Grupo II - 2 · Exame Nacional Português 2.ª fase 2026

Tema: Compreensão de texto não literário · Do exame 2.ª fase (2026)

Enunciado

Antes de responder a esta questão, podemos fazer o seguinte exercício: imaginemo-nos a regressar ao cenário da vida selvagem, na qual um animal tem de dividir a sua atenção por diversas atividades para que, enquanto come, não acabe por ser comido. A consequência não é difícil de antever: o animal vê-se impossibilitado de se concentrar profundamente naquilo que tem diante de si, pois tem de estar permanentemente alerta em relação àquilo que está atrás de si. Paradoxalmente, muitas das atividades mais valorizadas na atualidade, como a multitarefa e muitas atividades digitais, privilegiam este tipo de mecanismos que geram uma atenção ampla, mas rasa, semelhante à de um animal selvagem. Tal como refere o filósofo Byung-Chul Han na obra Sociedade do Cansaço, «as mais recentes evoluções sociais e a mudança de estrutura da atenção aproximam a sociedade humana da vida selvagem».

De acordo com a sua análise, estamos a assistir a uma deslocação de um tipo de atenção profunda para uma forma de atenção radicalmente distinta — a hiperatenção —, que se caracteriza por uma rápida mudança de foco entre diversas atividades, fontes informativas e processos. Esta forma de atenção multitarefa não corresponde, na sua opinião, a um progresso, mas, bem pelo contrário, a um retrocesso civilizacional.

Também é esta a visão do médico e cientista Lamberto Maffei, que aborda a diferença entre o pensamento rápido e o pensamento lento no livro com o emblemático título Elogio da Lentidão. De acordo com a sua explicação, o cérebro humano possui dois tipos de mecanismos: os primeiros são mecanismos ancestrais rápidos de resposta ao ambiente; enquanto os segundos, de carácter mais lento, se desenvolvem mais tarde e são fruto do raciocínio.

De carácter automático ou semiautomático, os primeiros mecanismos são essenciais para a sobrevivência [...]. Já a segunda modalidade, própria dos animais superiores, é inerente ao controlo de um ser humano sobre a sua própria vida, ao seu relacionamento com os outros indivíduos e com o meio ambiente.

2. Entre as linhas 13 e 36, a autora socorre-se de um exemplo e de dois argumentos de autoridade, com a intenção de demonstrar que

  1. o cansaço característico da sociedade contemporânea decorre da multiplicidade de tarefas que o ser humano tem de realizar, quotidianamente.
  2. a rápida mudança de foco entre atividades, fontes informativas e processos tem a vantagem de estimular o desenvolvimento do raciocínio.
  3. o progresso civilizacional trouxe como consequências a aceleração do pensamento, aproximando a vida em sociedade da vida selvagem.
  4. os estímulos constantes a que o homem está sujeito dificultam a concentração, mas tornam-no mais capaz de se adaptar ao meio ambiente.

Enunciado: Grupo II - 2 · Exame Nacional Português 2.ª fase 2026

Resolução

Segundo os critérios oficiais de classificação

2. Entre as linhas 13 e 36, a autora socorre-se de um exemplo e de dois argumentos de autoridade, com a intenção de demonstrar que

Resposta: (C) o progresso civilizacional trouxe como consequências a aceleração do pensamento, aproximando a vida em sociedade da vida selvagem.

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