Exame Nacional Português 2026 · 2.ª fase

Exame Nacional de Português 2026, 2.ª fase: 11 exercícios com resolução. Temas: Lírica de Camões e Romantismo: Garrett e Camilo. Com correção imediata.

Temas do exame: Lírica de Camões · Romantismo: Garrett e Camilo · Fernando Pessoa: ortónimo e heterónimos · Saramago, contos e poesia contemporânea · Compreensão de texto não literário · Gramática · Texto de opinião

Grupo I - 1 · Saramago, contos e poesia contemporânea

Leia os dois poemas e as notas.

Poema 1

AGORA AS PALAVRAS

Obedecem-me agora muito menos,

as palavras. A propósito

de nada resmungam, não fazem

caso do que lhes digo,

5 não respeitam a minha idade.

Provavelmente fartaram-se da rédea,

não me perdoam

a mão rigorosa, a indiferença

pelo fogo de artifício.

10 Eu gosto delas, nunca tive outra

paixão, e elas durante muitos anos

também gostaram de mim: dançavam

à minha roda quando as encontrava.

Com elas fazia o lume,

15 sustentava os meus dias, mas agora

estão ariscas 1, escapam-se por entre

as mãos, arreganham os dentes

se tento retê-las. Ou será que

já só procuro as mais encabritadas 2 ?

Eugénio de Andrade, O Sal da Língua, 2.ª ed., Porto, Fundação Eugénio de Andrade, 1996, p. 35.

NOTAS

1 ariscas – esquivas; fugidias.

2 encabritadas – empinadas; agitadas; enfurecidas.

Poema 2

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,

Não há nada mais simples.

Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.

Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.

5 Sou fácil de definir.

Vi como um danado.

Amei as coisas sem sentimentalidade nenhuma.

Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.

Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.

10 Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;

Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.

Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.

Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.

Fechei os olhos e dormi.

15 Além disso, fui o único poeta da Natureza.

Fernando Pessoa, Poesia de Alberto Caeiro, edição de Fernando Cabral Martins e Richard Zenith, 3.ª ed., Lisboa, Assírio & Alvim, 2009, p. 110.

1. No Poema 1, quanto à relação do sujeito poético com as palavras, verifica-se uma oposição entre dois tempos: o presente («agora», vv. 1 e 15) e o passado («durante muitos anos», v. 11).

Refira duas alterações sentidas pelo sujeito poético na sua relação com as palavras.

Grupo I - 2 · Fernando Pessoa: ortónimo e heterónimos

Leia os dois poemas e as notas.

Poema 1

AGORA AS PALAVRAS

Obedecem-me agora muito menos,

as palavras. A propósito

de nada resmungam, não fazem

caso do que lhes digo,

5 não respeitam a minha idade.

Provavelmente fartaram-se da rédea,

não me perdoam

a mão rigorosa, a indiferença

pelo fogo de artifício.

10 Eu gosto delas, nunca tive outra

paixão, e elas durante muitos anos

também gostaram de mim: dançavam

à minha roda quando as encontrava.

Com elas fazia o lume,

15 sustentava os meus dias, mas agora

estão ariscas 1, escapam-se por entre

as mãos, arreganham os dentes

se tento retê-las. Ou será que

já só procuro as mais encabritadas 2 ?

Eugénio de Andrade, O Sal da Língua, 2.ª ed., Porto, Fundação Eugénio de Andrade, 1996, p. 35.

NOTAS

1 ariscas – esquivas; fugidias.

2 encabritadas – empinadas; agitadas; enfurecidas.

Poema 2

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,

Não há nada mais simples.

Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.

Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.

5 Sou fácil de definir.

Vi como um danado.

Amei as coisas sem sentimentalidade nenhuma.

Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.

Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.

10 Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;

Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.

Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.

Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.

Fechei os olhos e dormi.

15 Além disso, fui o único poeta da Natureza.

Fernando Pessoa, Poesia de Alberto Caeiro, edição de Fernando Cabral Martins e Richard Zenith, 3.ª ed., Lisboa, Assírio & Alvim, 2009, p. 110.

2. Explique o modo como, em cada poema, o sujeito poético perspetiva a escrita – poética, num caso, e de uma eventual biografia, no outro caso –, fundamentando a sua resposta em transcrições textuais pertinentes.

Grupo I - 3 · Fernando Pessoa: ortónimo e heterónimos

Leia os dois poemas e as notas.

Poema 1

AGORA AS PALAVRAS

Obedecem-me agora muito menos,

as palavras. A propósito

de nada resmungam, não fazem

caso do que lhes digo,

5 não respeitam a minha idade.

Provavelmente fartaram-se da rédea,

não me perdoam

a mão rigorosa, a indiferença

pelo fogo de artifício.

10 Eu gosto delas, nunca tive outra

paixão, e elas durante muitos anos

também gostaram de mim: dançavam

à minha roda quando as encontrava.

Com elas fazia o lume,

15 sustentava os meus dias, mas agora

estão ariscas 1, escapam-se por entre

as mãos, arreganham os dentes

se tento retê-las. Ou será que

já só procuro as mais encabritadas 2 ?

Eugénio de Andrade, O Sal da Língua, 2.ª ed., Porto, Fundação Eugénio de Andrade, 1996, p. 35.

NOTAS

1 ariscas – esquivas; fugidias.

2 encabritadas – empinadas; agitadas; enfurecidas.

Poema 2

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,

Não há nada mais simples.

Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.

Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.

5 Sou fácil de definir.

Vi como um danado.

Amei as coisas sem sentimentalidade nenhuma.

Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.

Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.

10 Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;

Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.

Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.

Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.

Fechei os olhos e dormi.

15 Além disso, fui o único poeta da Natureza.

Fernando Pessoa, Poesia de Alberto Caeiro, edição de Fernando Cabral Martins e Richard Zenith, 3.ª ed., Lisboa, Assírio & Alvim, 2009, p. 110.

3. Complete o texto seguinte, selecionando a opção adequada a cada espaço.

Nos poemas, o estado emocional de cada um dos sujeitos poéticos difere substancialmente.

De facto, no poema de Eugénio de Andrade, o sujeito poético conclui o seu discurso com uma interrogação que

(a)

,

enquanto, no poema de Alberto Caeiro, a estrofe final

(b)

.

(a)

(b)

()

()

Grupo I · Romantismo: Garrett e Camilo

PARTE B

Leia o texto e as notas.

MANUEL

Oh minha filha, minha filha! (Silêncio longo.) Desgraçada filha, que ficas órfã!... Órfã de pai e de mãe... (Pausa.)... e de família e de nome, que tudo perdeste hoje... (Levanta-se com violenta aflição.) A desgraçada nunca os teve! — Oh Jorge, que esta lembrança é que me mata, que 5 me desespera! (Apertando a mão do irmão, que se levantou após dele e o está consolando do gesto.) É o castigo terrível do meu erro... se foi erro... crime sei que não foi. E sabe-o Deus, Jorge, e castigou-me assim, meu irmão!

JORGE

Paciência, paciência: os seus juízos são imperscrutáveis 1. (Acalma e faz sentar o irmão: 10 tornam a ficar ambos como estavam.)

MANUEL

Mas eu em que mereci ser feito o homem mais infeliz da terra, posto de alvo à irrisão 2 e ao discursar do vulgo 3 ?... Manuel de Sousa Coutinho, o filho de Lopo de Sousa Coutinho, o filho de nosso pai, Jorge!

15 JORGE

Tu chamas-te o homem mais infeliz da terra... Já te esqueceste que ainda está vivo aquele...

MANUEL, caindo em si

É verdade. (Pausa; e depois, como quem se desdiz.) Mas não é, nem tanto: padeceu mais, padeceu mais longamente, e bebeu até às fezes o cálix 4 das amarguras humanas... (Levantando 20 a voz.) Mas fui eu, eu que lho preparei, eu que lho dei a beber, pelas mãos... inocentes mãos!... dessa infeliz que arrastei na minha queda, que lancei nesse abismo de vergonha, a quem cobri as faces — as faces puras, e que não tinham corado doutro pejo 5 senão do da virtude e do recato... cobri-lhas de um véu d'infâmia que nem a morte há de levantar, porque lhe fica, perpétuo e para sempre, lançado sobre o túmulo a cobrir-lhe a memória de sombras... de 25 manchas que se não lavam! — Fui eu o autor de tudo isto, o autor da minha desgraça e da sua desonra deles... Sei-o, conheço-o; e não sou mais infeliz que nenhum?

JORGE

Vê a palavra que disseste, «desonra»: lembra-te dela e de ti, e considera se podes pleitear 6 misérias com esse homem a quem Deus não quis acudir com a morte antes de conhecer 30 essoutra agonia maior. — Ele não tem...

MANUEL

Ele não tem uma filha como eu, desgraçado... (Pausa.) — uma filha bela, pura, adorada, sobre cuja cabeça — oh, porque não é na minha! — vai cair toda essa desonra, toda a ignomínia 7, todo o opróbrio 8 que a injustiça do mundo, não sei porquê, me não quer lançar no rosto a mim, 35 para pôr tudo na testa branca e pura de um anjo que não tem outra culpa senão a da origem que eu lhe dei.

Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa, edição de João Dionísio,

Lisboa, INCM, 2022, pp. 237-239.

NOTAS

1 imperscrutáveis – insondáveis; misteriosos.

2 irrisão – chacota; escárnio; zombaria.

3 vulgo – povo.

4 cálix – cálice.

5 pejo – acanhamento; vergonha; pudor.

6 pleitear – disputar.

7 ignomínia – infâmia; desonra.

8 opróbrio – desonra e humilhação públicas.

4.

Infira dois traços da personalidade de Manuel evidenciados no excerto apresentado, fundamentando a sua resposta com elementos textuais pertinentes.

5.

Explicite dois objetivos subjacentes às falas de Jorge.

Grupo I - 6 · Romantismo: Garrett e Camilo

PARTE B

Leia o texto e as notas.

MANUEL

Oh minha filha, minha filha! (Silêncio longo.) Desgraçada filha, que ficas órfã!... Órfã de pai e de mãe... (Pausa.)... e de família e de nome, que tudo perdeste hoje... (Levanta-se com violenta aflição.) A desgraçada nunca os teve! — Oh Jorge, que esta lembrança é que me mata, que 5 me desespera! (Apertando a mão do irmão, que se levantou após dele e o está consolando do gesto.) É o castigo terrível do meu erro... se foi erro... crime sei que não foi. E sabe-o Deus, Jorge, e castigou-me assim, meu irmão!

JORGE

Paciência, paciência: os seus juízos são imperscrutáveis 1. (Acalma e faz sentar o irmão: 10 tornam a ficar ambos como estavam.)

MANUEL

Mas eu em que mereci ser feito o homem mais infeliz da terra, posto de alvo à irrisão 2 e ao discursar do vulgo 3 ?... Manuel de Sousa Coutinho, o filho de Lopo de Sousa Coutinho, o filho de nosso pai, Jorge!

15 JORGE

Tu chamas-te o homem mais infeliz da terra... Já te esqueceste que ainda está vivo aquele...

MANUEL, caindo em si

É verdade. (Pausa; e depois, como quem se desdiz.) Mas não é, nem tanto: padeceu mais, padeceu mais longamente, e bebeu até às fezes o cálix 4 das amarguras humanas... (Levantando 20 a voz.) Mas fui eu, eu que lho preparei, eu que lho dei a beber, pelas mãos... inocentes mãos!... dessa infeliz que arrastei na minha queda, que lancei nesse abismo de vergonha, a quem cobri as faces — as faces puras, e que não tinham corado doutro pejo 5 senão do da virtude e do recato... cobri-lhas de um véu d'infâmia que nem a morte há de levantar, porque lhe fica, perpétuo e para sempre, lançado sobre o túmulo a cobrir-lhe a memória de sombras... de 25 manchas que se não lavam! — Fui eu o autor de tudo isto, o autor da minha desgraça e da sua desonra deles... Sei-o, conheço-o; e não sou mais infeliz que nenhum?

JORGE

Vê a palavra que disseste, «desonra»: lembra-te dela e de ti, e considera se podes pleitear 6 misérias com esse homem a quem Deus não quis acudir com a morte antes de conhecer 30 essoutra agonia maior. — Ele não tem...

MANUEL

Ele não tem uma filha como eu, desgraçado... (Pausa.) — uma filha bela, pura, adorada, sobre cuja cabeça — oh, porque não é na minha! — vai cair toda essa desonra, toda a ignomínia 7, todo o opróbrio 8 que a injustiça do mundo, não sei porquê, me não quer lançar no rosto a mim, 35 para pôr tudo na testa branca e pura de um anjo que não tem outra culpa senão a da origem que eu lhe dei.

Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa, edição de João Dionísio,

Lisboa, INCM, 2022, pp. 237-239.

NOTAS

1 imperscrutáveis – insondáveis; misteriosos.

2 irrisão – chacota; escárnio; zombaria.

3 vulgo – povo.

4 cálix – cálice.

5 pejo – acanhamento; vergonha; pudor.

6 pleitear – disputar.

7 ignomínia – infâmia; desonra.

8 opróbrio – desonra e humilhação públicas.

6. Identifique, de entre as afirmações referentes à obra Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett, as três afirmações que podem ser comprovadas através da leitura do excerto apresentado.

Selecione as três opções corretas.

Grupo I - 7 · Lírica de Camões

PARTE C

7. Na lírica de Luís de Camões, vários poemas evidenciam uma reflexão sobre diferentes aspetos da existência humana, por exemplo, sentimentos, experiências pessoais, relação com os outros.

Escreva uma breve exposição na qual comprove a afirmação anterior, baseando-se na sua experiência de leitura da poesia lírica camoniana.

A sua exposição deve incluir:

uma introdução ao tema;

um desenvolvimento no qual explicite duas reflexões sobre a existência humana, presentes na lírica de Camões, fundamentando cada uma delas com referência a poemas lidos;

uma conclusão adequada ao desenvolvimento do tema.

Grupo II - 1 · Compreensão de texto não literário

GRUPO II

Leia o texto.

Hoje em dia, revela-se mais difícil mobilizar as crianças para a aprendizagem, se a entendermos como um processo desenvolvido a longo prazo, que inclui momentos de grande encantamento, com atividades entusiasmantes e mobilizadoras, mas também tarefas repetitivas, que necessitam de investimento, concentração, paciência e perseverança por parte dos alunos. É precisamente neste último ponto que reside a dificuldade em cativar as novas gerações para os desafios escolares, quando estes contrariam a tendência para a rapidez, a fugacidade da atenção, o imediatismo e a volatilidade de interesses.

A prevalência desta postura pode ser explicada pela sobrevalorização do pensamento rápido, que domina na atualidade. Considerado como um progresso civilizacional, este tipo de pensamento opõe-se ao pensamento lento, encarado como um retrocesso temporal. Chegados a este ponto, a pergunta que se impõe é a seguinte: será que esta visão é correta e está a ser favorável para a própria sociedade que a criou?

[...]

Elsa de Barros, «As virtudes do pensamento lento», Público – P2, 10 de março de 2024, p. 22. (Texto adaptado)

1. De acordo com as ideias expressas pela autora nos dois primeiros parágrafos, hoje em dia, torna-se difícil mobilizar as crianças para a aprendizagem, pelo facto de

Grupo II - 2 · Compreensão de texto não literário

Antes de responder a esta questão, podemos fazer o seguinte exercício: imaginemo-nos a regressar ao cenário da vida selvagem, na qual um animal tem de dividir a sua atenção por diversas atividades para que, enquanto come, não acabe por ser comido. A consequência não é difícil de antever: o animal vê-se impossibilitado de se concentrar profundamente naquilo que tem diante de si, pois tem de estar permanentemente alerta em relação àquilo que está atrás de si. Paradoxalmente, muitas das atividades mais valorizadas na atualidade, como a multitarefa e muitas atividades digitais, privilegiam este tipo de mecanismos que geram uma atenção ampla, mas rasa, semelhante à de um animal selvagem. Tal como refere o filósofo Byung-Chul Han na obra Sociedade do Cansaço, «as mais recentes evoluções sociais e a mudança de estrutura da atenção aproximam a sociedade humana da vida selvagem».

De acordo com a sua análise, estamos a assistir a uma deslocação de um tipo de atenção profunda para uma forma de atenção radicalmente distinta — a hiperatenção —, que se caracteriza por uma rápida mudança de foco entre diversas atividades, fontes informativas e processos. Esta forma de atenção multitarefa não corresponde, na sua opinião, a um progresso, mas, bem pelo contrário, a um retrocesso civilizacional.

Também é esta a visão do médico e cientista Lamberto Maffei, que aborda a diferença entre o pensamento rápido e o pensamento lento no livro com o emblemático título Elogio da Lentidão. De acordo com a sua explicação, o cérebro humano possui dois tipos de mecanismos: os primeiros são mecanismos ancestrais rápidos de resposta ao ambiente; enquanto os segundos, de carácter mais lento, se desenvolvem mais tarde e são fruto do raciocínio.

De carácter automático ou semiautomático, os primeiros mecanismos são essenciais para a sobrevivência [...]. Já a segunda modalidade, própria dos animais superiores, é inerente ao controlo de um ser humano sobre a sua própria vida, ao seu relacionamento com os outros indivíduos e com o meio ambiente.

2. Entre as linhas 13 e 36, a autora socorre-se de um exemplo e de dois argumentos de autoridade, com a intenção de demonstrar que

Grupo II · Compreensão de texto não literário

De acordo com a sua análise, estamos a assistir a uma deslocação de um tipo de atenção profunda para uma forma de atenção radicalmente distinta — a hiperatenção —, que se caracteriza por uma rápida mudança de foco entre diversas atividades, fontes informativas e processos. Esta forma de atenção multitarefa não corresponde, na sua opinião, a um progresso, mas, bem pelo contrário, a um retrocesso civilizacional.

[...]

Mas esta revolução tem os seus riscos. Uma excessiva prevalência dos mecanismos rápidos do pensamento, designados por pensamento rápido ou digital, pode implicar soluções e comportamentos errados, danos na educação e, em geral, na vivência civil.

3.

O fenómeno que dá pelo nome de «hiperatenção» (linha 24) é perspetivado como

4.

Ao longo do texto, a autora defende a tese de que, na atualidade, se assiste

Grupo II - 5 · Gramática

5. Ao longo do texto, há diversos mecanismos que contribuem para a coesão gramatical referencial, nomeadamente o uso de elementos textuais como

Grupo II - 6 · Gramática

6. As expressões «tem de estar» (linha 17) e «pode implicar» (linha 45) exprimem

()

Grupo II - 7 · Gramática

7. A oração «mobilizar as crianças para a aprendizagem» (linha 1) desempenha a função sintática de

()

Grupo III · Texto de opinião

GRUPO III

Cada indivíduo tem a sua própria visão do mundo, baseada quer nas suas experiências pessoais, quer nos conhecimentos adquiridos na escola.

Num texto de opinião bem estruturado, com um mínimo de duzentas e um máximo de trezentas e cinquenta palavras, defenda uma perspetiva pessoal sobre o contributo das experiências pessoais e dos conhecimentos adquiridos na escola para o enriquecimento da visão que cada indivíduo constrói do mundo.

No seu texto:

explicite, de forma clara e pertinente, o seu ponto de vista, fundamentando-o em dois argumentos, cada um deles ilustrado com um exemplo significativo;

utilize um discurso valorativo (juízo de valor explícito ou implícito);

formule uma conclusão adequada à argumentação desenvolvida.

Observações:

1. Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco, mesmo quando esta integre elementos ligados por hífen (ex.: /dir-se-ia/). Qualquer número conta como uma única palavra, independentemente do número de algarismos que o constituam (ex.: /2026/).

2. Relativamente ao desvio dos limites de extensão indicados – entre duzentas e trezentas e cinquenta palavras –, há que atender ao seguinte:

um desvio dos limites de extensão indicados implica uma desvalorização parcial (até 5 pontos) do texto produzido;

um texto com extensão inferior a oitenta palavras é classificado com zero pontos.

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