Grupo II - 3 · Exame Nacional História A 1.ª fase 2021
Tema: Civilização industrial: economia, sociedade e Portugal da Regeneração à crise da monarquia · Do exame 1.ª fase (2021)
Enunciado
GRUPO II
O ARRANQUE DA MAQUINOFATURA NA INGLATERRA E O TRIUNFO DA CIVILIZAÇÃO INDUSTRIAL
Documento 1
Petição dos trabalhadores das manufaturas têxteis de Leeds, na Inglaterra, aos fabricantes e aos mercadores de tecidos (1786)
Está demonstrado que as máquinas de cardar* têm lançado no desemprego milhares destes peticionários, [...] deixando-os incapazes de sustentar as suas famílias [...]. [...]
O número de máquinas de cardar que existem [...] a sudoeste de Leeds é inacreditável, não sendo inferior a cento e setenta ! E como cada máquina pode fazer, em doze horas, o mesmo trabalho feito manualmente por dez homens [...], uma máquina fará num dia o equivalente ao trabalho de vinte homens. [...] De modo que, [...] por cada máquina de cardar, doze homens são lançados no desemprego. [...]
Mas isto não é tudo; o estrago nos panos é grande, porque na tecelagem, em vez de deixar uma lanugem, o fio de lã é repuxado e o pano fica danificado. Poderíamos enumerar muitos outros males [...]: uma consequência será o despovoamento; o comércio perder-se-á então; os agricultores não terão outra satisfação que a de serem devorados em último lugar. [...]
Como vão estes homens [...] sustentar as suas famílias? Em que ofícios vão colocar os seus filhos como aprendizes para que a nova geração esteja ocupada a trabalhar e não se comportem como vagabundos, andando por aí na ociosidade? Alguns dirão, recomecem e aprendam outro ofício. [...] Mas, quando o tivermos aprendido, como saberemos se ficaremos melhor [...], pois durante o tempo da nossa segunda aprendizagem poderá aparecer outra máquina que nos prive também desse ofício. Pelo que as nossas famílias, a definharem enquanto aprendíamos como lhes providenciar alimento, finam-se durante a nossa terceira aprendizagem.
Mas e que farão os nossos filhos? [...] Na verdade, como as coisas estão, não é de admirar ouvir-se falar em tantas execuções. Da nossa parte, [...] pensamos que instruir os filhos numa vida de trabalho e mantê-los ocupados é a melhor maneira de evitar que caiam no crime, a que os hábitos ociosos naturalmente conduzem.
James L. Outman, Industrial Revolution. Primary sources, Farmington Hills, The Gale Group, 2003, pp. 57-59. (Texto traduzido e adaptado)
* desenredar ou pentear fibras têxteis.
Documento 2
Índices de industrialização per capita, 1750-1860 (Reino Unido em 1860 = 100)
Stephen Broadberry e Kevin H. O'Rourke, The Cambridge economic history of modern Europe, Cambridge, Cambridge University Press, 2010, Vol. 1, p. 172. (Adaptado)
3.
Enuncie duas evidências dos desfasamentos cronológicos e geográficos do processo de industrialização nos séculos XVIII e XIX.
Fundamente as duas evidências com informação relevante do documento 2.

Resolução
Segundo os critérios oficiais de classificação
3. Enuncie duas evidências dos desfasamentos cronológicos e geográficos do processo de industrialização nos séculos XVIII e XIX. Fundamente as duas evidências com informação relevante do documento 2.
Resposta: Apresentação de duas evidências fundamentadas com dados do Documento 2, abordando, por exemplo: - A prioridade inglesa no arranque da industrialização no século XVIII (índice 28 em 1750, mais que duplicando o valor da Europa ou do Mundo); - A supremacia industrial britânica em meados do século XIX (índice 100 em 1860, face a 27 da Europa ou 11 do Mundo); - Os ritmos desiguais de industrialização na Europa (maior dinamismo da Bélgica com índice 22 em 1830 e 44 em 1860); - A persistência de formas de economia tradicional na Europa do Sul ou de Leste (ex.: Itália, com índice 13 em 1830 e apenas 16 em 1860); - A supremacia industrial da Europa sobre o resto do Mundo (Europa duplica de 13 para 27, superando largamente o índice mundial estagnado em 11).
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