Exame Nacional Filosofia 2021 · 2.ª fase

Exame Nacional de Filosofia 2021, 2.ª fase: 13 exercícios com resolução. Temas: O que é a filosofia: problemas filosóficos. Com correção imediata.

Temas do exame: O que é a filosofia: problemas filosóficos · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional · Argumentos não dedutivos e falácias informais · Determinismo e livre-arbítrio · Juízos morais: subjetivismo, relativismo e objetivismo · Ética de Kant e de Mill · Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel) · Conhecimento, ceticismo e racionalismo de Descartes · Empirismo de Hume: impressões, causalidade e indução · Filosofia da ciência: Popper e Kuhn · Estética: o problema da definição de arte · Filosofia da religião: Deus e o problema do mal

Exercício 1 · O que é a filosofia: problemas filosóficos

1. A Lídia e o Joaquim assistiram a uma encenação de Tito Andrónico, de Shakespeare, que situava a ação no século XXI. No fim, ambos conversaram e se interrogaram acerca do que tinham visto nessa noite.

Qual das interrogações seguintes não é de natureza filosófica?

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Exercício 2 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional

2. Um argumento que tenha conclusão verdadeira

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Exercício 3 · Argumentos não dedutivos e falácias informais

3. O João trabalha no armazém de uma loja de desporto. Uma das suas funções é verificar a conformidade das encomendas. Num certo dia, o João teve de verificar uma encomenda de 200 caixas de 50 bolas. Para isso, abriu algumas caixas e contou as bolas das caixas abertas.

Qual dos argumentos seguintes, formulados pelo João, é uma generalização?

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Exercício 4 · Argumentos não dedutivos e falácias informais

4. Toda a gente sabe que Paris é a capital de França. Logo, toda a gente sabe que a capital de França é Paris.

Este argumento é

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Exercício 5 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional

5. É verdade que algumas pessoas importantes recebem condecorações, mas também é verdade que nem todas as pessoas que recebem condecorações são importantes.

Tendo isso em conta, selecione a opção que apresenta duas proposições falsas.

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Exercício 6 · Lógica formal: validade, solidez e lógica proposicional

* 6. Na tabela de verdade seguinte, há dois valores de verdade que não foram calculados.

P · Q · $

eg(P ∧

eg Q)⋅·\therefore

eg P ∨ Q$

V · V · V · V

V · F · F · F

F · V · I · II

F · F · V · V

Selecione a opção que identifica os dois valores de verdade em falta.

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Exercício 7 · Estética: o problema da definição de arte

7. Qual das definições abaixo referidas apresenta aspetos contextuais como condições necessárias e suficientes para algo ser arte?

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Exercício 8 · Filosofia da religião: Deus e o problema do mal

8. Do argumento teleológico, ou do desígnio, a favor da existência de Deus faz parte a premissa de que

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Exercício 9 · Empirismo de Hume: impressões, causalidade e indução

9. De acordo com Hume, a sensação de frescura ao comer um gelado é uma

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Exercício 10 · Determinismo e livre-arbítrio

10. Leia o texto seguinte.

Compare escolhas que, intuitivamente, são controladas por si, como qual de duas ofertas de emprego aceitar, com coisas que, intuitivamente, estão fora do seu alcance, como correr 1500 m em três minutos [...]. A diferença óbvia é que o emprego que decide aceitar depende das suas preferências, mas o mesmo não pode ser dito de correr 1500 m em três minutos.

[...] Esta comparação não requer que os seus desejos sejam indeterminados. Talvez os seus genes e a sua história pessoal tornem inevitável que prefira um emprego a outro. Mesmo assim, é um facto que escolheu um certo emprego porque o preferiu. [...] A partir do momento em que a sua ação decorre das suas preferências, [...] é livre, mesmo que as suas preferências sejam determinadas pelo seu passado.

J. Prinz, «Livre-arbítrio», in D. Papineau (ed.), Western Philosophy – an illustrated guide, Oxford, Oxford University Press, 2004, pp. 64-65.

No texto, é esclarecido um aspeto central do

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Exercício 11 · Juízos morais: subjetivismo, relativismo e objetivismo

11. Leia o texto seguinte, no qual o autor refere uma posição acerca do problema da natureza dos juízos morais.

[...] Temos de evitar a suposição arrogante de que os nossos costumes são «certos» e de que os costumes dos outros povos são inferiores. Isto significa [...] que devemos abster-nos de fazer juízos morais sobre as outras culturas. Devemos adotar uma política de vive e deixa viver.

J. Rachels, Problemas da Filosofia, Lisboa, Gradiva, 2009, p. 238.

Há quem considere que a posição acerca do problema da natureza dos juízos morais referida no texto envolve uma contradição.

Explique essa contradição.

Na sua resposta, comece por identificar a tese acerca do problema da natureza dos juízos morais referida no texto.

Exercício 12 · Ética de Kant e de Mill

12. Leia o texto seguinte.

[Uma ação motivada apenas pela compaixão], por conforme ao dever que ela seja, não tem contudo nenhum verdadeiro valor moral, pois à sua máxima falta o conteúdo moral que manda que tais ações se pratiquem, não por inclinação, mas por dever.

I. Kant, Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Lisboa, Edições 70, 1988, pp. 28-29. (Texto adaptado)

12.1.

Apresente um exemplo de uma ação motivada por uma inclinação e que não seja contrária ao dever.

Explique a sua escolha.

12.2.

Kant afirma que uma ação motivada apenas pela compaixão não tem nenhum verdadeiro valor moral. Concorda com esta tese de Kant? Justifique.

Na sua resposta,

apresente inequivocamente a sua posição;

argumente a favor da sua posição.

Exercício 13 · Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel)

13. Leia o texto seguinte.

Para que um acordo seja válido, as partes devem ser capazes de o honrar em todas as circunstâncias relevantes e previsíveis. Tem de haver uma garantia racional de que é possível fazê-lo. [...]

Quando participamos num acordo, devemos ser capazes de o honrar, ainda que se verifiquem as piores de entre todas as situações possíveis. Caso contrário, não teríamos agido de boa-fé. Assim, as partes devem decidir cuidadosamente se estarão dispostas a cumprir os seus compromissos em todas as circunstâncias. [...]

Neste ponto os [...] princípios da justiça têm uma vantagem clara. As partes não só protegem as suas liberdades básicas como obtêm uma garantia contra a ocorrência das piores de todas as eventualidades possíveis. Não correm o risco de virem a ter de consentir numa perda da liberdade para que outros possam gozar de um bem maior, compromisso esse que talvez não pudessem respeitar em circunstâncias reais. [...]

Quando o princípio da utilidade é cumprido, no entanto, não existe a garantia de que todos beneficiem. [...] Mesmo quando não somos muito afortunados, devemos aceitar as maiores vantagens dos outros como uma razão suficiente para termos expectativas mais reduzidas ao longo da vida. Trata-se de uma exigência excessiva.

J. Rawls, Uma Teoria da Justiça, Lisboa, Presença, 2001, pp. 147-149.

13.1.

Explicite o que Rawls entende por «liberdades básicas».

Ilustre a sua resposta com dois exemplos de liberdades básicas.

13.2.

No texto, Rawls defende a superioridade dos princípios da justiça sobre o princípio da utilidade.

Concorda com Rawls? Justifique.

Na sua resposta,

– apresente inequivocamente a sua posição;

– argumente a favor da sua posição.

Exercício 14 · Filosofia da ciência: Popper e Kuhn

14. Leia o texto seguinte.

A familiaridade de Descartes com a nova ciência de Galileu (1564-1642) inflamou o seu otimismo. A «filosofia mecânica» parecia um enorme avanço depois de séculos de estagnação; era certo que a verdade estava agora ao virar da esquina. O mesmo entusiasmo tem sido partilhado por alguns físicos do nosso tempo, esperando que os avanços recentes culminem numa «teoria final» que, literalmente, tudo explicará. Em 1980, Stephen Hawking […] escreveu que isso poderia acontecer nos próximos vinte anos. Isto acabaria por se revelar um tanto precipitado, como aliás o foram […], desde o fim do século XIX, declarações semelhantes. Em 1894, Albert Michelson, o primeiro americano a ganhar um prémio Nobel, disse que todas as principais leis e factos da física já tinham sido descobertos. Em 1928, Max Born, outro prémio Nobel, disse que a física seria completada em cerca de seis meses.

A. Gottlieb, The Dream of Enlightenment – The Rise of Modern Philosophy, Londres, Penguin Books, 2017, p. 3.

14.1.

Por que razão, segundo Popper, é errado fazer afirmações tão confiantes como as referidas no texto a respeito do progresso de uma ciência?

14.2.

Admita que os físicos referidos no texto tinham razão. Qual dos modos de fazer ciência descritos por Kuhn deixaria de ter lugar na física? Justifique.

Exercício 15 · Conhecimento, ceticismo e racionalismo de Descartes

15. De acordo com Descartes, a ciência teria de se basear em princípios irrefutáveis, que seriam verdades evidentes conhecidas a priori, por intuição intelectual. Essas verdades incluem os factos básicos da realidade física.

Concorda com esta perspetiva de Descartes?

Na sua resposta, deve:

clarificar o problema da justificação do conhecimento;

apresentar inequivocamente a sua posição;

argumentar a favor da sua posição, recorrendo a aspetos que considerar relevantes da teoria empirista ou da teoria racionalista do conhecimento, ou de perspetivas sobre a evolução e a objetividade da ciência.

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