Exame Nacional História A 2021 · 1.ª fase

Exame Nacional de História A 2021, 1.ª fase: 10 exercícios com resolução. Temas: Poder régio, senhorios e concelhos no Portugal medieval. Grátis.

Temas do exame: Poder régio, senhorios e concelhos no Portugal medieval · Civilização industrial: economia, sociedade e Portugal da Regeneração à crise da monarquia · Primeira Guerra Mundial, primeiro pós-guerra e mutações socioculturais dos anos 20 · Revolução Russa, crise de 1929 e regimes totalitários na Europa entre as guerras · Portugal do segundo pós-guerra à democracia: Estado Novo, guerra colonial e 25 de Abril

Grupo I · Poder régio, senhorios e concelhos no Portugal medieval

GRUPO I

A NOBREZA GUERREIRA NA CONSTRUÇÃO DO TERRITÓRIO MEDIEVAL PORTUGUÊS

Inscrição lapidar* sobre Afonso Peres Farinha, fundador do Mosteiro Hospitalário de Marmelar, Portel (1268)

Na era de 1306 [Ano de 1268], mês de abril, frei Afonso Peres Farinha, da Ordem do Hospital

de São João de Jerusalém, [...] começou a edificar este mosteiro, por ordem do nobilíssimo

senhor D. João Peres de Aboim, que deu de esmola à Ordem do Hospital uma herdade para

a fundação deste mosteiro, o dotou com grandes posses e lhe concedeu muitos benefícios.

5 O dito frei Afonso foi cavaleiro de um escudo e uma lança. Todavia seu pai e seu avô fizeram

cavaleiros. [...] Entrou na dita Ordem e veio a Moura e Serpa, que são além Guadiana, que

então era a fronteira dos mouros, e aí viveu durante vinte anos. Nessa altura não havia, além

Guadiana, nenhuma povoação cristã a não ser Badajoz, Moura e Serpa. Infligiu aos mouros

muitas derrotas e muita guerra, andou com eles em grandes combates e feitos de armas,

10 e tomou-lhes Aroche e Aracena e deu-as a D. Afonso III, rei de Portugal. Durante a vida do dito

frei Afonso, conquistou-se toda a Andaluzia aos mouros.

Foi prior do Hospital duas ou três vezes em Portugal, passou o mar três vezes, viveu em

além-mar muito tempo e passou muitos perigos e feitos de armas. O rei de Portugal e o rei de

Castela honraram-no muito, assim como outros homens poderosos que o conheceram. [...]

15 O dito frei Afonso realizou com os mouros e cristãos tão grandes feitos que ninguém os

poderia contar.

Mário Jorge Barroca, Epigrafia medieval portuguesa (862-1422), Lisboa, FCG, 2000, Vol. II, Tomo I, pp. 939-950. (Texto adaptado)

* na pedra.

* 1.

A doação efetuada pelo «nobilíssimo senhor D. João Peres de Aboim» (linhas 2-3) comprova, no contexto da sociedade senhorial,

()

* 2.

O louvor dos feitos de armas de Afonso Peres Farinha, que «infligiu aos mouros muitas derrotas e muita guerra» (linhas 8-9), sublinha também a sua pertença à ordem religiosa e militar dos Hospitalários, evidenciando assim

()

* 3.

No âmbito da monarquia feudal, a relação de Afonso Peres Farinha com o rei de Portugal, tal como é recordada no documento (linha 10), expressa

()

Grupo II - 1 · Civilização industrial: economia, sociedade e Portugal da Regeneração à crise da monarquia

GRUPO II

O ARRANQUE DA MAQUINOFATURA NA INGLATERRA E O TRIUNFO DA CIVILIZAÇÃO INDUSTRIAL

Documento 1

Petição dos trabalhadores das manufaturas têxteis de Leeds, na Inglaterra, aos fabricantes e aos mercadores de tecidos (1786)

Está demonstrado que as máquinas de cardar* têm lançado no desemprego milhares destes peticionários, [...] deixando-os incapazes de sustentar as suas famílias [...]. [...]

O número de máquinas de cardar que existem [...] a sudoeste de Leeds é inacreditável, não sendo inferior a cento e setenta ! E como cada máquina pode fazer, em doze horas, o mesmo trabalho feito manualmente por dez homens [...], uma máquina fará num dia o equivalente ao trabalho de vinte homens. [...] De modo que, [...] por cada máquina de cardar, doze homens são lançados no desemprego. [...]

Mas isto não é tudo; o estrago nos panos é grande, porque na tecelagem, em vez de deixar uma lanugem, o fio de lã é repuxado e o pano fica danificado. Poderíamos enumerar muitos outros males [...]: uma consequência será o despovoamento; o comércio perder-se-á então; os agricultores não terão outra satisfação que a de serem devorados em último lugar. [...]

Como vão estes homens [...] sustentar as suas famílias? Em que ofícios vão colocar os seus filhos como aprendizes para que a nova geração esteja ocupada a trabalhar e não se comportem como vagabundos, andando por aí na ociosidade? Alguns dirão, recomecem e aprendam outro ofício. [...] Mas, quando o tivermos aprendido, como saberemos se ficaremos melhor [...], pois durante o tempo da nossa segunda aprendizagem poderá aparecer outra máquina que nos prive também desse ofício. Pelo que as nossas famílias, a definharem enquanto aprendíamos como lhes providenciar alimento, finam-se durante a nossa terceira aprendizagem.

Mas e que farão os nossos filhos? [...] Na verdade, como as coisas estão, não é de admirar ouvir-se falar em tantas execuções. Da nossa parte, [...] pensamos que instruir os filhos numa vida de trabalho e mantê-los ocupados é a melhor maneira de evitar que caiam no crime, a que os hábitos ociosos naturalmente conduzem.

James L. Outman, Industrial Revolution. Primary sources, Farmington Hills, The Gale Group, 2003, pp. 57-59. (Texto traduzido e adaptado)

* desenredar ou pentear fibras têxteis.

Documento 2

Índices de industrialização per capita, 1750-1860 (Reino Unido em 1860 = 100)

Stephen Broadberry e Kevin H. O'Rourke, The Cambridge economic history of modern Europe, Cambridge, Cambridge University Press, 2010, Vol. 1, p. 172. (Adaptado)

1. Ao fazer «num dia o equivalente ao trabalho de vinte homens» (documento 1, linhas 5-6), a máquina inventada para a manufatura têxtil desencadeou

()

Grupo II - 2 · Civilização industrial: economia, sociedade e Portugal da Regeneração à crise da monarquia

GRUPO II

O ARRANQUE DA MAQUINOFATURA NA INGLATERRA E O TRIUNFO DA CIVILIZAÇÃO INDUSTRIAL

Documento 1

Petição dos trabalhadores das manufaturas têxteis de Leeds, na Inglaterra, aos fabricantes e aos mercadores de tecidos (1786)

Está demonstrado que as máquinas de cardar* têm lançado no desemprego milhares destes peticionários, [...] deixando-os incapazes de sustentar as suas famílias [...]. [...]

O número de máquinas de cardar que existem [...] a sudoeste de Leeds é inacreditável, não sendo inferior a cento e setenta ! E como cada máquina pode fazer, em doze horas, o mesmo trabalho feito manualmente por dez homens [...], uma máquina fará num dia o equivalente ao trabalho de vinte homens. [...] De modo que, [...] por cada máquina de cardar, doze homens são lançados no desemprego. [...]

Mas isto não é tudo; o estrago nos panos é grande, porque na tecelagem, em vez de deixar uma lanugem, o fio de lã é repuxado e o pano fica danificado. Poderíamos enumerar muitos outros males [...]: uma consequência será o despovoamento; o comércio perder-se-á então; os agricultores não terão outra satisfação que a de serem devorados em último lugar. [...]

Como vão estes homens [...] sustentar as suas famílias? Em que ofícios vão colocar os seus filhos como aprendizes para que a nova geração esteja ocupada a trabalhar e não se comportem como vagabundos, andando por aí na ociosidade? Alguns dirão, recomecem e aprendam outro ofício. [...] Mas, quando o tivermos aprendido, como saberemos se ficaremos melhor [...], pois durante o tempo da nossa segunda aprendizagem poderá aparecer outra máquina que nos prive também desse ofício. Pelo que as nossas famílias, a definharem enquanto aprendíamos como lhes providenciar alimento, finam-se durante a nossa terceira aprendizagem.

Mas e que farão os nossos filhos? [...] Na verdade, como as coisas estão, não é de admirar ouvir-se falar em tantas execuções. Da nossa parte, [...] pensamos que instruir os filhos numa vida de trabalho e mantê-los ocupados é a melhor maneira de evitar que caiam no crime, a que os hábitos ociosos naturalmente conduzem.

James L. Outman, Industrial Revolution. Primary sources, Farmington Hills, The Gale Group, 2003, pp. 57-59. (Texto traduzido e adaptado)

* desenredar ou pentear fibras têxteis.

Documento 2

Índices de industrialização per capita, 1750-1860 (Reino Unido em 1860 = 100)

Stephen Broadberry e Kevin H. O'Rourke, The Cambridge economic history of modern Europe, Cambridge, Cambridge University Press, 2010, Vol. 1, p. 172. (Adaptado)

2. As inovações tecnológicas no processo produtivo, ocorridas na Inglaterra durante o século XVIII, suscitaram, da parte dos trabalhadores, atitudes de profundo ceticismo.

Apresente dois argumentos que sustentem esta afirmação, fundamentando a sua resposta com excertos relevantes do documento 1.

Grupo II - 3 · Civilização industrial: economia, sociedade e Portugal da Regeneração à crise da monarquia

GRUPO II

O ARRANQUE DA MAQUINOFATURA NA INGLATERRA E O TRIUNFO DA CIVILIZAÇÃO INDUSTRIAL

Documento 1

Petição dos trabalhadores das manufaturas têxteis de Leeds, na Inglaterra, aos fabricantes e aos mercadores de tecidos (1786)

Está demonstrado que as máquinas de cardar* têm lançado no desemprego milhares destes peticionários, [...] deixando-os incapazes de sustentar as suas famílias [...]. [...]

O número de máquinas de cardar que existem [...] a sudoeste de Leeds é inacreditável, não sendo inferior a cento e setenta ! E como cada máquina pode fazer, em doze horas, o mesmo trabalho feito manualmente por dez homens [...], uma máquina fará num dia o equivalente ao trabalho de vinte homens. [...] De modo que, [...] por cada máquina de cardar, doze homens são lançados no desemprego. [...]

Mas isto não é tudo; o estrago nos panos é grande, porque na tecelagem, em vez de deixar uma lanugem, o fio de lã é repuxado e o pano fica danificado. Poderíamos enumerar muitos outros males [...]: uma consequência será o despovoamento; o comércio perder-se-á então; os agricultores não terão outra satisfação que a de serem devorados em último lugar. [...]

Como vão estes homens [...] sustentar as suas famílias? Em que ofícios vão colocar os seus filhos como aprendizes para que a nova geração esteja ocupada a trabalhar e não se comportem como vagabundos, andando por aí na ociosidade? Alguns dirão, recomecem e aprendam outro ofício. [...] Mas, quando o tivermos aprendido, como saberemos se ficaremos melhor [...], pois durante o tempo da nossa segunda aprendizagem poderá aparecer outra máquina que nos prive também desse ofício. Pelo que as nossas famílias, a definharem enquanto aprendíamos como lhes providenciar alimento, finam-se durante a nossa terceira aprendizagem.

Mas e que farão os nossos filhos? [...] Na verdade, como as coisas estão, não é de admirar ouvir-se falar em tantas execuções. Da nossa parte, [...] pensamos que instruir os filhos numa vida de trabalho e mantê-los ocupados é a melhor maneira de evitar que caiam no crime, a que os hábitos ociosos naturalmente conduzem.

James L. Outman, Industrial Revolution. Primary sources, Farmington Hills, The Gale Group, 2003, pp. 57-59. (Texto traduzido e adaptado)

* desenredar ou pentear fibras têxteis.

Documento 2

Índices de industrialização per capita, 1750-1860 (Reino Unido em 1860 = 100)

Stephen Broadberry e Kevin H. O'Rourke, The Cambridge economic history of modern Europe, Cambridge, Cambridge University Press, 2010, Vol. 1, p. 172. (Adaptado)

3.

Enuncie duas evidências dos desfasamentos cronológicos e geográficos do processo de industrialização nos séculos XVIII e XIX.

Fundamente as duas evidências com informação relevante do documento 2.

Grupo III - 1 · Primeira Guerra Mundial, primeiro pós-guerra e mutações socioculturais dos anos 20

GRUPO III

RUTURAS SOCIAIS E CULTURAIS NAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX

Documento 1 (conjunto documental)

Documento 2

Uma exposição de pintura no Salão dos Independentes, em Paris,

na perspetiva do crítico de arte Louis de Vauxcelles (1910)

Quarenta e três salas! [...] Toda a gente pinta. Toda a gente expõe nos «Independentes»: artistas, porteiras, amadores, velhos ociosos, funcionários reformados, rapariguinhas boémias. É uma multidão desordenada, a imagem da sociedade contemporânea. Ausência de disciplina, ausência de ordem; a cacofonia de um encontro público. [...] As vozes discretas, harmoniosas,

5 são abafadas. [...] Cá está o temível triunfo do individualismo. [...]

O público está desorientado. [...] Imaginemos um visitante desprevenido [...]: as composições dementes enlouquecem-no, [...] os excessos artificiais, as estranhezas dos pseudoprimitivos, as manchas berrantes, os efeitos fáceis e grosseiros dos impostores desgostam-no. [...] Sai furioso, crê-se enganado. Grita contra a decadência, contra a ruína da pintura moderna,

10 modernista se preferirem. [...]

O exagero, a imitação desenfreada e enganadora, estas são as taras que estragam esta exposição [...]. O caso Matisse é grave. Este colorista [...] esquematiza cada vez mais e, para agradar a uma clientela exigente, [...] serve-lhes quadros de uma simplificação anedótica, personagens construídas sem qualquer preocupação com a forma e nas quais o interesse

15 reside apenas, acima de tudo, na sensibilidade da paleta. [...] Outros, geómetras ígnaros*, reduzem o corpo humano, a paisagem, a pálidos cubos. [...]

Expostas estas reservas essenciais, rejubilemos com a derrocada dos académicos e com o terror que lhes causam as liberdades e os excessos da geração nova.

* ignorantes.

Gil Blas, 18 de março de 1910, in https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k7527626n.item (consultado em 21/09/2020). (Texto traduzido e adaptado)

Documento 3

As transformações sociais das primeiras décadas do século XX,

nas memórias do escritor Raul Brandão (1920-1922)

A vida modificou-se nos últimos vinte anos, primeiro com lentidão e, depois da guerra, num tropel que mete medo. Ninguém pensa hoje como ontem. [...] Só uma diretriz se marca cada vez mais fundo – enriquecer e gozar. [...] A vida de família, como nós ainda a compreendemos, já se transformou. A família dissolve-se. [...]

5 A vida mudou de direção. É o bolchevismo que aí vem? [...] O ideal da vida já não é o mesmo ideal. [...] Todas as consciências se modificaram. [...] Nunca as mulheres se despiram como agora, com colares que valem uma fortuna. [...] Num espaço de quinhentos metros, pelo princípio da Avenida, há vinte, trinta casas de jogo toda a noite abertas. [...] Todos caminhamos com febre – a febre de quem não confia no dia de amanhã. O dia de amanhã

10 talvez não exista [...]. Toda a gente enriquece dum dia para o outro e toda a gente gasta, gasta, gasta. [...] O jogo tomou uma importância capital nesta sociedade que se dissolve – a vida é uma roleta. [...]

Sinto que todos os laços que outrora me prendiam à vida se quebraram, a ponto de ficar desamparado. [...] Essa sociedade anticristã que aí está, não merece ser poupada: não só

15 não crê em Deus, como só crê na matéria e no gozo. [...]

Mas não foi só a guerra. [...] Foi a morte que se aproximou de repente de nós todos [...]. A morte passou para o primeiro plano. [...] Juntem a isto a influência da máquina – aeroplano e auto –, a do desporto e do cinema. [...] Tanto como a guerra, mais talvez que a guerra, foram as máquinas que transformaram a nossa vida...

20 Houve um momento, quase a seguir à guerra, em que, pelo aumento do preço das coisas, a vida se tornou difícil para os jornaleiros. [...] Os jornaleiros começaram a olhar com desconfiança os ricos. Pulularam as fábricas, que influíram [...] na propaganda do ódio contra a classe exploradora. [...]

Lá vão, e isto dum dia para o outro, as bases duma existência que parecia indestrutível [...].

25 [São] as filhas e as netas que estavam no costume de se guardar intactas para o casamento e que se escapulem para o pagode. [...] O pecado sexual já não é pecado. [...] As que vêm agora para a vida ainda vão às igrejas [...], mas [...] não resistem às tentações e entendem que não vale a pena resistir.

Raul Brandão, Memórias. Três volumes reunidos, Lisboa, Quetzal Editores, 2017, pp. 491-499. (Texto adaptado)

1. Ordene cronologicamente as imagens A, B, C e D (documento 1), que se reportam ao ambiente político e sociocultural vivido na Europa nas primeiras décadas do século XX.

Escreva, na folha de respostas, a sequência correta das letras.

Grupo III - 2 · Primeira Guerra Mundial, primeiro pós-guerra e mutações socioculturais dos anos 20

GRUPO III

RUTURAS SOCIAIS E CULTURAIS NAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX

Documento 1 (conjunto documental)

Documento 2

Uma exposição de pintura no Salão dos Independentes, em Paris,

na perspetiva do crítico de arte Louis de Vauxcelles (1910)

Quarenta e três salas! [...] Toda a gente pinta. Toda a gente expõe nos «Independentes»: artistas, porteiras, amadores, velhos ociosos, funcionários reformados, rapariguinhas boémias. É uma multidão desordenada, a imagem da sociedade contemporânea. Ausência de disciplina, ausência de ordem; a cacofonia de um encontro público. [...] As vozes discretas, harmoniosas,

5 são abafadas. [...] Cá está o temível triunfo do individualismo. [...]

O público está desorientado. [...] Imaginemos um visitante desprevenido [...]: as composições dementes enlouquecem-no, [...] os excessos artificiais, as estranhezas dos pseudoprimitivos, as manchas berrantes, os efeitos fáceis e grosseiros dos impostores desgostam-no. [...] Sai furioso, crê-se enganado. Grita contra a decadência, contra a ruína da pintura moderna,

10 modernista se preferirem. [...]

O exagero, a imitação desenfreada e enganadora, estas são as taras que estragam esta exposição [...]. O caso Matisse é grave. Este colorista [...] esquematiza cada vez mais e, para agradar a uma clientela exigente, [...] serve-lhes quadros de uma simplificação anedótica, personagens construídas sem qualquer preocupação com a forma e nas quais o interesse

15 reside apenas, acima de tudo, na sensibilidade da paleta. [...] Outros, geómetras ígnaros*, reduzem o corpo humano, a paisagem, a pálidos cubos. [...]

Expostas estas reservas essenciais, rejubilemos com a derrocada dos académicos e com o terror que lhes causam as liberdades e os excessos da geração nova.

* ignorantes.

Gil Blas, 18 de março de 1910, in https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k7527626n.item (consultado em 21/09/2020). (Texto traduzido e adaptado)

Documento 3

As transformações sociais das primeiras décadas do século XX,

nas memórias do escritor Raul Brandão (1920-1922)

A vida modificou-se nos últimos vinte anos, primeiro com lentidão e, depois da guerra, num tropel que mete medo. Ninguém pensa hoje como ontem. [...] Só uma diretriz se marca cada vez mais fundo – enriquecer e gozar. [...] A vida de família, como nós ainda a compreendemos, já se transformou. A família dissolve-se. [...]

5 A vida mudou de direção. É o bolchevismo que aí vem? [...] O ideal da vida já não é o mesmo ideal. [...] Todas as consciências se modificaram. [...] Nunca as mulheres se despiram como agora, com colares que valem uma fortuna. [...] Num espaço de quinhentos metros, pelo princípio da Avenida, há vinte, trinta casas de jogo toda a noite abertas. [...] Todos caminhamos com febre – a febre de quem não confia no dia de amanhã. O dia de amanhã

10 talvez não exista [...]. Toda a gente enriquece dum dia para o outro e toda a gente gasta, gasta, gasta. [...] O jogo tomou uma importância capital nesta sociedade que se dissolve – a vida é uma roleta. [...]

Sinto que todos os laços que outrora me prendiam à vida se quebraram, a ponto de ficar desamparado. [...] Essa sociedade anticristã que aí está, não merece ser poupada: não só

15 não crê em Deus, como só crê na matéria e no gozo. [...]

Mas não foi só a guerra. [...] Foi a morte que se aproximou de repente de nós todos [...]. A morte passou para o primeiro plano. [...] Juntem a isto a influência da máquina – aeroplano e auto –, a do desporto e do cinema. [...] Tanto como a guerra, mais talvez que a guerra, foram as máquinas que transformaram a nossa vida...

20 Houve um momento, quase a seguir à guerra, em que, pelo aumento do preço das coisas, a vida se tornou difícil para os jornaleiros. [...] Os jornaleiros começaram a olhar com desconfiança os ricos. Pulularam as fábricas, que influíram [...] na propaganda do ódio contra a classe exploradora. [...]

Lá vão, e isto dum dia para o outro, as bases duma existência que parecia indestrutível [...].

25 [São] as filhas e as netas que estavam no costume de se guardar intactas para o casamento e que se escapulem para o pagode. [...] O pecado sexual já não é pecado. [...] As que vêm agora para a vida ainda vão às igrejas [...], mas [...] não resistem às tentações e entendem que não vale a pena resistir.

Raul Brandão, Memórias. Três volumes reunidos, Lisboa, Quetzal Editores, 2017, pp. 491-499. (Texto adaptado)

2. Explicite duas características que demonstrem o carácter vanguardista da pintura moderna.

Fundamente uma das características com informação relevante da imagem A do documento 1 e a outra característica com excertos relevantes do documento 2.

Grupo III · Primeira Guerra Mundial, primeiro pós-guerra e mutações socioculturais dos anos 20

GRUPO III

RUTURAS SOCIAIS E CULTURAIS NAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX

Documento 1 (conjunto documental)

Documento 2

Uma exposição de pintura no Salão dos Independentes, em Paris,

na perspetiva do crítico de arte Louis de Vauxcelles (1910)

Quarenta e três salas! [...] Toda a gente pinta. Toda a gente expõe nos «Independentes»: artistas, porteiras, amadores, velhos ociosos, funcionários reformados, rapariguinhas boémias. É uma multidão desordenada, a imagem da sociedade contemporânea. Ausência de disciplina, ausência de ordem; a cacofonia de um encontro público. [...] As vozes discretas, harmoniosas,

5 são abafadas. [...] Cá está o temível triunfo do individualismo. [...]

O público está desorientado. [...] Imaginemos um visitante desprevenido [...]: as composições dementes enlouquecem-no, [...] os excessos artificiais, as estranhezas dos pseudoprimitivos, as manchas berrantes, os efeitos fáceis e grosseiros dos impostores desgostam-no. [...] Sai furioso, crê-se enganado. Grita contra a decadência, contra a ruína da pintura moderna,

10 modernista se preferirem. [...]

O exagero, a imitação desenfreada e enganadora, estas são as taras que estragam esta exposição [...]. O caso Matisse é grave. Este colorista [...] esquematiza cada vez mais e, para agradar a uma clientela exigente, [...] serve-lhes quadros de uma simplificação anedótica, personagens construídas sem qualquer preocupação com a forma e nas quais o interesse

15 reside apenas, acima de tudo, na sensibilidade da paleta. [...] Outros, geómetras ígnaros*, reduzem o corpo humano, a paisagem, a pálidos cubos. [...]

Expostas estas reservas essenciais, rejubilemos com a derrocada dos académicos e com o terror que lhes causam as liberdades e os excessos da geração nova.

* ignorantes.

Gil Blas, 18 de março de 1910, in https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k7527626n.item (consultado em 21/09/2020). (Texto traduzido e adaptado)

Documento 3

As transformações sociais das primeiras décadas do século XX,

nas memórias do escritor Raul Brandão (1920-1922)

A vida modificou-se nos últimos vinte anos, primeiro com lentidão e, depois da guerra, num tropel que mete medo. Ninguém pensa hoje como ontem. [...] Só uma diretriz se marca cada vez mais fundo – enriquecer e gozar. [...] A vida de família, como nós ainda a compreendemos, já se transformou. A família dissolve-se. [...]

5 A vida mudou de direção. É o bolchevismo que aí vem? [...] O ideal da vida já não é o mesmo ideal. [...] Todas as consciências se modificaram. [...] Nunca as mulheres se despiram como agora, com colares que valem uma fortuna. [...] Num espaço de quinhentos metros, pelo princípio da Avenida, há vinte, trinta casas de jogo toda a noite abertas. [...] Todos caminhamos com febre – a febre de quem não confia no dia de amanhã. O dia de amanhã

10 talvez não exista [...]. Toda a gente enriquece dum dia para o outro e toda a gente gasta, gasta, gasta. [...] O jogo tomou uma importância capital nesta sociedade que se dissolve – a vida é uma roleta. [...]

Sinto que todos os laços que outrora me prendiam à vida se quebraram, a ponto de ficar desamparado. [...] Essa sociedade anticristã que aí está, não merece ser poupada: não só

15 não crê em Deus, como só crê na matéria e no gozo. [...]

Mas não foi só a guerra. [...] Foi a morte que se aproximou de repente de nós todos [...]. A morte passou para o primeiro plano. [...] Juntem a isto a influência da máquina – aeroplano e auto –, a do desporto e do cinema. [...] Tanto como a guerra, mais talvez que a guerra, foram as máquinas que transformaram a nossa vida...

20 Houve um momento, quase a seguir à guerra, em que, pelo aumento do preço das coisas, a vida se tornou difícil para os jornaleiros. [...] Os jornaleiros começaram a olhar com desconfiança os ricos. Pulularam as fábricas, que influíram [...] na propaganda do ódio contra a classe exploradora. [...]

Lá vão, e isto dum dia para o outro, as bases duma existência que parecia indestrutível [...].

25 [São] as filhas e as netas que estavam no costume de se guardar intactas para o casamento e que se escapulem para o pagode. [...] O pecado sexual já não é pecado. [...] As que vêm agora para a vida ainda vão às igrejas [...], mas [...] não resistem às tentações e entendem que não vale a pena resistir.

Raul Brandão, Memórias. Três volumes reunidos, Lisboa, Quetzal Editores, 2017, pp. 491-499. (Texto adaptado)

3.

Desenvolva o tema O impacto da civilização industrial e da Primeira Guerra Mundial na sociedade ocidental durante as primeiras décadas do século XX, articulando os tópicos de orientação seguintes:

sociabilidades urbanas, choque da guerra e crise dos valores tradicionais;

sinais de mudança nas mentalidades, novos comportamentos e rutura social.

Na sua resposta,

apresente três elementos para cada tópico de orientação, evidenciando a relação entre os elementos dos dois tópicos;

integre, pelo menos, uma informação relevante de cada um dos documentos seguintes: imagem D do documento 1 e documentos 2 e 3.

4.

As afirmações seguintes, sobre a Europa no primeiro pós-guerra, são todas verdadeiras.

I. A repercussão social das crises inflacionistas foi considerável.

II. Foram impostos pesados acordos de paz aos países vencidos.

III. Acentuou-se a dependência económico-financeira face aos EUA.

IV. O ideário da revolução soviética alastrou por todo o espaço europeu.

V. Os tratados de paz originaram grandes alterações geopolíticas.

Identifique as duas afirmações que podem ser comprovadas através da análise do documento 3.

.

Grupo III - 5 · Revolução Russa, crise de 1929 e regimes totalitários na Europa entre as guerras

GRUPO III

RUTURAS SOCIAIS E CULTURAIS NAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX

Documento 1 (conjunto documental)

Documento 2

Uma exposição de pintura no Salão dos Independentes, em Paris,

na perspetiva do crítico de arte Louis de Vauxcelles (1910)

Quarenta e três salas! [...] Toda a gente pinta. Toda a gente expõe nos «Independentes»: artistas, porteiras, amadores, velhos ociosos, funcionários reformados, rapariguinhas boémias. É uma multidão desordenada, a imagem da sociedade contemporânea. Ausência de disciplina, ausência de ordem; a cacofonia de um encontro público. [...] As vozes discretas, harmoniosas,

5 são abafadas. [...] Cá está o temível triunfo do individualismo. [...]

O público está desorientado. [...] Imaginemos um visitante desprevenido [...]: as composições dementes enlouquecem-no, [...] os excessos artificiais, as estranhezas dos pseudoprimitivos, as manchas berrantes, os efeitos fáceis e grosseiros dos impostores desgostam-no. [...] Sai furioso, crê-se enganado. Grita contra a decadência, contra a ruína da pintura moderna,

10 modernista se preferirem. [...]

O exagero, a imitação desenfreada e enganadora, estas são as taras que estragam esta exposição [...]. O caso Matisse é grave. Este colorista [...] esquematiza cada vez mais e, para agradar a uma clientela exigente, [...] serve-lhes quadros de uma simplificação anedótica, personagens construídas sem qualquer preocupação com a forma e nas quais o interesse

15 reside apenas, acima de tudo, na sensibilidade da paleta. [...] Outros, geómetras ígnaros*, reduzem o corpo humano, a paisagem, a pálidos cubos. [...]

Expostas estas reservas essenciais, rejubilemos com a derrocada dos académicos e com o terror que lhes causam as liberdades e os excessos da geração nova.

* ignorantes.

Gil Blas, 18 de março de 1910, in https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k7527626n.item (consultado em 21/09/2020). (Texto traduzido e adaptado)

Documento 3

As transformações sociais das primeiras décadas do século XX,

nas memórias do escritor Raul Brandão (1920-1922)

A vida modificou-se nos últimos vinte anos, primeiro com lentidão e, depois da guerra, num tropel que mete medo. Ninguém pensa hoje como ontem. [...] Só uma diretriz se marca cada vez mais fundo – enriquecer e gozar. [...] A vida de família, como nós ainda a compreendemos, já se transformou. A família dissolve-se. [...]

5 A vida mudou de direção. É o bolchevismo que aí vem? [...] O ideal da vida já não é o mesmo ideal. [...] Todas as consciências se modificaram. [...] Nunca as mulheres se despiram como agora, com colares que valem uma fortuna. [...] Num espaço de quinhentos metros, pelo princípio da Avenida, há vinte, trinta casas de jogo toda a noite abertas. [...] Todos caminhamos com febre – a febre de quem não confia no dia de amanhã. O dia de amanhã

10 talvez não exista [...]. Toda a gente enriquece dum dia para o outro e toda a gente gasta, gasta, gasta. [...] O jogo tomou uma importância capital nesta sociedade que se dissolve – a vida é uma roleta. [...]

Sinto que todos os laços que outrora me prendiam à vida se quebraram, a ponto de ficar desamparado. [...] Essa sociedade anticristã que aí está, não merece ser poupada: não só

15 não crê em Deus, como só crê na matéria e no gozo. [...]

Mas não foi só a guerra. [...] Foi a morte que se aproximou de repente de nós todos [...]. A morte passou para o primeiro plano. [...] Juntem a isto a influência da máquina – aeroplano e auto –, a do desporto e do cinema. [...] Tanto como a guerra, mais talvez que a guerra, foram as máquinas que transformaram a nossa vida...

20 Houve um momento, quase a seguir à guerra, em que, pelo aumento do preço das coisas, a vida se tornou difícil para os jornaleiros. [...] Os jornaleiros começaram a olhar com desconfiança os ricos. Pulularam as fábricas, que influíram [...] na propaganda do ódio contra a classe exploradora. [...]

Lá vão, e isto dum dia para o outro, as bases duma existência que parecia indestrutível [...].

25 [São] as filhas e as netas que estavam no costume de se guardar intactas para o casamento e que se escapulem para o pagode. [...] O pecado sexual já não é pecado. [...] As que vêm agora para a vida ainda vão às igrejas [...], mas [...] não resistem às tentações e entendem que não vale a pena resistir.

Raul Brandão, Memórias. Três volumes reunidos, Lisboa, Quetzal Editores, 2017, pp. 491-499. (Texto adaptado)

5. A chegada ao poder, em vários países europeus, de movimentos políticos autoritários originou situações como a representada na imagem C do documento 1, que testemunha

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Grupo IV - 1 · Portugal do segundo pós-guerra à democracia: Estado Novo, guerra colonial e 25 de Abril

GRUPO IV

MUTAÇÕES POLÍTICAS EM PORTUGAL, DO MARCELISMO À REVOLUÇÃO DE ABRIL

Documento 1

Saudação de Mário Soares ao III Congresso da Oposição Democrática, 4-8 de abril de 1973

A realização do III Congresso da Oposição Democrática ocorre [...] quando o País [...] se

vê confrontado [...] [com] o estrondoso fracasso da política pseudo-reformista de Marcelo

Caetano, [...] de pura continuidade salazarista sem qualquer evolução significativa. Ocorre

quando os próprios parceiros e protetores do governo português, no quadro da NATO e da

5 Comunidade Europeia, se tornam [...] abertamente críticos, como se demonstra nas votações

da ONU [...]. [...]

Na verdade, não é hoje mais possível iludir a crise profunda que o País vive [...]. O País

esvazia-se de gente, deixando os campos ao abandono e as fábricas com uma carência aguda

de mão de obra; a juventude em revolta global contra o sistema recusa o prosseguimento [...]

10 de uma guerra injusta [...]; as classes trabalhadoras [veem-se] sujeitas a níveis de miséria e

privadas dos mais elementares direitos (sindicais e outros) [...]; os intelectuais e os técnicos,

sem liberdade de expressão, não conseguem escapar a um sentimento generalizado de

frustração [...], reflexo do desprestígio e do isolamento do País no mundo. [...]

Os pobres são cada vez mais pobres, desprotegidos e em maior número, cavando-se todos

15 os anos a distância que separa Portugal das nações industrializadas da Europa. [...] A chamada

ordem estabelecida não representa o consenso popular, traduzindo tão só a institucionalização

da pior violência. [...]

É neste contexto que se reúne o III Congresso da Oposição Democrática. O governo

autorizou-o, [...] como forma de [...] convite feito à Oposição para dançar a valsa eleitoral

20 quadrienal – com as restrições, sofismas* e irregularidades que todos conhecemos [...]. [...]

O objetivo do governo, para estrangeiro ver, consiste em incitar a Oposição a fazer o seu

pequeno número eleitoral e a reconduzi-la depois à impotência e ao silêncio de sempre. Com

a vantagem suplementar de ir atualizando os ficheiros da PIDE-DGS... [...]

Depois da farsa eleitoral de 1969; depois da repressão sindical dos anos 1970/71 [...];

25 depois das ondas sucessivas de repressão [...] que se vêm abatendo sobre os estudantes; [...]

depois da entronização, dir-se-ia vitalícia, do almirante Tomás na Presidência da República

[...], é forçoso reconhecer que se voltou à prática salazarista, no seu pior estilo.

http://casacomum.org/cc/arquivos?set=e_3387 (consultado em 09/09/2020). (Texto adaptado)

* falácias; argumentos enganosos.

Documento 2

Discurso de Américo Tomás, presidente da República, na abertura da XI Legislatura da Assembleia Nacional, 19 de novembro de 1973

Dez legislaturas decorreram sob a égide da Constituição de 1933. Inaugura-se hoje a

11.ª. Estão aqui os novos deputados eleitos pelo maior colégio eleitoral da nossa história

política. As eleições gerais, caracterizadas por significativa e consoladora afluência às urnas

[...], tiveram nítido carácter de referendo. O povo português mostrou iniludivelmente* a sua

5 fidelidade às instituições vigentes e a sua adesão à política prosseguida pelo Governo.

Essa política é a [...] do fomento da riqueza do País [...]; da melhoria da repartição dos

rendimentos provenientes da produção. É a política da luta contra a miséria, contra a doença e

contra a ignorância. A política que busca conseguir habitação decente e iguais oportunidades

de educação para todos os portugueses. [...]

10 Na sequência da obra empreendida à sombra do planeamento, estamos a atravessar

uma fase de vigoroso progresso económico e de acentuada transformação social. [...]

[S]e nos mantivermos unidos nos nossos propósitos, [...] podemos estar certos de que iremos

melhorando, cada vez mais, a forma de viver e a qualidade da vida, numa comunidade nacional

próspera e feliz. [...]

15 Continuamos a procurar manter com todos os países relações de pacífica colaboração.

[...] Nesse espírito, participamos na Organização do Tratado do Atlântico, somos membros

da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico e da Associação Europeia

de Comércio Livre, firmámos há pouco o acordo de comércio com a Comunidade Económica

Europeia, apertando os nossos laços com o Mercado Comum.

http://debates.parlamento.pt/catalogo/r2/dan/01/11/01/003/1973-11-19 (consultado em 04/10/2020). (Texto adaptado)

* inequivocamente.

1. Explicite duas orientações de «pura continuidade salazarista» (documento 1, linha 3) no período do marcelismo, segundo Mário Soares.

Fundamente as duas orientações com excertos relevantes do documento 1.

Grupo IV - 2 · Portugal do segundo pós-guerra à democracia: Estado Novo, guerra colonial e 25 de Abril

GRUPO IV

MUTAÇÕES POLÍTICAS EM PORTUGAL, DO MARCELISMO À REVOLUÇÃO DE ABRIL

Documento 1

Saudação de Mário Soares ao III Congresso da Oposição Democrática, 4-8 de abril de 1973

A realização do III Congresso da Oposição Democrática ocorre [...] quando o País [...] se

vê confrontado [...] [com] o estrondoso fracasso da política pseudo-reformista de Marcelo

Caetano, [...] de pura continuidade salazarista sem qualquer evolução significativa. Ocorre

quando os próprios parceiros e protetores do governo português, no quadro da NATO e da

5 Comunidade Europeia, se tornam [...] abertamente críticos, como se demonstra nas votações

da ONU [...]. [...]

Na verdade, não é hoje mais possível iludir a crise profunda que o País vive [...]. O País

esvazia-se de gente, deixando os campos ao abandono e as fábricas com uma carência aguda

de mão de obra; a juventude em revolta global contra o sistema recusa o prosseguimento [...]

10 de uma guerra injusta [...]; as classes trabalhadoras [veem-se] sujeitas a níveis de miséria e

privadas dos mais elementares direitos (sindicais e outros) [...]; os intelectuais e os técnicos,

sem liberdade de expressão, não conseguem escapar a um sentimento generalizado de

frustração [...], reflexo do desprestígio e do isolamento do País no mundo. [...]

Os pobres são cada vez mais pobres, desprotegidos e em maior número, cavando-se todos

15 os anos a distância que separa Portugal das nações industrializadas da Europa. [...] A chamada

ordem estabelecida não representa o consenso popular, traduzindo tão só a institucionalização

da pior violência. [...]

É neste contexto que se reúne o III Congresso da Oposição Democrática. O governo

autorizou-o, [...] como forma de [...] convite feito à Oposição para dançar a valsa eleitoral

20 quadrienal – com as restrições, sofismas* e irregularidades que todos conhecemos [...]. [...]

O objetivo do governo, para estrangeiro ver, consiste em incitar a Oposição a fazer o seu

pequeno número eleitoral e a reconduzi-la depois à impotência e ao silêncio de sempre. Com

a vantagem suplementar de ir atualizando os ficheiros da PIDE-DGS... [...]

Depois da farsa eleitoral de 1969; depois da repressão sindical dos anos 1970/71 [...];

25 depois das ondas sucessivas de repressão [...] que se vêm abatendo sobre os estudantes; [...]

depois da entronização, dir-se-ia vitalícia, do almirante Tomás na Presidência da República

[...], é forçoso reconhecer que se voltou à prática salazarista, no seu pior estilo.

http://casacomum.org/cc/arquivos?set=e_3387 (consultado em 09/09/2020). (Texto adaptado)

* falácias; argumentos enganosos.

Documento 2

Discurso de Américo Tomás, presidente da República, na abertura da XI Legislatura da Assembleia Nacional, 19 de novembro de 1973

Dez legislaturas decorreram sob a égide da Constituição de 1933. Inaugura-se hoje a

11.ª. Estão aqui os novos deputados eleitos pelo maior colégio eleitoral da nossa história

política. As eleições gerais, caracterizadas por significativa e consoladora afluência às urnas

[...], tiveram nítido carácter de referendo. O povo português mostrou iniludivelmente* a sua

5 fidelidade às instituições vigentes e a sua adesão à política prosseguida pelo Governo.

Essa política é a [...] do fomento da riqueza do País [...]; da melhoria da repartição dos

rendimentos provenientes da produção. É a política da luta contra a miséria, contra a doença e

contra a ignorância. A política que busca conseguir habitação decente e iguais oportunidades

de educação para todos os portugueses. [...]

10 Na sequência da obra empreendida à sombra do planeamento, estamos a atravessar

uma fase de vigoroso progresso económico e de acentuada transformação social. [...]

[S]e nos mantivermos unidos nos nossos propósitos, [...] podemos estar certos de que iremos

melhorando, cada vez mais, a forma de viver e a qualidade da vida, numa comunidade nacional

próspera e feliz. [...]

15 Continuamos a procurar manter com todos os países relações de pacífica colaboração.

[...] Nesse espírito, participamos na Organização do Tratado do Atlântico, somos membros

da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico e da Associação Europeia

de Comércio Livre, firmámos há pouco o acordo de comércio com a Comunidade Económica

Europeia, apertando os nossos laços com o Mercado Comum.

http://debates.parlamento.pt/catalogo/r2/dan/01/11/01/003/1973-11-19 (consultado em 04/10/2020). (Texto adaptado)

* inequivocamente.

2. Compare as duas perspetivas sobre a situação vivida em Portugal nas vésperas da Revolução de 25 de Abril de 1974, expressas nos documentos 1 e 2, quanto a dois aspetos em que se opõem.

Fundamente a sua resposta com excertos relevantes dos dois documentos.

Grupo IV - 3 · Portugal do segundo pós-guerra à democracia: Estado Novo, guerra colonial e 25 de Abril

No processo de transição política desencadeado pelo 25 de Abril destacaram-se, pela sua notoriedade, várias personalidades, algumas das quais tinham tido papel de relevo na contestação ao regime anterior.

Associe essas personalidades, apresentadas na coluna A, às frases que as identificam, elencadas na coluna B. Todas as frases devem ser utilizadas. Cada frase deve ser associada apenas a uma das personalidades.

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→

Grupo IV - 4 · Portugal do segundo pós-guerra à democracia: Estado Novo, guerra colonial e 25 de Abril

4. Complete o texto seguinte, selecionando a opção adequada para cada espaço.

Na folha de respostas, registe apenas as letras e o número que corresponde à opção selecionada em cada um dos casos.

As eleições para a Assembleia Constituinte, em abril de 1975, procuraram responder a um dos objetivos do movimento revolucionário, a instauração de um regime

a)

. O período subsequente, conhecido por

b)

, caracterizou-se pelo acentuar da radicalização política e social, tendo-se intensificado as manifestações de

c)

e a intervenção do Estado na economia através da

d)

dos meios de produção.

a)

b)

c)

d)

.

.

.

.

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