Exame Nacional Filosofia 2024 · 2.ª fase
Exame Nacional de Filosofia 2024, 2.ª fase: 15 exercícios com resolução. Temas: Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional. Grátis.
Temas do exame: Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional · Argumentos não dedutivos e falácias informais · Determinismo e livre-arbítrio · Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel) · Conhecimento, ceticismo e racionalismo de Descartes · Empirismo de Hume: impressões, causalidade e indução · Filosofia da ciência: Popper e Kuhn · Estética: o problema da definição de arte · Filosofia da religião: Deus e o problema do mal
Exercício 1 · Argumentos não dedutivos e falácias informais
1. Considere os dois argumentos seguintes e selecione a opção correta.
(I) Num conjunto de entrevistas a jovens portugueses, verificou-se que todos os entrevistados tinham algum familiar emigrado. Logo, todos os jovens portugueses têm familiares emigrados.
(II) Um membro do Conselho das Comunidades Portuguesas afirmou que todos os jovens portugueses têm algum familiar emigrado. Logo, todos os jovens portugueses têm familiares emigrados.
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Exercício 2 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional
2. É correto afirmar que duas proposições contraditórias entre si
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Exercício 3 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional
3. A negação de «alguns pescadores são corajosos» é
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Exercício 4 · Determinismo e livre-arbítrio
4. Qual das teses seguintes seria rejeitada por um defensor do determinismo radical?
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Exercício 5 · Determinismo e livre-arbítrio
5. Na resposta ao problema do livre-arbítrio é atribuído um estatuto de exceção às operações da mente humana, quando comparadas com todos os outros fenómenos,
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Exercício 6 · Conhecimento, ceticismo e racionalismo de Descartes
6. Os céticos radicais, ou pirrónicos, defendem que
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Exercício 7 · Conhecimento, ceticismo e racionalismo de Descartes
7. Segundo Descartes, o que faz do cogito uma crença que pode ser tomada como fundamento de todo o conhecimento é o facto de tal crença
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Exercício 8 · Empirismo de Hume: impressões, causalidade e indução
8. Leia o texto seguinte.
Há um absurdo evidente em pretender demonstrar uma questão de facto, ou em prová-la por qualquer argumento a priori. Nada é demonstrável a não ser que o contrário implique uma contradição. […]
Pretende-se que a Divindade é um ser necessariamente existente e espera-se que esta necessidade da sua existência seja explicada declarando que, se se conhecesse toda a sua essência e natureza, compreenderíamos ser impossível ela não existir, tal como é impossível dois vezes dois não serem quatro. […] A mente [não] poderia alguma vez permanecer sob a necessidade de supor qualquer objeto sempre continuamente existente, do mesmo modo que permanecemos sob a necessidade de conceber sempre dois vezes dois serem quatro.
D. Hume, Diálogos sobre a Religião Natural, in Obras sobre Religião, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2005, pp. 89-90. (Texto adaptado)
No texto, defende-se que a existência de Deus é uma questão de facto
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Exercício 9.1 · Filosofia da ciência: Popper e Kuhn
Leia o texto seguinte, no qual Darwin refere a sua investigação sobre recifes de coral, que descreveu na obra Recifes de Coral.
Este livro, embora curto, custou-me vinte meses de trabalho pesado, visto que tive de ler todas as obras sobre as ilhas do Pacífico e consultar muitos roteiros marítimos. O livro foi muito apreciado pelos cientistas, e a teoria aí exposta está, creio, bem estabelecida.
[...] Assim, só tinha de verificar e ampliar as minhas ideias através de uma observação cuidadosa de recifes vivos.
C. Darwin, Autobiografia, Lisboa, Relógio D'Água, 2004, p. 89.
9.1. No texto, Darwin indica que o propósito da observação de recifes de corais vivos era «verificar e ampliar» as suas ideias.
Esta indicação poderia ser usada para pôr em causa o papel atribuído à observação pelos defensores da perspetiva
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Exercício 9.2 · Conhecimento, ceticismo e racionalismo de Descartes
Leia o texto seguinte, no qual Darwin refere a sua investigação sobre recifes de coral, que descreveu na obra Recifes de Coral.
Este livro, embora curto, custou-me vinte meses de trabalho pesado, visto que tive de ler todas as obras sobre as ilhas do Pacífico e consultar muitos roteiros marítimos. O livro foi muito apreciado pelos cientistas, e a teoria aí exposta está, creio, bem estabelecida.
[...] Assim, só tinha de verificar e ampliar as minhas ideias através de uma observação cuidadosa de recifes vivos.
C. Darwin, Autobiografia, Lisboa, Relógio D'Água, 2004, p. 89.
9.2. A teoria de Darwin sobre recifes de coral foi concebida
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Exercício 10 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional
10. Atente no argumento seguinte.
Se a Rita se preparou bem para a prova de Matemática, então resolveu exercícios quer de aritmética quer de geometria.
A Rita não resolveu exercícios de geometria.
Por conseguinte, é falso que a Rita se tenha preparado bem para a prova de Matemática.
Identifique todas as conectivas proposicionais que ocorrem no argumento.
Na sua resposta, transcreva as expressões que representam conectivas e, para cada expressão transcrita, indique o nome da conectiva correspondente.
Exercício 11 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional
11. Avalie o argumento seguinte quanto à sua validade.
Se o Manuel pratica ginástica artística, então está em boa forma física.
O Manuel está em boa forma física.
Por conseguinte, o Manuel pratica ginástica artística.
Na sua resposta, deve:
formalizar o argumento, começando por indicar o dicionário utilizado;
aplicar o método das tabelas de verdade.
Exercício 12 · Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel)
12. Leia o texto seguinte, da autoria de Rawls.
Uma vez encontrada a conceção da justiça, podemos dar às ideias de respeito e de dignidade humana um significado mais preciso. Entre outras coisas, o respeito pelas pessoas exprime-se tratando-as de modos que elas possam compreender que são justificados. Mas, além disso, o respeito manifesta-se no conteúdo dos princípios aos quais recorremos. Assim, respeitar as pessoas é reconhecer que elas possuem uma inviolabilidade baseada na justiça que mesmo o bem-estar da sociedade considerada no seu conjunto não pode anular. É afirmar que a perda de liberdade de alguns não é justificada pelo maior bem-estar de que outros possam beneficiar. As prioridades da justiça […] representam o valor das pessoas, que Kant dizia estar acima de qualquer preço.
J. Rawls, Uma Teoria da Justiça, Lisboa, Editorial Presença, 1993, pp. 440-441. (Texto adaptado)
12.1.
Explique o que, de acordo com o texto, significa respeitar as pessoas.
12.2.
No texto, é implicitamente criticada uma teoria moral.
Que razões são dadas no texto para fazer essa crítica?
Na sua resposta, comece por identificar a teoria moral implicitamente criticada no texto.
12.3.
Kant e Rawls defendem que o valor de cada pessoa, individualmente considerada, está «acima de qualquer preço».
Concorda com esta ideia?
Na sua resposta, deve:
– apresentar inequivocamente a sua posição;
– argumentar a favor da sua posição.
Exercício 13 · Estética: o problema da definição de arte
13. Leia o texto seguinte.
Não posso deixar de dizer aquilo que penso, mais precisamente, que as pessoas do nosso círculo, algumas das quais escrevem poemas, contos, romances, óperas, sinfonias, sonatas, pintam quadros de diferentes géneros, moldam estátuas, enquanto outras ouvem e veem isso, e outras ainda avaliam e criticam tudo isso, debatem, censuram, celebram, erigem monumentos umas às outras e assim por diante durante algumas gerações; que todas estas pessoas – artistas, público e críticos – nunca experimentaram, com poucas exceções – a não ser na sua infância e juventude, quando ainda não tinham ouvido qualquer explicação sobre arte –, aquele sentimento simples, familiar às pessoas mais simples e até às crianças, de ser contagiado pelos sentimentos de outrem, alegrando-nos com a alegria dos outros, afligindo-nos com a aflição dos outros, fundindo as nossas almas, o que constitui a essência da arte.
Lev Tolstói, O Que É a Arte?, Lisboa, Gradiva, 2013, pp. 191-192.
13.1.
Explicite o aspeto da teoria expressivista da arte apresentado no texto.
13.2.
Argumente contra a teoria expressivista da arte defendida no texto.
Exercício 14 · Filosofia da religião: Deus e o problema do mal
A observação do mundo e a consideração das leis naturais que o regem e da ordem que nele se encontra têm levado muitos cientistas e filósofos a afirmar que a crença na existência de Deus é razoável.
Parece-lhe razoável, a partir da observação do mundo e da consideração das leis naturais que o regem e da ordem que nele se encontra, concluir que Deus existe?
Na sua resposta, deve:
clarificar o problema proposto;
apresentar inequivocamente a sua posição;
argumentar a favor da sua posição.
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