Exame Nacional História A 2023 · 1.ª fase
Exame Nacional de História A 2023, 1.ª fase: 9 exercícios com resolução. Temas: O legado da Antiguidade clássica: Atenas e Roma. Com correção imediata.
Temas do exame: O legado da Antiguidade clássica: Atenas e Roma · As revoluções liberais e a implantação do liberalismo em Portugal · Portugal da Primeira República ao Estado Novo (1910-1945) · O mundo bipolar: Guerra Fria, Estado-Providência, descolonização e construção europeia · Portugal do segundo pós-guerra à democracia: Estado Novo, guerra colonial e 25 de Abril · O mundo atual: fim da Guerra Fria, mundo unipolar, União Europeia e globalização
Grupo I - 1 · O legado da Antiguidade clássica: Atenas e Roma
GRUPO I
O LEGADO POLÍTICO E CULTURAL DA ANTIGUIDADE CLÁSSICA
1. O atributo dos imperadores romanos que se encontra representado no documento consiste
Grupo I - 2 · O legado da Antiguidade clássica: Atenas e Roma
GRUPO I
O LEGADO POLÍTICO E CULTURAL DA ANTIGUIDADE CLÁSSICA
2. Os elementos presentes na composição escultórica (documento) evidenciam um dos legados da Antiguidade greco-latina para a civilização ocidental, nomeadamente
Grupo II · As revoluções liberais e a implantação do liberalismo em Portugal
GRUPO II
A IMPLANTAÇÃO DO LIBERALISMO EM PORTUGAL
Documento 1
A revolução liberal portuguesa, segundo Inocêncio António de Miranda 1 (1822)
Hoje, [...] se quereis ser estimado, deveis pôr todo o cuidado em adquirir as virtudes que devem ornar todo o cidadão lusitano. [...] De outra sorte, só porque sois nobre, não espereis que vos estimem: esse tempo acabou! Os homens já se não iludem com aparências: já todos sabem ler, já todos leem gazetas 2 e examinam muito escrupulosamente a conduta dos Grandes [...]. [...] [T]odos os portugueses se podem chamar cidadãos, porque todos são iguais diante da lei e todos obrigados a contribuir para o bem da pátria [...], na livre fruição dos seus direitos. [...]
Todas as Nações são livres por direito natural, e só o direito da força pode privá-las desta liberdade. Só a elas pertence eleger o governo que bem lhes parecer, e depô-lo quando julgarem que não lhes convém. Este direito é inerente à soberania das Nações [...]. [...] É preciso ter um servilismo exaltado para não reconhecer a necessidade de fazer uma Constituição, a fim de obstar aos despotismos dos áulicos 3 que com tanto escândalo tinham roubado a Nação e abusado da bondade do melhor dos monarcas! [...]
Não se pode fazer uma ideia verdadeira dos bens da Constituição sem trazer à memória a torrente de males em que Portugal se achava submergido e mostrar [...] que males tão grandes e tão funestos só podiam sanar-se por meio de um governo constitucional, regulado por uma Constituição [...].
[O] primeiro mal [...], motivado pela guerra, foi a saída da nossa Corte para o Brasil. [...] Entraram os franceses e apossaram-se do reino. [...] Os portugueses, sem armas, sem cavalos, sem munições, [...] sem ter um chefe que os conduzisse à vitória, unem-se fraternalmente: homens e mulheres propugnam pela salvação da pátria; [...] ateia-se uma guerra desoladora que durou seis anos; aumentam-se os tributos; impõem-se novas contribuições de todo o género: franceses, ingleses, [...] todos roubam à porfia. [...] Enquanto os portugueses em massa se empenhavam em uma guerra tão desoladora, [...] uma regência em Lisboa [...] sacrificava ao seu arbítrio vítimas sem conta [...], ench[ia] os cárceres e as masmorras de cidadãos beneméritos, com o título infame de jacobinos. [...]
Depois de vos ter mostrado Portugal correndo ao precipício, roubado e saqueado por amigos e inimigos [...], destruídas as fábricas, estragada a marinha, arruinado o comércio, [...] direi só por última conclusão os males de que padeciam os lavradores.
Inocêncio António de Miranda, O cidadão lusitano: breve compendio, em que se demostrão os fructos da Constituição, Lisboa, Typograhia de M. P. de Lacerda, 1822, pp. 8-18 e 32. (Texto adaptado)
1 presbítero conhecido como Abade de Medrões; deputado eleito às Cortes Gerais, Extraordinárias e Constituintes de 1821.
2 jornais.
3 cortesãos.
Documento 2
A revolução liberal portuguesa, segundo José Sebastião de Saldanha Oliveira Daun 1 (1823)
O constitucionalismo democrático só convém a anarquistas, a sans-culottes, a desesperados, a aventureiros. O exercício do poder real absoluto, modernamente chamado absolutismo [...], reconhece, do modo mais religioso e mais solene, as leis divinas e humanas, [...] e este reconhecimento é confirmado por um explícito juramento real prestado na soleníssima ocasião de uma pública aclamação. [...]
[À]s Nações compete obedecer; aos soberanos pertence conservar, adotar, rejeitar, alterar ou restabelecer aquelas instituições que lhes parecem precisas ou vantajosas para a felicidade dos povos, que a Providência 2 lhes confiou [...]. [...]
A chama revolucionária ateada no Porto, em 24 de agosto de 1820, lavrou rapidamente. [...] Reinava a anarquia [...], os partidos, as fações combatiam-se: [...] uma chusma 3 de populaça, [...] instigada e dirigida por alguns insolentes e desesperados demagogos, [...] teve a audácia de tão indigna como ilegal e revoltosamente aclamar Constituição à espanhola e mais liberal que a de Espanha, e este grito anárquico serviu de base [...] à Constituição de 1822.
Não pode haver nada mais ridículo, mais ilegal, [...] do que a obediência cega que os diferentes partidos prestaram imediatamente à decisão em tumulto da canalha de Lisboa; foi ela quem neste dia deu a Lei à Nação portuguesa [...]. Tanto pôde a vertigem revolucionária e o furor do jacobinismo!!! [...]
As [...] bases da Constituição decretadas em Cortes [...] confirmaram a opinião de um considerável número de portugueses, decerto o mais considerável pela sua influência e importância, como o clero, a nobreza e mesmo o alto comércio, que se convenceram de que o Congresso 4, arrastado pela fação dominante, pretendia estabelecer uma democracia em essência, conservando em aparência o simulacro da Monarquia [...]. [...]
Uma praga de periódicos 5, quase todos maus, [...] acometeu furiosamente esta capital, e se espalhou por todo o reino e colónias, ressuscitando e difundindo os rançosos e proscritos princípios da Revolução Francesa, atacando [...] pessoas, classes, instituições, fomentando a discórdia e a guerra civil.
José Sebastião de Saldanha Oliveira Daun, Diorama de Portugal nos 33 mezes constitucionaes, Lisboa, Impressão Régia, 1823, pp. iii-viii e 9-31. (Texto adaptado)
1 bacharel em Direito e militar; neto do Marquês de Pombal e irmão do duque de Saldanha.
2 Deus.
3 multidão.
4 Cortes Constituintes.
5 jornais.
1.
Explicite duas causas que contribuíram para o desencadear da revolução liberal portuguesa de 1820.
Fundamente as duas causas com excertos relevantes do documento 1.
[20 pontos]
2.
Compare as duas perspetivas sobre as transformações políticas em Portugal no período do vintismo, expressas nos documentos 1 e 2, quanto a dois aspetos em que se opõem.
Fundamente a sua resposta com excertos relevantes dos dois documentos.
[20 pontos]
Grupo II - 3 · As revoluções liberais e a implantação do liberalismo em Portugal
GRUPO II
A IMPLANTAÇÃO DO LIBERALISMO EM PORTUGAL
Documento 1
A revolução liberal portuguesa, segundo Inocêncio António de Miranda 1 (1822)
Hoje, [...] se quereis ser estimado, deveis pôr todo o cuidado em adquirir as virtudes que devem ornar todo o cidadão lusitano. [...] De outra sorte, só porque sois nobre, não espereis que vos estimem: esse tempo acabou! Os homens já se não iludem com aparências: já todos sabem ler, já todos leem gazetas 2 e examinam muito escrupulosamente a conduta dos Grandes [...]. [...] [T]odos os portugueses se podem chamar cidadãos, porque todos são iguais diante da lei e todos obrigados a contribuir para o bem da pátria [...], na livre fruição dos seus direitos. [...]
Todas as Nações são livres por direito natural, e só o direito da força pode privá-las desta liberdade. Só a elas pertence eleger o governo que bem lhes parecer, e depô-lo quando julgarem que não lhes convém. Este direito é inerente à soberania das Nações [...]. [...] É preciso ter um servilismo exaltado para não reconhecer a necessidade de fazer uma Constituição, a fim de obstar aos despotismos dos áulicos 3 que com tanto escândalo tinham roubado a Nação e abusado da bondade do melhor dos monarcas! [...]
Não se pode fazer uma ideia verdadeira dos bens da Constituição sem trazer à memória a torrente de males em que Portugal se achava submergido e mostrar [...] que males tão grandes e tão funestos só podiam sanar-se por meio de um governo constitucional, regulado por uma Constituição [...].
[O] primeiro mal [...], motivado pela guerra, foi a saída da nossa Corte para o Brasil. [...] Entraram os franceses e apossaram-se do reino. [...] Os portugueses, sem armas, sem cavalos, sem munições, [...] sem ter um chefe que os conduzisse à vitória, unem-se fraternalmente: homens e mulheres propugnam pela salvação da pátria; [...] ateia-se uma guerra desoladora que durou seis anos; aumentam-se os tributos; impõem-se novas contribuições de todo o género: franceses, ingleses, [...] todos roubam à porfia. [...] Enquanto os portugueses em massa se empenhavam em uma guerra tão desoladora, [...] uma regência em Lisboa [...] sacrificava ao seu arbítrio vítimas sem conta [...], ench[ia] os cárceres e as masmorras de cidadãos beneméritos, com o título infame de jacobinos. [...]
Depois de vos ter mostrado Portugal correndo ao precipício, roubado e saqueado por amigos e inimigos [...], destruídas as fábricas, estragada a marinha, arruinado o comércio, [...] direi só por última conclusão os males de que padeciam os lavradores.
Inocêncio António de Miranda, O cidadão lusitano: breve compendio, em que se demostrão os fructos da Constituição, Lisboa, Typograhia de M. P. de Lacerda, 1822, pp. 8-18 e 32. (Texto adaptado)
1 presbítero conhecido como Abade de Medrões; deputado eleito às Cortes Gerais, Extraordinárias e Constituintes de 1821.
2 jornais.
3 cortesãos.
Documento 2
A revolução liberal portuguesa, segundo José Sebastião de Saldanha Oliveira Daun 1 (1823)
O constitucionalismo democrático só convém a anarquistas, a sans-culottes, a desesperados, a aventureiros. O exercício do poder real absoluto, modernamente chamado absolutismo [...], reconhece, do modo mais religioso e mais solene, as leis divinas e humanas, [...] e este reconhecimento é confirmado por um explícito juramento real prestado na soleníssima ocasião de uma pública aclamação. [...]
[À]s Nações compete obedecer; aos soberanos pertence conservar, adotar, rejeitar, alterar ou restabelecer aquelas instituições que lhes parecem precisas ou vantajosas para a felicidade dos povos, que a Providência 2 lhes confiou [...]. [...]
A chama revolucionária ateada no Porto, em 24 de agosto de 1820, lavrou rapidamente. [...] Reinava a anarquia [...], os partidos, as fações combatiam-se: [...] uma chusma 3 de populaça, [...] instigada e dirigida por alguns insolentes e desesperados demagogos, [...] teve a audácia de tão indigna como ilegal e revoltosamente aclamar Constituição à espanhola e mais liberal que a de Espanha, e este grito anárquico serviu de base [...] à Constituição de 1822.
Não pode haver nada mais ridículo, mais ilegal, [...] do que a obediência cega que os diferentes partidos prestaram imediatamente à decisão em tumulto da canalha de Lisboa; foi ela quem neste dia deu a Lei à Nação portuguesa [...]. Tanto pôde a vertigem revolucionária e o furor do jacobinismo!!! [...]
As [...] bases da Constituição decretadas em Cortes [...] confirmaram a opinião de um considerável número de portugueses, decerto o mais considerável pela sua influência e importância, como o clero, a nobreza e mesmo o alto comércio, que se convenceram de que o Congresso 4, arrastado pela fação dominante, pretendia estabelecer uma democracia em essência, conservando em aparência o simulacro da Monarquia [...]. [...]
Uma praga de periódicos 5, quase todos maus, [...] acometeu furiosamente esta capital, e se espalhou por todo o reino e colónias, ressuscitando e difundindo os rançosos e proscritos princípios da Revolução Francesa, atacando [...] pessoas, classes, instituições, fomentando a discórdia e a guerra civil.
José Sebastião de Saldanha Oliveira Daun, Diorama de Portugal nos 33 mezes constitucionaes, Lisboa, Impressão Régia, 1823, pp. iii-viii e 9-31. (Texto adaptado)
1 bacharel em Direito e militar; neto do Marquês de Pombal e irmão do duque de Saldanha.
2 Deus.
3 multidão.
4 Cortes Constituintes.
5 jornais.
3. No contexto do liberalismo da primeira metade do século XIX, o posicionamento de Oliveira Daun face à revolução portuguesa de 1820 (documento 2) reflete
()
Grupo III · Portugal da Primeira República ao Estado Novo (1910-1945)
GRUPO III
O ESTADO NOVO NO CONTEXTO DOS REGIMES AUTORITÁRIOS E TOTALITÁRIOS DO SÉCULO XX
Documento 1
Artigo de António Ferro sobre a «política do espírito», publicado no Diário de Notícias (21/11/1932)
Enganam-se os homens de ação, [...] os governantes, que desprezam ou esquecem as
belas-artes e a literatura, atribuindo-lhes uma função meramente decorativa, um papel supérfluo
[...]. O desenvolvimento premeditado, consciente, da Arte e da Literatura é tão necessário,
afinal, ao progresso duma Nação como o desenvolvimento das suas ciências, das suas obras
5 públicas, da sua indústria, do seu comércio e da sua agricultura.
As Nações podem viver, interiormente, sem dúvida, dessas necessárias atividades, mas
vivem exteriormente, acima de tudo, da projeção da sua alma, da personalidade dos seus
escritores e dos seus artistas. [...] Mussolini, em Itália, teve a preocupação dessa utilíssima
política do espírito, desde a primeira hora do seu governo. A criação da sua Academia Italiana,
10 «por onde passam todas as correntes do pensamento humano, da arqueologia ao futurismo»,
é uma prova da sua obsessão, [...] que contribuiu bastante para a criação espiritual da Itália
nova. Pirandello, [...] Malaparte, Marinetti 1, obedecendo a essa política inteligente de Benito
Mussolini, enquadraram-se dentro do Fascismo e têm-lhe dado uma armadura intelectual e
espiritual. [...] A própria Rússia [...] compreendeu, maravilhosamente, o papel da literatura e
15 da arte ao serviço das ideias comunistas e tem sabido tirar um ótimo partido poético dos seus
escritores, dos seus artistas e dos seus realizadores de cinema. [...]
A Política do Espírito [...] não é apenas necessária [...] ao prestígio exterior da Nação. Ela é
também necessária ao seu prestígio interior, à sua razão de existir. [...] E no nosso País? Que
se tem feito? Que se faz? Que se espera fazer? [...] Seria injusto negar [...] a obra prodigiosa
20 da Junta de Educação Nacional, que tem lutado nobremente [...] pela renovação da nossa
mentalidade. [...]
Atravessamos, sem dúvida, uma obra de renascença financeira, económica, industrial. Há
obras nesta cidade, naquela aldeia, na nossa rua: há obras em Portugal! Abrem-se escolas e
procura-se lutar por toda a parte [...] contra o analfabetismo.
António Ferro, Entrevistas a Salazar, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 2007, pp. 225-229. (Texto adaptado)
1 Luigi Pirandello, Curzio Malaparte e Filippo Marinetti são escritores italianos.
Documento 2
1.
Enaltecidas por António Ferro como essenciais para o «progresso duma Nação», a arte e a cultura constituíram, para os regimes autoritários e totalitários do século XX, instrumentos fundamentais ao serviço do seu poder.
Exponha dois argumentos que sustentem esta afirmação, fundamentando a sua resposta com excertos relevantes do documento 1.
2.
Explicite duas diretrizes do projeto económico salazarista que evidenciem os princípios ideológicos do Estado Novo.
Fundamente uma das diretrizes com excertos relevantes do documento 1 e a outra diretriz com informação relevante do documento 2.
Grupo III - 3 · Portugal da Primeira República ao Estado Novo (1910-1945)
A ordem nova instituída por António de Oliveira Salazar assentou num conjunto de organismos que tiveram por objetivo, entre outros, enquadrar ideologicamente os portugueses.
Associe esses organismos, que se encontram enumerados na coluna A, às frases que os identificam, apresentadas na coluna B. Todas as frases devem ser utilizadas. Cada frase deve ser associada apenas a um dos organismos.
()
Grupo III - 4 · Portugal do segundo pós-guerra à democracia: Estado Novo, guerra colonial e 25 de Abril
4. Complete o texto seguinte, selecionando a opção adequada para cada espaço.
Na folha de respostas, registe apenas as letras e o número que corresponde à opção selecionada em cada um dos casos.
Terminada a Segunda Guerra Mundial na Europa, com a derrota dos regimes nazi e a), o Estado Novo portuguàs, após inconsequentes proclamações de abertura, entrou numa longa fase de b). Apesar da intensificação, no imediato pós-guerra, da c), a sobrevivãncia do salazarismo foi favorecida por um contexto ocidental de contenção do processo de d) do mundo.
a) · b) · c) · d)
1. fascista · 1. recessão económica · 1. pressão estudantil · 1. sovietização
2. demoliberal · 2. instabilidade governativa · 2. oposição democrática · 2. desnazificação
3. comunista · 3. imobilismo político · 3. contestação militar · 3. liberalização
Grupo IV · O mundo atual: fim da Guerra Fria, mundo unipolar, União Europeia e globalização
GRUPO IV
MUNDOS EM CONFRONTO, DA GUERRA FRIA À ENTRADA DO NOVO MILÉNIO
Documento 1
(conjunto documental)
Identificação das fontes
Documento 1 (conjunto documental)
A – https://theawarenessnews.com/2021/05/31/the-collapse-of-the-soviet-union/ (consultado em 08/10/2022).
B – https://stanforddaily.com/2016/01/15/wanting-more-reflecting-on-consumer-culture/ (consultado em 08/10/2022).
C – www.propagandashistoricas.com.br/2018/09/crise-do-petroleo.html (consultado em 08/10/2022).
D – www.cfe.lu.se/sites/cfe.lu.se/files/2020-12/cfewp49.pdf (consultado em 08/10/2022).
Documento 2
Indicadores socioeconómicos da URSS/Rússia e dos EUA, 1956-1999
* dados referentes apenas à República Socialista Federativa Soviética Russa.
Baseado em: https://ourworldindata.org (consultado em 05/09/2022).
Documento 3
Entrevista com Marshall Goldman 1 sobre os desafios de Mikhail Gorbatchov (1987-1988)
No ano passado, [Gorbatchov] anunciou a possibilidade de […] trazer os capitalistas de novo para território soviético. Certos defensores do sistema comunista dizem que isso é um regresso ao capitalismo […]. Anunciou igualmente que […] haveria comércio privado, o que também é visto como um retrocesso […]. Gorbatchov fala numa redução substancial do planeamento centralizado e em maior autonomia para os gestores. […]
Depois de 70 anos de revolução, […] vem dizer que o que têm feito nas últimas décadas é errado […] e que é preciso mudar. […] Quando Estaline chegou ao poder, «congelou» a União Soviética durante quase 60 anos. […] O grande problema de Gorbatchov é […] demonstrar o êxito das suas reformas. Mas esse êxito surgirá lentamente. […] O que conta são melhorias no domínio da alimentação, bens de consumo e habitação. […]
Noutros sectores, […] os preços começam a subir sem que ao mesmo tempo a qualidade dos produtos melhore. […] Face a isto, […] é provável que se assista a uma importante explosão de protestos. Nessa altura, vários membros do Comité Central porão em causa […] os resultados da perestroika. […] A economia soviética […] não está a assimilar as tecnologias modernas, nem dá resposta às necessidades dos consumidores. […] Gorbatchov quer mudar este estado de coisas. […]
Ele compreende que, se não fizer as reformas agora, onde estará a União Soviética no ano 2000? […] Gorbatchov […] interroga-se se nessa altura a URSS não será uma potência de terceira categoria… […] O que ele quer é que o povo russo tenha melhores condições de vida, ainda que para isso tenha de virar as costas a todo um passado. Mas isso significa abandonar o comunismo. Para alguém que acredita em Estaline e no papel do partido único e do Estado, […] a inversão ideológica é muito marcada […]. […]
Ao longo deste processo, […] o sistema político e o sistema social também terão de mudar. […] Mais cedo ou mais tarde, as mudanças económicas acabam por fazer surgir a necessidade de mudanças políticas, e as pessoas começam a pedir cada vez mais. […] E depois de conseguirem o voto democrático, vão querer cada vez menos controlos. […]
Que acontecerá se estas reformas […] se concretizarem? Implicarão uma mentalidade totalmente nova; pluralismo, críticas, […] pressões da opinião pública. […] As pessoas estão fartas de gastar dinheiro com o Afeganistão; querem que esse dinheiro seja gasto em Moscovo, em Kiev. […] E vão perder o controlo sobre o seu próprio país: Estónia, Geórgia, Arménia… Se houver descentralização, estas repúblicas vão querer separar-se. […]
Se Gorbatchov se vier a revelar um falso profeta, temos de estar em condições de nos protegermos. Em termos de limitação de armamento, isso é sempre possível: se retirarmos os mísseis, podemos sempre voltar a instalá-los…
Entrevista conduzida por Álvaro Vasconcelos e Luís Delgado, in Estratégia – Revista de estudos internacionais, 4 (1987-1988), pp. 103-126. (Texto adaptado)
1 doutorado em estudos russos pela Universidade de Harvard, foi especialista em economia soviética.
1.
Ordene cronologicamente as imagens A, B, C e D (documento 1), que se reportam a processos históricos relevantes ocorridos entre a segunda metade do século XX e os inícios do século XXI.
Escreva, na folha de respostas, a sequência correta das letras.
2.
Desenvolva o tema Do modelo comunista à economia de mercado: a dissolução da URSS e as ruturas da década de 90 na Rússia, articulando os tópicos de orientação seguintes:
o modelo político, económico e social da URSS desde o segundo pós-guerra;
a política reformista de M. Gorbatchov e a desagregação do modelo soviético.
Na sua resposta:
apresente três elementos para cada tópico de orientação, evidenciando a relação entre os elementos dos dois tópicos;
integre, pelo menos, uma informação relevante de cada um dos documentos seguintes: imagem A do documento 1 e documentos 2 e 3.
Grupo IV - 3 · O mundo bipolar: Guerra Fria, Estado-Providência, descolonização e construção europeia
GRUPO IV
MUNDOS EM CONFRONTO, DA GUERRA FRIA À ENTRADA DO NOVO MILÉNIO
Documento 1
(conjunto documental)
Identificação das fontes
Documento 1 (conjunto documental)
A – https://theawarenessnews.com/2021/05/31/the-collapse-of-the-soviet-union/ (consultado em 08/10/2022).
B – https://stanforddaily.com/2016/01/15/wanting-more-reflecting-on-consumer-culture/ (consultado em 08/10/2022).
C – www.propagandashistoricas.com.br/2018/09/crise-do-petroleo.html (consultado em 08/10/2022).
D – www.cfe.lu.se/sites/cfe.lu.se/files/2020-12/cfewp49.pdf (consultado em 08/10/2022).
Documento 2
Indicadores socioeconómicos da URSS/Rússia e dos EUA, 1956-1999
* dados referentes apenas à República Socialista Federativa Soviética Russa.
Baseado em: https://ourworldindata.org (consultado em 05/09/2022).
Documento 3
Entrevista com Marshall Goldman 1 sobre os desafios de Mikhail Gorbatchov (1987-1988)
No ano passado, [Gorbatchov] anunciou a possibilidade de […] trazer os capitalistas de novo para território soviético. Certos defensores do sistema comunista dizem que isso é um regresso ao capitalismo […]. Anunciou igualmente que […] haveria comércio privado, o que também é visto como um retrocesso […]. Gorbatchov fala numa redução substancial do planeamento centralizado e em maior autonomia para os gestores. […]
Depois de 70 anos de revolução, […] vem dizer que o que têm feito nas últimas décadas é errado […] e que é preciso mudar. […] Quando Estaline chegou ao poder, «congelou» a União Soviética durante quase 60 anos. […] O grande problema de Gorbatchov é […] demonstrar o êxito das suas reformas. Mas esse êxito surgirá lentamente. […] O que conta são melhorias no domínio da alimentação, bens de consumo e habitação. […]
Noutros sectores, […] os preços começam a subir sem que ao mesmo tempo a qualidade dos produtos melhore. […] Face a isto, […] é provável que se assista a uma importante explosão de protestos. Nessa altura, vários membros do Comité Central porão em causa […] os resultados da perestroika. […] A economia soviética […] não está a assimilar as tecnologias modernas, nem dá resposta às necessidades dos consumidores. […] Gorbatchov quer mudar este estado de coisas. […]
Ele compreende que, se não fizer as reformas agora, onde estará a União Soviética no ano 2000? […] Gorbatchov […] interroga-se se nessa altura a URSS não será uma potência de terceira categoria… […] O que ele quer é que o povo russo tenha melhores condições de vida, ainda que para isso tenha de virar as costas a todo um passado. Mas isso significa abandonar o comunismo. Para alguém que acredita em Estaline e no papel do partido único e do Estado, […] a inversão ideológica é muito marcada […]. […]
Ao longo deste processo, […] o sistema político e o sistema social também terão de mudar. […] Mais cedo ou mais tarde, as mudanças económicas acabam por fazer surgir a necessidade de mudanças políticas, e as pessoas começam a pedir cada vez mais. […] E depois de conseguirem o voto democrático, vão querer cada vez menos controlos. […]
Que acontecerá se estas reformas […] se concretizarem? Implicarão uma mentalidade totalmente nova; pluralismo, críticas, […] pressões da opinião pública. […] As pessoas estão fartas de gastar dinheiro com o Afeganistão; querem que esse dinheiro seja gasto em Moscovo, em Kiev. […] E vão perder o controlo sobre o seu próprio país: Estónia, Geórgia, Arménia… Se houver descentralização, estas repúblicas vão querer separar-se. […]
Se Gorbatchov se vier a revelar um falso profeta, temos de estar em condições de nos protegermos. Em termos de limitação de armamento, isso é sempre possível: se retirarmos os mísseis, podemos sempre voltar a instalá-los…
Entrevista conduzida por Álvaro Vasconcelos e Luís Delgado, in Estratégia – Revista de estudos internacionais, 4 (1987-1988), pp. 103-126. (Texto adaptado)
1 doutorado em estudos russos pela Universidade de Harvard, foi especialista em economia soviética.
3. Em plena Guerra Fria, os EUA edificaram uma sociedade de consumo, alicerçada, conforme evidenciam os indicadores do documento 2,
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Grupo IV - 4 · O mundo atual: fim da Guerra Fria, mundo unipolar, União Europeia e globalização
GRUPO IV
MUNDOS EM CONFRONTO, DA GUERRA FRIA À ENTRADA DO NOVO MILÉNIO
Documento 1
(conjunto documental)
Identificação das fontes
Documento 1 (conjunto documental)
A – https://theawarenessnews.com/2021/05/31/the-collapse-of-the-soviet-union/ (consultado em 08/10/2022).
B – https://stanforddaily.com/2016/01/15/wanting-more-reflecting-on-consumer-culture/ (consultado em 08/10/2022).
C – www.propagandashistoricas.com.br/2018/09/crise-do-petroleo.html (consultado em 08/10/2022).
D – www.cfe.lu.se/sites/cfe.lu.se/files/2020-12/cfewp49.pdf (consultado em 08/10/2022).
Documento 2
Indicadores socioeconómicos da URSS/Rússia e dos EUA, 1956-1999
* dados referentes apenas à República Socialista Federativa Soviética Russa.
Baseado em: https://ourworldindata.org (consultado em 05/09/2022).
Documento 3
Entrevista com Marshall Goldman 1 sobre os desafios de Mikhail Gorbatchov (1987-1988)
No ano passado, [Gorbatchov] anunciou a possibilidade de […] trazer os capitalistas de novo para território soviético. Certos defensores do sistema comunista dizem que isso é um regresso ao capitalismo […]. Anunciou igualmente que […] haveria comércio privado, o que também é visto como um retrocesso […]. Gorbatchov fala numa redução substancial do planeamento centralizado e em maior autonomia para os gestores. […]
Depois de 70 anos de revolução, […] vem dizer que o que têm feito nas últimas décadas é errado […] e que é preciso mudar. […] Quando Estaline chegou ao poder, «congelou» a União Soviética durante quase 60 anos. […] O grande problema de Gorbatchov é […] demonstrar o êxito das suas reformas. Mas esse êxito surgirá lentamente. […] O que conta são melhorias no domínio da alimentação, bens de consumo e habitação. […]
Noutros sectores, […] os preços começam a subir sem que ao mesmo tempo a qualidade dos produtos melhore. […] Face a isto, […] é provável que se assista a uma importante explosão de protestos. Nessa altura, vários membros do Comité Central porão em causa […] os resultados da perestroika. […] A economia soviética […] não está a assimilar as tecnologias modernas, nem dá resposta às necessidades dos consumidores. […] Gorbatchov quer mudar este estado de coisas. […]
Ele compreende que, se não fizer as reformas agora, onde estará a União Soviética no ano 2000? […] Gorbatchov […] interroga-se se nessa altura a URSS não será uma potência de terceira categoria… […] O que ele quer é que o povo russo tenha melhores condições de vida, ainda que para isso tenha de virar as costas a todo um passado. Mas isso significa abandonar o comunismo. Para alguém que acredita em Estaline e no papel do partido único e do Estado, […] a inversão ideológica é muito marcada […]. […]
Ao longo deste processo, […] o sistema político e o sistema social também terão de mudar. […] Mais cedo ou mais tarde, as mudanças económicas acabam por fazer surgir a necessidade de mudanças políticas, e as pessoas começam a pedir cada vez mais. […] E depois de conseguirem o voto democrático, vão querer cada vez menos controlos. […]
Que acontecerá se estas reformas […] se concretizarem? Implicarão uma mentalidade totalmente nova; pluralismo, críticas, […] pressões da opinião pública. […] As pessoas estão fartas de gastar dinheiro com o Afeganistão; querem que esse dinheiro seja gasto em Moscovo, em Kiev. […] E vão perder o controlo sobre o seu próprio país: Estónia, Geórgia, Arménia… Se houver descentralização, estas repúblicas vão querer separar-se. […]
Se Gorbatchov se vier a revelar um falso profeta, temos de estar em condições de nos protegermos. Em termos de limitação de armamento, isso é sempre possível: se retirarmos os mísseis, podemos sempre voltar a instalá-los…
Entrevista conduzida por Álvaro Vasconcelos e Luís Delgado, in Estratégia – Revista de estudos internacionais, 4 (1987-1988), pp. 103-126. (Texto adaptado)
1 doutorado em estudos russos pela Universidade de Harvard, foi especialista em economia soviética.
4. As afirmações seguintes, sobre a Europa após a desagregação do bloco soviético, são todas verdadeiras.
Identifique as duas afirmações que podem ser comprovadas através da análise da imagem D do documento 1.
Grupo IV - 5 · O mundo atual: fim da Guerra Fria, mundo unipolar, União Europeia e globalização
Considere as afirmações seguintes sobre a realidade geopolítica do mundo unipolar, tendo por termo de comparação o período da Guerra Fria.
I.
Existência de regimes, partidos e movimentos sociais de inspiração socialista.
II.
Ameaças à segurança mundial resultantes da existência de armas de destruição maciça.
III.
Liderança hegemónica norte-americana na ordem político-militar internacional.
Selecione a opção que avalia corretamente as afirmações, considerando as ruturas e as continuidades entre os dois períodos.
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