Exercício 13 · Exame Nacional Filosofia Época especial 2021
Tema: Ética de Kant e de Mill · Do exame Época especial (2021)
Enunciado
13. Leia o texto seguinte.
Para provar que a felicidade é o único critério da moralidade, parece necessário mostrar [...] não só que as pessoas desejam a felicidade, mas também que nunca desejam qualquer outra coisa.
Que diremos, por exemplo, do amor ao dinheiro? [...] O seu valor consiste apenas nas coisas que pode comprar, no desejo de ter outras coisas que não o dinheiro, e que este permite satisfazer. Ainda assim, [...] o dinheiro é, em muitos casos, desejado em si e por si mesmo. O desejo de possuí-lo é frequentemente mais forte do que o desejo de usá-lo [...]. Deste modo, pode dizer-se que, na verdade, o dinheiro não é desejado em função de um fim, mas enquanto parte do fim. [...] Tornou-se um ingrediente [...] da conceção de felicidade do indivíduo. Pode dizer-se o mesmo sobre a maioria dos grandes objetivos da vida humana – o poder, por exemplo, ou a fama [...]. O desejo da sua posse não é diferente do desejo de felicidade, verificando-se o mesmo com o amor à música ou com o desejo de saúde. Estes estão incluídos na felicidade. [...]
Resulta das considerações precedentes que, na verdade, nada é desejado exceto a felicidade. Tudo aquilo que não é desejado como um meio [...] para a felicidade é desejado enquanto parte da felicidade.
J. S. Mill, Utilitarismo, Porto, Porto Editora, 2005, pp. 76-78. (Texto adaptado)
13.1.
Que razões apresenta Mill para concluir que «nada é desejado exceto a felicidade»?
13.2.
Imagine que, discordando de Mill, defende que não é a felicidade que tem importância moral, mas sim a felicidade ser merecida.
Como argumentaria a favor da sua posição?

Resolução
Segundo os critérios oficiais de classificação
13.1. Que razões apresenta Mill para concluir que «nada é desejado exceto a felicidade»?
Resposta: Apresentação das razões que levam Mill a concluir que «nada é desejado exceto a felicidade»: - algumas coisas são consideradas valiosas como meios para a felicidade (por exemplo, o dinheiro, a saúde ou o poder); - caso não sejam consideradas valiosas enquanto meios para a felicidade (e sejam desejadas por si mesmas), essas coisas são parte/ingredientes da felicidade; - se desejamos algo enquanto meio para a felicidade ou enquanto parte da felicidade, o que realmente desejamos é a própria felicidade.
13.2. Como argumentaria a favor da sua posição?
Resposta: Argumentação a favor da opinião de que não é a felicidade que tem importância moral, mas sim a felicidade ser merecida: - caso a felicidade seja alcançada, é moralmente relevante o modo como isso acontece (e não apenas o ser-se feliz); - se a felicidade resultar da realização do dever, então é merecida (e o agente é digno da felicidade); - mas a felicidade não é merecida se, por exemplo, for alcançada por meio de condutas em que os outros sejam tratados como meros meios (e em que a sua dignidade como fins em si mesmos não seja respeitada). OU - a felicidade (pessoal) é objeto de uma inclinação, mas não é um dever; - aliás, a realização do dever pode produzir a infelicidade (pessoal) do agente; - mas, ainda que sejamos infelizes em resultado da realização do dever, não deixamos de ser dignos de ser felizes, e apenas isso conta do ponto de vista moral.
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