Exercício 15 · Exame Nacional Filosofia 1.ª fase 2021

Tema: Filosofia política: a justiça social (Rawls, Nozick, Sandel) · Do exame 1.ª fase (2021)

Enunciado

Leia o texto seguinte.

Podemos ver-nos como eus independentes, [...] no sentido em que a nossa identidade nunca está ligada aos nossos propósitos e afetos?

Penso que não. [...] As pessoas particulares que somos são inseparáveis de uma certa família, comunidade, nação ou povo, de uma história e de uma república de que são cidadãs. Lealdades como estas são mais do que valores que me acontece ter. [...] Lealdades como estas permitem que eu tenha mais deveres para com algumas pessoas do que a justiça requer [...], não pela razão de ter feito acordos, mas em virtude dos [...] afetos e compromissos mais ou menos duradouros que, tomados em conjunto, definem parcialmente a pessoa que sou.

M. Sandel, «The Procedural Republic and the Unencumbered Self», in R. Goodin (org.), Contemporary Political Philosophy: An Anthology, Oxford, Blackwell, 2.ª ed., 2006, p. 244. (Texto adaptado)

A teoria da justiça de Rawls é um dos alvos da crítica comunitarista apresentada no texto.

Concorda com esta crítica a Rawls? Justifique.

Na sua resposta:

– apresente inequivocamente a sua posição;

– argumente a favor da sua posição.

Enunciado: Exercício 15 · Exame Nacional Filosofia 1.ª fase 2021

Resolução

Segundo os critérios oficiais de classificação

Concorda com esta crítica a Rawls? Justifique.

Resposta: Apresentação inequívoca da posição defendida. Justificação da posição defendida – cenários de resposta: No caso de o examinando concordar com a crítica a Rawls apresentada no texto: - as nossas relações afetivas estabelecidas no interior de comunidades (concretas) são essenciais para definir o que cada um de nós é («a nossa identidade»); - os projetos e finalidades de cada um de nós, os quais definem as conceções particulares do bem, dependem dos nossos afetos e compromissos de natureza comunitária; - os direitos e liberdades são importantes para as pessoas na medida em que decorrem das suas conceções particulares do bem. No caso de o examinando não concordar com a crítica a Rawls apresentada no texto: - os direitos e liberdades que fazem de nós pessoas independentes são condições essenciais para que cada um escolha os projetos e finalidades que considera razoáveis; - se os direitos e liberdades individuais não forem respeitados, pode concluir-se que os projetos e finalidades que cada um prossegue não resultaram de uma escolha razoável e pessoal; - para que as conceções pessoais do bem sejam valiosas e os laços comunitários não sejam lesivos dos interesses dos indivíduos, as liberdades que fazem de cada um de nós uma pessoa independente têm de ser prioritárias e em nenhuma circunstância devem ser violadas.

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