Exame Nacional História A 2022 · 1.ª fase
Exame Nacional de História A 2022, 1.ª fase: 11 exercícios com resolução. Temas: Poder régio, senhorios e concelhos no Portugal medieval. Grátis.
Temas do exame: Poder régio, senhorios e concelhos no Portugal medieval · Civilização industrial: economia, sociedade e Portugal da Regeneração à crise da monarquia · Primeira Guerra Mundial, primeiro pós-guerra e mutações socioculturais dos anos 20 · Revolução Russa, crise de 1929 e regimes totalitários na Europa entre as guerras · Portugal da Primeira República ao Estado Novo (1910-1945) · Portugal do segundo pós-guerra à democracia: Estado Novo, guerra colonial e 25 de Abril · O mundo atual: fim da Guerra Fria, mundo unipolar, União Europeia e globalização
Grupo I · Poder régio, senhorios e concelhos no Portugal medieval
GRUPO I
O PODER SENHORIAL NA IDADE MÉDIA PORTUGUESA
GRUPO I
O PODER SENHORIAL NA IDADE MÉDIA PORTUGUESA
Distribuição geográfica dos senhorios no reinado de Afonso IV (1325-1357)
Maria Helena da Cruz Coelho e Armando Luís de Carvalho Homem (coord.), Portugal em definição de fronteiras. Do Condado Portucalense à crise do século XIV, Lisboa, Editorial Presença, 1996, p. 586. (Adaptado)
1.
A informação fornecida pelo documento mostra uma das características mais expressivas da Europa medieval, nomeadamente
2.
A localização das honras no conjunto do território portugués, patente no documento, reflete
3.
Os dados do documento relativos aos titulares dos senhorios situados no sul do reino de Portugal demonstram
Grupo II - 1 · Civilização industrial: economia, sociedade e Portugal da Regeneração à crise da monarquia
GRUPO II
A CONDIÇÃO OPERÁRIA NO CONTEXTO DA SOCIEDADE OITOCENTISTA
Documento 1
Documento 2
Carta encíclica Rerum Novarum, do papa Leão XIII, acerca da condição operária (1891)
[O]s progressos incessantes da indústria, [...] a alteração das relações entre os operários e os patrões, a afluência da riqueza nas mãos de um pequeno número ao lado da indigência da multidão, a opinião enfim mais avantajada que os operários formam de si mesmos e a sua união mais compacta, tudo isto [...] deu em resultado final um temível conflito. [...]
É difícil [...] precisar com exatidão os direitos e os deveres que devem ao mesmo tempo reger a riqueza e o proletariado, o capital e o trabalho. [...] Em todo o caso, [...] é necessário [...] vir em auxílio dos homens das classes inferiores, atendendo a que eles estão, pela maior parte, numa situação de infortúnio e de miséria imerecida. [...]
Os socialistas, para curar este mal, instigam nos pobres o ódio invejoso contra os que possuem, e pretendem que toda a propriedade de bens particulares deve ser suprimida [...]. [...] Mas semelhante teoria [...] é sumamente injusta, por violar os direitos legítimos dos proprietários [...] e tender para a subversão completa do edifício social. [...] [O] homem deve aceitar com paciência a sua condição: é impossível que na sociedade civil todos sejam elevados ao mesmo nível. É, sem dúvida, isto o que desejam os socialistas; mas contra a natureza todos os esforços são vãos. [...] O erro capital na questão presente é crer que as duas classes são inimigas natas uma da outra, como se a natureza tivesse armado os ricos e os pobres para se combaterem mutuamente num duelo obstinado. [...]
Por certo que a maior parte dos operários quereriam melhorar de condição por meios honestos, sem prejudicar ninguém; todavia, [...] embebidos de máximas falsas [...], procuram a todo o custo excitar e impelir os outros a violências. [...] O trabalho muito prolongado e pesado e uma retribuição mesquinha dão, não poucas vezes, aos operários ocasião de greves. É preciso que o Estado ponha cobro a esta desordem grave e frequente, porque estas greves causam dano [...] aos interesses comuns e [...] põem muitas vezes em risco a tranquilidade pública. [...]
Não é justo nem humano exigir do homem tanto trabalho a ponto de [...] embrutecer o espírito e enfraquecer o corpo. [...] Especialmente a infância [...] não deve entrar na oficina senão quando a idade tenha suficientemente desenvolvido nela as forças físicas, intelectuais e morais [...].
www.vatican.va/content/leo-xiii/it.html (consultado em 17/09/2021). (Texto adaptado)
1. As propostas concebidas, no século XIX, pelas diversas correntes socialistas para ultrapassar os problemas sociais agravados pelo capitalismo industrial foram encaradas com grande apreensão pela Igreja.
Exponha dois argumentos que sustentem esta afirmação, fundamentando a sua resposta com excertos relevantes do documento 2.
Grupo II - 2 · Civilização industrial: economia, sociedade e Portugal da Regeneração à crise da monarquia
GRUPO II
A CONDIÇÃO OPERÁRIA NO CONTEXTO DA SOCIEDADE OITOCENTISTA
Documento 1
Documento 2
Carta encíclica Rerum Novarum, do papa Leão XIII, acerca da condição operária (1891)
[O]s progressos incessantes da indústria, [...] a alteração das relações entre os operários e os patrões, a afluência da riqueza nas mãos de um pequeno número ao lado da indigência da multidão, a opinião enfim mais avantajada que os operários formam de si mesmos e a sua união mais compacta, tudo isto [...] deu em resultado final um temível conflito. [...]
É difícil [...] precisar com exatidão os direitos e os deveres que devem ao mesmo tempo reger a riqueza e o proletariado, o capital e o trabalho. [...] Em todo o caso, [...] é necessário [...] vir em auxílio dos homens das classes inferiores, atendendo a que eles estão, pela maior parte, numa situação de infortúnio e de miséria imerecida. [...]
Os socialistas, para curar este mal, instigam nos pobres o ódio invejoso contra os que possuem, e pretendem que toda a propriedade de bens particulares deve ser suprimida [...]. [...] Mas semelhante teoria [...] é sumamente injusta, por violar os direitos legítimos dos proprietários [...] e tender para a subversão completa do edifício social. [...] [O] homem deve aceitar com paciência a sua condição: é impossível que na sociedade civil todos sejam elevados ao mesmo nível. É, sem dúvida, isto o que desejam os socialistas; mas contra a natureza todos os esforços são vãos. [...] O erro capital na questão presente é crer que as duas classes são inimigas natas uma da outra, como se a natureza tivesse armado os ricos e os pobres para se combaterem mutuamente num duelo obstinado. [...]
Por certo que a maior parte dos operários quereriam melhorar de condição por meios honestos, sem prejudicar ninguém; todavia, [...] embebidos de máximas falsas [...], procuram a todo o custo excitar e impelir os outros a violências. [...] O trabalho muito prolongado e pesado e uma retribuição mesquinha dão, não poucas vezes, aos operários ocasião de greves. É preciso que o Estado ponha cobro a esta desordem grave e frequente, porque estas greves causam dano [...] aos interesses comuns e [...] põem muitas vezes em risco a tranquilidade pública. [...]
Não é justo nem humano exigir do homem tanto trabalho a ponto de [...] embrutecer o espírito e enfraquecer o corpo. [...] Especialmente a infância [...] não deve entrar na oficina senão quando a idade tenha suficientemente desenvolvido nela as forças físicas, intelectuais e morais [...].
www.vatican.va/content/leo-xiii/it.html (consultado em 17/09/2021). (Texto adaptado)
2. Explicite dois fatores que desencadearam a emergência do movimento operário durante o século XIX.
Fundamente um dos fatores com informação relevante do documento 1 e o outro fator com excertos relevantes do documento 2.
Grupo II - 3 · Civilização industrial: economia, sociedade e Portugal da Regeneração à crise da monarquia
GRUPO II
A CONDIÇÃO OPERÁRIA NO CONTEXTO DA SOCIEDADE OITOCENTISTA
Documento 1
Documento 2
Carta encíclica Rerum Novarum, do papa Leão XIII, acerca da condição operária (1891)
[O]s progressos incessantes da indústria, [...] a alteração das relações entre os operários e os patrões, a afluência da riqueza nas mãos de um pequeno número ao lado da indigência da multidão, a opinião enfim mais avantajada que os operários formam de si mesmos e a sua união mais compacta, tudo isto [...] deu em resultado final um temível conflito. [...]
É difícil [...] precisar com exatidão os direitos e os deveres que devem ao mesmo tempo reger a riqueza e o proletariado, o capital e o trabalho. [...] Em todo o caso, [...] é necessário [...] vir em auxílio dos homens das classes inferiores, atendendo a que eles estão, pela maior parte, numa situação de infortúnio e de miséria imerecida. [...]
Os socialistas, para curar este mal, instigam nos pobres o ódio invejoso contra os que possuem, e pretendem que toda a propriedade de bens particulares deve ser suprimida [...]. [...] Mas semelhante teoria [...] é sumamente injusta, por violar os direitos legítimos dos proprietários [...] e tender para a subversão completa do edifício social. [...] [O] homem deve aceitar com paciência a sua condição: é impossível que na sociedade civil todos sejam elevados ao mesmo nível. É, sem dúvida, isto o que desejam os socialistas; mas contra a natureza todos os esforços são vãos. [...] O erro capital na questão presente é crer que as duas classes são inimigas natas uma da outra, como se a natureza tivesse armado os ricos e os pobres para se combaterem mutuamente num duelo obstinado. [...]
Por certo que a maior parte dos operários quereriam melhorar de condição por meios honestos, sem prejudicar ninguém; todavia, [...] embebidos de máximas falsas [...], procuram a todo o custo excitar e impelir os outros a violências. [...] O trabalho muito prolongado e pesado e uma retribuição mesquinha dão, não poucas vezes, aos operários ocasião de greves. É preciso que o Estado ponha cobro a esta desordem grave e frequente, porque estas greves causam dano [...] aos interesses comuns e [...] põem muitas vezes em risco a tranquilidade pública. [...]
Não é justo nem humano exigir do homem tanto trabalho a ponto de [...] embrutecer o espírito e enfraquecer o corpo. [...] Especialmente a infância [...] não deve entrar na oficina senão quando a idade tenha suficientemente desenvolvido nela as forças físicas, intelectuais e morais [...].
www.vatican.va/content/leo-xiii/it.html (consultado em 17/09/2021). (Texto adaptado)
* 3. A pintura A greve (documento 1) constitui um exemplo significativo do Realismo como movimento cultural e artístico, ao
()
Grupo III - 1 · Revolução Russa, crise de 1929 e regimes totalitários na Europa entre as guerras
GRUPO III
PORTUGAL E O MUNDO, DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL AOS ANOS 30
Documento 1 (conjunto documental)
Documento 2
Excertos do diário de Thomaz de Mello Breyner* sobre política nacional e internacional, de setembro a dezembro de 1918
Da política anda isto mal por cá. [...] Da guerra sei que as vantagens dos Aliados continuam. [...] [A] telegrafista [...] comunicou-me que do Porto lhe afirmaram saber-se por um rádio que a Alemanha aceitou as condições do presidente Wilson e este as da Alemanha. [...] O curioso é que não se fala nem da França nem da Inglaterra. É como se não existissem neste momento. [...]
Ficará a Alemanha dividida em pequenos estados? Talvez como era dantes, mas não desaparecerá a raça alemã, nem a sua cultura, nem o seu comércio, nem a sua indústria. [...] Ora, tudo isso reaparecerá, com kaiser ou sem ele. [...] Parece iminente o armistício entre a Alemanha e os Aliados. Venha ele. E agora? O que virá? Temo quase mais a paz do que a guerra, com todos os seus horrores. [...] [E]u não posso nem quero regozijar-me com a queda [...] do grande Império Alemão. Foi uma espoliação à mão armada do mundo inteiro. Uma vergonha. [...]
Parece que as nações aliadas já andam com medo do bolchevismo [...] na Rússia. É que ele alastra e ameaça o resto da Europa. [...] Já se conhecem as condições do armistício. É um roubo à mão armada, é o burro aos coices no cadáver do leão. Nunca houve na história uma infâmia igual. [...]
Fala-se em greve de caminhos de ferro com carácter de revolução social. [...] Eu não creio que seja uma greve, mas sim uma tentativa revolucionária de natureza democrática. Eles, os democráticos**, organizaram a ida para a guerra e agora estão de fora no momento da paz. É bem feito. É o castigo das poucas-vergonhas que fizeram, mandando para França, como se fossem para o matadouro, soldados que ninguém pediu. [...] Alguns operários da construção civil entraram em greve bulhenta e algumas bombas se deitaram ontem à noite e hoje contra os carros elétricos. [...] Isto não foi mais que uma revolução democrática, aproveitando a excitação bolchevista que vai pelo mundo. [...]
Tivemos agora 4 dias de festança para celebrar a revolução do ano passado [...]. A verdade é que nós devemos muitos favores ao Sidónio [Pais]. Devemos-lhe nada menos que a ordem e um relativo sossego. [...] Às 9h telefonava a Teresa, do Campo Grande, dizendo que o Sidónio fora morto a tiro pouco antes da meia-noite quando na Estação do Rossio ia meter-se no comboio para ir para o Porto. [...] O que irá seguir-se? [...] Volta-se outra vez à barafunda. Em dez anos matam-se dois chefes de Estado, depõem-se outros dois, fazem-se 4 revoluções e ainda há quem pretenda ver continuar o antigo sistema.
* foi médico da Casa Real, nomeado pelo rei D. Carlos.
** referência ao Partido Democrático, liderado por Afonso Costa e dominante no sistema político-partidário da Primeira República portuguesa.
in Margarida de Magalhães Ramalho, Thomaz de Mello Breyner. Relatos de uma época. Do final da Monarquia ao Estado Novo, Lisboa, Imprensa Nacional, 2018, pp. 329-338. (Texto adaptado)
Documento 3
1. Ordene cronologicamente as imagens A, B, C e D (documento 1), que se reportam a diferentes contextos políticos na Europa, da Primeira Guerra Mundial aos anos 30.
Escreva a sequência correta das letras que identificam os documentos (do acontecimento mais antigo para o mais recente):
.º
Grupo III - 2 · Primeira Guerra Mundial, primeiro pós-guerra e mutações socioculturais dos anos 20
GRUPO III
PORTUGAL E O MUNDO, DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL AOS ANOS 30
Documento 1 (conjunto documental)
Documento 2
Excertos do diário de Thomaz de Mello Breyner* sobre política nacional e internacional, de setembro a dezembro de 1918
Da política anda isto mal por cá. [...] Da guerra sei que as vantagens dos Aliados continuam. [...] [A] telegrafista [...] comunicou-me que do Porto lhe afirmaram saber-se por um rádio que a Alemanha aceitou as condições do presidente Wilson e este as da Alemanha. [...] O curioso é que não se fala nem da França nem da Inglaterra. É como se não existissem neste momento. [...]
Ficará a Alemanha dividida em pequenos estados? Talvez como era dantes, mas não desaparecerá a raça alemã, nem a sua cultura, nem o seu comércio, nem a sua indústria. [...] Ora, tudo isso reaparecerá, com kaiser ou sem ele. [...] Parece iminente o armistício entre a Alemanha e os Aliados. Venha ele. E agora? O que virá? Temo quase mais a paz do que a guerra, com todos os seus horrores. [...] [E]u não posso nem quero regozijar-me com a queda [...] do grande Império Alemão. Foi uma espoliação à mão armada do mundo inteiro. Uma vergonha. [...]
Parece que as nações aliadas já andam com medo do bolchevismo [...] na Rússia. É que ele alastra e ameaça o resto da Europa. [...] Já se conhecem as condições do armistício. É um roubo à mão armada, é o burro aos coices no cadáver do leão. Nunca houve na história uma infâmia igual. [...]
Fala-se em greve de caminhos de ferro com carácter de revolução social. [...] Eu não creio que seja uma greve, mas sim uma tentativa revolucionária de natureza democrática. Eles, os democráticos**, organizaram a ida para a guerra e agora estão de fora no momento da paz. É bem feito. É o castigo das poucas-vergonhas que fizeram, mandando para França, como se fossem para o matadouro, soldados que ninguém pediu. [...] Alguns operários da construção civil entraram em greve bulhenta e algumas bombas se deitaram ontem à noite e hoje contra os carros elétricos. [...] Isto não foi mais que uma revolução democrática, aproveitando a excitação bolchevista que vai pelo mundo. [...]
Tivemos agora 4 dias de festança para celebrar a revolução do ano passado [...]. A verdade é que nós devemos muitos favores ao Sidónio [Pais]. Devemos-lhe nada menos que a ordem e um relativo sossego. [...] Às 9h telefonava a Teresa, do Campo Grande, dizendo que o Sidónio fora morto a tiro pouco antes da meia-noite quando na Estação do Rossio ia meter-se no comboio para ir para o Porto. [...] O que irá seguir-se? [...] Volta-se outra vez à barafunda. Em dez anos matam-se dois chefes de Estado, depõem-se outros dois, fazem-se 4 revoluções e ainda há quem pretenda ver continuar o antigo sistema.
* foi médico da Casa Real, nomeado pelo rei D. Carlos.
** referência ao Partido Democrático, liderado por Afonso Costa e dominante no sistema político-partidário da Primeira República portuguesa.
in Margarida de Magalhães Ramalho, Thomaz de Mello Breyner. Relatos de uma época. Do final da Monarquia ao Estado Novo, Lisboa, Imprensa Nacional, 2018, pp. 329-338. (Texto adaptado)
Documento 3
2. As afirmações seguintes, sobre o vanguardismo da arte moderna, são todas verdadeiras.
.
Identifique as duas afirmações que podem ser comprovadas através da análise da imagem C do documento 1.
Grupo III - 3 · Portugal da Primeira República ao Estado Novo (1910-1945)
GRUPO III
PORTUGAL E O MUNDO, DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL AOS ANOS 30
Documento 1 (conjunto documental)
Documento 2
Excertos do diário de Thomaz de Mello Breyner* sobre política nacional e internacional, de setembro a dezembro de 1918
Da política anda isto mal por cá. [...] Da guerra sei que as vantagens dos Aliados continuam. [...] [A] telegrafista [...] comunicou-me que do Porto lhe afirmaram saber-se por um rádio que a Alemanha aceitou as condições do presidente Wilson e este as da Alemanha. [...] O curioso é que não se fala nem da França nem da Inglaterra. É como se não existissem neste momento. [...]
Ficará a Alemanha dividida em pequenos estados? Talvez como era dantes, mas não desaparecerá a raça alemã, nem a sua cultura, nem o seu comércio, nem a sua indústria. [...] Ora, tudo isso reaparecerá, com kaiser ou sem ele. [...] Parece iminente o armistício entre a Alemanha e os Aliados. Venha ele. E agora? O que virá? Temo quase mais a paz do que a guerra, com todos os seus horrores. [...] [E]u não posso nem quero regozijar-me com a queda [...] do grande Império Alemão. Foi uma espoliação à mão armada do mundo inteiro. Uma vergonha. [...]
Parece que as nações aliadas já andam com medo do bolchevismo [...] na Rússia. É que ele alastra e ameaça o resto da Europa. [...] Já se conhecem as condições do armistício. É um roubo à mão armada, é o burro aos coices no cadáver do leão. Nunca houve na história uma infâmia igual. [...]
Fala-se em greve de caminhos de ferro com carácter de revolução social. [...] Eu não creio que seja uma greve, mas sim uma tentativa revolucionária de natureza democrática. Eles, os democráticos**, organizaram a ida para a guerra e agora estão de fora no momento da paz. É bem feito. É o castigo das poucas-vergonhas que fizeram, mandando para França, como se fossem para o matadouro, soldados que ninguém pediu. [...] Alguns operários da construção civil entraram em greve bulhenta e algumas bombas se deitaram ontem à noite e hoje contra os carros elétricos. [...] Isto não foi mais que uma revolução democrática, aproveitando a excitação bolchevista que vai pelo mundo. [...]
Tivemos agora 4 dias de festança para celebrar a revolução do ano passado [...]. A verdade é que nós devemos muitos favores ao Sidónio [Pais]. Devemos-lhe nada menos que a ordem e um relativo sossego. [...] Às 9h telefonava a Teresa, do Campo Grande, dizendo que o Sidónio fora morto a tiro pouco antes da meia-noite quando na Estação do Rossio ia meter-se no comboio para ir para o Porto. [...] O que irá seguir-se? [...] Volta-se outra vez à barafunda. Em dez anos matam-se dois chefes de Estado, depõem-se outros dois, fazem-se 4 revoluções e ainda há quem pretenda ver continuar o antigo sistema.
* foi médico da Casa Real, nomeado pelo rei D. Carlos.
** referência ao Partido Democrático, liderado por Afonso Costa e dominante no sistema político-partidário da Primeira República portuguesa.
in Margarida de Magalhães Ramalho, Thomaz de Mello Breyner. Relatos de uma época. Do final da Monarquia ao Estado Novo, Lisboa, Imprensa Nacional, 2018, pp. 329-338. (Texto adaptado)
Documento 3
3. Explicite duas causas da crise do regime republicano português.
Fundamente as duas causas com excertos relevantes do documento 2.
Grupo III - 4 · Portugal da Primeira República ao Estado Novo (1910-1945)
4. Complete o texto seguinte, selecionando a opção adequada para cada espaço.
Na folha de respostas, registe apenas as letras e o número que corresponde à opção selecionada em cada um dos casos.
Após o derrube da Primeira República através de um golpe de Estado, António de Oliveira Salazar emerge da Ditadura Militar, então instituída, com duas prioridades fundamentais, a eliminação do a) e a afirmação de um poder b) forte. Com a subsequente aprovação de uma nova c), assiste-se à institucionalização do Estado Novo, duradouramente mantido através de um aparelho d) muito eficaz.
a)
b)
c)
d)
Grupo III - 5 · Revolução Russa, crise de 1929 e regimes totalitários na Europa entre as guerras
GRUPO III
PORTUGAL E O MUNDO, DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL AOS ANOS 30
Documento 1 (conjunto documental)
Documento 2
Excertos do diário de Thomaz de Mello Breyner* sobre política nacional e internacional, de setembro a dezembro de 1918
Da política anda isto mal por cá. [...] Da guerra sei que as vantagens dos Aliados continuam. [...] [A] telegrafista [...] comunicou-me que do Porto lhe afirmaram saber-se por um rádio que a Alemanha aceitou as condições do presidente Wilson e este as da Alemanha. [...] O curioso é que não se fala nem da França nem da Inglaterra. É como se não existissem neste momento. [...]
Ficará a Alemanha dividida em pequenos estados? Talvez como era dantes, mas não desaparecerá a raça alemã, nem a sua cultura, nem o seu comércio, nem a sua indústria. [...] Ora, tudo isso reaparecerá, com kaiser ou sem ele. [...] Parece iminente o armistício entre a Alemanha e os Aliados. Venha ele. E agora? O que virá? Temo quase mais a paz do que a guerra, com todos os seus horrores. [...] [E]u não posso nem quero regozijar-me com a queda [...] do grande Império Alemão. Foi uma espoliação à mão armada do mundo inteiro. Uma vergonha. [...]
Parece que as nações aliadas já andam com medo do bolchevismo [...] na Rússia. É que ele alastra e ameaça o resto da Europa. [...] Já se conhecem as condições do armistício. É um roubo à mão armada, é o burro aos coices no cadáver do leão. Nunca houve na história uma infâmia igual. [...]
Fala-se em greve de caminhos de ferro com carácter de revolução social. [...] Eu não creio que seja uma greve, mas sim uma tentativa revolucionária de natureza democrática. Eles, os democráticos**, organizaram a ida para a guerra e agora estão de fora no momento da paz. É bem feito. É o castigo das poucas-vergonhas que fizeram, mandando para França, como se fossem para o matadouro, soldados que ninguém pediu. [...] Alguns operários da construção civil entraram em greve bulhenta e algumas bombas se deitaram ontem à noite e hoje contra os carros elétricos. [...] Isto não foi mais que uma revolução democrática, aproveitando a excitação bolchevista que vai pelo mundo. [...]
Tivemos agora 4 dias de festança para celebrar a revolução do ano passado [...]. A verdade é que nós devemos muitos favores ao Sidónio [Pais]. Devemos-lhe nada menos que a ordem e um relativo sossego. [...] Às 9h telefonava a Teresa, do Campo Grande, dizendo que o Sidónio fora morto a tiro pouco antes da meia-noite quando na Estação do Rossio ia meter-se no comboio para ir para o Porto. [...] O que irá seguir-se? [...] Volta-se outra vez à barafunda. Em dez anos matam-se dois chefes de Estado, depõem-se outros dois, fazem-se 4 revoluções e ainda há quem pretenda ver continuar o antigo sistema.
* foi médico da Casa Real, nomeado pelo rei D. Carlos.
** referência ao Partido Democrático, liderado por Afonso Costa e dominante no sistema político-partidário da Primeira República portuguesa.
in Margarida de Magalhães Ramalho, Thomaz de Mello Breyner. Relatos de uma época. Do final da Monarquia ao Estado Novo, Lisboa, Imprensa Nacional, 2018, pp. 329-338. (Texto adaptado)
Documento 3
5. Desenvolva o tema Impactos da Primeira Guerra Mundial e da Grande Depressão nas convulsões políticas da Europa dos anos 20 e 30, articulando os tópicos de orientação seguintes:
alterações geopolíticas resultantes do desfecho da guerra e efeitos socioeconómicos da crise de 1929;
tensão e confronto entre os diferentes regimes políticos e ideológicos implantados no espaço europeu.
Na sua resposta,
apresente três elementos para cada tópico de orientação, evidenciando a relação entre os elementos dos dois tópicos;
integre, pelo menos, uma informação relevante de cada um dos documentos seguintes: imagem B do documento 1 e documentos 2 e 3.
Grupo IV - 1 · Portugal do segundo pós-guerra à democracia: Estado Novo, guerra colonial e 25 de Abril
GRUPO IV
A CONSTRUÇÃO E O APROFUNDAMENTO DO PROJETO EUROPEU
Documento 1
A implementação das políticas comunitárias, segundo Aníbal Cavaco Silva* (2018)
[N]ão é possível compreender a história recente de Portugal sem reconhecer o carácter estruturante da integração europeia para o desenvolvimento económico e social do país. [...] A adesão marcou uma opção clara pela economia de mercado e de afastamento da tendência socializante que [...] marcara o pós-Revolução [...]. Por outro lado, se a democracia fora um requisito necessário para a adesão, a consolidação da democracia seria um benefício da adesão. [...] 5
Portugal foi largamente beneficiário da integração, não apenas pelo apoio dos fundos estruturais comunitários, que permitiram o desenvolvimento do país, mas porque as profundas reformas internas realizadas libertaram a economia e a sociedade de uma excessiva presença do Estado e estabeleceram um clima de confiança favorável ao investimento e à dinamização da sociedade civil. Entre 1986 e 1995, a economia portuguesa cresceu à taxa média de 4 por cento ao ano, contra 2,4 por cento do conjunto da União Europeia [...]. [...]
A posição de Portugal como país responsável, credível, gerador de consensos e de pontes, permitiu eleger, em 2004, um português para presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso [...]; [...] já em 2017, permitiu a eleição do ministro das Finanças, Mário Centeno, como presidente do Eurogrupo. [...]
A Coesão Económica e Social diz respeito ao objetivo de redução das disparidades entre os níveis de desenvolvimento das diferentes regiões [...]. [...] [N]ão restam dúvidas de que o investimento na coesão permitiu reforçar o sentimento de pertença dos cidadãos a uma mesma comunidade e tornar a UE não apenas um importante bloco económico, mas, sobretudo, um referencial de desenvolvimento. [...]
Por fim, é digno de nota o contributo de Portugal para expandir os horizontes da UE enquanto potência global, [...] reforçando a voz internacional do continente europeu. Apoiou firmemente a criação da Política Externa e de Segurança Comum [...] e a criação, com o Tratado de Lisboa, do cargo de Alto Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, porque a UE precisa de uma voz própria na cena internacional [...]. [...]
Muitos foram os analistas que, durante a crise da dívida soberana, previram a desintegração da Zona Euro. Falharam na sua previsão. O projeto provou ter muita força, sobreviveu e hoje apresenta-se bastante sólido. O euro goza de forte apoio por parte dos cidadãos dos 19 países da área do euro e provou ser uma moeda de referência mundial [...].
https://observador.pt/especiais/portugal-e-o-futuro-da-uniao-europeia/ (consultado em 17/09/2021). (Texto adaptado)
* exerceu dois mandatos como primeiro-ministro de Portugal (1985-1995) e outros dois mandatos como presidente da República (2006-2016).
Documento 2
A implementação das políticas comunitárias, segundo Viriato Soromenho-Marques* (2019)
[Para que a União Europeia sobreviva], os países e os povos que a integram têm de enfrentar a verdade do fracasso do método e das políticas que nos conduziram à situação cada vez mais caótica em que nos encontramos. [...] [A] divergência económica cada vez maior entre países e a desigualdade crescente no interior de cada país deveriam constituir poderosos sinais de alerta. A que se juntam outros sintomas [...]: o crescimento de governos que espezinham princípios essenciais da democracia [...]; [...] a total discórdia entre Estados-Membros em relação à questão dos migrantes e refugiados; o falhanço de qualquer posição coordenada perante [...] [as] desafiantes tomadas de posição em relação ao espaço da UE por parte dos EUA, da China e da Rússia. [...]
Na construção do euro, apesar de todos os discursos efetuados sobre o modelo social europeu, e acerca da UE como fator de proteção dos europeus contra uma globalização selvagem, a verdade é que os arquitetos do euro acabaram por decidir a favor do capitalismo de recorte neoliberal contra as legítimas expectativas da grande maioria dos cidadãos europeus [...]. E isso está completamente patente [...] no modo como a União e as suas instituições têm descurado e até encorajado o processo de declínio dos direitos sociais e económicos dos cidadãos europeus, através [...] das políticas de austeridade, desvalorização salarial e precarização dos vínculos laborais. [...]
Do que podemos estar absolutamente certos é que muitas manifestações do fenómeno populista resultam da perda de confiança de largas frações dos eleitorados europeus na possibilidade de a União Europeia se constituir num horizonte favorável para o desenvolvimento das suas vidas.
Viriato Soromenho-Marques, Depois da queda. A União Europeia entre o reerguer e a fragmentação, Lisboa, Temas e Debates, 2019, pp. 17-22. (Texto adaptado)
* Professor Catedrático de Filosofia, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
1. Refira duas consequências da integração de Portugal na Comunidade Económica Europeia.
Fundamente as duas consequências com excertos relevantes do documento 1.
Grupo IV - 2 · O mundo atual: fim da Guerra Fria, mundo unipolar, União Europeia e globalização
GRUPO IV
A CONSTRUÇÃO E O APROFUNDAMENTO DO PROJETO EUROPEU
Documento 1
A implementação das políticas comunitárias, segundo Aníbal Cavaco Silva* (2018)
[N]ão é possível compreender a história recente de Portugal sem reconhecer o carácter estruturante da integração europeia para o desenvolvimento económico e social do país. [...] A adesão marcou uma opção clara pela economia de mercado e de afastamento da tendência socializante que [...] marcara o pós-Revolução [...]. Por outro lado, se a democracia fora um requisito necessário para a adesão, a consolidação da democracia seria um benefício da adesão. [...] 5
Portugal foi largamente beneficiário da integração, não apenas pelo apoio dos fundos estruturais comunitários, que permitiram o desenvolvimento do país, mas porque as profundas reformas internas realizadas libertaram a economia e a sociedade de uma excessiva presença do Estado e estabeleceram um clima de confiança favorável ao investimento e à dinamização da sociedade civil. Entre 1986 e 1995, a economia portuguesa cresceu à taxa média de 4 por cento ao ano, contra 2,4 por cento do conjunto da União Europeia [...]. [...]
A posição de Portugal como país responsável, credível, gerador de consensos e de pontes, permitiu eleger, em 2004, um português para presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso [...]; [...] já em 2017, permitiu a eleição do ministro das Finanças, Mário Centeno, como presidente do Eurogrupo. [...]
A Coesão Económica e Social diz respeito ao objetivo de redução das disparidades entre os níveis de desenvolvimento das diferentes regiões [...]. [...] [N]ão restam dúvidas de que o investimento na coesão permitiu reforçar o sentimento de pertença dos cidadãos a uma mesma comunidade e tornar a UE não apenas um importante bloco económico, mas, sobretudo, um referencial de desenvolvimento. [...]
Por fim, é digno de nota o contributo de Portugal para expandir os horizontes da UE enquanto potência global, [...] reforçando a voz internacional do continente europeu. Apoiou firmemente a criação da Política Externa e de Segurança Comum [...] e a criação, com o Tratado de Lisboa, do cargo de Alto Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, porque a UE precisa de uma voz própria na cena internacional [...]. [...]
Muitos foram os analistas que, durante a crise da dívida soberana, previram a desintegração da Zona Euro. Falharam na sua previsão. O projeto provou ter muita força, sobreviveu e hoje apresenta-se bastante sólido. O euro goza de forte apoio por parte dos cidadãos dos 19 países da área do euro e provou ser uma moeda de referência mundial [...].
https://observador.pt/especiais/portugal-e-o-futuro-da-uniao-europeia/ (consultado em 17/09/2021). (Texto adaptado)
* exerceu dois mandatos como primeiro-ministro de Portugal (1985-1995) e outros dois mandatos como presidente da República (2006-2016).
Documento 2
A implementação das políticas comunitárias, segundo Viriato Soromenho-Marques* (2019)
[Para que a União Europeia sobreviva], os países e os povos que a integram têm de enfrentar a verdade do fracasso do método e das políticas que nos conduziram à situação cada vez mais caótica em que nos encontramos. [...] [A] divergência económica cada vez maior entre países e a desigualdade crescente no interior de cada país deveriam constituir poderosos sinais de alerta. A que se juntam outros sintomas [...]: o crescimento de governos que espezinham princípios essenciais da democracia [...]; [...] a total discórdia entre Estados-Membros em relação à questão dos migrantes e refugiados; o falhanço de qualquer posição coordenada perante [...] [as] desafiantes tomadas de posição em relação ao espaço da UE por parte dos EUA, da China e da Rússia. [...]
Na construção do euro, apesar de todos os discursos efetuados sobre o modelo social europeu, e acerca da UE como fator de proteção dos europeus contra uma globalização selvagem, a verdade é que os arquitetos do euro acabaram por decidir a favor do capitalismo de recorte neoliberal contra as legítimas expectativas da grande maioria dos cidadãos europeus [...]. E isso está completamente patente [...] no modo como a União e as suas instituições têm descurado e até encorajado o processo de declínio dos direitos sociais e económicos dos cidadãos europeus, através [...] das políticas de austeridade, desvalorização salarial e precarização dos vínculos laborais. [...]
Do que podemos estar absolutamente certos é que muitas manifestações do fenómeno populista resultam da perda de confiança de largas frações dos eleitorados europeus na possibilidade de a União Europeia se constituir num horizonte favorável para o desenvolvimento das suas vidas.
Viriato Soromenho-Marques, Depois da queda. A União Europeia entre o reerguer e a fragmentação, Lisboa, Temas e Debates, 2019, pp. 17-22. (Texto adaptado)
* Professor Catedrático de Filosofia, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
2. Compare as duas perspetivas sobre o projeto europeu, expressas nos documentos 1 e 2, quanto a dois aspetos em que se opõem.
Fundamente a sua resposta com excertos relevantes dos dois documentos.
Grupo IV - 3 · O mundo atual: fim da Guerra Fria, mundo unipolar, União Europeia e globalização
3. A construção e o aprofundamento do projeto europeu assentaram nos vários organismos que, atualmente, asseguram o funcionamento institucional da União Europeia.
Associe esses organismos, apresentados na coluna A, às frases que os identificam, apresentadas na coluna B. Todas as frases devem ser utilizadas. Cada frase deve ser associada apenas a um dos organismos.
COLUNA A
(a) Parlamento Europeu
(b) Comissão Europeia
(c) Banco Central Europeu
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Grupo IV - 4 · O mundo atual: fim da Guerra Fria, mundo unipolar, União Europeia e globalização
GRUPO IV
A CONSTRUÇÃO E O APROFUNDAMENTO DO PROJETO EUROPEU
Documento 1
A implementação das políticas comunitárias, segundo Aníbal Cavaco Silva* (2018)
[N]ão é possível compreender a história recente de Portugal sem reconhecer o carácter estruturante da integração europeia para o desenvolvimento económico e social do país. [...] A adesão marcou uma opção clara pela economia de mercado e de afastamento da tendência socializante que [...] marcara o pós-Revolução [...]. Por outro lado, se a democracia fora um requisito necessário para a adesão, a consolidação da democracia seria um benefício da adesão. [...] 5
Portugal foi largamente beneficiário da integração, não apenas pelo apoio dos fundos estruturais comunitários, que permitiram o desenvolvimento do país, mas porque as profundas reformas internas realizadas libertaram a economia e a sociedade de uma excessiva presença do Estado e estabeleceram um clima de confiança favorável ao investimento e à dinamização da sociedade civil. Entre 1986 e 1995, a economia portuguesa cresceu à taxa média de 4 por cento ao ano, contra 2,4 por cento do conjunto da União Europeia [...]. [...]
A posição de Portugal como país responsável, credível, gerador de consensos e de pontes, permitiu eleger, em 2004, um português para presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso [...]; [...] já em 2017, permitiu a eleição do ministro das Finanças, Mário Centeno, como presidente do Eurogrupo. [...]
A Coesão Económica e Social diz respeito ao objetivo de redução das disparidades entre os níveis de desenvolvimento das diferentes regiões [...]. [...] [N]ão restam dúvidas de que o investimento na coesão permitiu reforçar o sentimento de pertença dos cidadãos a uma mesma comunidade e tornar a UE não apenas um importante bloco económico, mas, sobretudo, um referencial de desenvolvimento. [...]
Por fim, é digno de nota o contributo de Portugal para expandir os horizontes da UE enquanto potência global, [...] reforçando a voz internacional do continente europeu. Apoiou firmemente a criação da Política Externa e de Segurança Comum [...] e a criação, com o Tratado de Lisboa, do cargo de Alto Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, porque a UE precisa de uma voz própria na cena internacional [...]. [...]
Muitos foram os analistas que, durante a crise da dívida soberana, previram a desintegração da Zona Euro. Falharam na sua previsão. O projeto provou ter muita força, sobreviveu e hoje apresenta-se bastante sólido. O euro goza de forte apoio por parte dos cidadãos dos 19 países da área do euro e provou ser uma moeda de referência mundial [...].
https://observador.pt/especiais/portugal-e-o-futuro-da-uniao-europeia/ (consultado em 17/09/2021). (Texto adaptado)
* exerceu dois mandatos como primeiro-ministro de Portugal (1985-1995) e outros dois mandatos como presidente da República (2006-2016).
Documento 2
A implementação das políticas comunitárias, segundo Viriato Soromenho-Marques* (2019)
[Para que a União Europeia sobreviva], os países e os povos que a integram têm de enfrentar a verdade do fracasso do método e das políticas que nos conduziram à situação cada vez mais caótica em que nos encontramos. [...] [A] divergência económica cada vez maior entre países e a desigualdade crescente no interior de cada país deveriam constituir poderosos sinais de alerta. A que se juntam outros sintomas [...]: o crescimento de governos que espezinham princípios essenciais da democracia [...]; [...] a total discórdia entre Estados-Membros em relação à questão dos migrantes e refugiados; o falhanço de qualquer posição coordenada perante [...] [as] desafiantes tomadas de posição em relação ao espaço da UE por parte dos EUA, da China e da Rússia. [...]
Na construção do euro, apesar de todos os discursos efetuados sobre o modelo social europeu, e acerca da UE como fator de proteção dos europeus contra uma globalização selvagem, a verdade é que os arquitetos do euro acabaram por decidir a favor do capitalismo de recorte neoliberal contra as legítimas expectativas da grande maioria dos cidadãos europeus [...]. E isso está completamente patente [...] no modo como a União e as suas instituições têm descurado e até encorajado o processo de declínio dos direitos sociais e económicos dos cidadãos europeus, através [...] das políticas de austeridade, desvalorização salarial e precarização dos vínculos laborais. [...]
Do que podemos estar absolutamente certos é que muitas manifestações do fenómeno populista resultam da perda de confiança de largas frações dos eleitorados europeus na possibilidade de a União Europeia se constituir num horizonte favorável para o desenvolvimento das suas vidas.
Viriato Soromenho-Marques, Depois da queda. A União Europeia entre o reerguer e a fragmentação, Lisboa, Temas e Debates, 2019, pp. 17-22. (Texto adaptado)
* Professor Catedrático de Filosofia, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
4. A problemática em torno da presença de «migrantes e refugiados» (documento 2, linha 7) na União Europeia evidencia
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