é derivada de impressões externas?

Resposta: Apresentação das razões pelas quais Hume defende que a ideia de conexão necessária não é derivada de impressões externas: − não temos impressões de um «poder ou conexão necessária» entre acontecimentos (isto é, de um poder ou conexão que os ligue causalmente); − apenas temos impressões de sequências ou conjunções de acontecimentos, pois apenas isso «aparece aos sentidos externos»; − mas de uma única sequência ou conjunção nada inferimos (ou seja, uma única sequência ou conjunção de quaisquer dois acontecimentos não tem significado); − apenas a repetição da conjunção nos leva, na presença de um, a esperar o outro (ou seja, nos leva a associá-los); − contudo, embora nos leve a associá-los, a experiência repetida de uma conjunção continua a não apresentar aos sentidos algo que constitua uma conexão necessária.

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