Exercício 17 · Exame Nacional Filosofia Época especial 2024

Tema: Filosofia da ciência: Popper e Kuhn · Do exame Época especial (2024)

Enunciado

* 17. Leia o texto seguinte.

As leis gerais da natureza não são, na sua maior parte, objetos imediatos da perceção. Elas são inferências indutivas a partir de um extenso conjunto de factos, cuja verdade comum elas expressam, ou são, pelo menos na sua origem, hipóteses físicas, de natureza causal, que servem quer para explicar fenómenos com grande precisão quer para nos tornar capazes de prever novas combinações dos fenómenos.

G. Boole, An Investigation of the Laws of Thought, Londres, MacMillan, 1854, p. 4, in https://archive.org (consultado em 23/11/2023).

Concorda com a perspetiva expressa no texto acerca do conhecimento das leis da natureza?

Na sua resposta, deve:

− clarificar o problema em causa;

− apresentar inequivocamente a sua posição sobre a perspetiva expressa no texto acerca do conhecimento das leis da natureza;

− argumentar a favor da sua posição.

Enunciado: Exercício 17 · Exame Nacional Filosofia Época especial 2024

Resolução

Segundo os critérios oficiais de classificação

Concorda com a perspetiva expressa no texto acerca do conhecimento das leis da natureza?

Resposta: Clarificação do problema: − o problema em causa é o da verificação das hipóteses científicas OU é o do conhecimento das leis da natureza OU é o dos tipos de inferência usados na investigação das leis da natureza; − trata-se de decidir se a investigação científica visa (OU permite) a confirmação indutiva das hipóteses. Apresentação inequívoca da posição defendida. Justificação da posição defendida – cenários de resposta: No caso de o aluno concordar com a perspetiva indutivista defendida no texto: − a investigação de uma lei da natureza envolve muitas observações de casos particulares (OU extensas coleções de factos); − a partir de numerosos casos particulares (OU factos observáveis OU fenómenos que são expressão de uma lei da natureza), por indução, é possível inferir leis gerais (que permitem explicar fenómenos e prever novos fenómenos); − a indução (a partir de dados particulares) é o processo fundamental para o conhecimento do mundo, seja no plano da experiência comum, seja no plano da investigação científica; − contudo, a indução apenas permite alcançar um certo grau (em nenhum caso, absoluto) de confirmação ou probabilidade das hipóteses, dependendo a probabilidade do número de observações feitas e do seu rigor. No caso de o aluno discordar da perspetiva indutivista defendida no texto: − as inferências indutivas (tal como Hume mostrou) não podem ser justificadas e, se não podem ser justificadas, também não podem justificar as hipóteses científicas (OU também não permitem confirmar uma lei da natureza); − os avanços científicos não dependem de induções, mas de testes rigorosos, cujo propósito é pôr à prova as hipóteses científicas (OU as hipóteses que formulamos para explicar os fenómenos OU as hipóteses que formulamos acerca das leis da natureza); − quando os testes feitos não estão de acordo com as expectativas decorrentes das hipóteses, indicam que as hipóteses são falsas (e têm de ser corrigidas ou abandonadas); − quando os testes estão de acordo com as expectativas decorrentes das hipóteses, nada indicam – nem sequer sob a forma de uma probabilidade – sobre o valor de verdade das hipóteses, e apenas se pode dizer que as hipóteses foram corroboradas pelos testes (dependendo o avanço posterior da ciência de um aumento do rigor dos testes ou de um aumento do grau de exposição à crítica empírica das teorias) OU e por isso as leis da natureza nunca deixam de ser conjeturais.

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