Exercício 12 · Exame Nacional Filosofia 2.ª fase 2021
Tema: Ética de Kant e de Mill · Do exame 2.ª fase (2021)
Enunciado
12. Leia o texto seguinte.
[Uma ação motivada apenas pela compaixão], por conforme ao dever que ela seja, não tem contudo nenhum verdadeiro valor moral, pois à sua máxima falta o conteúdo moral que manda que tais ações se pratiquem, não por inclinação, mas por dever.
I. Kant, Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Lisboa, Edições 70, 1988, pp. 28-29. (Texto adaptado)
12.1.
Apresente um exemplo de uma ação motivada por uma inclinação e que não seja contrária ao dever.
Explique a sua escolha.
12.2.
Kant afirma que uma ação motivada apenas pela compaixão não tem nenhum verdadeiro valor moral. Concorda com esta tese de Kant? Justifique.
Na sua resposta,
apresente inequivocamente a sua posição;
argumente a favor da sua posição.

Resolução
Segundo os critérios oficiais de classificação
12.1. Apresente um exemplo de uma ação motivada por uma inclinação e que não seja contrária ao dever. Explique a sua escolha.
Resposta: Exemplo: Cumprir um contrato por medo das consequências do seu incumprimento (ou o comerciante que não engana os clientes para manter a clientela / ajudar alguém por simpatia/compaixão). Explicação da escolha: - a ação considerada é motivada por um sentimento/inclinação (por exemplo, medo, interesse ou afeto); - ainda que não tenha sido motivada pelo puro dever (um imperativo da razão), a ação não é contrária ao dever, pois coincide externamente com aquilo que o dever prescreve (ação conforme ao dever).
12.2. Kant afirma que uma ação motivada apenas pela compaixão não tem nenhum verdadeiro valor moral. Concorda com esta tese de Kant? Justifique.
Resposta: Posição pessoal (concordar ou discordar) devidamente fundamentada: Se concordar com Kant: - Se a nossa ação é motivada pelo sentimento de compaixão, a sua motivação é meramente subjetiva e contingente; - Nesse caso, não agimos com base num princípio racional e imparcial (a conformidade ao dever é acidental); - Apenas a razão pode fornecer a motivação moralmente adequada e universalizável para agir. Se não concordar com Kant (por exemplo, perspetiva utilitarista): - A moralidade de uma ação depende das suas consequências (saldo de felicidade) e não da pureza da intenção; - Se uma ação beneficia os envolvidos e reduz o sofrimento, ela é moralmente boa; - Muitas ações motivadas por compaixão geram benefícios evidentes e aumentam a felicidade geral, possuindo genuíno valor moral.
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