Exame Nacional Português 2025 · Época especial
Exame Nacional de Português 2025, Época especial: 6 exercícios com resolução. Temas: Lírica de Camões e Romantismo: Garrett e Camilo. Com correção imediata.
Temas do exame: Lírica de Camões · Romantismo: Garrett e Camilo · Saramago, contos e poesia contemporânea · Compreensão de texto não literário · Gramática · Apreciação crítica de uma imagem
Grupo I · Saramago, contos e poesia contemporânea
PARTE A
Leia o poema.
SÚPLICA
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
5 Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti, como de mim.
Perde-se a vida, a desejá-la tanto.
10 Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
15 Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
Miguel Torga, Antologia Poética, 5.ª ed.,
Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1999, p. 240.
1.
Na relação entre o «eu» e o «tu», verifica-se um contraste entre o passado e o presente.
Explicite esse contraste, com base em dois aspetos que o comprovem.
2.
Relacione o título do poema com o sentido dos versos 16 e 17.
3.
Complete as afirmações abaixo apresentadas, selecionando a opção adequada a cada espaço.
No poema de Miguel Torga, evidencia-se o uso recorrente de
a)
relacionadas com o mar para descrever o estado emocional do sujeito poético, como acontece, por exemplo, nos versos 1 e 2, em que são sugeridos sentimentos de
b)
.
a)
b)
1. comparações
1. solidão e desorientação
2. metáforas
2. melancolia e tédio
3. personificações
3. serenidade e liberdade
Grupo I · Romantismo: Garrett e Camilo
PARTE B
Leia o texto e as notas.
MANUEL
(com veemência e medo)
Então desenganas-me... desenganas-me já?... é isso que queres dizer? Fala, homem: não há que esperar?... não há que esperar dali, não é assim? dize: morre, morre?... (desanimado) Também fico sem
5 filha!
JORGE
Não disse tal. Por caridade contigo, meu irmão, não imagines tal. Eu disse-te a verdade: Maria pareceu-me menos oprimida; dormia...
MANUEL
(variando 1)
10 Se Deus quisera que não acordasse!
JORGE
Valha-me Deus!
MANUEL
15 Para mim aqui está esta mortalha 2: (tocando no hábito 3) morri hoje... vou amortalhar-me logo; e adeus tudo o que era mundo para mim! Mas minha filha não era do mundo... não era, Jorge; tu bem sabes que não era: foi um anjo que veio do Céu para me acompanhar na peregrinação da Terra, e que me apontava sempre, a cada passo da vida, para a eterna pousada donde viera e onde me conduzia... Separou-nos o arcanjo das desgraças, o ministro das iras do Senhor, que derramou sobre mim o vaso
20 cheio das lágrimas, e a taça rasa das amarguras ardentes de sua cólera... (caindo de tom) Vou com esta mortalha para a sepultura... e, viva ou morta, cá deixo a minha filha no meio dos homens que a não conheceram, que a não hão de conhecer nunca, porque ela não era deste mundo nem para ele... (pausa) — Torna lá, Jorge, vai vê-la outra vez, vai e vem-me dizer; que eu ainda não posso... mas hei de ir, oh! hei de ir vê-la e beijá-la antes de descer à cova... Tu não queres, não podes querer...
JORGE
25 Havemos de ir... quando estiveres mais sossegado... havemos de ir ambos: descansa, hás de vê-la. — Mas isto inda é cedo.
MANUEL
Que horas serão?
JORGE
30 Quatro, quatro e meia. (Vai à porta da esquerda e volta.) São cinco horas, pelo alvor da manhã que já dá nos vidros da igreja. Daqui a pouco iremos; mas sossega.
MANUEL
E a outra... a outra desgraçada, meu irmão?
JORGE
35 Está — imagina por ti —, está como não podia deixar de estar; mas a confiança em Deus pode muito: vai-se conformando. O Senhor fará o resto. Eu tenho fé neste escapulário 4 (tocando no hábito em cima da mesa) para ti e para ela. Foi uma resolução digna de vós, foi uma inspiração divina que os alumiou a ambos. Deixa estar; ainda pode haver dias felizes para quem souber consagrar 5 a Deus as
40 suas desgraças.
Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa, edição de Maria João Brilhante,
Lisboa, Comunicação, 1982, pp. 193-196.
NOTAS
1 variando – alucinando; perdendo o juízo.
2 mortalha – lençol ou túnica que envolve um cadáver.
3 hábito – vestimenta usada por um(a) religioso(a).
4 escapulário – parte do vestuário monástico que cai sobre os ombros e o peito.
5 consagrar – oferecer; dedicar.
4.
Explicite a aparente contradição presente nas palavras de Manuel, nas linhas de 3 a 11, tendo em conta o estado emocional da personagem.
5.
Refira o modo como Manuel e Jorge perspetivam a decisão, tomada pelo primeiro, de seguir a vida religiosa, atendendo ao conteúdo das falas de cada uma das personagens, nas linhas de 15 a 24 e de 36 a 40.
6.
As afirmações seguintes referem-se à obra Frei Luís de Sousa.
Identifique as três afirmações que podem ser comprovadas através da leitura do excerto apresentado:
Grupo I - 7 · Lírica de Camões
PARTE C
7. Na literatura portuguesa, o tema do sofrimento amoroso é uma constante ao longo dos séculos.
Escreva uma breve exposição sobre o modo como esse sofrimento é abordado na poesia lírica de Camões.
A sua exposição deve incluir:
uma introdução ao tema;
um desenvolvimento no qual explicite duas causas que originem o sofrimento por amor, seja do sujeito poético, seja de outra figura a quem ele se refira, fundamentando cada uma dessas causas com referência a poemas lidos;
uma conclusão adequada ao desenvolvimento do tema.
Grupo II · Compreensão de texto não literário
GRUPO II
Leia o texto e as notas.
O título desta exposição é, já de si, surpreendente: Hoje soube-me a pouco, um verso de uma canção de Sérgio Godinho ( Com um brilhozinho nos olhos) datada de 1981. É de uma época em que, sete anos após a revolução de Abril de 1974, ainda se jubilava 1 na música popular portuguesa com toda a liberdade tornada possível pelo fim da censura do Estado Novo. De certa forma, este verso, como outros de tantas outras músicas desses anos, condensa metonimicamente a euforia que se vivia na época.
João Pinharanda e Sérgio Mah, os curadores 2 da exposição, acrescentam a este título um subtítulo: Introversões e utopias 3 artísticas no pós-25 de Abril. Por isso, embora esta seja também mais uma exposição que assinala o cinquentenário dessa revolução, ela não é só isso, e apresenta-se também como o resultado de uma reflexão não só sobre alguns sinais prenunciadores, como sobre o que veio a seguir em termos artísticos. Com uma montagem hábil no sempre difícil espaço de exposições temporárias da Central Tejo 4, resolve muito bem este propósito de dar a ver a irradiação da possibilidade de tudo fazer, de tudo mostrar e de tudo dizer, que a partir dessa data passou a ser uma realidade.
Muito interessante é o ponto de partida dos curadores: que a «maioria dos artistas escolhidos não só constrói a sua obra de modo autónomo em relação às utopias sociais inauguradas pelo 25 de Abril e rapidamente desfeitas pelo curso político, como lhes sobrevive, podendo as suas obras ser consideradas como a herança cultural mais fecunda e consistente do próprio processo de abertura da sociedade portuguesa», como afirmam na folha de sala. E, de facto, há muito poucas obras nesta exposição que se relacionem diretamente com a Revolução dos Cravos. [...]
Há algo que está subjacente a toda a exposição e que, no entanto, não é explicitado: é que estes 50 anos são também os anos em que a arte que se faz em Portugal se torna global, e em que os discursos individuais — as introversões de que fala o subtítulo — se tornam a norma de toda a arte internacional, num tempo, que é o de hoje, em que todas as utopias artísticas faliram. Não existem hoje movimentos de artistas, escolas, grupos estilisticamente organizados. E, tal como a democracia, mesmo ameaçada, é a norma dentro do contexto político ocidental contemporâneo, também este modo de pensar que aqui se dá a ver é universal dentro do espaço artístico que é o nosso. Basta-nos passear por qualquer feira de arte atual, ou por qualquer bienal institucionalmente consagrada, para verificarmos isso mesmo. Para parte destes artistas (Bunga, Leonor Antunes, Themlitz, por exemplo), a vida partilhada entre Portugal e outro país é a norma. Noutros, as residências efetuadas no estrangeiro, muitas vezes graças ao apoio mecenático 5 de instituições que se destacam pela atividade colecionista, foram determinantes no seu crescimento. Em todos os casos, fosse por viagens, fosse por outros meios, o confronto com o «lá fora» foi sempre determinante. Também aqui, o significado do 25 de Abril foi o fim do «orgulhosamente sós».
Luísa Soares de Oliveira, «O fim do orgulhosamente sós», Ípsilon, 21 de junho de 2024, p. 12.
NOTAS
1 jubilava – festejava; celebrava.
2 curadores – organizadores.
3 utopias – sistemas ou planos que parecem irrealizáveis; modelos de sociedades ideais.
4 Central Tejo – antiga central termoelétrica, em Lisboa, onde atualmente se situa o Museu da Eletricidade.
5 mecenático – relativo ao mecenato, isto é, ao apoio financeiro concedido por pessoas ou instituições às artes e às letras.
1.
Segundo o autor do texto, o título da exposição surpreende por
()
2.
A singularidade da exposição reside no facto de, além de assinalar o cinquentenário do 25 de Abril, permitir
()
3.
Os exemplos apresentados no último parágrafo demonstram que a globalização da arte feita em Portugal
()
Grupo II · Gramática
GRUPO II
Leia o texto e as notas.
O título desta exposição é, já de si, surpreendente: Hoje soube-me a pouco, um verso de uma canção de Sérgio Godinho ( Com um brilhozinho nos olhos) datada de 1981. É de uma época em que, sete anos após a revolução de Abril de 1974, ainda se jubilava 1 na música popular portuguesa com toda a liberdade tornada possível pelo fim da censura do Estado Novo. De certa forma, este verso, como outros de tantas outras músicas desses anos, condensa metonimicamente a euforia que se vivia na época.
João Pinharanda e Sérgio Mah, os curadores 2 da exposição, acrescentam a este título um subtítulo: Introversões e utopias 3 artísticas no pós-25 de Abril. Por isso, embora esta seja também mais uma exposição que assinala o cinquentenário dessa revolução, ela não é só isso, e apresenta-se também como o resultado de uma reflexão não só sobre alguns sinais prenunciadores, como sobre o que veio a seguir em termos artísticos. Com uma montagem hábil no sempre difícil espaço de exposições temporárias da Central Tejo 4, resolve muito bem este propósito de dar a ver a irradiação da possibilidade de tudo fazer, de tudo mostrar e de tudo dizer, que a partir dessa data passou a ser uma realidade.
Muito interessante é o ponto de partida dos curadores: que a «maioria dos artistas escolhidos não só constrói a sua obra de modo autónomo em relação às utopias sociais inauguradas pelo 25 de Abril e rapidamente desfeitas pelo curso político, como lhes sobrevive, podendo as suas obras ser consideradas como a herança cultural mais fecunda e consistente do próprio processo de abertura da sociedade portuguesa», como afirmam na folha de sala. E, de facto, há muito poucas obras nesta exposição que se relacionem diretamente com a Revolução dos Cravos. [...]
Há algo que está subjacente a toda a exposição e que, no entanto, não é explicitado: é que estes 50 anos são também os anos em que a arte que se faz em Portugal se torna global, e em que os discursos individuais — as introversões de que fala o subtítulo — se tornam a norma de toda a arte internacional, num tempo, que é o de hoje, em que todas as utopias artísticas faliram. Não existem hoje movimentos de artistas, escolas, grupos estilisticamente organizados. E, tal como a democracia, mesmo ameaçada, é a norma dentro do contexto político ocidental contemporâneo, também este modo de pensar que aqui se dá a ver é universal dentro do espaço artístico que é o nosso. Basta-nos passear por qualquer feira de arte atual, ou por qualquer bienal institucionalmente consagrada, para verificarmos isso mesmo. Para parte destes artistas (Bunga, Leonor Antunes, Themlitz, por exemplo), a vida partilhada entre Portugal e outro país é a norma. Noutros, as residências efetuadas no estrangeiro, muitas vezes graças ao apoio mecenático 5 de instituições que se destacam pela atividade colecionista, foram determinantes no seu crescimento. Em todos os casos, fosse por viagens, fosse por outros meios, o confronto com o «lá fora» foi sempre determinante. Também aqui, o significado do 25 de Abril foi o fim do «orgulhosamente sós».
Luísa Soares de Oliveira, «O fim do orgulhosamente sós», Ípsilon, 21 de junho de 2024, p. 12.
NOTAS
1 jubilava – festejava; celebrava.
2 curadores – organizadores.
3 utopias – sistemas ou planos que parecem irrealizáveis; modelos de sociedades ideais.
4 Central Tejo – antiga central termoelétrica, em Lisboa, onde atualmente se situa o Museu da Eletricidade.
5 mecenático – relativo ao mecenato, isto é, ao apoio financeiro concedido por pessoas ou instituições às artes e às letras.
4.
As expressões «ainda se jubilava» (linha 3) e «Por isso» (linha 8) contribuem, respetivamente, para a coesão gramatical
()
5.
Em «embora esta seja também mais uma exposição que assinala o cinquentenário dessa revolução» (linhas 8 e 9), observam-se
()
6.
Todas as expressões apresentadas desempenham a função sintática de predicativo do sujeito, exceto
()
7.
Na evolução da palavra latina «feriam» para a palavra portuguesa «feira» (linha 29), ocorreram os processos fonológicos denominados
()
Grupo III · Apreciação crítica de uma imagem
GRUPO III
Num texto bem estruturado, com um mínimo de duzentas e um máximo de trezentas e cinquenta palavras, faça a apreciação crítica do cartoon intitulado «Para o meu amor!», da autoria de Ali Divandari.
No seu texto, deve incluir:
a descrição da imagem apresentada, destacando elementos significativos da sua composição;
um comentário crítico, fundamentando a sua apreciação em, pelo menos, três aspetos relevantes e utilizando um discurso valorativo;
uma conclusão adequada aos pontos de vista desenvolvidos.
Observações:
1. Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco, mesmo quando esta integre elementos ligados por hífen (ex.: /dir-se-ia/). Qualquer número conta como uma única palavra, independentemente do número de algarismos que o constituam (ex.: /2025/).
2. Relativamente ao desvio dos limites de extensão indicados – entre duzentas e trezentas e cinquenta palavras –, há que atender ao seguinte:
um desvio dos limites de extensão indicados implica uma desvalorização parcial (até 5 pontos) do texto produzido;
um texto com extensão inferior a oitenta palavras é classificado com zero pontos.
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