Exame Nacional História A 2022 · Época especial
Exame Nacional de História A 2022, Época especial: 7 exercícios com resolução. Temas: Poder régio, senhorios e concelhos no Portugal medieval. Grátis.
Temas do exame: Poder régio, senhorios e concelhos no Portugal medieval · Civilização industrial: economia, sociedade e Portugal da Regeneração à crise da monarquia · Revolução Russa, crise de 1929 e regimes totalitários na Europa entre as guerras · Portugal do segundo pós-guerra à democracia: Estado Novo, guerra colonial e 25 de Abril
Grupo I · Poder régio, senhorios e concelhos no Portugal medieval
GRUPO I
PODERES E CRENÇAS EM CONFRONTO NO MUNDO MEDIEVAL
https://pt.book4you.org/book/3704339/990f0c (consultado em 12/01/2021). (Adaptado)
1.
Considere as afirmações seguintes sobre a realidade política da Europa na Idade Média.
I. Organização do poder político numa multiplicidade de reinos.
II. Existência de um poder imperial que procurava unificar vastos territórios.
III. Fragmentação e pulverização dos poderes dos monarcas.
Tendo por referência o período da Antiguidade romana, selecione a alternativa que avalia corretamente as afirmações.
2.
O mapa documenta a unidade religiosa do Ocidente medieval, visível
3.
O mapa reflete o contexto em que Portugal se tornou, no século XII, um reino independente, nomeadamente
Grupo II - 1 · Civilização industrial: economia, sociedade e Portugal da Regeneração à crise da monarquia
GRUPO II
PORTUGAL NO CONTEXTO DA CIVILIZAÇÃO INDUSTRIAL DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIX
Reflexões sobre os problemas económicos e políticos do período da Regeneração,
por Augusto Fuschini* (1899)
O ministério de 1886, nos quatro anos de governo, manifestou o último grau de decadência moral, de desordem da administração e de cinismo político. [...] Barros Gomes**, no silêncio da nossa chancelaria, prepara os elementos do mapa cor-de-rosa, que nos deve assegurar a África da costa oriental à ocidental, e, com a sua diplomacia, [...] vai acumulando no horizonte as nuvens negras do ultimato inglês [...]. [...]
[D]urante quarenta anos [1852-1892], sob a influência das teóricas doutrinas do livre-cambismo, [...] os estadistas portugueses deixaram atrasar e esmorecer a nossa indústria e sair em ondas o ouro, [...] sob a forma de onerosos empréstimos externos. [...] Assim como o nosso ouro toma o caminho dos mercados ingleses e franceses, onde vamos fornecer-nos dos melhores produtos, que a nossa indústria protegida poderia produzir, milhares de cidadãos portugueses abandonam o solo pátrio e procuram na emigração refúgio contra a miséria que invade as classes pobres na mãe pátria. [...]
[N]os últimos quarenta anos, as contas públicas [...] manifestam sem exceção défices anuais [...]. [...] É evidente que os défices só podiam ser cobertos por empréstimos levantados no país e no estrangeiro. [...] Os defensores interessados deste sistema de administração preconizavam o desenvolvimento dos grandes fatores materiais da riqueza pública, caminhos de ferro, estradas, portos de mar, etc., etc. [...], como compensando com largueza os encargos dos empréstimos contraídos para os construir. O argumento é assaz contestável, porque [...] parte dos capitais pedidos ao crédito cobriram despesas de carácter diverso, não reprodutivas [...]. [...]
Na monarquia inglesa, verdadeiro culto cerca a pessoa do monarca; todavia, em país algum tem menos força e importância política o poder moderador. Na monarquia portuguesa, observa-se o contrário, apesar de o poder moderador avassalar os restantes poderes do Estado! [...]
A república, que amanhã irradiará da vontade da nação, far-se-á com aqueles [...] que mantiveram sempre puro o seu culto ideal. [...] Serão estes [os republicanos] os salvadores da pátria, que por outra forma não pode ter regeneração. [...]
O que vale entre nós o parlamento [...] todos o sabem: desmoraliza os cidadãos [...]. [...] Apenas os dois partidos de rotação constitucional podem levar representantes à assembleia legislativa. As vantagens partidárias do sistema são de sobra conhecidas. Uma falsa aparência de discussão cobre os acordos prévios. [...] O sistema parlamentar entre nós é, pois, completa ficção.
Augusto Fuschini, O presente e o futuro de Portugal, Lisboa, Companhia Typographica, 1899. (Texto adaptado)
* Ministro da Fazenda em 1892; foi membro do Partido Regenerador.
** Ministro dos Negócios Estrangeiros (1886-1890).
1. Ao contrário das expectativas iniciais, a política económica promovida pelos governos da Regeneração não trouxe a Portugal o progresso esperado.
Exponha dois argumentos que sustentem esta afirmação, fundamentando a sua resposta com excertos relevantes do documento.
Grupo II - 2 · Civilização industrial: economia, sociedade e Portugal da Regeneração à crise da monarquia
GRUPO II
PORTUGAL NO CONTEXTO DA CIVILIZAÇÃO INDUSTRIAL DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIX
Reflexões sobre os problemas económicos e políticos do período da Regeneração,
por Augusto Fuschini* (1899)
O ministério de 1886, nos quatro anos de governo, manifestou o último grau de decadência moral, de desordem da administração e de cinismo político. [...] Barros Gomes**, no silêncio da nossa chancelaria, prepara os elementos do mapa cor-de-rosa, que nos deve assegurar a África da costa oriental à ocidental, e, com a sua diplomacia, [...] vai acumulando no horizonte as nuvens negras do ultimato inglês [...]. [...]
[D]urante quarenta anos [1852-1892], sob a influência das teóricas doutrinas do livre-cambismo, [...] os estadistas portugueses deixaram atrasar e esmorecer a nossa indústria e sair em ondas o ouro, [...] sob a forma de onerosos empréstimos externos. [...] Assim como o nosso ouro toma o caminho dos mercados ingleses e franceses, onde vamos fornecer-nos dos melhores produtos, que a nossa indústria protegida poderia produzir, milhares de cidadãos portugueses abandonam o solo pátrio e procuram na emigração refúgio contra a miséria que invade as classes pobres na mãe pátria. [...]
[N]os últimos quarenta anos, as contas públicas [...] manifestam sem exceção défices anuais [...]. [...] É evidente que os défices só podiam ser cobertos por empréstimos levantados no país e no estrangeiro. [...] Os defensores interessados deste sistema de administração preconizavam o desenvolvimento dos grandes fatores materiais da riqueza pública, caminhos de ferro, estradas, portos de mar, etc., etc. [...], como compensando com largueza os encargos dos empréstimos contraídos para os construir. O argumento é assaz contestável, porque [...] parte dos capitais pedidos ao crédito cobriram despesas de carácter diverso, não reprodutivas [...]. [...]
Na monarquia inglesa, verdadeiro culto cerca a pessoa do monarca; todavia, em país algum tem menos força e importância política o poder moderador. Na monarquia portuguesa, observa-se o contrário, apesar de o poder moderador avassalar os restantes poderes do Estado! [...]
A república, que amanhã irradiará da vontade da nação, far-se-á com aqueles [...] que mantiveram sempre puro o seu culto ideal. [...] Serão estes [os republicanos] os salvadores da pátria, que por outra forma não pode ter regeneração. [...]
O que vale entre nós o parlamento [...] todos o sabem: desmoraliza os cidadãos [...]. [...] Apenas os dois partidos de rotação constitucional podem levar representantes à assembleia legislativa. As vantagens partidárias do sistema são de sobra conhecidas. Uma falsa aparência de discussão cobre os acordos prévios. [...] O sistema parlamentar entre nós é, pois, completa ficção.
Augusto Fuschini, O presente e o futuro de Portugal, Lisboa, Companhia Typographica, 1899. (Texto adaptado)
* Ministro da Fazenda em 1892; foi membro do Partido Regenerador.
** Ministro dos Negócios Estrangeiros (1886-1890).
2. Explicite duas causas da crise do sistema político da monarquia constitucional nos finais do século XIX.
Fundamente as duas causas com excertos relevantes do documento.
Grupo II - 3 · Civilização industrial: economia, sociedade e Portugal da Regeneração à crise da monarquia
3. O período da Regeneração em Portugal enquadra-se num contexto em que, no mundo ocidental, se consolidam características sociais resultantes da afirmação do liberalismo e da revolução industrial.
Associe essas características, apresentadas na coluna A, às frases que as descrevem, apresentadas na coluna B. Todas as frases devem ser utilizadas. Cada frase deve ser associada apenas a uma das características.
Selecione a categoria da Coluna A correspondente a cada uma das afirmações da Coluna B:
()
→
Grupo III · Revolução Russa, crise de 1929 e regimes totalitários na Europa entre as guerras
GRUPO III
RUTURAS POLÍTICAS NA RÚSSIA DAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX
Documento 1 (conjunto documental)
Identificação das fontes
Documento 1 (conjunto documental)
A – marx21.de/vor-der-februarrevolution/ (consultado em 23/11/2021).
B – https://press-files.anu.edu.au/downloads/press/n2129/html/ch03.xhtml?referer=&page=9# (consultado em 23/11/2021).
C – https://russiainphoto.ru/photos/146027/ (consultado em 23/11/2021).
D – https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Soviet_Poster_3.jpg (consultado em 23/11/2021).
Documento 2
Discurso de Josef Estaline na primeira conferência das chefias da indústria socialista, 4 de fevereiro de 1931
1 Os bolcheviques têm por hábito cumprir as promessas feitas. Mas o que significa a promessa de cumprir as metas fixadas no plano quinquenal para o ano de 1931? Significa assegurar um aumento total da produção industrial em 45%. [...] Tal promessa significa que [...] nos comprometemos a cumprir esse objetivo em três anos em todos os ramos essenciais
5 e decisivos da indústria. [...]
Temos todas as condições necessárias para cumprir as metas fixadas para 1931? Sim, temos. [...] Em primeiro lugar, recursos naturais adequados no país [...]. [...] Que mais é necessário? Um governo desejoso e capaz de utilizar estes imensos recursos naturais em benefício do povo. Temos tal governo? Sim, temos. [...] Que mais é necessário? Que este
10 governo beneficie do apoio das gigantescas massas de operários e camponeses. [...] Não encontrarão no mundo outro governo que beneficie do apoio dos operários e dos camponeses como o governo soviético. [...]
Que mais é necessário [...]? Um sistema livre das doenças incuráveis do capitalismo [...]. Crises, desemprego, desperdício, indigência entre as massas [...]. O nosso sistema
15 não sofre destas doenças, [...] porque construímos uma economia planificada, acumulando sistematicamente recursos e distribuindo-os adequadamente pelos diferentes ramos da economia nacional. [...]
A nossa superioridade reside no facto de [...] estarmos a construir uma economia planificada. E não é tudo. Somos o país com a maior concentração industrial. [...] Em breve, talvez dentro
20 de um ano, seremos o maior país agrícola do mundo. Este ano, as quintas estatais e as quintas coletivas [...] já forneceram metade dos cereais transacionados nos nossos mercados. E isto significa que o nosso sistema, o sistema soviético, nos oferece oportunidades de progresso rápido com as quais nenhum país burguês pode sonhar.
www.marxists.org/reference/archive/stalin/works/1931/02/04.htm (consultado em 10/11/2021).
(Texto traduzido e adaptado)
Documento 3
A Rússia soviética durante a implementação do primeiro plano quinquenal, num artigo do jornalista Gareth Jones para o The Western Mail, 10 de abril de 1931
1 A vida na Rússia soviética mostra que os comunistas não estão a cumprir os seus objetivos com o plano quinquenal. As dificuldades são imensas e colocam um sério travão ao progresso do plano. [...]
Quais são as dificuldades industriais? A primeira é a debilidade dos trabalhadores por falta
5 de quase todos os alimentos, exceto o pão. [...] A má qualidade dos bens produzidos [...] é outro obstáculo. [...] Ultimamente, as autoridades soviéticas só a custo têm conseguido manter os trabalhadores nas fábricas. [...] O governo soviético viu-se obrigado a emitir regulamentos vinculando os trabalhadores às suas fábricas ou minas, o que veio reforçar o controlo do Estado sobre a vida de cada cidadão.
10 Incapacidade de abastecimento das fábricas com matérias-primas, [...] falta de combustível, [...] tudo isto pôs um travão ao cumprimento do plano. Na agricultura, o governo teve de enfrentar a oposição maciça dos camponeses. [...] O massacre generalizado de vacas e de porcos, na sequência das violentas campanhas de coletivização de há um ano, dizimou os rebanhos, o que afetará a Rússia durante anos. Através da luta de classes nas aldeias
15 e do extermínio dos camponeses mais ricos (os kulaks) [...], os comunistas estão a privar a agricultura russa dos seus trabalhadores mais esforçados.
Existem, finalmente, graves constrangimentos humanos que impedirão o plano quinquenal de transformar a Rússia num país feliz e próspero. Em primeiro lugar, o apego das pessoas comuns à propriedade. Em segundo lugar, os gestores das fábricas [...] receiam assumir
20 responsabilidades. Tornou-se perigoso. No último inverno, assistiu-se à execução de centenas de responsáveis do sector industrial, que arcaram com as culpas de erros e fracassos. [...]
Finalmente, a desilusão que alastra pelas fileiras de trabalhadores e de camponeses, e que contrasta tão violentamente com o otimismo dos comunistas e da juventude, estilhaçou as ingénuas expectativas criadas pelo plano.
www.garethjones.org/soviet_articles/russian_workers_disillusioned.htm
(consultado em 10/11/2021). (Texto traduzido e adaptado)
1.
Ordene cronologicamente as imagens A, B, C e D (documento 1), relativas a processos políticos relevantes ocorridos na Rússia das primeiras décadas do século XX.
Escreva, na folha de respostas, a sequência correta das letras.
2.
As afirmações seguintes, sobre o processo revolucionário na Rússia, são todas verdadeiras.
I. O fracasso do Governo Provisório impulsionou a revolução soviética.
II. A retirada da Primeira Guerra Mundial era um dos objetivos dos Sovietes.
III. Ao tomarem o poder, os bolcheviques instauraram a ditadura do proletariado.
IV. Os Sovietes eram constituídos por operários, militares e camponeses.
V. A Revolução de Fevereiro procurou implementar a democracia parlamentar.
Identifique as duas afirmações que podem ser comprovadas através da análise da imagem C do documento 1.
3.
O sistema económico capitalista padecia, segundo Josef Estaline, de «doenças incuráveis» (documento 2, linha 13), evidenciadas nas crises
4.
Compare as duas perspetivas sobre o modelo económico soviético no período estalinista, expressas nos documentos 2 e 3, quanto a dois aspetos em que se opõem.
Fundamente a sua resposta com excertos relevantes dos dois documentos.
Grupo III - 5 · Revolução Russa, crise de 1929 e regimes totalitários na Europa entre as guerras
GRUPO III
RUTURAS POLÍTICAS NA RÚSSIA DAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX
Documento 1 (conjunto documental)
Identificação das fontes
Documento 1 (conjunto documental)
A – marx21.de/vor-der-februarrevolution/ (consultado em 23/11/2021).
B – https://press-files.anu.edu.au/downloads/press/n2129/html/ch03.xhtml?referer=&page=9# (consultado em 23/11/2021).
C – https://russiainphoto.ru/photos/146027/ (consultado em 23/11/2021).
D – https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Soviet_Poster_3.jpg (consultado em 23/11/2021).
Documento 2
Discurso de Josef Estaline na primeira conferência das chefias da indústria socialista, 4 de fevereiro de 1931
1 Os bolcheviques têm por hábito cumprir as promessas feitas. Mas o que significa a promessa de cumprir as metas fixadas no plano quinquenal para o ano de 1931? Significa assegurar um aumento total da produção industrial em 45%. [...] Tal promessa significa que [...] nos comprometemos a cumprir esse objetivo em três anos em todos os ramos essenciais
5 e decisivos da indústria. [...]
Temos todas as condições necessárias para cumprir as metas fixadas para 1931? Sim, temos. [...] Em primeiro lugar, recursos naturais adequados no país [...]. [...] Que mais é necessário? Um governo desejoso e capaz de utilizar estes imensos recursos naturais em benefício do povo. Temos tal governo? Sim, temos. [...] Que mais é necessário? Que este
10 governo beneficie do apoio das gigantescas massas de operários e camponeses. [...] Não encontrarão no mundo outro governo que beneficie do apoio dos operários e dos camponeses como o governo soviético. [...]
Que mais é necessário [...]? Um sistema livre das doenças incuráveis do capitalismo [...]. Crises, desemprego, desperdício, indigência entre as massas [...]. O nosso sistema
15 não sofre destas doenças, [...] porque construímos uma economia planificada, acumulando sistematicamente recursos e distribuindo-os adequadamente pelos diferentes ramos da economia nacional. [...]
A nossa superioridade reside no facto de [...] estarmos a construir uma economia planificada. E não é tudo. Somos o país com a maior concentração industrial. [...] Em breve, talvez dentro
20 de um ano, seremos o maior país agrícola do mundo. Este ano, as quintas estatais e as quintas coletivas [...] já forneceram metade dos cereais transacionados nos nossos mercados. E isto significa que o nosso sistema, o sistema soviético, nos oferece oportunidades de progresso rápido com as quais nenhum país burguês pode sonhar.
www.marxists.org/reference/archive/stalin/works/1931/02/04.htm (consultado em 10/11/2021).
(Texto traduzido e adaptado)
Documento 3
A Rússia soviética durante a implementação do primeiro plano quinquenal, num artigo do jornalista Gareth Jones para o The Western Mail, 10 de abril de 1931
1 A vida na Rússia soviética mostra que os comunistas não estão a cumprir os seus objetivos com o plano quinquenal. As dificuldades são imensas e colocam um sério travão ao progresso do plano. [...]
Quais são as dificuldades industriais? A primeira é a debilidade dos trabalhadores por falta
5 de quase todos os alimentos, exceto o pão. [...] A má qualidade dos bens produzidos [...] é outro obstáculo. [...] Ultimamente, as autoridades soviéticas só a custo têm conseguido manter os trabalhadores nas fábricas. [...] O governo soviético viu-se obrigado a emitir regulamentos vinculando os trabalhadores às suas fábricas ou minas, o que veio reforçar o controlo do Estado sobre a vida de cada cidadão.
10 Incapacidade de abastecimento das fábricas com matérias-primas, [...] falta de combustível, [...] tudo isto pôs um travão ao cumprimento do plano. Na agricultura, o governo teve de enfrentar a oposição maciça dos camponeses. [...] O massacre generalizado de vacas e de porcos, na sequência das violentas campanhas de coletivização de há um ano, dizimou os rebanhos, o que afetará a Rússia durante anos. Através da luta de classes nas aldeias
15 e do extermínio dos camponeses mais ricos (os kulaks) [...], os comunistas estão a privar a agricultura russa dos seus trabalhadores mais esforçados.
Existem, finalmente, graves constrangimentos humanos que impedirão o plano quinquenal de transformar a Rússia num país feliz e próspero. Em primeiro lugar, o apego das pessoas comuns à propriedade. Em segundo lugar, os gestores das fábricas [...] receiam assumir
20 responsabilidades. Tornou-se perigoso. No último inverno, assistiu-se à execução de centenas de responsáveis do sector industrial, que arcaram com as culpas de erros e fracassos. [...]
Finalmente, a desilusão que alastra pelas fileiras de trabalhadores e de camponeses, e que contrasta tão violentamente com o otimismo dos comunistas e da juventude, estilhaçou as ingénuas expectativas criadas pelo plano.
www.garethjones.org/soviet_articles/russian_workers_disillusioned.htm
(consultado em 10/11/2021). (Texto traduzido e adaptado)
5. Refira duas evidências do carácter totalitário do regime estalinista.
Fundamente uma das evidências com informação relevante da imagem B do documento 1 e a outra evidência com excertos relevantes do documento 3.
Grupo IV · Portugal do segundo pós-guerra à democracia: Estado Novo, guerra colonial e 25 de Abril
GRUPO IV
PORTUGAL DO MARCELISMO À REVOLUÇÃO DE ABRIL
Documento 1
Memórias políticas de Diogo Freitas do Amaral*, 1968-1975
O novo Presidente do Conselho sintetizara o seu projeto político [...] na fórmula evolução na continuidade [...]. [...] Marcelo Caetano [...] criticava claramente as «democracias liberais» e [defendia um] Estado autoritário, corporativista, sem partidos, respeitador das «liberdades essenciais» (vida, religião, família, propriedade privada, etc.). Esse tipo de Estado [...] seria um 5 Estado forte, não parlamentar [...] e com censura à imprensa e polícia política. [...]
As eleições [legislativas de 1969] fizeram-se e, apesar de todas as limitações, [...] a oposição democrática [...] foi até às urnas. Mas, não obstante os resultados significativos por ela obtidos, [...] não conseguiu eleger um único deputado a S. Bento! [...]
O ano de 1973 é um ano de lenta agonia para Marcelo Caetano e para o regime: a situação 10 política está degradada, a guerra começa a ficar perdida na Guiné, [...] a juventude está incontrolável nas universidades, a Igreja Católica começa a distanciar-se do regime e este volta a entrar pelos caminhos da repressão policial, os liberais mais prestigiados demitem-se da Assembleia Nacional [...]. [...] [A]s Forças Armadas tinham atingido a exaustão e achavam que a solução da guerra não era militar, mas política. [...]
15 A Revolução [...] chegou na madrugada do dia 25 de Abril de 1974 [...]. Ao princípio da noite, [...] Américo Tomás e Marcelo Caetano estavam presos, e a Junta de Salvação Nacional [...] comparecia perante o país, na televisão, tendo o seu presidente, general António de Spínola, lido o «Programa do MFA», que [...] prometia aos portugueses a Democracia, a Descolonização e o Desenvolvimento [...]. [...]
20 O período de outubro de 74 a março de 75 foi fértil em legislação fundamental, estruturante do regime democrático. [...] [O] primeiro diploma legal do III Governo Provisório [...] veio permitir uma ampla intervenção discricionária do Estado na gestão das empresas privadas [...]; [...] Ainda não era o socialismo, mas já se começava a esboçar o rumo ao socialismo. [...]
Estabelecida uma política geral de nacionalizações e de reforma agrária [...], a Revolução 25 democrática, liberal ou burguesa transformava-se automaticamente numa Revolução socialista, proletária, de tipo comunista. [...] [A] esquerdização acentuou-se ainda mais nos primeiros tempos de atuação do Conselho da Revolução, que [...] decretou a nacionalização da banca e dos seguros [...].
[U]ma nova frente revolucionária se abre [...]: instigados e impelidos pelo PCP e pela 30 extrema-esquerda, civil e militar, muitos trabalhadores ganham coragem para se apoderar de empresas privadas – que entram ilegalmente em autogestão [...].
Diogo Freitas do Amaral, O Antigo Regime e a Revolução. Memórias Políticas (1941-1975), Lisboa, Círculo de Leitores, 1995. (Texto adaptado)
* fundador do Partido do Centro Democrático Social (CDS) em julho de 1974; exerceu diferentes funções em governos do regime democrático.
Documento 2
Resultados da eleição para a Assembleia Constituinte, 25 de abril de 1975
· Número · % · Mandatos
Eleitores inscritos · 6 231 372
Votantes · 5 711 829 · 91,66
Abstenções · 519 543 · 8,34
Votos nulos · 396 675 · 6,94
PS – Partido Socialista · 2 162 972 · 37,87 · 116
PPD – Partido Popular Democrático · 1 507 282 · 26,39 · 81
PCP – Partido Comunista Português · 711 935 · 12,46 · 30
CDS – Partido do Centro Democrático Social · 434 879 · 7,61 · 16
MDP – Movimento Democrático Português · 236 318 · 4,14 · 5
FSP – Frente Socialista Popular · 66 307 · 1,16 · 0
MES – Movimento de Esquerda Socialista · 58 248 · 1,02 · 0
UDP – União Democrática Popular · 44 877 · 0,79 · 1
FEC – Frente Eleitoral de Comunistas · 33 185 · 0,58 · 0
PPM – Partido Popular Monárquico · 32 526 · 0,57 · 0
PUP – Partido de Unidade Popular · 13 138 · 0,23 · 0
LCI – Liga Comunista Internacionalista · 10 835 · 0,19 · 0
ADIM – Associação Para a Defesa dos Interesses de Macau · 1622 · 0,03 · 1
CDM – Centro Democrático de Macau · 1030 · 0,02 · 0
TOTAL · · · 250
www.cne.pt (consultado em 07/12/2021).
Documento 3
Mural com palavras de ordem, Porto, 2.ª metade da década de 1970
www.cd25a.uc.pt/media/galeria/5538.jpg (consultado em 09/12/2021).
1.
Desenvolva o tema Transformações políticas em Portugal nos anos 60 e 70 do século XX: do imobilismo marcelista ao processo revolucionário do 25 de Abril, articulando os tópicos de orientação seguintes:
continuidades políticas do salazarismo ao marcelismo;
ruturas políticas resultantes da eclosão da revolução de Abril.
Na sua resposta,
apresente três elementos para cada tópico de orientação, evidenciando a relação entre os elementos dos dois tópicos;
integre, pelo menos, uma informação relevante de cada um dos documentos de 1 a 3.
2.
No contexto do processo revolucionário, os resultados da votação para a Assembleia Constituinte, em 1975 (documento 2), evidenciam
()
Grupo IV - 3 · Portugal do segundo pós-guerra à democracia: Estado Novo, guerra colonial e 25 de Abril
GRUPO IV
PORTUGAL DO MARCELISMO À REVOLUÇÃO DE ABRIL
Documento 1
Memórias políticas de Diogo Freitas do Amaral*, 1968-1975
O novo Presidente do Conselho sintetizara o seu projeto político [...] na fórmula evolução na continuidade [...]. [...] Marcelo Caetano [...] criticava claramente as «democracias liberais» e [defendia um] Estado autoritário, corporativista, sem partidos, respeitador das «liberdades essenciais» (vida, religião, família, propriedade privada, etc.). Esse tipo de Estado [...] seria um 5 Estado forte, não parlamentar [...] e com censura à imprensa e polícia política. [...]
As eleições [legislativas de 1969] fizeram-se e, apesar de todas as limitações, [...] a oposição democrática [...] foi até às urnas. Mas, não obstante os resultados significativos por ela obtidos, [...] não conseguiu eleger um único deputado a S. Bento! [...]
O ano de 1973 é um ano de lenta agonia para Marcelo Caetano e para o regime: a situação 10 política está degradada, a guerra começa a ficar perdida na Guiné, [...] a juventude está incontrolável nas universidades, a Igreja Católica começa a distanciar-se do regime e este volta a entrar pelos caminhos da repressão policial, os liberais mais prestigiados demitem-se da Assembleia Nacional [...]. [...] [A]s Forças Armadas tinham atingido a exaustão e achavam que a solução da guerra não era militar, mas política. [...]
15 A Revolução [...] chegou na madrugada do dia 25 de Abril de 1974 [...]. Ao princípio da noite, [...] Américo Tomás e Marcelo Caetano estavam presos, e a Junta de Salvação Nacional [...] comparecia perante o país, na televisão, tendo o seu presidente, general António de Spínola, lido o «Programa do MFA», que [...] prometia aos portugueses a Democracia, a Descolonização e o Desenvolvimento [...]. [...]
20 O período de outubro de 74 a março de 75 foi fértil em legislação fundamental, estruturante do regime democrático. [...] [O] primeiro diploma legal do III Governo Provisório [...] veio permitir uma ampla intervenção discricionária do Estado na gestão das empresas privadas [...]; [...] Ainda não era o socialismo, mas já se começava a esboçar o rumo ao socialismo. [...]
Estabelecida uma política geral de nacionalizações e de reforma agrária [...], a Revolução 25 democrática, liberal ou burguesa transformava-se automaticamente numa Revolução socialista, proletária, de tipo comunista. [...] [A] esquerdização acentuou-se ainda mais nos primeiros tempos de atuação do Conselho da Revolução, que [...] decretou a nacionalização da banca e dos seguros [...].
[U]ma nova frente revolucionária se abre [...]: instigados e impelidos pelo PCP e pela 30 extrema-esquerda, civil e militar, muitos trabalhadores ganham coragem para se apoderar de empresas privadas – que entram ilegalmente em autogestão [...].
Diogo Freitas do Amaral, O Antigo Regime e a Revolução. Memórias Políticas (1941-1975), Lisboa, Círculo de Leitores, 1995. (Texto adaptado)
* fundador do Partido do Centro Democrático Social (CDS) em julho de 1974; exerceu diferentes funções em governos do regime democrático.
Documento 2
Resultados da eleição para a Assembleia Constituinte, 25 de abril de 1975
· Número · % · Mandatos
Eleitores inscritos · 6 231 372
Votantes · 5 711 829 · 91,66
Abstenções · 519 543 · 8,34
Votos nulos · 396 675 · 6,94
PS – Partido Socialista · 2 162 972 · 37,87 · 116
PPD – Partido Popular Democrático · 1 507 282 · 26,39 · 81
PCP – Partido Comunista Português · 711 935 · 12,46 · 30
CDS – Partido do Centro Democrático Social · 434 879 · 7,61 · 16
MDP – Movimento Democrático Português · 236 318 · 4,14 · 5
FSP – Frente Socialista Popular · 66 307 · 1,16 · 0
MES – Movimento de Esquerda Socialista · 58 248 · 1,02 · 0
UDP – União Democrática Popular · 44 877 · 0,79 · 1
FEC – Frente Eleitoral de Comunistas · 33 185 · 0,58 · 0
PPM – Partido Popular Monárquico · 32 526 · 0,57 · 0
PUP – Partido de Unidade Popular · 13 138 · 0,23 · 0
LCI – Liga Comunista Internacionalista · 10 835 · 0,19 · 0
ADIM – Associação Para a Defesa dos Interesses de Macau · 1622 · 0,03 · 1
CDM – Centro Democrático de Macau · 1030 · 0,02 · 0
TOTAL · · · 250
www.cne.pt (consultado em 07/12/2021).
Documento 3
Mural com palavras de ordem, Porto, 2.ª metade da década de 1970
www.cd25a.uc.pt/media/galeria/5538.jpg (consultado em 09/12/2021).
3. Explicite duas características da política económica desenvolvida durante o período do PREC.
Fundamente as duas características com excertos relevantes do documento 1.
Grupo IV - 4 · Portugal do segundo pós-guerra à democracia: Estado Novo, guerra colonial e 25 de Abril
Complete o texto seguinte, selecionando a opção adequada para cada espaço.
Na folha de respostas, registe apenas as letras e o número que corresponde à opção selecionada em cada um dos casos.
Um ano após a Revolução do 25 de Abril, realizaram-se, através de sufrágio a), eleições para a Assembleia Constituinte, responsável pela aprovação, em 1976, de uma nova lei fundamental elaborada de acordo com os princípios definidos no b). A revisão constitucional, ocorrida em 1982, conduziu à extinção do c), tendo as Forças Armadas aceitado o primado do poder d) nos órgãos de soberania.
a) · b) · c) · d)
1. indireto · 1. Pacto MFA-Partidos · 1. Conselho da Revolução · 1. militar
2. universal · 2. Documento dos Nove · 2. Tribunal Constitucional · 2. civil
3. censitário · 3. Acordo de Alvor · 3. Movimento dos Capitães · 3. judicial
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