Exame Nacional Português 2024 · Época especial

Exame Nacional de Português 2024, Época especial: 10 exercícios com resolução. Temas: Os Lusíadas e Mensagem, Compreensão de texto não literário e Gramática.

Temas do exame: Os Lusíadas e Mensagem · Compreensão de texto não literário · Gramática · Apreciação crítica de uma imagem

Grupo I · Os Lusíadas e Mensagem

Leia o poema e as notas.

NUN'ÁLVARES PEREIRA

Que auréola 1 te cerca?

É a espada que, volteando,

Faz que o ar alto 2 perca

Seu azul negro e brando.

5 Mas que espada é que, erguida,

Faz esse halo 3 no céu?

É Excalibur 4, a ungida 5,

Que o Rei Artur te deu.

'Sperança consumada,

10 S. Portugal em ser,

Ergue a luz da tua espada

Para a estrada se ver!

Fernando Pessoa, Mensagem e Outros Poemas Sobre Portugal, edição de Fernando Cabral Martins e Richard Zenith, Lisboa, Assírio & Alvim, 2014, p. 81.

NOTAS

1 auréola – efeito luminoso, habitualmente em forma de círculo, que paira sobre a cabeça dos santos.

2 ar alto – céu.

3 halo – círculo luminoso; prestígio; glória.

4 Excalibur – nome da espada do Rei Artur; espada sagrada, com poder indestrutível, que só os puros de coração podiam empunhar para a defesa do bem.

5 ungida – abençoada; sagrada.

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

1.

Explicite dois traços caracterizadores de Nuno Álvares Pereira, tendo em conta o modo como o herói é representado nas duas primeiras estrofes do poema.

2.

Explique o sentido do apelo presente nos versos 9 a 12.

Grupo I - 3 · Os Lusíadas e Mensagem

Leia o poema e as notas.

NUN'ÁLVARES PEREIRA

Que auréola 1 te cerca?

É a espada que, volteando,

Faz que o ar alto 2 perca

Seu azul negro e brando.

5 Mas que espada é que, erguida,

Faz esse halo 3 no céu?

É Excalibur 4, a ungida 5,

Que o Rei Artur te deu.

'Sperança consumada,

10 S. Portugal em ser,

Ergue a luz da tua espada

Para a estrada se ver!

Fernando Pessoa, Mensagem e Outros Poemas Sobre Portugal, edição de Fernando Cabral Martins e Richard Zenith, Lisboa, Assírio & Alvim, 2014, p. 81.

NOTAS

1 auréola – efeito luminoso, habitualmente em forma de círculo, que paira sobre a cabeça dos santos.

2 ar alto – céu.

3 halo – círculo luminoso; prestígio; glória.

4 Excalibur – nome da espada do Rei Artur; espada sagrada, com poder indestrutível, que só os puros de coração podiam empunhar para a defesa do bem.

5 ungida – abençoada; sagrada.

3. Complete as afirmações abaixo apresentadas, selecionando a opção adequada a cada espaço.

Na folha de respostas, registe apenas as letras – a) e b) – e, para cada uma delas, o número que corresponde à opção selecionada.

No poema, a auréola e a espada são dois símbolos que

,

na medida em que a auréola provém da luz emanada pela espada.

Nas duas primeiras estrofes, o sujeito poético recorre à interrogação retórica não só para se questionar sobre a origem da auréola e da espada, mas também para expressar

.

a)

b)

Grupo I · Os Lusíadas e Mensagem

PARTE B

Leia a contextualização, o texto e as notas.

Contextualização

As estâncias 15 a 18 do Canto IV de Os Lusíadas, abaixo transcritas, integram o plano da História de Portugal, quando Vasco da Gama narra ao rei de Melinde o discurso de Nuno Álvares Pereira, proferido antes da Batalha de Aljubarrota, que opôs os Portugueses aos Castelhanos.

Est. 15

– «Como? Da gente ilustre Portuguesa

Há de haver quem refuse o pátrio Marte 1 ?

Como? Desta província, que princesa

Foi das gentes na guerra em toda parte,

5 Há de sair quem negue ter defesa?

Quem negue a Fé, o amor, o esforço e arte

De Português, e por nenhum respeito

O próprio Reino queira ver sujeito?

Est. 16

«Como? Não sois vós inda os descendentes

10 Daqueles que, debaixo da bandeira

Do grande Henriques 2, feros e valentes,

Vencestes esta gente tão guerreira,

Quando tantas bandeiras, tantas gentes

Puseram em fugida, de maneira

15 Que sete ilustres Condes lhe trouxeram

Presos, afora a presa que tiveram?

Est. 17

«Com quem foram contino sopeados 3

Estes, de quem o estais agora vós,

Por Dinis e seu filho sublimados,

20 Senão cos vossos fortes pais e avôs?

Pois se, com seus descuidos ou pecados,

Fernando em tal fraqueza assim vos pôs,

Torne-vos vossas forças o Rei novo 4,

Se é certo que co Rei se muda o povo.

Est. 18

25 «Rei tendes tal que, se o valor tiverdes

Igual ao Rei que agora alevantastes,

Desbaratareis tudo o que quiserdes,

Quanto mais a quem já desbaratastes.

E se com isto, enfim, vos não moverdes

30 Do penetrante medo que tomastes,

Atai as mãos a vosso vão receio 5,

Que eu só resistirei ao jugo 6 alheio.

Luís de Camões, Os Lusíadas, edição de A. J. da Costa Pimpão, 5.ª ed., Lisboa, MNE-IC, 2003, pp. 98-99.

NOTAS

1 refuse o pátrio Marte – recuse combater pela Pátria.

2 Do grande Henriques [...] tiveram? – referência a um episódio que terá ocorrido em Arcos de Valdevez, nos princípios de 1128, quando D. Afonso Henriques invadiu a Galiza e derrotou o rei de Castela. Morreram inúmeros soldados castelhanos e foram aprisionados sete Condes e muitos outros cavaleiros.

3 contino sopeados – continuamente subjugados.

4 Rei novo – referência a D. João I, Mestre de Avis.

5 Atai as mãos a vosso vão receio – ficai imóveis, prisioneiros do vosso medo.

6 jugo – domínio; força repressiva.

4.

Explicite as razões que justificam a indignação manifestada por Nuno Álvares Pereira nos versos 1 a 20.

5.

Tendo em conta o objetivo que Nuno Álvares Pereira pretende alcançar, avalie o poder argumentativo das suas palavras nos versos 21 a 32.

Na sua resposta, comece por explicitar o objetivo do discurso de Nuno Álvares Pereira.

Grupo I - 6 · Os Lusíadas e Mensagem

PARTE B

Leia a contextualização, o texto e as notas.

Contextualização

As estâncias 15 a 18 do Canto IV de Os Lusíadas, abaixo transcritas, integram o plano da História de Portugal, quando Vasco da Gama narra ao rei de Melinde o discurso de Nuno Álvares Pereira, proferido antes da Batalha de Aljubarrota, que opôs os Portugueses aos Castelhanos.

Est. 15

– «Como? Da gente ilustre Portuguesa

Há de haver quem refuse o pátrio Marte 1 ?

Como? Desta província, que princesa

Foi das gentes na guerra em toda parte,

5 Há de sair quem negue ter defesa?

Quem negue a Fé, o amor, o esforço e arte

De Português, e por nenhum respeito

O próprio Reino queira ver sujeito?

Est. 16

«Como? Não sois vós inda os descendentes

10 Daqueles que, debaixo da bandeira

Do grande Henriques 2, feros e valentes,

Vencestes esta gente tão guerreira,

Quando tantas bandeiras, tantas gentes

Puseram em fugida, de maneira

15 Que sete ilustres Condes lhe trouxeram

Presos, afora a presa que tiveram?

Est. 17

«Com quem foram contino sopeados 3

Estes, de quem o estais agora vós,

Por Dinis e seu filho sublimados,

20 Senão cos vossos fortes pais e avôs?

Pois se, com seus descuidos ou pecados,

Fernando em tal fraqueza assim vos pôs,

Torne-vos vossas forças o Rei novo 4,

Se é certo que co Rei se muda o povo.

Est. 18

25 «Rei tendes tal que, se o valor tiverdes

Igual ao Rei que agora alevantastes,

Desbaratareis tudo o que quiserdes,

Quanto mais a quem já desbaratastes.

E se com isto, enfim, vos não moverdes

30 Do penetrante medo que tomastes,

Atai as mãos a vosso vão receio 5,

Que eu só resistirei ao jugo 6 alheio.

Luís de Camões, Os Lusíadas, edição de A. J. da Costa Pimpão, 5.ª ed., Lisboa, MNE-IC, 2003, pp. 98-99.

NOTAS

1 refuse o pátrio Marte – recuse combater pela Pátria.

2 Do grande Henriques [...] tiveram? – referência a um episódio que terá ocorrido em Arcos de Valdevez, nos princípios de 1128, quando D. Afonso Henriques invadiu a Galiza e derrotou o rei de Castela. Morreram inúmeros soldados castelhanos e foram aprisionados sete Condes e muitos outros cavaleiros.

3 contino sopeados – continuamente subjugados.

4 Rei novo – referência a D. João I, Mestre de Avis.

5 Atai as mãos a vosso vão receio – ficai imóveis, prisioneiros do vosso medo.

6 jugo – domínio; força repressiva.

6. Considere as afirmações seguintes sobre as estâncias transcritas.

Identifique as três afirmações verdadeiras.

Grupo I - 7 · Os Lusíadas e Mensagem

PARTE C

7. Os textos que leu na Parte A e na Parte B desta prova apresentam o mesmo herói; todavia, a imagem que nos é transmitida não é exatamente a mesma.

Escreva uma breve exposição na qual compare esses textos quanto à representação de Nuno Álvares Pereira.

A sua exposição deve incluir:

uma introdução ao tema;

um desenvolvimento no qual explicite uma semelhança e uma diferença no modo como o herói é retratado em Os Lusíadas e em Mensagem;

uma conclusão adequada ao desenvolvimento do tema.

Grupo II - 1 · Compreensão de texto não literário

GRUPO II

Leia o texto e as notas.

Há sempre uma boa razão para ver teatro em condições diferentes das habituais.

Por isso, e uma vez que estamos no verão, pode programar uma visita à Trafaria, onde,

nos Recreios Desportivos da Trafaria, o Casino da Trafaria, Ana Nave, atriz e encenadora,

apresenta o espetáculo Pequenos Sons da Boca (2015), da dramaturga, argumentista e atriz

5 norte-americana, Bess Wohl (1975). [...]

Ao entrar na grande sala, vemos, em frente à plateia, três conjuntos de estrados,

engenhosamente articulados dois a dois, e um estrado mais elevado ao fundo, com seis

cadeiras, atrás do qual, três biombos, cada um com duas folhas em acrílico, fecham a cena e

a refletem, a permitir a saída dos atores para o exterior. Esta inteligente e atenta cenografia

10 de Rui Francisco, realçada pela iluminação de Tasso Adamopoulos, vai permitir acolher a

dramaturgia de Ana Nave e os espaços de enunciação: sala, quartos, lago e floresta, onde os

três atores e as três atrizes dão forma às suas personagens. São seis personagens em busca

de si, que por isso se reúnem num retiro de cinco dias, em que imperam várias proibições,

como o uso de telemóveis, fumar, comer fora dos locais prescritos, mas também, e sobretudo,

15 é interdito o uso de palavras, exceto nas sessões em que cada participante coloca uma questão

a todos os outros.

Nesta peça paira um tom de sátira às práticas e convicções da Nova Era 1, em que

ingenuamente se acredita na inexistência do mal e que basta retirarmo-nos da cacofonia 2 do

mundo, das práticas e rotinas alienantes, para encontrar a essência da felicidade. Além da

20 circunstância cómica proposta na peça, há uma verdade que se revela pela sua colocação em

cena, e pela prática teatral, pois ficamos presos às personagens que, através dos atores, se

apresentam e nos movem a saber quem são e o que nos dizem sobre a sua dor existencial e

individual, sem palavras, mas pelas reações que exprimem e pelas relações que estabelecem

umas com as outras. [...]

25 A prestação dos três atores e das três atrizes é muito bem conduzida na representação dos

participantes do retiro, a darem a conhecer as suas histórias com grande sensibilidade física

e justeza cénica e a comunicarem sem palavras as biografias das suas personagens. Mas há

diálogos implícitos e mesmo momentos de inquestionável autenticidade, como quando um

dos participantes relata a série de acidentes que sofreu, ou quando um par silenciosamente se

30 apoia na partilha de um cigarro.

Ao sair deste espetáculo meditativo, o público é acolhido em ambiente festivo, a provar que

a solidão e o sentimento de perda se mitigam 3 ao celebrar a vida.

Helena Simões, Jornal de Letras, 26 de julho de 2023, p. 29.

NOTAS

1 Nova Era – movimento que surgiu na década de 1970, propondo práticas e crenças espirituais.

2 cacofonia – sons desagradáveis ao ouvido.

3 mitigam – atenuam; suavizam.

1. Segundo a autora, a cenografia de Rui Francisco é «inteligente» (linha 9), devido à sua

()

Grupo II - 2 · Compreensão de texto não literário

GRUPO II

Leia o texto e as notas.

Há sempre uma boa razão para ver teatro em condições diferentes das habituais.

Por isso, e uma vez que estamos no verão, pode programar uma visita à Trafaria, onde,

nos Recreios Desportivos da Trafaria, o Casino da Trafaria, Ana Nave, atriz e encenadora,

apresenta o espetáculo Pequenos Sons da Boca (2015), da dramaturga, argumentista e atriz

5 norte-americana, Bess Wohl (1975). [...]

Ao entrar na grande sala, vemos, em frente à plateia, três conjuntos de estrados,

engenhosamente articulados dois a dois, e um estrado mais elevado ao fundo, com seis

cadeiras, atrás do qual, três biombos, cada um com duas folhas em acrílico, fecham a cena e

a refletem, a permitir a saída dos atores para o exterior. Esta inteligente e atenta cenografia

10 de Rui Francisco, realçada pela iluminação de Tasso Adamopoulos, vai permitir acolher a

dramaturgia de Ana Nave e os espaços de enunciação: sala, quartos, lago e floresta, onde os

três atores e as três atrizes dão forma às suas personagens. São seis personagens em busca

de si, que por isso se reúnem num retiro de cinco dias, em que imperam várias proibições,

como o uso de telemóveis, fumar, comer fora dos locais prescritos, mas também, e sobretudo,

15 é interdito o uso de palavras, exceto nas sessões em que cada participante coloca uma questão

a todos os outros.

Nesta peça paira um tom de sátira às práticas e convicções da Nova Era 1, em que

ingenuamente se acredita na inexistência do mal e que basta retirarmo-nos da cacofonia 2 do

mundo, das práticas e rotinas alienantes, para encontrar a essência da felicidade. Além da

20 circunstância cómica proposta na peça, há uma verdade que se revela pela sua colocação em

cena, e pela prática teatral, pois ficamos presos às personagens que, através dos atores, se

apresentam e nos movem a saber quem são e o que nos dizem sobre a sua dor existencial e

individual, sem palavras, mas pelas reações que exprimem e pelas relações que estabelecem

umas com as outras. [...]

25 A prestação dos três atores e das três atrizes é muito bem conduzida na representação dos

participantes do retiro, a darem a conhecer as suas histórias com grande sensibilidade física

e justeza cénica e a comunicarem sem palavras as biografias das suas personagens. Mas há

diálogos implícitos e mesmo momentos de inquestionável autenticidade, como quando um

dos participantes relata a série de acidentes que sofreu, ou quando um par silenciosamente se

30 apoia na partilha de um cigarro.

Ao sair deste espetáculo meditativo, o público é acolhido em ambiente festivo, a provar que

a solidão e o sentimento de perda se mitigam 3 ao celebrar a vida.

Helena Simões, Jornal de Letras, 26 de julho de 2023, p. 29.

NOTAS

1 Nova Era – movimento que surgiu na década de 1970, propondo práticas e crenças espirituais.

2 cacofonia – sons desagradáveis ao ouvido.

3 mitigam – atenuam; suavizam.

2. Ao referir-se à «verdade que se revela» (linha 20), a autora alude

()

Grupo II · Compreensão de texto não literário

GRUPO II

Leia o texto e as notas.

Há sempre uma boa razão para ver teatro em condições diferentes das habituais.

Por isso, e uma vez que estamos no verão, pode programar uma visita à Trafaria, onde,

nos Recreios Desportivos da Trafaria, o Casino da Trafaria, Ana Nave, atriz e encenadora,

apresenta o espetáculo Pequenos Sons da Boca (2015), da dramaturga, argumentista e atriz

5 norte-americana, Bess Wohl (1975). [...]

Ao entrar na grande sala, vemos, em frente à plateia, três conjuntos de estrados,

engenhosamente articulados dois a dois, e um estrado mais elevado ao fundo, com seis

cadeiras, atrás do qual, três biombos, cada um com duas folhas em acrílico, fecham a cena e

a refletem, a permitir a saída dos atores para o exterior. Esta inteligente e atenta cenografia

10 de Rui Francisco, realçada pela iluminação de Tasso Adamopoulos, vai permitir acolher a

dramaturgia de Ana Nave e os espaços de enunciação: sala, quartos, lago e floresta, onde os

três atores e as três atrizes dão forma às suas personagens. São seis personagens em busca

de si, que por isso se reúnem num retiro de cinco dias, em que imperam várias proibições,

como o uso de telemóveis, fumar, comer fora dos locais prescritos, mas também, e sobretudo,

15 é interdito o uso de palavras, exceto nas sessões em que cada participante coloca uma questão

a todos os outros.

Nesta peça paira um tom de sátira às práticas e convicções da Nova Era 1, em que

ingenuamente se acredita na inexistência do mal e que basta retirarmo-nos da cacofonia 2 do

mundo, das práticas e rotinas alienantes, para encontrar a essência da felicidade. Além da

20 circunstância cómica proposta na peça, há uma verdade que se revela pela sua colocação em

cena, e pela prática teatral, pois ficamos presos às personagens que, através dos atores, se

apresentam e nos movem a saber quem são e o que nos dizem sobre a sua dor existencial e

individual, sem palavras, mas pelas reações que exprimem e pelas relações que estabelecem

umas com as outras. [...]

25 A prestação dos três atores e das três atrizes é muito bem conduzida na representação dos

participantes do retiro, a darem a conhecer as suas histórias com grande sensibilidade física

e justeza cénica e a comunicarem sem palavras as biografias das suas personagens. Mas há

diálogos implícitos e mesmo momentos de inquestionável autenticidade, como quando um

dos participantes relata a série de acidentes que sofreu, ou quando um par silenciosamente se

30 apoia na partilha de um cigarro.

Ao sair deste espetáculo meditativo, o público é acolhido em ambiente festivo, a provar que

a solidão e o sentimento de perda se mitigam 3 ao celebrar a vida.

Helena Simões, Jornal de Letras, 26 de julho de 2023, p. 29.

NOTAS

1 Nova Era – movimento que surgiu na década de 1970, propondo práticas e crenças espirituais.

2 cacofonia – sons desagradáveis ao ouvido.

3 mitigam – atenuam; suavizam.

3.

Os exemplos apresentados no penúltimo parágrafo (linhas 25 a 30) sustentam a ideia de que

()

4.

Segundo a autora, o espetáculo teatral meditativo, combinado com o «ambiente festivo» (linha 31) que se lhe segue,

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Grupo II - 5 · Compreensão de texto não literário

GRUPO II

Leia o texto e as notas.

Há sempre uma boa razão para ver teatro em condições diferentes das habituais.

Por isso, e uma vez que estamos no verão, pode programar uma visita à Trafaria, onde,

nos Recreios Desportivos da Trafaria, o Casino da Trafaria, Ana Nave, atriz e encenadora,

apresenta o espetáculo Pequenos Sons da Boca (2015), da dramaturga, argumentista e atriz

5 norte-americana, Bess Wohl (1975). [...]

Ao entrar na grande sala, vemos, em frente à plateia, três conjuntos de estrados,

engenhosamente articulados dois a dois, e um estrado mais elevado ao fundo, com seis

cadeiras, atrás do qual, três biombos, cada um com duas folhas em acrílico, fecham a cena e

a refletem, a permitir a saída dos atores para o exterior. Esta inteligente e atenta cenografia

10 de Rui Francisco, realçada pela iluminação de Tasso Adamopoulos, vai permitir acolher a

dramaturgia de Ana Nave e os espaços de enunciação: sala, quartos, lago e floresta, onde os

três atores e as três atrizes dão forma às suas personagens. São seis personagens em busca

de si, que por isso se reúnem num retiro de cinco dias, em que imperam várias proibições,

como o uso de telemóveis, fumar, comer fora dos locais prescritos, mas também, e sobretudo,

15 é interdito o uso de palavras, exceto nas sessões em que cada participante coloca uma questão

a todos os outros.

Nesta peça paira um tom de sátira às práticas e convicções da Nova Era 1, em que

ingenuamente se acredita na inexistência do mal e que basta retirarmo-nos da cacofonia 2 do

mundo, das práticas e rotinas alienantes, para encontrar a essência da felicidade. Além da

20 circunstância cómica proposta na peça, há uma verdade que se revela pela sua colocação em

cena, e pela prática teatral, pois ficamos presos às personagens que, através dos atores, se

apresentam e nos movem a saber quem são e o que nos dizem sobre a sua dor existencial e

individual, sem palavras, mas pelas reações que exprimem e pelas relações que estabelecem

umas com as outras. [...]

25 A prestação dos três atores e das três atrizes é muito bem conduzida na representação dos

participantes do retiro, a darem a conhecer as suas histórias com grande sensibilidade física

e justeza cénica e a comunicarem sem palavras as biografias das suas personagens. Mas há

diálogos implícitos e mesmo momentos de inquestionável autenticidade, como quando um

dos participantes relata a série de acidentes que sofreu, ou quando um par silenciosamente se

30 apoia na partilha de um cigarro.

Ao sair deste espetáculo meditativo, o público é acolhido em ambiente festivo, a provar que

a solidão e o sentimento de perda se mitigam 3 ao celebrar a vida.

Helena Simões, Jornal de Letras, 26 de julho de 2023, p. 29.

NOTAS

1 Nova Era – movimento que surgiu na década de 1970, propondo práticas e crenças espirituais.

2 cacofonia – sons desagradáveis ao ouvido.

3 mitigam – atenuam; suavizam.

5. Sendo um texto de apreciação crítica, são apresentados vários juízos de valor, como acontece em

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Grupo II - 6 · Gramática

GRUPO II

Leia o texto e as notas.

Há sempre uma boa razão para ver teatro em condições diferentes das habituais.

Por isso, e uma vez que estamos no verão, pode programar uma visita à Trafaria, onde,

nos Recreios Desportivos da Trafaria, o Casino da Trafaria, Ana Nave, atriz e encenadora,

apresenta o espetáculo Pequenos Sons da Boca (2015), da dramaturga, argumentista e atriz

5 norte-americana, Bess Wohl (1975). [...]

Ao entrar na grande sala, vemos, em frente à plateia, três conjuntos de estrados,

engenhosamente articulados dois a dois, e um estrado mais elevado ao fundo, com seis

cadeiras, atrás do qual, três biombos, cada um com duas folhas em acrílico, fecham a cena e

a refletem, a permitir a saída dos atores para o exterior. Esta inteligente e atenta cenografia

10 de Rui Francisco, realçada pela iluminação de Tasso Adamopoulos, vai permitir acolher a

dramaturgia de Ana Nave e os espaços de enunciação: sala, quartos, lago e floresta, onde os

três atores e as três atrizes dão forma às suas personagens. São seis personagens em busca

de si, que por isso se reúnem num retiro de cinco dias, em que imperam várias proibições,

como o uso de telemóveis, fumar, comer fora dos locais prescritos, mas também, e sobretudo,

15 é interdito o uso de palavras, exceto nas sessões em que cada participante coloca uma questão

a todos os outros.

Nesta peça paira um tom de sátira às práticas e convicções da Nova Era 1, em que

ingenuamente se acredita na inexistência do mal e que basta retirarmo-nos da cacofonia 2 do

mundo, das práticas e rotinas alienantes, para encontrar a essência da felicidade. Além da

20 circunstância cómica proposta na peça, há uma verdade que se revela pela sua colocação em

cena, e pela prática teatral, pois ficamos presos às personagens que, através dos atores, se

apresentam e nos movem a saber quem são e o que nos dizem sobre a sua dor existencial e

individual, sem palavras, mas pelas reações que exprimem e pelas relações que estabelecem

umas com as outras. [...]

25 A prestação dos três atores e das três atrizes é muito bem conduzida na representação dos

participantes do retiro, a darem a conhecer as suas histórias com grande sensibilidade física

e justeza cénica e a comunicarem sem palavras as biografias das suas personagens. Mas há

diálogos implícitos e mesmo momentos de inquestionável autenticidade, como quando um

dos participantes relata a série de acidentes que sofreu, ou quando um par silenciosamente se

30 apoia na partilha de um cigarro.

Ao sair deste espetáculo meditativo, o público é acolhido em ambiente festivo, a provar que

a solidão e o sentimento de perda se mitigam 3 ao celebrar a vida.

Helena Simões, Jornal de Letras, 26 de julho de 2023, p. 29.

NOTAS

1 Nova Era – movimento que surgiu na década de 1970, propondo práticas e crenças espirituais.

2 cacofonia – sons desagradáveis ao ouvido.

3 mitigam – atenuam; suavizam.

6. As palavras «plateia» (linha 6), «cenografia» (linha 9) e «peça» (linha 17) estão ligadas entre si

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Grupo II - 7 · Gramática

GRUPO II

Leia o texto e as notas.

Há sempre uma boa razão para ver teatro em condições diferentes das habituais.

Por isso, e uma vez que estamos no verão, pode programar uma visita à Trafaria, onde,

nos Recreios Desportivos da Trafaria, o Casino da Trafaria, Ana Nave, atriz e encenadora,

apresenta o espetáculo Pequenos Sons da Boca (2015), da dramaturga, argumentista e atriz

5 norte-americana, Bess Wohl (1975). [...]

Ao entrar na grande sala, vemos, em frente à plateia, três conjuntos de estrados,

engenhosamente articulados dois a dois, e um estrado mais elevado ao fundo, com seis

cadeiras, atrás do qual, três biombos, cada um com duas folhas em acrílico, fecham a cena e

a refletem, a permitir a saída dos atores para o exterior. Esta inteligente e atenta cenografia

10 de Rui Francisco, realçada pela iluminação de Tasso Adamopoulos, vai permitir acolher a

dramaturgia de Ana Nave e os espaços de enunciação: sala, quartos, lago e floresta, onde os

três atores e as três atrizes dão forma às suas personagens. São seis personagens em busca

de si, que por isso se reúnem num retiro de cinco dias, em que imperam várias proibições,

como o uso de telemóveis, fumar, comer fora dos locais prescritos, mas também, e sobretudo,

15 é interdito o uso de palavras, exceto nas sessões em que cada participante coloca uma questão

a todos os outros.

Nesta peça paira um tom de sátira às práticas e convicções da Nova Era 1, em que

ingenuamente se acredita na inexistência do mal e que basta retirarmo-nos da cacofonia 2 do

mundo, das práticas e rotinas alienantes, para encontrar a essência da felicidade. Além da

20 circunstância cómica proposta na peça, há uma verdade que se revela pela sua colocação em

cena, e pela prática teatral, pois ficamos presos às personagens que, através dos atores, se

apresentam e nos movem a saber quem são e o que nos dizem sobre a sua dor existencial e

individual, sem palavras, mas pelas reações que exprimem e pelas relações que estabelecem

umas com as outras. [...]

25 A prestação dos três atores e das três atrizes é muito bem conduzida na representação dos

participantes do retiro, a darem a conhecer as suas histórias com grande sensibilidade física

e justeza cénica e a comunicarem sem palavras as biografias das suas personagens. Mas há

diálogos implícitos e mesmo momentos de inquestionável autenticidade, como quando um

dos participantes relata a série de acidentes que sofreu, ou quando um par silenciosamente se

30 apoia na partilha de um cigarro.

Ao sair deste espetáculo meditativo, o público é acolhido em ambiente festivo, a provar que

a solidão e o sentimento de perda se mitigam 3 ao celebrar a vida.

Helena Simões, Jornal de Letras, 26 de julho de 2023, p. 29.

NOTAS

1 Nova Era – movimento que surgiu na década de 1970, propondo práticas e crenças espirituais.

2 cacofonia – sons desagradáveis ao ouvido.

3 mitigam – atenuam; suavizam.

7. Todas as orações abaixo transcritas são adjetivas relativas, exceto a oração

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Grupo III · Apreciação crítica de uma imagem

GRUPO III

Num texto bem estruturado, com um mínimo de duzentas e um máximo de trezentas e cinquenta palavras, faça a apreciação crítica da reprodução da pintura Fernando Pessoa Não-Ele-Mesmo, de António Costa Pinheiro.

António Costa Pinheiro, Fernando Pessoa Não-Ele-Mesmo, 1976, óleo sobre tela.

O seu texto deve incluir:

a descrição da pintura apresentada, destacando elementos significativos da sua composição;

um comentário crítico, fundamentando a sua apreciação em, pelo menos, três aspetos relevantes e utilizando um discurso valorativo;

uma conclusão adequada aos pontos de vista desenvolvidos.

Observações:

Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco, mesmo quando esta integre elementos ligados por hífen (ex.: /dir-se-ia/). Qualquer número conta como uma única palavra, independentemente do número de algarismos que o constituam (ex.: /2024/).

Relativamente ao desvio dos limites de extensão indicados – entre duzentas e trezentas e cinquenta palavras –, há que atender ao seguinte:

um desvio dos limites de extensão indicados implica uma desvalorização parcial (até 5 pontos) do texto produzido;

um texto com extensão inferior a oitenta palavras é classificado com zero pontos.

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