Exame Nacional História A 2024 · 1.ª fase

Exame Nacional de História A 2024, 1.ª fase: 10 exercícios com resolução. Temas: O legado da Antiguidade clássica: Atenas e Roma. Com correção imediata.

Temas do exame: O legado da Antiguidade clássica: Atenas e Roma · Antigo Regime: absolutismo, sociedade de ordens, mercantilismo e Luzes · As revoluções liberais e a implantação do liberalismo em Portugal · Portugal da Primeira República ao Estado Novo (1910-1945) · O mundo bipolar: Guerra Fria, Estado-Providência, descolonização e construção europeia · O mundo atual: fim da Guerra Fria, mundo unipolar, União Europeia e globalização

Grupo I - 1 · O legado da Antiguidade clássica: Atenas e Roma

GRUPO I

O MODELO POLÍTICO ATENIENSE NO SÉCULO V a. C.

Território e população da cidade-Estado de Atenas, c. 432 a. C.

Região · Ática

Área do território · 2400 km²

Distribuição da população

(valores aproximados, em %) · Cidadãos · 15%

Famílias dos cidadãos · 35%

Metecos + famílias · 13%

Escravos · 37%

TOTAL · 100%

Marie-Claire Amouretti e Françoise Ruzé, O mundo grego antigo, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1993, pp. 191-193. (Adaptado)

1. O exercício direto da democracia em Atenas pode inferir-se, conforme a informação da tabela,

()

Grupo I - 2 · O legado da Antiguidade clássica: Atenas e Roma

GRUPO I

O MODELO POLÍTICO ATENIENSE NO SÉCULO V a. C.

Território e população da cidade-Estado de Atenas, c. 432 a. C.

Região · Ática

Área do território · 2400 km²

Distribuição da população

(valores aproximados, em %) · Cidadãos · 15%

Famílias dos cidadãos · 35%

Metecos + famílias · 13%

Escravos · 37%

TOTAL · 100%

Marie-Claire Amouretti e Françoise Ruzé, O mundo grego antigo, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1993, pp. 191-193. (Adaptado)

2. A informação da tabela evidencia uma das características da organização social ateniense, nomeadamente

()

Grupo II - 1 · Antigo Regime: absolutismo, sociedade de ordens, mercantilismo e Luzes

GRUPO II

A CRISE DO ANTIGO REGIME: PODER, SOCIEDADE, ECONOMIA

Documento 1

Política e cultura na Europa do século XVIII

https://tinyurl.com/4a372en6 (consultado em setembro de 2023). (Adaptado)

Documento 2

«As esmolas do Terceiro Estado», gravura francesa anónima, c. 1789-1790

Tradução: «O clero (a) e a nobreza (b), apoiando-se mutuamente, pedem esmolas ao Terceiro Estado (c), mas de maneira muito diferente, esta por meio da tirania e aquele com a linguagem do charlatanismo.»

① Temei a Deus.   ② Pagai, senão...

www.parismuseescollections.paris.fr/fr/musee-carnavalet/oeuvres/les-aumones-du-tiers-etat (consultado em setembro de 2023).

Documento 3

Considerações de Jean-Joseph Mounier 1 sobre a organização do poder político (1789)

 O povo francês quer a liberdade; esta palavra sagrada abarca todos os direitos de que o homem deve usufruir em sociedade. […] A liberdade pertence a todos os homens […]. […] Para evitar que um cidadão atente contra a liberdade de outrem, é necessário definir direitos e deveres comuns […], estabelecer regras […] que vinculem todos os membros da sociedade.

5 Portanto, é a autoridade da lei que garante a liberdade geral; é a lei que destrói o império da força […]. […]

 Assim, a prepotência […] é a mais cruel inimiga da liberdade, [pois] nada mais é que o poder arbitrário […]; neste sentido, o despotismo de um monarca absoluto consiste na prepotência de um só […]. […] Para impedir a tirania, é indispensável não misturar o poder legislativo com

10 o executivo. […] Todos os povos devem […] delegar o exercício dos poderes, […] dividi-los e definir os seus limites […]. […]

 [T]oda a autoridade emana da Nação: […] se todos os poderes emanam do povo, convém à sua felicidade que […] conserve a influência necessária para evitar que os depositários dos seus poderes deles façam um uso contrário aos seus interesses. […]

15  A representação do povo […] é verdadeiramente a mais bela, a mais feliz de todas as instituições políticas. […] O poder legislativo não deve ser confiado a homens sem fortuna, que não teriam nem o tempo nem o saber suficientes para se dedicarem com sucesso à causa pública; mas, através da representação, estabelecem-se laços de fraternidade entre os ricos e os que são forçados a trabalhar para a sua subsistência. […]

20  Examinando os princípios que devem regular a organização do governo francês, nunca esqueçamos que, para prevenir o despotismo, é necessário impedir a concentração dos poderes […]. Que meios utilizar para impedir que o rei abuse da autoridade pública para satisfazer os seus desejos privados e monopolizar o poder legislativo? Estes meios são muito simples e bem conhecidos: assembleias nacionais permanentes; […] liberdade de imprensa;

25 […] todos os cidadãos diretamente interessados na causa pública.

www.persee.fr/doc/arcpa_0000-0000_1875_num_8_1_6381_t2_0407_0000_3 (consultado em setembro de 2023). (Texto traduzido e adaptado)

1 deputado do Terceiro Estado na assembleia dos Estados Gerais de 1789, reunida em Versalhes.

1. Desenvolva o tema A desestruturação do Antigo Regime no contexto intelectual da Europa do século XVIII, articulando os tópicos de orientação seguintes:

organização do poder e estrutura social no Antigo Regime;

conceções sociais e políticas dos filósofos iluministas.

Na sua resposta,

apresente três elementos para cada tópico de orientação, evidenciando a relação entre os elementos dos dois tópicos;

integre, pelo menos, uma informação relevante de cada um dos documentos 1, 2 e 3.

Grupo II - 2 · Antigo Regime: absolutismo, sociedade de ordens, mercantilismo e Luzes

2. Complete o texto seguinte, selecionando a opção adequada para cada espaço.

Na folha de respostas, registe apenas as letras e o número que corresponde à opção selecionada em cada um dos casos.

O aumento das necessidades financeiras dos Estados modernos conduziu, num contexto de grande competição no comércio transoceânico, ao triunfo do

a)

,

que avaliava a riqueza de um país pela quantidade de

b)

que possuísse. Esta doutrina aplicava políticas protecionistas, que só a emergência do liberalismo questionou, com pensadores como

c)

a defenderem economias assentes na teoria do

d)

.

a)

b)

c)

d)

1. fisiocratismo

1. metais preciosos

1. Jean-Baptiste Colbert

1. livre-cambismo

2. mercantilismo

2. efetivos militares

2. Hugo Grotius

2. intervencionismo estatal

3. colonialismo

3. recursos agrícolas

3. Adam Smith

3. exclusivo colonial

Grupo II - 3 · As revoluções liberais e a implantação do liberalismo em Portugal

GRUPO II

A CRISE DO ANTIGO REGIME: PODER, SOCIEDADE, ECONOMIA

Documento 1

Política e cultura na Europa do século XVIII

https://tinyurl.com/4a372en6 (consultado em setembro de 2023). (Adaptado)

Documento 2

«As esmolas do Terceiro Estado», gravura francesa anónima, c. 1789-1790

Tradução: «O clero (a) e a nobreza (b), apoiando-se mutuamente, pedem esmolas ao Terceiro Estado (c), mas de maneira muito diferente, esta por meio da tirania e aquele com a linguagem do charlatanismo.»

① Temei a Deus.   ② Pagai, senão...

www.parismuseescollections.paris.fr/fr/musee-carnavalet/oeuvres/les-aumones-du-tiers-etat (consultado em setembro de 2023).

Documento 3

Considerações de Jean-Joseph Mounier 1 sobre a organização do poder político (1789)

 O povo francês quer a liberdade; esta palavra sagrada abarca todos os direitos de que o homem deve usufruir em sociedade. […] A liberdade pertence a todos os homens […]. […] Para evitar que um cidadão atente contra a liberdade de outrem, é necessário definir direitos e deveres comuns […], estabelecer regras […] que vinculem todos os membros da sociedade.

5 Portanto, é a autoridade da lei que garante a liberdade geral; é a lei que destrói o império da força […]. […]

 Assim, a prepotência […] é a mais cruel inimiga da liberdade, [pois] nada mais é que o poder arbitrário […]; neste sentido, o despotismo de um monarca absoluto consiste na prepotência de um só […]. […] Para impedir a tirania, é indispensável não misturar o poder legislativo com

10 o executivo. […] Todos os povos devem […] delegar o exercício dos poderes, […] dividi-los e definir os seus limites […]. […]

 [T]oda a autoridade emana da Nação: […] se todos os poderes emanam do povo, convém à sua felicidade que […] conserve a influência necessária para evitar que os depositários dos seus poderes deles façam um uso contrário aos seus interesses. […]

15  A representação do povo […] é verdadeiramente a mais bela, a mais feliz de todas as instituições políticas. […] O poder legislativo não deve ser confiado a homens sem fortuna, que não teriam nem o tempo nem o saber suficientes para se dedicarem com sucesso à causa pública; mas, através da representação, estabelecem-se laços de fraternidade entre os ricos e os que são forçados a trabalhar para a sua subsistência. […]

20  Examinando os princípios que devem regular a organização do governo francês, nunca esqueçamos que, para prevenir o despotismo, é necessário impedir a concentração dos poderes […]. Que meios utilizar para impedir que o rei abuse da autoridade pública para satisfazer os seus desejos privados e monopolizar o poder legislativo? Estes meios são muito simples e bem conhecidos: assembleias nacionais permanentes; […] liberdade de imprensa;

25 […] todos os cidadãos diretamente interessados na causa pública.

www.persee.fr/doc/arcpa_0000-0000_1875_num_8_1_6381_t2_0407_0000_3 (consultado em setembro de 2023). (Texto traduzido e adaptado)

1 deputado do Terceiro Estado na assembleia dos Estados Gerais de 1789, reunida em Versalhes.

3. Ao afirmar que o poder legislativo «não deve ser confiado a homens sem fortuna» (documento 3, linha 16), Jean-Joseph Mounier preconiza uma das características dos regimes liberais oitocentistas, nomeadamente

Grupo III · Portugal da Primeira República ao Estado Novo (1910-1945)

GRUPO III

RUTURAS POLÍTICAS E PROBLEMAS ECONÓMICOS EM PORTUGAL NAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX

Documento 1 (conjunto documental)

A – General Gomes da Costa: «Este homem tem a força. Ajudemos este homem a salvar Portugal!»

B – Caricatura alusiva à situação socioeconómica em Portugal no contexto da Primeira Guerra Mundial.

C – Panfleto do Secretariado de Propaganda Nacional.

D – Panfleto anónimo e clandestino de contestação política, na sequência do golpe de 28 de Maio.

Identificação das fontes

Documento 1 (conjunto documental)

A – https://tinyurl.com/mwescs6c (consultado em setembro de 2023); B – https://tinyurl.com/3bfbx5a4 (consultado em setembro de 2023); C – https://tinyurl.com/btdk56uc (consultado em setembro de 2023); D – https://tinyurl.com/2p8m49u7 (consultado em setembro de 2023).

Documento 2

Intervenção de Alberto Pinheiro Torres 1 na Câmara dos Deputados

(22/12/1925)

Sr. Presidente: […] só o interesse nacional, e não o partidário, inspira as palavras que vou dizer. […] Mais um governo. […] É o record do mundo da instabilidade governamental, […] é a crise política permanente, é a ausência de autoridade e poder, é, em suma, a anarquia e a desordem em que o regime agoniza, impenitente. […]

5 O que nos alenta e revigora são os admiráveis movimentos de ressurgimento nacional […]. […] Esse movimento há de erguer-se para esmagar precisamente esses que […] ainda não souberam pôr acima de todas as suas conveniências partidárias […] os interesses da nação. […] Nós não nos podemos afastar do grande movimento geral. O dilema que foi posto ao mundo é este: ou o fascismo, […] que está alastrando pela Europa, ou o bolchevismo. Se o fascismo

10 triunfar, a civilização salva-se, se é o bolchevismo que triunfa, voltamos à barbárie […]. […]

Na verdade, […] toda a responsabilidade do atual estado de coisas deve-se ao Partido Democrático, que é, afinal, com breves intervalos, quem tem governado o país desde 5 de outubro de 1910. […]

E tem […] o país vivido com satisfação? Não. Ele tem vivido na verdade com indignação

15 e por vezes com ódio, […] [mas] sempre que se lhe tem deparado o ensejo para fugir a essa pesada e por vezes cruel ditadura, tem-se aproveitado dele com verdadeira satisfação. É ver […] esse período de repouso em que dominou Sidónio Pais, o grande morto, a quem ainda há dias um dos mais altos espíritos da França contemporânea chamava: Mussolini avant la lettre 2. […] Para o vencerem […] foi preciso matá-lo, e o seu assassino, impune, creio que vive

20 sob a proteção do Estado. […] Ainda em abril deste ano se fez uma tentativa para libertar o país do domínio democrático. […] Quando um país tem um governo que o não satisfaz, a revolução é sempre inevitável. […]

Sr. Presidente, […] vou tratar agora […] de um outro problema que me parece urgentíssimo. É o problema financeiro. […] [O]s governantes adotaram como norma a máxima desordem. E

25 é interessante que a declaração ministerial fala em equilíbrio orçamental, quando há anos não temos sequer orçamentos. […] Depois, o défice aumenta de uma forma assombrosa, […] e as contribuições estão pesando enormemente sobre a vida nacional […]. […] E os aumentos de circulação fiduciária 3 ?! Toda a economia nacional desprezada. […] [F]oi o mesmo Presidente do Conselho […] que autorizou esses aumentos e deu ordem à panificação para aumentar o

30 preço do pão e diminuir-lhe o peso.

https://debates.parlamento.pt/catalogo/r1/cd/01/07/01/009/1925-12-22 (consultado em setembro de 2023). (Texto adaptado)

1 deputado eleito nas listas do Partido Monárquico. Foi membro fundador do Centro Católico Português; aderiu ao Integralismo Lusitano.

2 no sentido de precursor do fascismo.

3 notas de banco.

1.

Ordene cronologicamente as imagens A, B, C e D (documento 1), relativas a diferentes contextos políticos em Portugal nas primeiras décadas do século XX.

Escreva a sequência correta das letras (por exemplo: B, A, D, C ou B - A - D - C).

2.

Explicite duas características da situação da economia portuguesa no primeiro pós-guerra.

Fundamente uma das características com uma informação relevante da imagem B do documento 1 e a outra característica com um excerto relevante do documento 2.

3.

A turbulência política interna e as emergentes tensões ideológicas no campo internacional conduziram, nos anos 20, à ascensão de forças políticas conservadoras em Portugal.

Exponha dois argumentos que sustentem esta afirmação, fundamentando-os com excertos relevantes do documento 2.

Grupo III - 4 · Portugal da Primeira República ao Estado Novo (1910-1945)

GRUPO III

RUTURAS POLÍTICAS E PROBLEMAS ECONÓMICOS EM PORTUGAL NAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX

Documento 1 (conjunto documental)

A – General Gomes da Costa: «Este homem tem a força. Ajudemos este homem a salvar Portugal!»

B – Caricatura alusiva à situação socioeconómica em Portugal no contexto da Primeira Guerra Mundial.

C – Panfleto do Secretariado de Propaganda Nacional.

D – Panfleto anónimo e clandestino de contestação política, na sequência do golpe de 28 de Maio.

Identificação das fontes

Documento 1 (conjunto documental)

A – https://tinyurl.com/mwescs6c (consultado em setembro de 2023); B – https://tinyurl.com/3bfbx5a4 (consultado em setembro de 2023); C – https://tinyurl.com/btdk56uc (consultado em setembro de 2023); D – https://tinyurl.com/2p8m49u7 (consultado em setembro de 2023).

Documento 2

Intervenção de Alberto Pinheiro Torres 1 na Câmara dos Deputados

(22/12/1925)

Sr. Presidente: […] só o interesse nacional, e não o partidário, inspira as palavras que vou dizer. […] Mais um governo. […] É o record do mundo da instabilidade governamental, […] é a crise política permanente, é a ausência de autoridade e poder, é, em suma, a anarquia e a desordem em que o regime agoniza, impenitente. […]

5 O que nos alenta e revigora são os admiráveis movimentos de ressurgimento nacional […]. […] Esse movimento há de erguer-se para esmagar precisamente esses que […] ainda não souberam pôr acima de todas as suas conveniências partidárias […] os interesses da nação. […] Nós não nos podemos afastar do grande movimento geral. O dilema que foi posto ao mundo é este: ou o fascismo, […] que está alastrando pela Europa, ou o bolchevismo. Se o fascismo

10 triunfar, a civilização salva-se, se é o bolchevismo que triunfa, voltamos à barbárie […]. […]

Na verdade, […] toda a responsabilidade do atual estado de coisas deve-se ao Partido Democrático, que é, afinal, com breves intervalos, quem tem governado o país desde 5 de outubro de 1910. […]

E tem […] o país vivido com satisfação? Não. Ele tem vivido na verdade com indignação

15 e por vezes com ódio, […] [mas] sempre que se lhe tem deparado o ensejo para fugir a essa pesada e por vezes cruel ditadura, tem-se aproveitado dele com verdadeira satisfação. É ver […] esse período de repouso em que dominou Sidónio Pais, o grande morto, a quem ainda há dias um dos mais altos espíritos da França contemporânea chamava: Mussolini avant la lettre 2. […] Para o vencerem […] foi preciso matá-lo, e o seu assassino, impune, creio que vive

20 sob a proteção do Estado. […] Ainda em abril deste ano se fez uma tentativa para libertar o país do domínio democrático. […] Quando um país tem um governo que o não satisfaz, a revolução é sempre inevitável. […]

Sr. Presidente, […] vou tratar agora […] de um outro problema que me parece urgentíssimo. É o problema financeiro. […] [O]s governantes adotaram como norma a máxima desordem. E

25 é interessante que a declaração ministerial fala em equilíbrio orçamental, quando há anos não temos sequer orçamentos. […] Depois, o défice aumenta de uma forma assombrosa, […] e as contribuições estão pesando enormemente sobre a vida nacional […]. […] E os aumentos de circulação fiduciária 3 ?! Toda a economia nacional desprezada. […] [F]oi o mesmo Presidente do Conselho […] que autorizou esses aumentos e deu ordem à panificação para aumentar o

30 preço do pão e diminuir-lhe o peso.

https://debates.parlamento.pt/catalogo/r1/cd/01/07/01/009/1925-12-22 (consultado em setembro de 2023). (Texto adaptado)

1 deputado eleito nas listas do Partido Monárquico. Foi membro fundador do Centro Católico Português; aderiu ao Integralismo Lusitano.

2 no sentido de precursor do fascismo.

3 notas de banco.

4. A mensagem do panfleto clandestino, reproduzido na imagem D do documento 1, reflete

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Grupo III - 5 · Portugal da Primeira República ao Estado Novo (1910-1945)

GRUPO III

RUTURAS POLÍTICAS E PROBLEMAS ECONÓMICOS EM PORTUGAL NAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX

Documento 1 (conjunto documental)

A – General Gomes da Costa: «Este homem tem a força. Ajudemos este homem a salvar Portugal!»

B – Caricatura alusiva à situação socioeconómica em Portugal no contexto da Primeira Guerra Mundial.

C – Panfleto do Secretariado de Propaganda Nacional.

D – Panfleto anónimo e clandestino de contestação política, na sequência do golpe de 28 de Maio.

Identificação das fontes

Documento 1 (conjunto documental)

A – https://tinyurl.com/mwescs6c (consultado em setembro de 2023); B – https://tinyurl.com/3bfbx5a4 (consultado em setembro de 2023); C – https://tinyurl.com/btdk56uc (consultado em setembro de 2023); D – https://tinyurl.com/2p8m49u7 (consultado em setembro de 2023).

Documento 2

Intervenção de Alberto Pinheiro Torres 1 na Câmara dos Deputados

(22/12/1925)

Sr. Presidente: […] só o interesse nacional, e não o partidário, inspira as palavras que vou dizer. […] Mais um governo. […] É o record do mundo da instabilidade governamental, […] é a crise política permanente, é a ausência de autoridade e poder, é, em suma, a anarquia e a desordem em que o regime agoniza, impenitente. […]

5 O que nos alenta e revigora são os admiráveis movimentos de ressurgimento nacional […]. […] Esse movimento há de erguer-se para esmagar precisamente esses que […] ainda não souberam pôr acima de todas as suas conveniências partidárias […] os interesses da nação. […] Nós não nos podemos afastar do grande movimento geral. O dilema que foi posto ao mundo é este: ou o fascismo, […] que está alastrando pela Europa, ou o bolchevismo. Se o fascismo

10 triunfar, a civilização salva-se, se é o bolchevismo que triunfa, voltamos à barbárie […]. […]

Na verdade, […] toda a responsabilidade do atual estado de coisas deve-se ao Partido Democrático, que é, afinal, com breves intervalos, quem tem governado o país desde 5 de outubro de 1910. […]

E tem […] o país vivido com satisfação? Não. Ele tem vivido na verdade com indignação

15 e por vezes com ódio, […] [mas] sempre que se lhe tem deparado o ensejo para fugir a essa pesada e por vezes cruel ditadura, tem-se aproveitado dele com verdadeira satisfação. É ver […] esse período de repouso em que dominou Sidónio Pais, o grande morto, a quem ainda há dias um dos mais altos espíritos da França contemporânea chamava: Mussolini avant la lettre 2. […] Para o vencerem […] foi preciso matá-lo, e o seu assassino, impune, creio que vive

20 sob a proteção do Estado. […] Ainda em abril deste ano se fez uma tentativa para libertar o país do domínio democrático. […] Quando um país tem um governo que o não satisfaz, a revolução é sempre inevitável. […]

Sr. Presidente, […] vou tratar agora […] de um outro problema que me parece urgentíssimo. É o problema financeiro. […] [O]s governantes adotaram como norma a máxima desordem. E

25 é interessante que a declaração ministerial fala em equilíbrio orçamental, quando há anos não temos sequer orçamentos. […] Depois, o défice aumenta de uma forma assombrosa, […] e as contribuições estão pesando enormemente sobre a vida nacional […]. […] E os aumentos de circulação fiduciária 3 ?! Toda a economia nacional desprezada. […] [F]oi o mesmo Presidente do Conselho […] que autorizou esses aumentos e deu ordem à panificação para aumentar o

30 preço do pão e diminuir-lhe o peso.

https://debates.parlamento.pt/catalogo/r1/cd/01/07/01/009/1925-12-22 (consultado em setembro de 2023). (Texto adaptado)

1 deputado eleito nas listas do Partido Monárquico. Foi membro fundador do Centro Católico Português; aderiu ao Integralismo Lusitano.

2 no sentido de precursor do fascismo.

3 notas de banco.

5. As afirmações seguintes, sobre a ideologia e a prática política do regime salazarista, são todas verdadeiras.

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Identifique as duas afirmações que podem ser comprovadas através da análise da imagem C do documento 1.

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Grupo IV - 1 · O mundo bipolar: Guerra Fria, Estado-Providência, descolonização e construção europeia

GRUPO IV

O SISTEMA GEOPOLÍTICO DA GUERRA FRIA E O SEU DESFECHO

Documento 1

Impactos na Europa do fim da Guerra Fria, segundo John J. Mearsheimer 1 (1990)

Se a Guerra Fria terminar, penso que aumentará bastante a probabilidade de grandes crises e de guerras na Europa [...]. Numa Europa sem as superpotências, é provável que, nas próximas décadas, [...] haja mais propensão para a violência do que nos últimos 45 anos. [...] [A] ausência de guerra na Europa, desde 1945, foi consequência de três fatores: a distribuição bipolar do poder militar no continente; a idêntica capacidade militar [...] dos Estados Unidos e da União Soviética; e o facto de ambas as superpotências estarem armadas com um vasto arsenal nuclear. [...]

No pós-Guerra Fria, os dois Estados mais poderosos da Europa serão provavelmente a Alemanha e a União Soviética. [...] A Europa Ocidental não mudará muito, embora os Estados desta região tenham de se preocupar com uma possível ameaça alemã no seu flanco oriental. O potencial de conflito [...] será considerável. [...] Sem militares estacionados nos Estados adjacentes à Alemanha, nem soviéticos nem norte-americanos poderão ajudar a conter o poder alemão. [...]

No rescaldo da Guerra Fria, o cenário mais provável será o de maior proliferação nuclear na Europa. Este prognóstico está carregado de perigos [...]. [...] Proliferação desmedida, mesmo que bem gerida, aumentará os riscos resultantes de haver muitos dedos no botão nuclear – acidente, uso não autorizado ou irracional, ou captura por terroristas. [...]

Os custos da Guerra Fria foram, sem dúvida, consideráveis. [...] Consumiu riqueza nacional ao originar grandes e dispendiosas estruturas defensivas [...]. Multiplicou conflitos sangrentos no Terceiro Mundo. [...] Contudo, os custos materiais e humanos [...] foram bem menores que os da ordem europeia de 1900-1945, com a sua enorme violência e sofrimento. [...]

Ao Ocidente interessa assegurar a paz na Europa. Interessa-lhe, portanto, manter a ordem da Guerra Fria [...]. Todavia, o epílogo da Guerra Fria está, sobretudo, nas mãos da União Soviética, [...] [que] é a única superpotência que pode ameaçar seriamente invadir a Europa; a ameaça soviética é a cola que mantém a NATO unida. Afastada essa ameaça, é provável que os Estados Unidos abandonem o continente e que a aliança defensiva que lideram há quarenta anos se desintegre. Isto acabaria com a ordem bipolar que tem caracterizado a Europa nos últimos 45 anos.

John J. Mearsheimer, «Back to the future: instability in Europe after the Cold War», in International security, 15/1 (1990), pp. 5-56. (Texto traduzido e adaptado)

1 professor de Ciência Política na Universidade de Chicago, EUA.

Documento 2

Impactos na Europa do fim da Guerra Fria, segundo Stephen Van Evera 1 (1990)

Alguns observadores advertem que a Europa pode voltar ao seu passado belicoso logo que as superpotências desapareçam. Tal visão sustenta que um sistema bipolar é intrinsecamente mais pacífico que um multipolar. [...]

Defendo que [...] estas visões pessimistas assentam em receios infundados e que o risco [...] é baixo. As guerras europeias deste século resultaram sobretudo de fatores militares e de condições internas que, em grande parte, desapareceram e não voltam. [...] O retorno ao multipolarismo não colocará especiais riscos [...]. A Alemanha passou por uma transformação social que removeu as raízes da sua agressividade pretérita, e é expectável que uma Alemanha reunificada permaneça um membro responsável da Comunidade Europeia. [...]

A possibilidade da proliferação nuclear deve ser vista como benéfica para a paz na Europa. A proliferação comportará riscos óbvios. [...] Contudo, estes riscos podem ser controlados pelas atuais potências nucleares. [...] Se a proliferação for contida e controlada [...], pode reforçar a paz na Europa ao inviabilizar as [guerras de] conquista. [...]

É plausível [...] que os Estados Unidos continuem a exercer um papel ativo no equilíbrio, pelo menos, da Europa Ocidental, mesmo depois da retirada soviética da Europa de Leste. Por isso, é improvável que, na nova Europa, ressurja o perigo de equilíbrios diplomáticos instáveis. [...] O mundo do pós-Guerra Fria ainda não emergiu, mas os primeiros sinais indicam que os que preveem uma completa retirada norte-americana da Europa estão enganados.

Stephen Van Evera, «Primed for peace: Europe after the Cold War», in International security, 15/3 (1990), pp. 7-57. (Texto traduzido e adaptado)

1 professor de Ciência Política no Massachusetts Institute of Technology, EUA.

1. Refira duas consequências geopolíticas do clima de Guerra Fria que marcou a segunda metade do século XX.

Fundamente cada uma das consequências com um excerto relevante do documento 1.

Grupo IV - 2 · O mundo bipolar: Guerra Fria, Estado-Providência, descolonização e construção europeia

2. No quadro seguinte, apresentam-se características do capitalismo norte-americano e do socialismo soviético, identificadas pelas alíneas de a) a e).

Selecione as duas características do capitalismo norte-americano.

Grupo IV - 3 · O mundo atual: fim da Guerra Fria, mundo unipolar, União Europeia e globalização

Considere as seguintes características da República Popular da China na era Deng, tendo por termo de comparação o período do comunismo maoísta:

I. Fortes assimetrias sociais devidas ao maior investimento externo no litoral urbano face ao interior.

II. Laboração de empresas multinacionais nas zonas urbanas, no quadro do socialismo de mercado.

III. Sistema político de partido único, assente na repressão de direitos e liberdades individuais.

Selecione a opção que avalia corretamente as características, considerando as ruturas e as continuidades entre os dois períodos.

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Grupo IV - 4 · O mundo atual: fim da Guerra Fria, mundo unipolar, União Europeia e globalização

GRUPO IV

O SISTEMA GEOPOLÍTICO DA GUERRA FRIA E O SEU DESFECHO

Documento 1

Impactos na Europa do fim da Guerra Fria, segundo John J. Mearsheimer 1 (1990)

Se a Guerra Fria terminar, penso que aumentará bastante a probabilidade de grandes crises e de guerras na Europa [...]. Numa Europa sem as superpotências, é provável que, nas próximas décadas, [...] haja mais propensão para a violência do que nos últimos 45 anos. [...] [A] ausência de guerra na Europa, desde 1945, foi consequência de três fatores: a distribuição bipolar do poder militar no continente; a idêntica capacidade militar [...] dos Estados Unidos e da União Soviética; e o facto de ambas as superpotências estarem armadas com um vasto arsenal nuclear. [...]

No pós-Guerra Fria, os dois Estados mais poderosos da Europa serão provavelmente a Alemanha e a União Soviética. [...] A Europa Ocidental não mudará muito, embora os Estados desta região tenham de se preocupar com uma possível ameaça alemã no seu flanco oriental. O potencial de conflito [...] será considerável. [...] Sem militares estacionados nos Estados adjacentes à Alemanha, nem soviéticos nem norte-americanos poderão ajudar a conter o poder alemão. [...]

No rescaldo da Guerra Fria, o cenário mais provável será o de maior proliferação nuclear na Europa. Este prognóstico está carregado de perigos [...]. [...] Proliferação desmedida, mesmo que bem gerida, aumentará os riscos resultantes de haver muitos dedos no botão nuclear – acidente, uso não autorizado ou irracional, ou captura por terroristas. [...]

Os custos da Guerra Fria foram, sem dúvida, consideráveis. [...] Consumiu riqueza nacional ao originar grandes e dispendiosas estruturas defensivas [...]. Multiplicou conflitos sangrentos no Terceiro Mundo. [...] Contudo, os custos materiais e humanos [...] foram bem menores que os da ordem europeia de 1900-1945, com a sua enorme violência e sofrimento. [...]

Ao Ocidente interessa assegurar a paz na Europa. Interessa-lhe, portanto, manter a ordem da Guerra Fria [...]. Todavia, o epílogo da Guerra Fria está, sobretudo, nas mãos da União Soviética, [...] [que] é a única superpotência que pode ameaçar seriamente invadir a Europa; a ameaça soviética é a cola que mantém a NATO unida. Afastada essa ameaça, é provável que os Estados Unidos abandonem o continente e que a aliança defensiva que lideram há quarenta anos se desintegre. Isto acabaria com a ordem bipolar que tem caracterizado a Europa nos últimos 45 anos.

John J. Mearsheimer, «Back to the future: instability in Europe after the Cold War», in International security, 15/1 (1990), pp. 5-56. (Texto traduzido e adaptado)

1 professor de Ciência Política na Universidade de Chicago, EUA.

Documento 2

Impactos na Europa do fim da Guerra Fria, segundo Stephen Van Evera 1 (1990)

Alguns observadores advertem que a Europa pode voltar ao seu passado belicoso logo que as superpotências desapareçam. Tal visão sustenta que um sistema bipolar é intrinsecamente mais pacífico que um multipolar. [...]

Defendo que [...] estas visões pessimistas assentam em receios infundados e que o risco [...] é baixo. As guerras europeias deste século resultaram sobretudo de fatores militares e de condições internas que, em grande parte, desapareceram e não voltam. [...] O retorno ao multipolarismo não colocará especiais riscos [...]. A Alemanha passou por uma transformação social que removeu as raízes da sua agressividade pretérita, e é expectável que uma Alemanha reunificada permaneça um membro responsável da Comunidade Europeia. [...]

A possibilidade da proliferação nuclear deve ser vista como benéfica para a paz na Europa. A proliferação comportará riscos óbvios. [...] Contudo, estes riscos podem ser controlados pelas atuais potências nucleares. [...] Se a proliferação for contida e controlada [...], pode reforçar a paz na Europa ao inviabilizar as [guerras de] conquista. [...]

É plausível [...] que os Estados Unidos continuem a exercer um papel ativo no equilíbrio, pelo menos, da Europa Ocidental, mesmo depois da retirada soviética da Europa de Leste. Por isso, é improvável que, na nova Europa, ressurja o perigo de equilíbrios diplomáticos instáveis. [...] O mundo do pós-Guerra Fria ainda não emergiu, mas os primeiros sinais indicam que os que preveem uma completa retirada norte-americana da Europa estão enganados.

Stephen Van Evera, «Primed for peace: Europe after the Cold War», in International security, 15/3 (1990), pp. 7-57. (Texto traduzido e adaptado)

1 professor de Ciência Política no Massachusetts Institute of Technology, EUA.

4. Compare as duas perspetivas sobre o equilíbrio político europeu do pós-Guerra Fria, expressas nos documentos 1 e 2, quanto a dois aspetos em que se opõem.

Fundamente a sua resposta com excertos relevantes dos dois documentos.

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