Acesso ao ensino superior: como funciona

O Concurso Nacional de Acesso explicado com as regras oficiais: provas de ingresso, nota de candidatura, fases e calendário, contingentes, propinas e bolsas. E todas as médias de entrada.

Tudo para escolher curso

Como funciona o Concurso Nacional de Acesso?

É a candidatura às universidades e politécnicos públicos. Fazes os exames nacionais do secundário, candidatas-te no site da DGES com até 6 pares instituição/curso por ordem de preferência e ficas colocado no primeiro da lista em que a tua nota de candidatura chegue. Há três fases: a 1.ª no verão, com quase todas as vagas, e a 2.ª e a 3.ª com as vagas que sobram. As privadas têm concursos próprios.

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Como se calcula a nota de candidatura?

A nota de candidatura vai de 0 a 200. Junta a média do secundário e as notas dos exames nacionais que o curso pede como provas de ingresso; em poucos cursos junta também um pré-requisito. Cada instituição escolhe os pesos de cada curso, mas a lei fixa limites: a média pesa pelo menos 40 %, as provas pesam pelo menos 45 % e nunca menos do que a média, cada prova pesa entre 15 % e 30 % e o pré-requisito no máximo 15 %. Em 2026 quase todos os cursos usam 50 % média + 50 % provas. A média do secundário (0 a 20) conta até às décimas, sem arredondar, e multiplica-se por 10: 14,67 passa a 146. Os exames entram com a nota inteira de 0 a 200. A nota final arredonda-se às décimas. Desde 2026-2027 um curso pode pedir 1, 2 ou 3 provas e ter até 6 conjuntos alternativos. Cada exame tem de ter pelo menos o mínimo do curso, nunca abaixo de 95; a nota de candidatura também tem um mínimo fixado pela instituição (em 2026, 95 ou 100 na maioria). Um exame vale no ano em que se faz e nos quatro anos seguintes; se for repetido, conta a melhor nota. Na 1.ª fase do concurso só contam exames da 1.ª fase. Em caso de empate, ganha quem tem mais pontos nas provas e depois melhor média. Podem indicar-se até 6 pares instituição/curso por ordem de preferência.

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Como se calcula a média do secundário?

Nos cursos científico-humanísticos as notas vão de 0 a 20. Quem termina o 12.º em 2026-2027 faz três exames nacionais para concluir: Português e mais dois, escolhidos entre as disciplinas bienais e a trienal da formação específica, ou uma delas e Filosofia. Numa disciplina com exame, a nota final é 75 % da nota interna e 25 % do exame, arredondada às unidades. Nas outras, é a média das notas anuais. A média final do curso é ponderada: as disciplinas de três anos contam 3, as de dois anos contam 2 e as anuais contam 1. Educação Física conta; Educação Moral e Religiosa não. Para o acesso ao ensino superior usa-se essa média com uma casa decimal, sem arredondar, multiplicada por 10. Nos cursos profissionais e artísticos especializados a média vem da fórmula própria do curso e os exames servem só como provas de ingresso.

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Quando são as fases do concurso de acesso?

No concurso de 2026: 1.ª fase: candidatura de 20 de julho a 6 de agosto, resultados a 23 de agosto, matrícula de 24 de agosto a 27 de agosto; 2.ª fase: candidatura de 24 de agosto a 20 de setembro, resultados a 30 de setembro, matrícula de 1 de outubro a 3 de outubro; 3.ª fase: candidatura de 10 de outubro a 12 de outubro, resultados a 18 de outubro, matrícula de 18 de outubro a 20 de outubro. O calendário de 2027 ainda não foi publicado; costuma ser parecido.

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Quando são os exames nacionais?

Os exames nacionais do secundário fazem-se em duas fases: a 1.ª em junho e a 2.ª em julho. A inscrição na 1.ª fase é obrigatória. As datas dos exames de 2027 ainda não foram publicadas; já se sabe que a inscrição para a 1.ª fase de 2027 decorre de 5 a 18 de março de 2027. Em 2026 a 1.ª fase foi de 16 a 26 de junho e a 2.ª, depois de alterada, de 21 a 24 de julho; houve ainda uma época extraordinária em setembro. Os exames do 12.º ano são Português, História A, Matemática A e Desenho A; os restantes são do 11.º ano. Cada curso superior diz que exames aceita: por exemplo, a prova 16 Matemática pode ser feita com Matemática A (635) ou Matemática B (735).

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O que são os contingentes especiais?

Parte das vagas da 1.ª fase fica reservada para alguns candidatos, que concorrem primeiro nesse contingente e, se não entrarem, no geral: oriundos da Região Autónoma dos Açores (3,5 %); oriundos da Região Autónoma da Madeira (3,5 %); emigrantes portugueses, familiares que com eles residam e lusodescendentes (7 % na 1.ª fase); militares (2,5 %); com deficiência (4 % ou, quando inferior, 2 vagas (o maior dos dois valores) na 1.ª fase); beneficiários de ação social escolar (2 % ou, quando inferior, 2 vagas). Nos Açores, na Madeira e em muitos politécnicos há ainda preferência regional: uma parte das vagas é primeiro para quem é da região.

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Quanto custa a propina no ensino superior público?

Nas instituições públicas, a propina de licenciatura, mestrado integrado e CTeSP não pode passar de 697 euros por ano em 2026-2027, porque o Orçamento do Estado congelou o valor de 2025-2026. Cada instituição pode cobrar menos e paga-se em prestações.

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Quem pode ter bolsa de estudo e quanto recebe?

Em 2026-2027 a bolsa ainda segue as regras antigas. Pode pedi-la quem tem um rendimento por pessoa no agregado até 23 vezes o IAS (cerca de 12 354 euros por ano). A bolsa é 11 vezes o IAS mais a propina paga, menos o rendimento por pessoa, e nunca fica abaixo de 125 % da propina. Os bolseiros deslocados recebem 30 % do IAS por mês para alojamento, e mais se não tiverem lugar numa residência. Quem entra pela primeira vez e tem o 1.º escalão do abono recebe ainda uma bolsa de incentivo de 1 075 euros. O pedido faz-se na plataforma BeOn entre 14 de agosto e 2 de outubro de 2026.

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Há outras formas de entrar no ensino superior?

Maiores de 23 anos: Para quem tem 23 anos feitos até 31 de dezembro do ano anterior às provas e não tem a habilitação de acesso. Faz provas próprias na instituição (currículo, entrevista e provas de conhecimentos); cada instituição abre pelo menos 5 % das suas vagas do regime geral.

Titulares de diploma de técnico superior profissional (CTeSP): Concurso especial em cada instituição. No politécnico, valem as condições da instituição; no universitário, é preciso ter feito os exames das provas de ingresso do curso com a nota mínima.

Titulares de diploma de especialização tecnológica (DET/CET): Mesmo regime dos titulares de CTeSP: condições da instituição no politécnico; exames das provas de ingresso com nota mínima no universitário.

Titulares de outros cursos superiores: Para bacharéis, licenciados, mestres e doutores que querem outra licenciatura ou mestrado integrado. Cada instituição fixa condições, vagas e critérios de seriação.

Acesso a Medicina por licenciados: Concurso especial para licenciados entrarem no mestrado integrado em Medicina. Vagas por despacho do reitor e prazos em regulamento de cada escola.

Estudante internacional: Para estrangeiros fora da UE/EEE sem residência legal em Portugal há mais de dois anos. Candidatam-se em cada instituição, com o diploma que dá acesso ao superior no seu país. Não usam o concurso nacional.

Diplomados das vias profissionalizantes (dupla certificação e artísticos): Concurso especial para titulares de cursos profissionais, de aprendizagem e artísticos especializados. Faz-se numa plataforma nacional, com notas do secundário e provas locais organizadas por consórcios regionais. Em 2026 teve 1.ª e 2.ª fase.

Concursos locais (cursos de artes com aptidão vocacional): Alguns cursos de Música, Dança, Teatro e Cinema de instituições públicas não entram no concurso nacional: têm concurso local próprio, com provas de aptidão, regulado por portaria para cada curso.

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