Exame Nacional Filosofia 2023 · 2.ª fase

Exame Nacional de Filosofia 2023, 2.ª fase: 14 exercícios com resolução. Temas: Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional. Grátis.

Temas do exame: Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional · Argumentos não dedutivos e falácias informais · Determinismo e livre-arbítrio · Juízos morais: subjetivismo, relativismo e objetivismo · Ética de Kant e de Mill · Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel) · Conhecimento, ceticismo e racionalismo de Descartes · Filosofia da ciência: Popper e Kuhn · Estética: o problema da definição de arte · Filosofia da religião: Deus e o problema do mal

Exercício 1 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional

1. Suponha que as conclusões de dois argumentos não podem ser conjuntamente verdadeiras.

Nesse caso,

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Exercício 2 · Argumentos não dedutivos e falácias informais

2. Suponha que alguém apresentava o argumento seguinte.

Um pastor leva o seu rebanho aos melhores pastos, mas deixa as ovelhas comer sozinhas. Ora, um professor é como um pastor. Daí que o seu papel seja indicar as melhores fontes de informação aos alunos e, depois, deixá-los aprender sozinhos.

Este seria um argumento

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Exercício 3 · Argumentos não dedutivos e falácias informais

3. Considere o argumento seguinte.

Se Rawls, um filósofo americano, se opôs à guerra do seu país contra o Vietname, então ele opôs-se à política externa do seu país e, neste caso, não há dúvidas de que era um antipatriota. Mas, se ele era um antipatriota, a sua teoria da justiça é totalmente errada. Ora, uma vez que Rawls protestou contra a guerra do Vietname, temos de reconhecer que a sua teoria da justiça é totalmente errada.

Quem apresentasse o argumento anterior, incorreria nas falácias

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Exercício 4 · Determinismo e livre-arbítrio

4. A resposta dos deterministas moderados ao problema do livre-arbítrio distingue-se das outras respostas por incluir a tese seguinte.

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Exercício 5 · Estética: o problema da definição de arte

5. Selecione a opção que refere definições de arte de acordo com as quais a intenção do artista ao produzir um dado objeto é indispensável para que esse objeto seja arte.

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Exercício 6 · Estética: o problema da definição de arte

6. Admitir a existência do artista isolado, que cria solitariamente arte que só ele conhece, é incompatível com a perspetiva

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Exercício 7 · Filosofia da religião: Deus e o problema do mal

7. Selecione a opção que apresenta uma premissa do argumento cosmológico a favor da existência de Deus.

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Exercício 8 · Filosofia da religião: Deus e o problema do mal

8. Leia o texto seguinte.

Santo Agostinho observou que, se nada de mau acontecesse alguma vez, não poderíamos conhecer e apreciar o bem. [...] Logicamente, na ausência do conceito de mal, não poderia haver uma conceção do bem. [...] Além disso, psicologicamente, se nunca sofrêssemos, tomaríamos as coisas boas por garantidas e não desfrutaríamos tanto delas. [...]

No entanto, mesmo que isto seja verdade, explica apenas por que razão Deus poderia permitir a existência de algum mal. De facto, podemos precisar que nos aconteçam algumas coisas más de vez em quando, apenas para não nos esquecermos de que somos tão afortunados. Mas isto não explica por que razão há tanto mal no mundo.

J. Rachels, Problemas da Filosofia, Lisboa, Gradiva, 2009, p. 60. (Texto adaptado)

De acordo com o texto, o problema do mal decorre de

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Exercício 9 · Filosofia da ciência: Popper e Kuhn

9. Segundo Kuhn, a substituição de um paradigma científico por outro tem na sua origem

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Exercício 10 · Filosofia da ciência: Popper e Kuhn

10. A frase «dois quilogramas de algodão pesam exatamente o mesmo que dois quilogramas de chumbo» exprime uma proposição que, por ser

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Exercício 11 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional

11. Atente no argumento seguinte.

Francisco Sanches não nasceu na Itália, dado ter nascido em Braga ou em Tui; e é evidente que, se nasceu em Braga ou em Tui, não nasceu na Itália.

Mostre que o argumento é válido, recorrendo às regras de inferência estudadas.

Na sua resposta, deve:

identificar as premissas e a conclusão do argumento;

formalizar o argumento, começando por indicar o dicionário utilizado;

indicar a regra de inferência usada para chegar à conclusão.

Exercício 12 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional

12. Considere a conjunção seguinte.

A justificação assegura a verdade das crenças e o conhecimento fornece certezas.

Suponha que tem boas razões para discordar da conjunção anterior e que, por isso, pretende negá-la.

Nesse caso, terá de defender que nem a justificação assegura a verdade das crenças nem o conhecimento fornece certezas? Justifique a sua resposta.

Exercício 13 · Juízos morais: subjetivismo, relativismo e objetivismo

13. Considere o texto seguinte.

A piedade é um sentimento natural [...]. É ela que nos leva a socorrer, sem pensar duas vezes, as pessoas que vemos em sofrimento [...]. É ela que, no lugar da máxima [...] Faz aos outros o que gostarias que te fizessem a ti, inspira a todos os seres humanos esta outra máxima de bondade natural, bem menos perfeita, mas talvez mais útil do que a anterior: Faz o que é bom para ti provocando o menor mal possível a outrem. É, em suma, neste sentimento natural, mais do que em argumentos subtis, que é preciso procurar a causa da repugnância que qualquer ser humano sentiria ao praticar o mal, independentemente das máximas que lhe moldaram a educação.

J.-J. Rousseau, Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens, Lisboa, Penguin, 2021, pp. 54-55. (Texto adaptado)

O autor do texto defende que a máxima de que cada um deve fazer o que é bom para si provocando o menor mal possível a outrem não é afetada por variações pessoais nem culturais.

Como é que o autor justifica a sua posição?

Exercício 14 · Ética de Kant e de Mill

14. Leia o texto seguinte.

A justiça é um nome para certas exigências morais que, consideradas coletivamente, ocupam um lugar mais elevado na escala da utilidade [...] do que quaisquer outras, ainda que possam ocorrer casos particulares em que outro dever social é tão importante que passa por cima das máximas gerais da justiça. Assim, para salvar uma vida, pode não só ser admissível, mas constituir mesmo um dever, roubar ou tirar à força a comida ou os medicamentos necessários, ou raptar e forçar a trabalhar o único médico qualificado. Nesses casos, [...] dizemos geralmente, não que a justiça tem de dar lugar a outro princípio moral, mas que, devido a esse outro princípio, aquilo que é justo nos casos comuns não é justo neste caso particular.

J. S. Mill, Utilitarismo, Porto, Porto Editora, 2005, p. 104.

* 14.1.

Explicite as razões que, de acordo com o texto, justificam que um ato habitualmente tido por injusto possa «não só ser admissível, mas constituir mesmo um dever».

Na sua resposta, integre informação do texto.

* 14.2.

Concorda com a ideia segundo a qual um ato habitualmente tido por injusto possa «não só ser admissível, mas constituir mesmo um dever»?

Na sua resposta, deve:

– apresentar inequivocamente a sua posição;

– argumentar a favor da sua posição.

Exercício 15 · Conhecimento, ceticismo e racionalismo de Descartes

15. Atente nos dois textos seguintes, A e B, um dos quais foi escrito por Descartes e o outro por Hume.

Texto A

Mesmo que fosse verdade que o meu conhecimento aumenta gradualmente e que há em mim [potencialmente] muitas coisas, […] nenhuma delas pertence à ideia de Deus. […] Na verdade, que o meu conhecimento aumente gradualmente é prova certíssima de imperfeição. Além disso, ainda que o meu conhecimento aumentasse sempre mais e mais, nunca o concebo por isso como sendo infinito […], porque nunca chegará ao ponto de não ser sempre capaz de maior acrescentamento. Mas eu afirmo que Deus é infinito […], que nada se pode acrescentar à sua perfeição.

Texto B

Quando analisamos os nossos pensamentos ou ideias, por mais complexos ou sublimes que possam ser, sempre constatamos que eles se decompõem em ideias simples, copiadas de alguma sensação ou sentimento precedente. […] A ideia de Deus, no sentido de um Ser infinitamente inteligente, sábio e bondoso, deriva da reflexão sobre as operações da nossa própria mente e de aumentar sem limites aquelas qualidades de bondade e sabedoria.

15.1.

Identifique o autor do texto A e o autor do texto B, justificando, com base nos textos, as identificações feitas.

15.2.

Justifique que um dos textos contém uma premissa de um argumento a favor da existência de Deus.

Exercício 16 · Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel)

16. De acordo com Rawls, os direitos e as liberdades fundamentais das pessoas, sendo protegidos pelo primeiro princípio de justiça, têm de ser respeitados pelos governos democraticamente eleitos.

Considera que a promoção da utilidade geral seria uma justificação suficiente para um governo limitar direitos e liberdades fundamentais?

Na sua resposta, deve:

clarificar o problema proposto;

apresentar inequivocamente a sua posição;

argumentar a favor da sua posição.

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