Exame Nacional Português 2026 · 1.ª fase

Exame Nacional de Português 2026, 1.ª fase: 9 exercícios com resolução. Temas: Realismo: Eça de Queirós e Cesário Verde. Com correção imediata.

Temas do exame: Realismo: Eça de Queirós e Cesário Verde · Saramago, contos e poesia contemporânea · Compreensão de texto não literário · Gramática · Apreciação crítica de uma imagem

Grupo I · Saramago, contos e poesia contemporânea

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

PARTE A

Leia a contextualização, os dois textos e as notas. A fim de facilitar a eventual referência a elementos textuais, as linhas são numeradas sequencialmente.

Contextualização

Em Memorial do Convento, a ação decorre no século XVIII. No excerto apresentado, Baltasar Mateus, também conhecido por Sete-Sóis, é um soldado que acaba de chegar a Lisboa, vindo de Évora, onde permaneceu durante alguns meses. Aí adquiriu um gancho e um espigão de ferro que lhe substituíram a mão esquerda, perdida durante a guerra da Sucessão Espanhola.

Em O Ano da Morte de Ricardo Reis, a ação decorre no século XX. No excerto selecionado, o protagonista, Ricardo Reis, recém-chegado do Brasil, após dezasseis anos de ausência, deambula pelas ruas da Baixa de Lisboa.

Com pouco dinheiro no bolsilho, umas só moedas de cobre que soavam bem menos que os

ferros do alforge 1, desembarcado numa cidade que mal conhecia, tinha Baltasar de resolver

que passos daria a seguir, se a Mafra onde não poderia a sua única mão pegar numa enxada

que requer duas, se ao paço onde talvez lhe dessem uma esmola por conta do sangue perdido.

5 Alguém lhe tinha dito isto em Évora, mas também lhe foram dizendo que era necessário pedir

muito e por muito tempo, com muito empenho de padrinhos, e apesar disso muitas vezes se

apagava a voz e acabava a vida antes que se visse a cor ao dinheiro. Na falta, aí estavam as

irmandades para a esmola e as portarias dos conventos que proviam ao caldo e ao tassalho 2

do pão. E um homem a quem falte a mão canhota não tem muito de que se queixar se ainda

10 lhe ficou a destra para pedir a quem passa. Ou exigir com um ferro aguçado.

Sete-Sóis atravessou o mercado do peixe. As vendedeiras gritavam desbocadamente

aos compradores, provocavam-nos, sacudiam os braços carregados de braceletes de ouro,

batiam juras no peito onde se reuniam fios, cruzes, berloques, cordões, tudo de bom ouro

brasileiro, assim como os longos e pesados brincos ou argolas, arrecadas ricas que valiam

15 a mulher. Mas, no meio da multidão suja, eram miraculosamente asseadas, como se as não

tocasse sequer o cheiro do peixe que removiam às mãos cheias. À porta duma taberna que

ficava ao lado da casa dos diamantes, Baltasar comprou três sardinhas assadas, que, sobre a

indispensável fatia de pão, soprando e mordiscando, comeu enquanto caminhava em direção

ao Terreiro do Paço.

José Saramago, Memorial do Convento, 27.ª ed., Lisboa, Caminho, 1998, pp. 41-42.

20 Agora, sai, urbanamente deu as boas-tardes, e agradecendo saiu pela porta da Rua dos

Correeiros, esta que dá para a grande babilónia de ferro e vidro 3 que é a Praça da Figueira,

ainda agitada, porém nada que se possa comparar com as horas da manhã, ruidosas de gritos

e pregões até ao paroxismo 4. Respira-se uma atmosfera composta de mil cheiros intensos,

a couve esmagada e murcha, a excrementos de coelho, a penas de galinha escaldadas,

25 a sangue, a pele esfolada. Andam a lavar as bancadas, as ruas interiores, com baldes e

agulheta, e ásperos piaçabas, ouve-se de vez em quando um arrastar metálico, depois um

estrondo, foi uma porta ondulada que se fechou. Ricardo Reis rodeou a praça pelo sul, entrou

na Rua dos Douradores, quase não chovia já, por isso pôde fechar o guarda-chuva, olhar para

cima, e ver as altas frontarias de cinza parda, as fileiras de janelas à mesma altura, as de

30 peitoril, as de sacada, com as monótonas cantarias prolongando-se pelo enfiamento da rua,

até se confundirem em delgadas faixas verticais, cada vez mais estreitas, mas não tanto que

se escondessem num ponto de fuga, porque lá ao fundo, aparentemente cortando o caminho,

levanta-se um prédio da Rua da Conceição, igual de cor, de janelas e de grades, feito segundo

o mesmo risco, ou de mínima diferença, todos porejando 5 sombra e humidade, libertando

35 nos saguões 6 o cheiro dos esgotos rachados, com esparsas baforadas de gás, como não

haveriam de ter as faces pálidas os caixeiros que vêm até à porta das lojas, com as suas batas

ou guarda-pós 7 de paninho cinzento, o lápis de tinta entalado na orelha, o ar enfadado de ser

hoje segunda-feira e não ter o domingo valido a pena.

José Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis, 17.ª ed., Lisboa, Caminho, 2007, pp. 41-42.

NOTAS

1 alforge – saco dividido em dois compartimentos, que se transporta ao ombro ou sobre o cavalo.

2 tassalho – naco; pedaço.

3 grande babilónia de ferro e vidro – referência à confusão e à desordem que existia no edifício do mercado da Praça da Figueira, em Lisboa, feito de ferro e de vidro.

4 paroxismo – auge; momento de maior intensidade.

5 porejando – destilando pelos poros.

6 saguões – pátios estreitos e descobertos, que separam as traseiras de prédios.

7 guarda-pós – peças de vestuário que se usam por cima de outra roupa para a proteger do pó.

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

1.

Releia o primeiro parágrafo do excerto extraído de Memorial do Convento.

Explicite o dilema com o qual Baltasar se debate, tendo em conta tanto a sua condição física como a sua condição económica.

2.

Na descrição dos ambientes representados nos dois excertos, ganham relevo os estímulos sensoriais.

Compare o ambiente do mercado do peixe em Memorial do Convento (linhas 11 a 16) com o ambiente do mercado da Praça da Figueira em O Ano da Morte de Ricardo Reis (linhas 23 a 27), com base em duas sensações distintas captadas pelos sentidos, relativamente a cada um desses ambientes.

Grupo I - 3 · Saramago, contos e poesia contemporânea

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

PARTE A

Leia a contextualização, os dois textos e as notas. A fim de facilitar a eventual referência a elementos textuais, as linhas são numeradas sequencialmente.

Contextualização

Em Memorial do Convento, a ação decorre no século XVIII. No excerto apresentado, Baltasar Mateus, também conhecido por Sete-Sóis, é um soldado que acaba de chegar a Lisboa, vindo de Évora, onde permaneceu durante alguns meses. Aí adquiriu um gancho e um espigão de ferro que lhe substituíram a mão esquerda, perdida durante a guerra da Sucessão Espanhola.

Em O Ano da Morte de Ricardo Reis, a ação decorre no século XX. No excerto selecionado, o protagonista, Ricardo Reis, recém-chegado do Brasil, após dezasseis anos de ausência, deambula pelas ruas da Baixa de Lisboa.

Com pouco dinheiro no bolsilho, umas só moedas de cobre que soavam bem menos que os

ferros do alforge 1, desembarcado numa cidade que mal conhecia, tinha Baltasar de resolver

que passos daria a seguir, se a Mafra onde não poderia a sua única mão pegar numa enxada

que requer duas, se ao paço onde talvez lhe dessem uma esmola por conta do sangue perdido.

5 Alguém lhe tinha dito isto em Évora, mas também lhe foram dizendo que era necessário pedir

muito e por muito tempo, com muito empenho de padrinhos, e apesar disso muitas vezes se

apagava a voz e acabava a vida antes que se visse a cor ao dinheiro. Na falta, aí estavam as

irmandades para a esmola e as portarias dos conventos que proviam ao caldo e ao tassalho 2

do pão. E um homem a quem falte a mão canhota não tem muito de que se queixar se ainda

10 lhe ficou a destra para pedir a quem passa. Ou exigir com um ferro aguçado.

Sete-Sóis atravessou o mercado do peixe. As vendedeiras gritavam desbocadamente

aos compradores, provocavam-nos, sacudiam os braços carregados de braceletes de ouro,

batiam juras no peito onde se reuniam fios, cruzes, berloques, cordões, tudo de bom ouro

brasileiro, assim como os longos e pesados brincos ou argolas, arrecadas ricas que valiam

15 a mulher. Mas, no meio da multidão suja, eram miraculosamente asseadas, como se as não

tocasse sequer o cheiro do peixe que removiam às mãos cheias. À porta duma taberna que

ficava ao lado da casa dos diamantes, Baltasar comprou três sardinhas assadas, que, sobre a

indispensável fatia de pão, soprando e mordiscando, comeu enquanto caminhava em direção

ao Terreiro do Paço.

José Saramago, Memorial do Convento, 27.ª ed., Lisboa, Caminho, 1998, pp. 41-42.

20 Agora, sai, urbanamente deu as boas-tardes, e agradecendo saiu pela porta da Rua dos

Correeiros, esta que dá para a grande babilónia de ferro e vidro 3 que é a Praça da Figueira,

ainda agitada, porém nada que se possa comparar com as horas da manhã, ruidosas de gritos

e pregões até ao paroxismo 4. Respira-se uma atmosfera composta de mil cheiros intensos,

a couve esmagada e murcha, a excrementos de coelho, a penas de galinha escaldadas,

25 a sangue, a pele esfolada. Andam a lavar as bancadas, as ruas interiores, com baldes e

agulheta, e ásperos piaçabas, ouve-se de vez em quando um arrastar metálico, depois um

estrondo, foi uma porta ondulada que se fechou. Ricardo Reis rodeou a praça pelo sul, entrou

na Rua dos Douradores, quase não chovia já, por isso pôde fechar o guarda-chuva, olhar para

cima, e ver as altas frontarias de cinza parda, as fileiras de janelas à mesma altura, as de

30 peitoril, as de sacada, com as monótonas cantarias prolongando-se pelo enfiamento da rua,

até se confundirem em delgadas faixas verticais, cada vez mais estreitas, mas não tanto que

se escondessem num ponto de fuga, porque lá ao fundo, aparentemente cortando o caminho,

levanta-se um prédio da Rua da Conceição, igual de cor, de janelas e de grades, feito segundo

o mesmo risco, ou de mínima diferença, todos porejando 5 sombra e humidade, libertando

35 nos saguões 6 o cheiro dos esgotos rachados, com esparsas baforadas de gás, como não

haveriam de ter as faces pálidas os caixeiros que vêm até à porta das lojas, com as suas batas

ou guarda-pós 7 de paninho cinzento, o lápis de tinta entalado na orelha, o ar enfadado de ser

hoje segunda-feira e não ter o domingo valido a pena.

José Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis, 17.ª ed., Lisboa, Caminho, 2007, pp. 41-42.

NOTAS

1 alforge – saco dividido em dois compartimentos, que se transporta ao ombro ou sobre o cavalo.

2 tassalho – naco; pedaço.

3 grande babilónia de ferro e vidro – referência à confusão e à desordem que existia no edifício do mercado da Praça da Figueira, em Lisboa, feito de ferro e de vidro.

4 paroxismo – auge; momento de maior intensidade.

5 porejando – destilando pelos poros.

6 saguões – pátios estreitos e descobertos, que separam as traseiras de prédios.

7 guarda-pós – peças de vestuário que se usam por cima de outra roupa para a proteger do pó.

3. Complete o texto seguinte, selecionando a opção adequada a cada espaço.

Assinale, na folha de respostas, para cada letra, o número da opção selecionada.

No excerto compreendido entre «Ricardo Reis rodeou a praça» (linha 27) e «sombra e humidade» (linha 34), o narrador privilegia o ponto de vista de Ricardo Reis sobre a cidade de Lisboa, destacando-se, nessa passagem, a ideia de (a) ______.

Já no excerto compreendido entre «como não» (linha 35) e «valido a pena» (linha 38), é a visão subjetiva do narrador que prevalece, quando este reflete sobre (b) ______.

(a)

(b)

()

()

Grupo I · Realismo: Eça de Queirós e Cesário Verde

PARTE B

Leia as cinco estrofes seguintes, extraídas da primeira parte do poema «O Sentimento dum Ocidental», de Cesário Verde, e as notas.

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!

De um couraçado 1 inglês vogam os escaleres 2;

E em terra num tinir de louças e talheres

Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.

5 Num trem de praça arengam 3 dois dentistas;

Um trôpego arlequim braceja numas andas;

Os querubins 4 do lar flutuam nas varandas;

Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!

Vazam-se os arsenais e as oficinas;

10 Reluz, viscoso, o rio; apressam-se as obreiras 5;

E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,

Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vêm sacudindo as ancas opulentas!

Seus troncos varonis recordam-me pilastras 6;

15 E algumas, à cabeça, embalam nas canastras

Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

Descalças! Nas descargas de carvão,

Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;

E apinham-se num bairro aonde miam gatas,

20 E o peixe podre gera os focos de infeção!

Cesário Verde, Cânticos do Realismo. O Livro de Cesário Verde, Lisboa, INCM, 2015, p. 123.

NOTAS

1 couraçado – navio de guerra.

2 escaleres – pequenas embarcações para transporte de pessoas de um navio para terra.

3 arengam – discutem.

4 querubins – anjos.

5 obreiras – trabalhadoras.

6 pilastras – pilares; colunas.

4.

Refira duas situações observadas pelo sujeito poético – uma relativa à cidade de Lisboa e outra relativa aos seus tipos sociais – nas quais sejam evidentes os contrastes no modo como são representados estes elementos da paisagem física e humana.

5.

Explicite dois sentimentos revelados pelo sujeito poético, tendo em conta o modo como este descreve as varinas. Fundamente cada um desses sentimentos através da referência a um recurso expressivo relevante, ilustrado com um elemento textual.

Grupo I - 6 · Realismo: Eça de Queirós e Cesário Verde

PARTE B

Leia as cinco estrofes seguintes, extraídas da primeira parte do poema «O Sentimento dum Ocidental», de Cesário Verde, e as notas.

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!

De um couraçado 1 inglês vogam os escaleres 2;

E em terra num tinir de louças e talheres

Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.

5 Num trem de praça arengam 3 dois dentistas;

Um trôpego arlequim braceja numas andas;

Os querubins 4 do lar flutuam nas varandas;

Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!

Vazam-se os arsenais e as oficinas;

10 Reluz, viscoso, o rio; apressam-se as obreiras 5;

E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,

Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vêm sacudindo as ancas opulentas!

Seus troncos varonis recordam-me pilastras 6;

15 E algumas, à cabeça, embalam nas canastras

Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

Descalças! Nas descargas de carvão,

Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;

E apinham-se num bairro aonde miam gatas,

20 E o peixe podre gera os focos de infeção!

Cesário Verde, Cânticos do Realismo. O Livro de Cesário Verde, Lisboa, INCM, 2015, p. 123.

NOTAS

1 couraçado – navio de guerra.

2 escaleres – pequenas embarcações para transporte de pessoas de um navio para terra.

3 arengam – discutem.

4 querubins – anjos.

5 obreiras – trabalhadoras.

6 pilastras – pilares; colunas.

Identifique, de entre as afirmações referentes à poesia de Cesário Verde, as três afirmações que podem ser comprovadas através da leitura das estrofes do poema «O Sentimento dum Ocidental» apresentadas.

.

Grupo I - 7 · Saramago, contos e poesia contemporânea

PARTE C

7. A denúncia das condições de vida do povo está presente em obras de José Saramago, nomeadamente em Memorial do Convento e em O Ano da Morte de Ricardo Reis.

Escreva uma breve exposição na qual comprove a veracidade da afirmação anterior, baseando-se na sua experiência de leitura de Memorial do Convento ou de O Ano da Morte de Ricardo Reis.

A sua exposição deve incluir:

uma introdução ao tema;

um desenvolvimento no qual explicite duas situações ou dois momentos em que a denúncia das condições de vida do povo seja evidente, fundamentando cada um desses aspetos em, pelo menos, um exemplo significativo;

uma conclusão adequada ao desenvolvimento do tema.

Comece por indicar, na folha de respostas, o título da obra por si selecionada.

Grupo II · Compreensão de texto não literário

GRUPO II

Leia o texto e as notas.

Embora a música tenha milénios de existência, o seu conhecimento histórico é relativamente recente. A sua escrita apenas se consolida a partir do século XV, com a expansão e o aperfeiçoamento dos sistemas de notação, enquanto a reprodução de áudio surge só no final do século XIX. Sendo uma arte temporal, manifesta-se no tempo, tornando cada performance 1 um acontecimento único e irrepetível.

Existe um tipo de música cujos instrumentos não são nem piano, nem violino, nem guitarra, mas uma orquestra composta por edifícios, ruas, praças, fontanários e aves. A paisagem sonora característica de cada cidade ou bairro. Aquilo que escutamos quando abrimos uma janela ou nos sentamos numa praça.

A deliciosa harmonia composta pela mistura única de pessoas a falar ou de crianças a brincar; o som da buzina de um barco ao longe; o canto das andorinhas ou das cigarras no verão; um carpinteiro a pregar umas tábuas algures na vizinhança; ou alguém a ensaiar uma canção dentro do seu apartamento. A combinação de sons mais definidos, perto de nós, complementados pela mistura homogénea de fundo, ao longe. A vida e a cidade a pulsarem.

Como resistir às sinfoniettas 2 das entranhas dos centros históricos de cidades como Lisboa e de tantas outras, com as ruas estreitas a imporem um desarmante contraste com as vias principais, logo após se contornar uma ou duas esquinas? A atmosfera tranquila composta por sons de pessoas misturados com o sino da igreja, o carrinho de compras de uma senhora a subir a rua, ou os guinchos das gaivotas em terra.

Ou de cidades aquáticas, como Veneza, ou dos mercados flutuantes que vemos pela Ásia, onde predomina o som do movimento da água a ser rasgada pelas inúmeras embarcações, complementando o dos transeuntes e vendilhões.

Ou ainda de cidades como Istambul ou Marraquexe, com aqueles cinco momentos do dia em que o chamamento à oração — o adhan — é anunciado a partir dos altifalantes instalados nos minaretes das várias mesquitas espalhadas pelos bairros. Aquele recitar de palavras em tom hipnótico, ligeiramente distorcido pelos sistemas de amplificação de áudio. A entrada em cena dessincronizada, resultante dos pequenos desacertos horários, levando ao gradual acumular de camadas sonoras, em crescendo, tal como numa fuga 3 do género musical clássico ocidental.

A acústica do instrumento-cidade é favorecida pelo urbanismo tradicional de edifícios contínuos, em quarteirão, por oposição à cidade feita de blocos dispersos. As ruas formadas por frentes edificadas propagam os sons mais delicados; os logradouros fechados favorecem o eco; as praças enclausuradas demarcam melhor a sua música da música das ruas envolventes, tornando-a mais nítida.

A ameaça óbvia a este património é a poluição sonora causada pelo automóvel ou pelo avião, cuja presença tudo abafa. Um problema que tenderá a ser mitigado com a progressiva transição dos motores de combustão para motores elétricos silenciosos. Será uma revolução na qualidade do ambiente das cidades. Mas também há as ameaças menos óbvias, como a abusiva reprodução de música amplificada no espaço público que, hoje, contamina qualquer ponto turístico.

A invisível paisagem sonora é, provavelmente, a qualidade mais subvalorizada das nossas cidades e habitações, mas de enorme importância para o nosso bem-estar — que não se pode resumir ao conforto visual, espacial ou térmico dos nossos ambientes.

Um património frágil e de difícil proteção. Podemos desviar o olhar, mas o som não pede permissão. E não experimentamos música sem a sua contraparte: o silêncio, a folha branca. Tal como as cidades não se fazem apenas de massas edificadas, precisam do seu contraponto: ruas e praças — as telas vazias que recebem a vida humana a acontecer em conjunto, em sociedade.

Miguel Marcelino, «Paisagem sonora», Público – P2, 28 de setembro de 2025, p. 22. (Texto adaptado)

NOTAS

1 performance – desempenho; exibição em público.

2 sinfoniettas – sinfonias curtas, para pequena orquestra ou orquestra de câmara.

3 fuga – género de música em que as partes se repetem sucessivamente e parecem fugir umas das outras, finalizando sempre em consonâncias.

1.

Nos dois parágrafos iniciais, o autor do texto procura

2.

Na expressão «paisagem sonora» (linhas 7 e 8), evidencia-se o recurso

Grupo II - 3 · Compreensão de texto não literário

GRUPO II

Leia o texto e as notas.

Embora a música tenha milénios de existência, o seu conhecimento histórico é relativamente recente. A sua escrita apenas se consolida a partir do século XV, com a expansão e o aperfeiçoamento dos sistemas de notação, enquanto a reprodução de áudio surge só no final do século XIX. Sendo uma arte temporal, manifesta-se no tempo, tornando cada performance 1 um acontecimento único e irrepetível.

Existe um tipo de música cujos instrumentos não são nem piano, nem violino, nem guitarra, mas uma orquestra composta por edifícios, ruas, praças, fontanários e aves. A paisagem sonora característica de cada cidade ou bairro. Aquilo que escutamos quando abrimos uma janela ou nos sentamos numa praça.

A deliciosa harmonia composta pela mistura única de pessoas a falar ou de crianças a brincar; o som da buzina de um barco ao longe; o canto das andorinhas ou das cigarras no verão; um carpinteiro a pregar umas tábuas algures na vizinhança; ou alguém a ensaiar uma canção dentro do seu apartamento. A combinação de sons mais definidos, perto de nós, complementados pela mistura homogénea de fundo, ao longe. A vida e a cidade a pulsarem.

Como resistir às sinfoniettas 2 das entranhas dos centros históricos de cidades como Lisboa e de tantas outras, com as ruas estreitas a imporem um desarmante contraste com as vias principais, logo após se contornar uma ou duas esquinas? A atmosfera tranquila composta por sons de pessoas misturados com o sino da igreja, o carrinho de compras de uma senhora a subir a rua, ou os guinchos das gaivotas em terra.

Ou de cidades aquáticas, como Veneza, ou dos mercados flutuantes que vemos pela Ásia, onde predomina o som do movimento da água a ser rasgada pelas inúmeras embarcações, complementando o dos transeuntes e vendilhões.

Ou ainda de cidades como Istambul ou Marraquexe, com aqueles cinco momentos do dia em que o chamamento à oração — o adhan — é anunciado a partir dos altifalantes instalados nos minaretes das várias mesquitas espalhadas pelos bairros. Aquele recitar de palavras em tom hipnótico, ligeiramente distorcido pelos sistemas de amplificação de áudio. A entrada em cena dessincronizada, resultante dos pequenos desacertos horários, levando ao gradual acumular de camadas sonoras, em crescendo, tal como numa fuga 3 do género musical clássico ocidental.

A acústica do instrumento-cidade é favorecida pelo urbanismo tradicional de edifícios contínuos, em quarteirão, por oposição à cidade feita de blocos dispersos. As ruas formadas por frentes edificadas propagam os sons mais delicados; os logradouros fechados favorecem o eco; as praças enclausuradas demarcam melhor a sua música da música das ruas envolventes, tornando-a mais nítida.

A ameaça óbvia a este património é a poluição sonora causada pelo automóvel ou pelo avião, cuja presença tudo abafa. Um problema que tenderá a ser mitigado com a progressiva transição dos motores de combustão para motores elétricos silenciosos. Será uma revolução na qualidade do ambiente das cidades. Mas também há as ameaças menos óbvias, como a abusiva reprodução de música amplificada no espaço público que, hoje, contamina qualquer ponto turístico.

A invisível paisagem sonora é, provavelmente, a qualidade mais subvalorizada das nossas cidades e habitações, mas de enorme importância para o nosso bem-estar — que não se pode resumir ao conforto visual, espacial ou térmico dos nossos ambientes.

Um património frágil e de difícil proteção. Podemos desviar o olhar, mas o som não pede permissão. E não experimentamos música sem a sua contraparte: o silêncio, a folha branca. Tal como as cidades não se fazem apenas de massas edificadas, precisam do seu contraponto: ruas e praças — as telas vazias que recebem a vida humana a acontecer em conjunto, em sociedade.

Miguel Marcelino, «Paisagem sonora», Público – P2, 28 de setembro de 2025, p. 22. (Texto adaptado)

NOTAS

1 performance – desempenho; exibição em público.

2 sinfoniettas – sinfonias curtas, para pequena orquestra ou orquestra de câmara.

3 fuga – género de música em que as partes se repetem sucessivamente e parecem fugir umas das outras, finalizando sempre em consonâncias.

3.

Entre as linhas 10 e 34, o autor descreve diversos ambientes com a intenção de

Grupo II - 4 · Compreensão de texto não literário

GRUPO II

Leia o texto e as notas.

Embora a música tenha milénios de existência, o seu conhecimento histórico é relativamente recente. A sua escrita apenas se consolida a partir do século XV, com a expansão e o aperfeiçoamento dos sistemas de notação, enquanto a reprodução de áudio surge só no final do século XIX. Sendo uma arte temporal, manifesta-se no tempo, tornando cada performance 1 um acontecimento único e irrepetível.

Existe um tipo de música cujos instrumentos não são nem piano, nem violino, nem guitarra, mas uma orquestra composta por edifícios, ruas, praças, fontanários e aves. A paisagem sonora característica de cada cidade ou bairro. Aquilo que escutamos quando abrimos uma janela ou nos sentamos numa praça.

A deliciosa harmonia composta pela mistura única de pessoas a falar ou de crianças a brincar; o som da buzina de um barco ao longe; o canto das andorinhas ou das cigarras no verão; um carpinteiro a pregar umas tábuas algures na vizinhança; ou alguém a ensaiar uma canção dentro do seu apartamento. A combinação de sons mais definidos, perto de nós, complementados pela mistura homogénea de fundo, ao longe. A vida e a cidade a pulsarem.

Como resistir às sinfoniettas 2 das entranhas dos centros históricos de cidades como Lisboa e de tantas outras, com as ruas estreitas a imporem um desarmante contraste com as vias principais, logo após se contornar uma ou duas esquinas? A atmosfera tranquila composta por sons de pessoas misturados com o sino da igreja, o carrinho de compras de uma senhora a subir a rua, ou os guinchos das gaivotas em terra.

Ou de cidades aquáticas, como Veneza, ou dos mercados flutuantes que vemos pela Ásia, onde predomina o som do movimento da água a ser rasgada pelas inúmeras embarcações, complementando o dos transeuntes e vendilhões.

Ou ainda de cidades como Istambul ou Marraquexe, com aqueles cinco momentos do dia em que o chamamento à oração — o adhan — é anunciado a partir dos altifalantes instalados nos minaretes das várias mesquitas espalhadas pelos bairros. Aquele recitar de palavras em tom hipnótico, ligeiramente distorcido pelos sistemas de amplificação de áudio. A entrada em cena dessincronizada, resultante dos pequenos desacertos horários, levando ao gradual acumular de camadas sonoras, em crescendo, tal como numa fuga 3 do género musical clássico ocidental.

A acústica do instrumento-cidade é favorecida pelo urbanismo tradicional de edifícios contínuos, em quarteirão, por oposição à cidade feita de blocos dispersos. As ruas formadas por frentes edificadas propagam os sons mais delicados; os logradouros fechados favorecem o eco; as praças enclausuradas demarcam melhor a sua música da música das ruas envolventes, tornando-a mais nítida.

A ameaça óbvia a este património é a poluição sonora causada pelo automóvel ou pelo avião, cuja presença tudo abafa. Um problema que tenderá a ser mitigado com a progressiva transição dos motores de combustão para motores elétricos silenciosos. Será uma revolução na qualidade do ambiente das cidades. Mas também há as ameaças menos óbvias, como a abusiva reprodução de música amplificada no espaço público que, hoje, contamina qualquer ponto turístico.

A invisível paisagem sonora é, provavelmente, a qualidade mais subvalorizada das nossas cidades e habitações, mas de enorme importância para o nosso bem-estar — que não se pode resumir ao conforto visual, espacial ou térmico dos nossos ambientes.

Um património frágil e de difícil proteção. Podemos desviar o olhar, mas o som não pede permissão. E não experimentamos música sem a sua contraparte: o silêncio, a folha branca. Tal como as cidades não se fazem apenas de massas edificadas, precisam do seu contraponto: ruas e praças — as telas vazias que recebem a vida humana a acontecer em conjunto, em sociedade.

Miguel Marcelino, «Paisagem sonora», Público – P2, 28 de setembro de 2025, p. 22. (Texto adaptado)

NOTAS

1 performance – desempenho; exibição em público.

2 sinfoniettas – sinfonias curtas, para pequena orquestra ou orquestra de câmara.

3 fuga – género de música em que as partes se repetem sucessivamente e parecem fugir umas das outras, finalizando sempre em consonâncias.

4.

O autor conclui a sua reflexão, defendendo a ideia de que,

Grupo II - 5 · Gramática

GRUPO II

Leia o texto e as notas.

Embora a música tenha milénios de existência, o seu conhecimento histórico é relativamente recente. A sua escrita apenas se consolida a partir do século XV, com a expansão e o aperfeiçoamento dos sistemas de notação, enquanto a reprodução de áudio surge só no final do século XIX. Sendo uma arte temporal, manifesta-se no tempo, tornando cada performance 1 um acontecimento único e irrepetível.

Existe um tipo de música cujos instrumentos não são nem piano, nem violino, nem guitarra, mas uma orquestra composta por edifícios, ruas, praças, fontanários e aves. A paisagem sonora característica de cada cidade ou bairro. Aquilo que escutamos quando abrimos uma janela ou nos sentamos numa praça.

A deliciosa harmonia composta pela mistura única de pessoas a falar ou de crianças a brincar; o som da buzina de um barco ao longe; o canto das andorinhas ou das cigarras no verão; um carpinteiro a pregar umas tábuas algures na vizinhança; ou alguém a ensaiar uma canção dentro do seu apartamento. A combinação de sons mais definidos, perto de nós, complementados pela mistura homogénea de fundo, ao longe. A vida e a cidade a pulsarem.

Como resistir às sinfoniettas 2 das entranhas dos centros históricos de cidades como Lisboa e de tantas outras, com as ruas estreitas a imporem um desarmante contraste com as vias principais, logo após se contornar uma ou duas esquinas? A atmosfera tranquila composta por sons de pessoas misturados com o sino da igreja, o carrinho de compras de uma senhora a subir a rua, ou os guinchos das gaivotas em terra.

Ou de cidades aquáticas, como Veneza, ou dos mercados flutuantes que vemos pela Ásia, onde predomina o som do movimento da água a ser rasgada pelas inúmeras embarcações, complementando o dos transeuntes e vendilhões.

Ou ainda de cidades como Istambul ou Marraquexe, com aqueles cinco momentos do dia em que o chamamento à oração — o adhan — é anunciado a partir dos altifalantes instalados nos minaretes das várias mesquitas espalhadas pelos bairros. Aquele recitar de palavras em tom hipnótico, ligeiramente distorcido pelos sistemas de amplificação de áudio. A entrada em cena dessincronizada, resultante dos pequenos desacertos horários, levando ao gradual acumular de camadas sonoras, em crescendo, tal como numa fuga 3 do género musical clássico ocidental.

A acústica do instrumento-cidade é favorecida pelo urbanismo tradicional de edifícios contínuos, em quarteirão, por oposição à cidade feita de blocos dispersos. As ruas formadas por frentes edificadas propagam os sons mais delicados; os logradouros fechados favorecem o eco; as praças enclausuradas demarcam melhor a sua música da música das ruas envolventes, tornando-a mais nítida.

A ameaça óbvia a este património é a poluição sonora causada pelo automóvel ou pelo avião, cuja presença tudo abafa. Um problema que tenderá a ser mitigado com a progressiva transição dos motores de combustão para motores elétricos silenciosos. Será uma revolução na qualidade do ambiente das cidades. Mas também há as ameaças menos óbvias, como a abusiva reprodução de música amplificada no espaço público que, hoje, contamina qualquer ponto turístico.

A invisível paisagem sonora é, provavelmente, a qualidade mais subvalorizada das nossas cidades e habitações, mas de enorme importância para o nosso bem-estar — que não se pode resumir ao conforto visual, espacial ou térmico dos nossos ambientes.

Um património frágil e de difícil proteção. Podemos desviar o olhar, mas o som não pede permissão. E não experimentamos música sem a sua contraparte: o silêncio, a folha branca. Tal como as cidades não se fazem apenas de massas edificadas, precisam do seu contraponto: ruas e praças — as telas vazias que recebem a vida humana a acontecer em conjunto, em sociedade.

Miguel Marcelino, «Paisagem sonora», Público – P2, 28 de setembro de 2025, p. 22. (Texto adaptado)

NOTAS

1 performance – desempenho; exibição em público.

2 sinfoniettas – sinfonias curtas, para pequena orquestra ou orquestra de câmara.

3 fuga – género de música em que as partes se repetem sucessivamente e parecem fugir umas das outras, finalizando sempre em consonâncias.

5. Entre as linhas 6 e 22, a coesão lexical e a coesão gramatical referencial são asseguradas por mecanismos como

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Grupo II · Gramática

GRUPO II

Leia o texto e as notas.

Embora a música tenha milénios de existência, o seu conhecimento histórico é relativamente recente. A sua escrita apenas se consolida a partir do século XV, com a expansão e o aperfeiçoamento dos sistemas de notação, enquanto a reprodução de áudio surge só no final do século XIX. Sendo uma arte temporal, manifesta-se no tempo, tornando cada performance 1 um acontecimento único e irrepetível.

Existe um tipo de música cujos instrumentos não são nem piano, nem violino, nem guitarra, mas uma orquestra composta por edifícios, ruas, praças, fontanários e aves. A paisagem sonora característica de cada cidade ou bairro. Aquilo que escutamos quando abrimos uma janela ou nos sentamos numa praça.

A deliciosa harmonia composta pela mistura única de pessoas a falar ou de crianças a brincar; o som da buzina de um barco ao longe; o canto das andorinhas ou das cigarras no verão; um carpinteiro a pregar umas tábuas algures na vizinhança; ou alguém a ensaiar uma canção dentro do seu apartamento. A combinação de sons mais definidos, perto de nós, complementados pela mistura homogénea de fundo, ao longe. A vida e a cidade a pulsarem.

Como resistir às sinfoniettas 2 das entranhas dos centros históricos de cidades como Lisboa e de tantas outras, com as ruas estreitas a imporem um desarmante contraste com as vias principais, logo após se contornar uma ou duas esquinas? A atmosfera tranquila composta por sons de pessoas misturados com o sino da igreja, o carrinho de compras de uma senhora a subir a rua, ou os guinchos das gaivotas em terra.

Ou de cidades aquáticas, como Veneza, ou dos mercados flutuantes que vemos pela Ásia, onde predomina o som do movimento da água a ser rasgada pelas inúmeras embarcações, complementando o dos transeuntes e vendilhões.

Ou ainda de cidades como Istambul ou Marraquexe, com aqueles cinco momentos do dia em que o chamamento à oração — o adhan — é anunciado a partir dos altifalantes instalados nos minaretes das várias mesquitas espalhadas pelos bairros. Aquele recitar de palavras em tom hipnótico, ligeiramente distorcido pelos sistemas de amplificação de áudio. A entrada em cena dessincronizada, resultante dos pequenos desacertos horários, levando ao gradual acumular de camadas sonoras, em crescendo, tal como numa fuga 3 do género musical clássico ocidental.

A acústica do instrumento-cidade é favorecida pelo urbanismo tradicional de edifícios contínuos, em quarteirão, por oposição à cidade feita de blocos dispersos. As ruas formadas por frentes edificadas propagam os sons mais delicados; os logradouros fechados favorecem o eco; as praças enclausuradas demarcam melhor a sua música da música das ruas envolventes, tornando-a mais nítida.

A ameaça óbvia a este património é a poluição sonora causada pelo automóvel ou pelo avião, cuja presença tudo abafa. Um problema que tenderá a ser mitigado com a progressiva transição dos motores de combustão para motores elétricos silenciosos. Será uma revolução na qualidade do ambiente das cidades. Mas também há as ameaças menos óbvias, como a abusiva reprodução de música amplificada no espaço público que, hoje, contamina qualquer ponto turístico.

A invisível paisagem sonora é, provavelmente, a qualidade mais subvalorizada das nossas cidades e habitações, mas de enorme importância para o nosso bem-estar — que não se pode resumir ao conforto visual, espacial ou térmico dos nossos ambientes.

Um património frágil e de difícil proteção. Podemos desviar o olhar, mas o som não pede permissão. E não experimentamos música sem a sua contraparte: o silêncio, a folha branca. Tal como as cidades não se fazem apenas de massas edificadas, precisam do seu contraponto: ruas e praças — as telas vazias que recebem a vida humana a acontecer em conjunto, em sociedade.

Miguel Marcelino, «Paisagem sonora», Público – P2, 28 de setembro de 2025, p. 22. (Texto adaptado)

NOTAS

1 performance – desempenho; exibição em público.

2 sinfoniettas – sinfonias curtas, para pequena orquestra ou orquestra de câmara.

3 fuga – género de música em que as partes se repetem sucessivamente e parecem fugir umas das outras, finalizando sempre em consonâncias.

6.

O vocábulo «como» está associado a uma ideia de exemplificação e a uma ideia de comparação

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7.

Todas as expressões desempenham a função sintática de complemento agente da passiva, exceto

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Grupo III · Apreciação crítica de uma imagem

GRUPO III

Num texto bem estruturado, com um mínimo de duzentas e um máximo de trezentas e cinquenta palavras, faça a apreciação crítica do cartoon, da autoria de Javad Takjoo.

No seu texto, deve incluir:

a descrição da imagem apresentada, destacando elementos significativos da sua composição;

um comentário crítico, fundamentando a sua apreciação em, pelo menos, três aspetos relevantes e utilizando um discurso valorativo;

uma conclusão adequada aos pontos de vista desenvolvidos.

Observações:

1. Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco, mesmo quando esta integre elementos ligados por hífen (ex.: /dir-se-ia/). Qualquer número conta como uma única palavra, independentemente do número de algarismos que o constituam (ex.: /2026/).

2. Relativamente ao desvio dos limites de extensão indicados – entre duzentas e trezentas e cinquenta palavras –, há que atender ao seguinte:

– um desvio dos limites de extensão indicados implica uma desvalorização parcial (até 5 pontos) do texto produzido;

– um texto com extensão inferior a oitenta palavras é classificado com zero pontos.

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