Exercício 10 · Exame Nacional Filosofia 1.ª fase 2025
Tema: Ética de Kant e de Mill · Do exame 1.ª fase (2025)
Enunciado
10. Considere o texto seguinte.
Discernimento, [...] capacidade de julgar, [...] coragem, decisão [...] são, sem dúvida, e a muitos respeitos, coisas desejáveis; mas também podem tornar-se extremamente más e prejudiciais se a vontade [...] não for boa. [...]
A boa vontade não é boa por aquilo que promove ou realiza, pela aptidão para alcançar qualquer finalidade proposta, mas tão-somente pelo querer, isto é, em si mesma, e, considerada em si mesma, deve ser avaliada em grau muito mais alto do que tudo o que por seu intermédio possa ser alcançado em proveito de qualquer inclinação [...]. [A boa vontade] tem em si mesma o seu pleno valor. A utilidade ou a inutilidade nada podem acrescentar ou tirar a esse valor. [...]
Esta vontade não será o único bem nem o bem total, mas terá de ser, contudo, o bem supremo.
I. Kant, Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Lisboa, Edições 70, 2009, pp. 21-23, 26. (Texto adaptado)
Que justificação apresenta Kant para que a boa vontade seja o bem supremo?
Na sua resposta, integre adequadamente informação do texto.

Resolução
Segundo os critérios oficiais de classificação
Que justificação apresenta Kant para que a boa vontade seja o bem supremo? Na sua resposta, integre adequadamente informação do texto.
Resposta: Justificação de Kant para que a boa vontade seja o bem supremo: − a boa vontade é boa irrestritamente (contrariamente ao que sucede com certas qualidades), pois não pode ser usada para realizar más ações, ao passo que qualidades como o discernimento e a coragem são «coisas desejáveis; mas também podem tornar-se extremamente más e prejudiciais se a vontade [...] não for boa»; − o valor da boa vontade está nela mesma, e não nos resultados das ações OU a boa vontade tem um valor intrínseco, e não instrumental – «a boa vontade não é boa por aquilo que promove ou realiza, pela aptidão para alcançar qualquer finalidade proposta, mas tão-somente pelo querer» (e uma pessoa que tem uma boa vontade, quando age, age por dever); − a boa vontade é o bem maior (em que podemos pensar) – «a boa vontade não será o único bem nem o bem total, mas terá de ser, contudo, o bem supremo».
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