Grupo II · Exame Nacional Português Época especial 2025
Tema: Compreensão de texto não literário · Do exame Época especial (2025)
Enunciado
GRUPO II
Leia o texto e as notas.
O título desta exposição é, já de si, surpreendente: Hoje soube-me a pouco, um verso de uma canção de Sérgio Godinho ( Com um brilhozinho nos olhos) datada de 1981. É de uma época em que, sete anos após a revolução de Abril de 1974, ainda se jubilava 1 na música popular portuguesa com toda a liberdade tornada possível pelo fim da censura do Estado Novo. De certa forma, este verso, como outros de tantas outras músicas desses anos, condensa metonimicamente a euforia que se vivia na época.
João Pinharanda e Sérgio Mah, os curadores 2 da exposição, acrescentam a este título um subtítulo: Introversões e utopias 3 artísticas no pós-25 de Abril. Por isso, embora esta seja também mais uma exposição que assinala o cinquentenário dessa revolução, ela não é só isso, e apresenta-se também como o resultado de uma reflexão não só sobre alguns sinais prenunciadores, como sobre o que veio a seguir em termos artísticos. Com uma montagem hábil no sempre difícil espaço de exposições temporárias da Central Tejo 4, resolve muito bem este propósito de dar a ver a irradiação da possibilidade de tudo fazer, de tudo mostrar e de tudo dizer, que a partir dessa data passou a ser uma realidade.
Muito interessante é o ponto de partida dos curadores: que a «maioria dos artistas escolhidos não só constrói a sua obra de modo autónomo em relação às utopias sociais inauguradas pelo 25 de Abril e rapidamente desfeitas pelo curso político, como lhes sobrevive, podendo as suas obras ser consideradas como a herança cultural mais fecunda e consistente do próprio processo de abertura da sociedade portuguesa», como afirmam na folha de sala. E, de facto, há muito poucas obras nesta exposição que se relacionem diretamente com a Revolução dos Cravos. [...]
Há algo que está subjacente a toda a exposição e que, no entanto, não é explicitado: é que estes 50 anos são também os anos em que a arte que se faz em Portugal se torna global, e em que os discursos individuais — as introversões de que fala o subtítulo — se tornam a norma de toda a arte internacional, num tempo, que é o de hoje, em que todas as utopias artísticas faliram. Não existem hoje movimentos de artistas, escolas, grupos estilisticamente organizados. E, tal como a democracia, mesmo ameaçada, é a norma dentro do contexto político ocidental contemporâneo, também este modo de pensar que aqui se dá a ver é universal dentro do espaço artístico que é o nosso. Basta-nos passear por qualquer feira de arte atual, ou por qualquer bienal institucionalmente consagrada, para verificarmos isso mesmo. Para parte destes artistas (Bunga, Leonor Antunes, Themlitz, por exemplo), a vida partilhada entre Portugal e outro país é a norma. Noutros, as residências efetuadas no estrangeiro, muitas vezes graças ao apoio mecenático 5 de instituições que se destacam pela atividade colecionista, foram determinantes no seu crescimento. Em todos os casos, fosse por viagens, fosse por outros meios, o confronto com o «lá fora» foi sempre determinante. Também aqui, o significado do 25 de Abril foi o fim do «orgulhosamente sós».
Luísa Soares de Oliveira, «O fim do orgulhosamente sós», Ípsilon, 21 de junho de 2024, p. 12.
NOTAS
1 jubilava – festejava; celebrava.
2 curadores – organizadores.
3 utopias – sistemas ou planos que parecem irrealizáveis; modelos de sociedades ideais.
4 Central Tejo – antiga central termoelétrica, em Lisboa, onde atualmente se situa o Museu da Eletricidade.
5 mecenático – relativo ao mecenato, isto é, ao apoio financeiro concedido por pessoas ou instituições às artes e às letras.
1.
Segundo o autor do texto, o título da exposição surpreende por
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2.
A singularidade da exposição reside no facto de, além de assinalar o cinquentenário do 25 de Abril, permitir
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3.
Os exemplos apresentados no último parágrafo demonstram que a globalização da arte feita em Portugal
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Resolução
Segundo os critérios oficiais de classificação
1. Segundo o autor do texto, o título da exposição surpreende por
Resposta: (C) simbolizar a alegria de uma liberdade adquirida em 1974.
2. A singularidade da exposição reside no facto de, além de assinalar o cinquentenário do 25 de Abril, permitir
Resposta: (B) refletir sobre as experiências artísticas propiciadas pelo espírito da Revolução.
3. Os exemplos apresentados no último parágrafo demonstram que a globalização da arte feita em Portugal
Resposta: (D) decorre do desenvolvimento pessoal em contacto com o estrangeiro.
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