Exame Nacional História A 2025 · 2.ª fase

Exame Nacional de História A 2025, 2.ª fase: 9 exercícios com resolução. Com correção imediata.

Temas do exame: Expansão, Renascimento e Reforma: a abertura europeia ao mundo (séculos XV-XVI) · As revoluções liberais e a implantação do liberalismo em Portugal · Civilização industrial: economia, sociedade e Portugal da Regeneração à crise da monarquia · Revolução Russa, crise de 1929 e regimes totalitários na Europa entre as guerras · Portugal da Primeira República ao Estado Novo (1910-1945) · O mundo bipolar: Guerra Fria, Estado-Providência, descolonização e construção europeia · Portugal do segundo pós-guerra à democracia: Estado Novo, guerra colonial e 25 de Abril

Grupo I - 1 · Expansão, Renascimento e Reforma: a abertura europeia ao mundo (séculos XV-XVI)

GRUPO I

MUTAÇÕES CULTURAIS E RELIGIOSAS NA EUROPA DO SÉCULO XVI

1. As afirmações seguintes, sobre a produção cultural na Europa do Renascimento, são todas verdadeiras.

Identifique as duas afirmações que podem ser comprovadas através da análise do documento.

Escreva, na folha de respostas, os números que identificam as duas opções selecionadas.

Grupo I - 2 · Expansão, Renascimento e Reforma: a abertura europeia ao mundo (séculos XV-XVI)

GRUPO I

MUTAÇÕES CULTURAIS E RELIGIOSAS NA EUROPA DO SÉCULO XVI

2. No século XVI, a criação literária em Portugal estava sujeita, de acordo com a informação do documento,

Grupo II - 1 · As revoluções liberais e a implantação do liberalismo em Portugal

GRUPO II

DO LIBERALISMO MONÁRQUICO AO LIBERALISMO REPUBLICANO EM PORTUGAL

Documento 1

Indicadores da política de «melhoramentos materiais» em Portugal, segunda metade do século XIX

· 1852 · 1865 · 1881 · 1890

Estradas

(extensão da rede, em km) · 218 · 2195 · 7684 · 11 870

Caminhos de ferro

(extensão da rede, em km) · - · 694 · 1234 · 2071

Postos de telégrafo

(unidades) · - · 92 · 202 · 395

Unidades industriais

(com 100 ou mais operários) · 30 · - · 75 · 64

Energia motriz da indústria

(em cavalos-vapor) · 961 · - · 7089 · 6421

Fontes: Inquérito industrial de 1881, Lisboa, Imprensa Nacional, 1881; Inquérito industrial de 1890, Lisboa, Imprensa Nacional, 1891; Guilhermino Augusto de Barros, Memória histórica acêrca da telegrafia eléctrica em Portugal, Lisboa, 1944, 2.ª ed.; David Justino, A formação do espaço económico nacional – Portugal, 1810-1913, Lisboa, Vega, 1998; Nuno Valério, Estatísticas históricas portuguesas, Lisboa, INE, 2001.

Documento 2

«A Paixão Popular», caricatura de Rafael Bordalo Pinheiro publicada no jornal O António Maria, 25 de março de 1880

Legenda:

① Zé Povinho, personificação do povo português

② défice

③ impostos

④ imposto do selo

⑤ Fontes Pereira de Melo, líder do Partido Regenerador

⑥ Rodrigues Sampaio, membro do Partido Regenerador

⑦ J. Tomás Lobo de Ávila, conselheiro de Estado e par do reino

⑧ José Dias Ferreira, líder e deputado pelo Partido Constituinte

⑨ Barros Gomes, ministro dos Negócios da Fazenda; membro do Partido Progressista

⑩ A. José Braamcamp, presidente do Conselho de Ministros; membro do Partido Progressista

«Zé Povinho, amarrado pelos laços do défice à columna dos impostos, e ameaçado pela lança do selo.»

https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/OAntonioMaria/1880/1880_item1/P96.html (consultado em setembro de 2024). (Adaptado)

Documento 3

A vida política nacional em finais do século XIX,

na opinião do jornalista e escritor Mariano Pina, 3 de maio de 1890

Imaginar que o sistema monárquico-constitucional, que desde o reinado de D. Maria II rege a nação portuguesa, é um sistema perfeito, [...] conservando-se indefinidamente no statu quo 1, é um absurdo, é um erro, [...] tanto para o sistema em si, como para a nação que o sofre. [...] [O] sistema tem fatalmente de se modificar, de se transformar – de progredir. Estas modificações [...] nunca se fazem, nem por vontade e livre-arbítrio do Rei, nem dos governos. Fazem-se por imposição da Nação. E o Rei e os governos submetem-se à vontade do Povo. [...]

O sistema de relojoaria política que satisfez plenamente ao ideal e às necessidades da geração que foi governada pelo sr. D. Luís I já não satisfaz à geração que vai ser governada pelo sr. D. Carlos I – que é uma nova geração que aprendeu por outros livros [...], que desde a mocidade anda agitada por outros ideais, – e que hoje vê com uma nitidez perfeita quantos erros, [...] quantos vícios borbulham na pele do atual regime monárquico-representativo.

O Estado tem o monopólio de todos os trabalhos materiais de que o país carece, para o desenvolvimento da sua agricultura, da sua indústria, do seu comércio e da sua navegação, e nós queremos [...] que eles se não transformem, nas mãos de um ministro sem escrúpulos, em instrumento odioso da mais odiosa e indecente pressão eleitoral. O Estado tem o monopólio de todos os empregos, e nós queremos que [...] a intriga e a corrupção diminuam [...].

Queremos hoje o que a nossa inteligência e a nossa consciência – acordadas por questões sociais que não agitaram o reinado do sr. D. Luís ou que pelos seus governos não foram compreendidas – reclamam a cada instante. [...] Queremos outra coisa [...]. Ora, se o atual governo monárquico entende [...] que nos há de obrigar [...] aos velhos processos fontistas, [...] – então tenha paciência a Senhora Monarquia, que o País cá vai devagarinho, mas direitinho, para a República! [...]

E como na família de Bragança já não há irmão que pugne pelo absolutismo e irmão que se bata pela liberdade [...], o Povo achou mais simples e mais ajuizado, enquanto as coisas não mudam, ir queimando velas pela República!

O espectro. Castigo semanal da política, N.º 1, Paris, 3 de maio de 1890. (Texto adaptado)

1 estado em que as coisas se encontram.

1. A implantação definitiva do liberalismo em Portugal ocorreu, conforme refletido no documento 3 (linhas 23-24), após

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Grupo II - 2 · As revoluções liberais e a implantação do liberalismo em Portugal

GRUPO II

DO LIBERALISMO MONÁRQUICO AO LIBERALISMO REPUBLICANO EM PORTUGAL

Documento 1

Indicadores da política de «melhoramentos materiais» em Portugal, segunda metade do século XIX

· 1852 · 1865 · 1881 · 1890

Estradas

(extensão da rede, em km) · 218 · 2195 · 7684 · 11 870

Caminhos de ferro

(extensão da rede, em km) · - · 694 · 1234 · 2071

Postos de telégrafo

(unidades) · - · 92 · 202 · 395

Unidades industriais

(com 100 ou mais operários) · 30 · - · 75 · 64

Energia motriz da indústria

(em cavalos-vapor) · 961 · - · 7089 · 6421

Fontes: Inquérito industrial de 1881, Lisboa, Imprensa Nacional, 1881; Inquérito industrial de 1890, Lisboa, Imprensa Nacional, 1891; Guilhermino Augusto de Barros, Memória histórica acêrca da telegrafia eléctrica em Portugal, Lisboa, 1944, 2.ª ed.; David Justino, A formação do espaço económico nacional – Portugal, 1810-1913, Lisboa, Vega, 1998; Nuno Valério, Estatísticas históricas portuguesas, Lisboa, INE, 2001.

Documento 2

«A Paixão Popular», caricatura de Rafael Bordalo Pinheiro publicada no jornal O António Maria, 25 de março de 1880

Legenda:

① Zé Povinho, personificação do povo português

② défice

③ impostos

④ imposto do selo

⑤ Fontes Pereira de Melo, líder do Partido Regenerador

⑥ Rodrigues Sampaio, membro do Partido Regenerador

⑦ J. Tomás Lobo de Ávila, conselheiro de Estado e par do reino

⑧ José Dias Ferreira, líder e deputado pelo Partido Constituinte

⑨ Barros Gomes, ministro dos Negócios da Fazenda; membro do Partido Progressista

⑩ A. José Braamcamp, presidente do Conselho de Ministros; membro do Partido Progressista

«Zé Povinho, amarrado pelos laços do défice à columna dos impostos, e ameaçado pela lança do selo.»

https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/OAntonioMaria/1880/1880_item1/P96.html (consultado em setembro de 2024). (Adaptado)

Documento 3

A vida política nacional em finais do século XIX,

na opinião do jornalista e escritor Mariano Pina, 3 de maio de 1890

Imaginar que o sistema monárquico-constitucional, que desde o reinado de D. Maria II rege a nação portuguesa, é um sistema perfeito, [...] conservando-se indefinidamente no statu quo 1, é um absurdo, é um erro, [...] tanto para o sistema em si, como para a nação que o sofre. [...] [O] sistema tem fatalmente de se modificar, de se transformar – de progredir. Estas modificações [...] nunca se fazem, nem por vontade e livre-arbítrio do Rei, nem dos governos. Fazem-se por imposição da Nação. E o Rei e os governos submetem-se à vontade do Povo. [...]

O sistema de relojoaria política que satisfez plenamente ao ideal e às necessidades da geração que foi governada pelo sr. D. Luís I já não satisfaz à geração que vai ser governada pelo sr. D. Carlos I – que é uma nova geração que aprendeu por outros livros [...], que desde a mocidade anda agitada por outros ideais, – e que hoje vê com uma nitidez perfeita quantos erros, [...] quantos vícios borbulham na pele do atual regime monárquico-representativo.

O Estado tem o monopólio de todos os trabalhos materiais de que o país carece, para o desenvolvimento da sua agricultura, da sua indústria, do seu comércio e da sua navegação, e nós queremos [...] que eles se não transformem, nas mãos de um ministro sem escrúpulos, em instrumento odioso da mais odiosa e indecente pressão eleitoral. O Estado tem o monopólio de todos os empregos, e nós queremos que [...] a intriga e a corrupção diminuam [...].

Queremos hoje o que a nossa inteligência e a nossa consciência – acordadas por questões sociais que não agitaram o reinado do sr. D. Luís ou que pelos seus governos não foram compreendidas – reclamam a cada instante. [...] Queremos outra coisa [...]. Ora, se o atual governo monárquico entende [...] que nos há de obrigar [...] aos velhos processos fontistas, [...] – então tenha paciência a Senhora Monarquia, que o País cá vai devagarinho, mas direitinho, para a República! [...]

E como na família de Bragança já não há irmão que pugne pelo absolutismo e irmão que se bata pela liberdade [...], o Povo achou mais simples e mais ajuizado, enquanto as coisas não mudam, ir queimando velas pela República!

O espectro. Castigo semanal da política, N.º 1, Paris, 3 de maio de 1890. (Texto adaptado)

1 estado em que as coisas se encontram.

2. O liberalismo político do século XIX assentou em ideias de origem iluminista, evidenciadas no documento 3 (linhas 5-6), tais como

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Grupo II - 3 · Civilização industrial: economia, sociedade e Portugal da Regeneração à crise da monarquia

GRUPO II

DO LIBERALISMO MONÁRQUICO AO LIBERALISMO REPUBLICANO EM PORTUGAL

Documento 1

Indicadores da política de «melhoramentos materiais» em Portugal, segunda metade do século XIX

· 1852 · 1865 · 1881 · 1890

Estradas

(extensão da rede, em km) · 218 · 2195 · 7684 · 11 870

Caminhos de ferro

(extensão da rede, em km) · - · 694 · 1234 · 2071

Postos de telégrafo

(unidades) · - · 92 · 202 · 395

Unidades industriais

(com 100 ou mais operários) · 30 · - · 75 · 64

Energia motriz da indústria

(em cavalos-vapor) · 961 · - · 7089 · 6421

Fontes: Inquérito industrial de 1881, Lisboa, Imprensa Nacional, 1881; Inquérito industrial de 1890, Lisboa, Imprensa Nacional, 1891; Guilhermino Augusto de Barros, Memória histórica acêrca da telegrafia eléctrica em Portugal, Lisboa, 1944, 2.ª ed.; David Justino, A formação do espaço económico nacional – Portugal, 1810-1913, Lisboa, Vega, 1998; Nuno Valério, Estatísticas históricas portuguesas, Lisboa, INE, 2001.

Documento 2

«A Paixão Popular», caricatura de Rafael Bordalo Pinheiro publicada no jornal O António Maria, 25 de março de 1880

Legenda:

① Zé Povinho, personificação do povo português

② défice

③ impostos

④ imposto do selo

⑤ Fontes Pereira de Melo, líder do Partido Regenerador

⑥ Rodrigues Sampaio, membro do Partido Regenerador

⑦ J. Tomás Lobo de Ávila, conselheiro de Estado e par do reino

⑧ José Dias Ferreira, líder e deputado pelo Partido Constituinte

⑨ Barros Gomes, ministro dos Negócios da Fazenda; membro do Partido Progressista

⑩ A. José Braamcamp, presidente do Conselho de Ministros; membro do Partido Progressista

«Zé Povinho, amarrado pelos laços do défice à columna dos impostos, e ameaçado pela lança do selo.»

https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/OAntonioMaria/1880/1880_item1/P96.html (consultado em setembro de 2024). (Adaptado)

Documento 3

A vida política nacional em finais do século XIX,

na opinião do jornalista e escritor Mariano Pina, 3 de maio de 1890

Imaginar que o sistema monárquico-constitucional, que desde o reinado de D. Maria II rege a nação portuguesa, é um sistema perfeito, [...] conservando-se indefinidamente no statu quo 1, é um absurdo, é um erro, [...] tanto para o sistema em si, como para a nação que o sofre. [...] [O] sistema tem fatalmente de se modificar, de se transformar – de progredir. Estas modificações [...] nunca se fazem, nem por vontade e livre-arbítrio do Rei, nem dos governos. Fazem-se por imposição da Nação. E o Rei e os governos submetem-se à vontade do Povo. [...]

O sistema de relojoaria política que satisfez plenamente ao ideal e às necessidades da geração que foi governada pelo sr. D. Luís I já não satisfaz à geração que vai ser governada pelo sr. D. Carlos I – que é uma nova geração que aprendeu por outros livros [...], que desde a mocidade anda agitada por outros ideais, – e que hoje vê com uma nitidez perfeita quantos erros, [...] quantos vícios borbulham na pele do atual regime monárquico-representativo.

O Estado tem o monopólio de todos os trabalhos materiais de que o país carece, para o desenvolvimento da sua agricultura, da sua indústria, do seu comércio e da sua navegação, e nós queremos [...] que eles se não transformem, nas mãos de um ministro sem escrúpulos, em instrumento odioso da mais odiosa e indecente pressão eleitoral. O Estado tem o monopólio de todos os empregos, e nós queremos que [...] a intriga e a corrupção diminuam [...].

Queremos hoje o que a nossa inteligência e a nossa consciência – acordadas por questões sociais que não agitaram o reinado do sr. D. Luís ou que pelos seus governos não foram compreendidas – reclamam a cada instante. [...] Queremos outra coisa [...]. Ora, se o atual governo monárquico entende [...] que nos há de obrigar [...] aos velhos processos fontistas, [...] – então tenha paciência a Senhora Monarquia, que o País cá vai devagarinho, mas direitinho, para a República! [...]

E como na família de Bragança já não há irmão que pugne pelo absolutismo e irmão que se bata pela liberdade [...], o Povo achou mais simples e mais ajuizado, enquanto as coisas não mudam, ir queimando velas pela República!

O espectro. Castigo semanal da política, N.º 1, Paris, 3 de maio de 1890. (Texto adaptado)

1 estado em que as coisas se encontram.

3.

Desenvolva o tema Política e fomento durante a Regeneração e os seus impactos na sociedade portuguesa da segunda metade do século XIX, articulando os tópicos de orientação seguintes:

funcionamento do sistema político e programa económico-financeiro;

contestação política, intervenção cultural e transformações sociais.

Na sua resposta,

apresente três elementos para cada tópico de orientação;

evidencie a relação entre os elementos dos dois tópicos, explorando, pelo menos, duas linhas de análise;

integre, pelo menos, uma informação relevante de cada um dos documentos 1, 2 e 3.

Grupo II - 4 · Portugal da Primeira República ao Estado Novo (1910-1945)

GRUPO II

DO LIBERALISMO MONÁRQUICO AO LIBERALISMO REPUBLICANO EM PORTUGAL

Documento 1

Indicadores da política de «melhoramentos materiais» em Portugal, segunda metade do século XIX

· 1852 · 1865 · 1881 · 1890

Estradas

(extensão da rede, em km) · 218 · 2195 · 7684 · 11 870

Caminhos de ferro

(extensão da rede, em km) · - · 694 · 1234 · 2071

Postos de telégrafo

(unidades) · - · 92 · 202 · 395

Unidades industriais

(com 100 ou mais operários) · 30 · - · 75 · 64

Energia motriz da indústria

(em cavalos-vapor) · 961 · - · 7089 · 6421

Fontes: Inquérito industrial de 1881, Lisboa, Imprensa Nacional, 1881; Inquérito industrial de 1890, Lisboa, Imprensa Nacional, 1891; Guilhermino Augusto de Barros, Memória histórica acêrca da telegrafia eléctrica em Portugal, Lisboa, 1944, 2.ª ed.; David Justino, A formação do espaço económico nacional – Portugal, 1810-1913, Lisboa, Vega, 1998; Nuno Valério, Estatísticas históricas portuguesas, Lisboa, INE, 2001.

Documento 2

«A Paixão Popular», caricatura de Rafael Bordalo Pinheiro publicada no jornal O António Maria, 25 de março de 1880

Legenda:

① Zé Povinho, personificação do povo português

② défice

③ impostos

④ imposto do selo

⑤ Fontes Pereira de Melo, líder do Partido Regenerador

⑥ Rodrigues Sampaio, membro do Partido Regenerador

⑦ J. Tomás Lobo de Ávila, conselheiro de Estado e par do reino

⑧ José Dias Ferreira, líder e deputado pelo Partido Constituinte

⑨ Barros Gomes, ministro dos Negócios da Fazenda; membro do Partido Progressista

⑩ A. José Braamcamp, presidente do Conselho de Ministros; membro do Partido Progressista

«Zé Povinho, amarrado pelos laços do défice à columna dos impostos, e ameaçado pela lança do selo.»

https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/OAntonioMaria/1880/1880_item1/P96.html (consultado em setembro de 2024). (Adaptado)

Documento 3

A vida política nacional em finais do século XIX,

na opinião do jornalista e escritor Mariano Pina, 3 de maio de 1890

Imaginar que o sistema monárquico-constitucional, que desde o reinado de D. Maria II rege a nação portuguesa, é um sistema perfeito, [...] conservando-se indefinidamente no statu quo 1, é um absurdo, é um erro, [...] tanto para o sistema em si, como para a nação que o sofre. [...] [O] sistema tem fatalmente de se modificar, de se transformar – de progredir. Estas modificações [...] nunca se fazem, nem por vontade e livre-arbítrio do Rei, nem dos governos. Fazem-se por imposição da Nação. E o Rei e os governos submetem-se à vontade do Povo. [...]

O sistema de relojoaria política que satisfez plenamente ao ideal e às necessidades da geração que foi governada pelo sr. D. Luís I já não satisfaz à geração que vai ser governada pelo sr. D. Carlos I – que é uma nova geração que aprendeu por outros livros [...], que desde a mocidade anda agitada por outros ideais, – e que hoje vê com uma nitidez perfeita quantos erros, [...] quantos vícios borbulham na pele do atual regime monárquico-representativo.

O Estado tem o monopólio de todos os trabalhos materiais de que o país carece, para o desenvolvimento da sua agricultura, da sua indústria, do seu comércio e da sua navegação, e nós queremos [...] que eles se não transformem, nas mãos de um ministro sem escrúpulos, em instrumento odioso da mais odiosa e indecente pressão eleitoral. O Estado tem o monopólio de todos os empregos, e nós queremos que [...] a intriga e a corrupção diminuam [...].

Queremos hoje o que a nossa inteligência e a nossa consciência – acordadas por questões sociais que não agitaram o reinado do sr. D. Luís ou que pelos seus governos não foram compreendidas – reclamam a cada instante. [...] Queremos outra coisa [...]. Ora, se o atual governo monárquico entende [...] que nos há de obrigar [...] aos velhos processos fontistas, [...] – então tenha paciência a Senhora Monarquia, que o País cá vai devagarinho, mas direitinho, para a República! [...]

E como na família de Bragança já não há irmão que pugne pelo absolutismo e irmão que se bata pela liberdade [...], o Povo achou mais simples e mais ajuizado, enquanto as coisas não mudam, ir queimando velas pela República!

O espectro. Castigo semanal da política, N.º 1, Paris, 3 de maio de 1890. (Texto adaptado)

1 estado em que as coisas se encontram.

4. Considere as afirmações seguintes sobre a Primeira República em Portugal, tendo por termo de comparação o período final da Monarquia Constitucional.

I.

A eleição do chefe de Estado, por sufrágio indireto, era uma das competências do poder legislativo.

II.

A lei fundamental em que assentava toda a orgânica política resultou do exercício da soberania nacional.

III.

Uma sucessão de governos de curta duração constituiu um fator de instabilidade política permanente.

Selecione a opção que avalia corretamente as afirmações, considerando as ruturas e as continuidades entre os dois períodos.

Grupo III · Revolução Russa, crise de 1929 e regimes totalitários na Europa entre as guerras

GRUPO III

A AFIRMAÇÃO DO AUTORITARISMO E DO TOTALITARISMO ENTRE AS DUAS GUERRAS MUNDIAIS

Documento 1

A construção do Terceiro Reich, segundo Philipp Bouhler 1 (1939)

Após tomar o poder, o Führer promulgou uma série de leis para unificar o Reich e [...] criou um governo central forte. Ao mesmo tempo, os partidos desapareceram e restou apenas o NSDAP 2 como único portador da vontade política da nação. [...]

As leis de proteção racial e de sangue do Führer impedirão para sempre a reprodução de idiotas hereditários, para cujo sustento a comunidade nacional se via obrigada a desembolsar por ano 200 milhões de marcos. Além disso, as Leis de Nuremberga [...] impedirão o contínuo abastardamento do povo alemão através da mistura com os judeus, racialmente estranhos. [...]

Nesta Alemanha florescente cresce uma nova geração. [...] Esta juventude, que passou pelas organizações juvenis nacional-socialistas, [...] não mais será portadora de ideias como o pacifismo ou a luta de classes. Desde cedo, tudo o que estes jovens fazem ensina-os a reconhecer claramente um ideal [...] pelo qual devem viver e lhes é permitido viver: a Alemanha! [...]

Em resultado da reunificação da Áustria com a Alemanha, Adolf Hitler tornou-se o criador do Grande Reich alemão. O seu feito alterou o destino da Áustria, que, durante quase mil anos, esteve separada da Pátria-mãe [...]. [...] Atualmente, o Reich alemão [...] ocupa uma área superior à do antigo Reich, antes de o Tratado de Versalhes lhe ter retirado terras a leste, a oeste e a norte. [...] Um sonho antigo, de todos quantos trazem a Alemanha no coração, foi realizado. A Grande Alemanha despertou! [...] O anseio foi cumprido: um Volk 3, um Reich, um Führer !

Philipp Bouhler, Kampf um Deutschland, Berlim, 1939, in https://research.calvin.edu/german-propaganda-archive/struggle.pdf (consultado em setembro de 2024).

(Texto traduzido e adaptado)

1 membro do Partido Nazi. Apresentam-se excertos de um livro da sua autoria, que era de leitura obrigatória nas escolas.

2 Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, vulgo Partido Nazi.

3 povo, nação.

Documento 2

A afirmação do nazismo, segundo Sebastian Haffner 1 (1939)

O meu duelo privado contra o Terceiro Reich não é um caso isolado. Há seis anos que este tipo de duelos, em que um indivíduo procura defender o seu eu [...] contra as agressões de um Estado todo-poderoso, têm vindo a realizar-se na Alemanha, à razão de milhares e centenas de milhares [...]. [...] Antes que o Estado totalitário me agredisse com as suas exigências [...], já eu participara numa boa quantidade do que se denomina «acontecimentos históricos». [...] Contudo, existe uma diferença significativa entre tudo o que ocorreu antes de 1933 e o que veio depois.

A guerra 2 como um grande jogo entre nações [...]: [...] é desta visão que o nazismo retira a sua postura abertamente bélica frente ao Estado vizinho [...]. Muitos fatores contribuíram mais tarde para a vitória do nazismo [...]. Contudo, é aí que se encontram as raízes. [...] Chegou o ano de 1923. [...] Poincaré 3 ocupou a região do Ruhr, [...] e a sensação de humilhação e perigo nacionais [...] superou o peso acumulado pelo cansaço e a deceção. [...] Em agosto, o dólar atingiu o milhão de marcos. [...]

Um dia, começou a circular a incrível história de que em breve voltaria a haver uma «moeda estável». [...] Berlim era, nessa altura [1924-1929], uma cidade bastante cosmopolita. Já existiam, obviamente, como pano de fundo os sinistros nazis que «nós» encarávamos com um profundo desdém. [...] «Nós», um segmento indefinível da geração mais jovem, [...] tratávamos os estrangeiros de forma amistosa [...]: como a vida era mais interessante, mais bela e mais rica, por não haver somente alemães! [...] Sentíamos que à nossa volta surgia a linguagem dos nazis – palavras como [...] «fanático», «irmão de raça», «degenerado», «ser inferior» –, uma linguagem execrável, em que cada vocábulo implicava um mundo de estúpida violência. [...]

Na Primavera de 1930, Brüning 4 foi nomeado chanceler do Reich [...]. [...] Para provar o absurdo do pagamento das reparações de guerra, levou-o ao extremo e colocou a Alemanha à beira da falência. Os bancos fecharam, e o número de desempregados atingiu os seis milhões. [...] A 14 de setembro de 1930, tiveram lugar as eleições legislativas. Os nazis passaram meteoricamente de [...] 12 a 107 mandatos. [...] De resto, Hitler prometia tudo a todos, o que lhe granjeou [...] um eleitorado numeroso recrutado entre os indecisos, os desiludidos, os empobrecidos. [...]

O ano de 1939, na Europa, tem um sabor muito semelhante ao daquele Verão alemão de 1932 [...]. Os nazis já haviam ocupado todas as ruas com os seus uniformes, [...] lançavam bombas, elaboravam as suas listas negras. [...] Não havia Constituição, garantias legais, República [...]. Tal como hoje: a Sociedade das Nações desapareceu, bem como a segurança coletiva, o valor dos tratados e o sentido das negociações; a Espanha caiu, bem como a Áustria e a Checoslováquia.

Sebastian Haffner, História de um alemão. Memórias 1914-1933, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2005, pp. 19-85. (Texto adaptado)

1 pseudónimo de Raimund Pretzel, jornalista e historiador alemão; refugiado político na Inglaterra desde 1938.

2 referência à Primeira Guerra Mundial.

3 Raymond Poincaré, presidente do Conselho de Ministros francês.

4 Heinrich Brüning, chanceler da Alemanha.

1.

Explicite dois fatores que contribuíram para a ascensão do nacional-socialismo na Alemanha dos anos 20 e 30.

Fundamente cada um dos fatores com um excerto relevante do documento 2.

2.

Compare as duas perspetivas sobre as ruturas político-ideológicas ocorridas na Alemanha, no período do Terceiro Reich, expressas nos documentos 1 e 2, quanto a dois aspetos em que se opõem.

Fundamente a sua resposta com excertos relevantes dos dois documentos.

Grupo III - 3 · Revolução Russa, crise de 1929 e regimes totalitários na Europa entre as guerras

GRUPO III

A AFIRMAÇÃO DO AUTORITARISMO E DO TOTALITARISMO ENTRE AS DUAS GUERRAS MUNDIAIS

Documento 1

A construção do Terceiro Reich, segundo Philipp Bouhler 1 (1939)

Após tomar o poder, o Führer promulgou uma série de leis para unificar o Reich e [...] criou um governo central forte. Ao mesmo tempo, os partidos desapareceram e restou apenas o NSDAP 2 como único portador da vontade política da nação. [...]

As leis de proteção racial e de sangue do Führer impedirão para sempre a reprodução de idiotas hereditários, para cujo sustento a comunidade nacional se via obrigada a desembolsar por ano 200 milhões de marcos. Além disso, as Leis de Nuremberga [...] impedirão o contínuo abastardamento do povo alemão através da mistura com os judeus, racialmente estranhos. [...]

Nesta Alemanha florescente cresce uma nova geração. [...] Esta juventude, que passou pelas organizações juvenis nacional-socialistas, [...] não mais será portadora de ideias como o pacifismo ou a luta de classes. Desde cedo, tudo o que estes jovens fazem ensina-os a reconhecer claramente um ideal [...] pelo qual devem viver e lhes é permitido viver: a Alemanha! [...]

Em resultado da reunificação da Áustria com a Alemanha, Adolf Hitler tornou-se o criador do Grande Reich alemão. O seu feito alterou o destino da Áustria, que, durante quase mil anos, esteve separada da Pátria-mãe [...]. [...] Atualmente, o Reich alemão [...] ocupa uma área superior à do antigo Reich, antes de o Tratado de Versalhes lhe ter retirado terras a leste, a oeste e a norte. [...] Um sonho antigo, de todos quantos trazem a Alemanha no coração, foi realizado. A Grande Alemanha despertou! [...] O anseio foi cumprido: um Volk 3, um Reich, um Führer !

Philipp Bouhler, Kampf um Deutschland, Berlim, 1939, in https://research.calvin.edu/german-propaganda-archive/struggle.pdf (consultado em setembro de 2024).

(Texto traduzido e adaptado)

1 membro do Partido Nazi. Apresentam-se excertos de um livro da sua autoria, que era de leitura obrigatória nas escolas.

2 Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, vulgo Partido Nazi.

3 povo, nação.

Documento 2

A afirmação do nazismo, segundo Sebastian Haffner 1 (1939)

O meu duelo privado contra o Terceiro Reich não é um caso isolado. Há seis anos que este tipo de duelos, em que um indivíduo procura defender o seu eu [...] contra as agressões de um Estado todo-poderoso, têm vindo a realizar-se na Alemanha, à razão de milhares e centenas de milhares [...]. [...] Antes que o Estado totalitário me agredisse com as suas exigências [...], já eu participara numa boa quantidade do que se denomina «acontecimentos históricos». [...] Contudo, existe uma diferença significativa entre tudo o que ocorreu antes de 1933 e o que veio depois.

A guerra 2 como um grande jogo entre nações [...]: [...] é desta visão que o nazismo retira a sua postura abertamente bélica frente ao Estado vizinho [...]. Muitos fatores contribuíram mais tarde para a vitória do nazismo [...]. Contudo, é aí que se encontram as raízes. [...] Chegou o ano de 1923. [...] Poincaré 3 ocupou a região do Ruhr, [...] e a sensação de humilhação e perigo nacionais [...] superou o peso acumulado pelo cansaço e a deceção. [...] Em agosto, o dólar atingiu o milhão de marcos. [...]

Um dia, começou a circular a incrível história de que em breve voltaria a haver uma «moeda estável». [...] Berlim era, nessa altura [1924-1929], uma cidade bastante cosmopolita. Já existiam, obviamente, como pano de fundo os sinistros nazis que «nós» encarávamos com um profundo desdém. [...] «Nós», um segmento indefinível da geração mais jovem, [...] tratávamos os estrangeiros de forma amistosa [...]: como a vida era mais interessante, mais bela e mais rica, por não haver somente alemães! [...] Sentíamos que à nossa volta surgia a linguagem dos nazis – palavras como [...] «fanático», «irmão de raça», «degenerado», «ser inferior» –, uma linguagem execrável, em que cada vocábulo implicava um mundo de estúpida violência. [...]

Na Primavera de 1930, Brüning 4 foi nomeado chanceler do Reich [...]. [...] Para provar o absurdo do pagamento das reparações de guerra, levou-o ao extremo e colocou a Alemanha à beira da falência. Os bancos fecharam, e o número de desempregados atingiu os seis milhões. [...] A 14 de setembro de 1930, tiveram lugar as eleições legislativas. Os nazis passaram meteoricamente de [...] 12 a 107 mandatos. [...] De resto, Hitler prometia tudo a todos, o que lhe granjeou [...] um eleitorado numeroso recrutado entre os indecisos, os desiludidos, os empobrecidos. [...]

O ano de 1939, na Europa, tem um sabor muito semelhante ao daquele Verão alemão de 1932 [...]. Os nazis já haviam ocupado todas as ruas com os seus uniformes, [...] lançavam bombas, elaboravam as suas listas negras. [...] Não havia Constituição, garantias legais, República [...]. Tal como hoje: a Sociedade das Nações desapareceu, bem como a segurança coletiva, o valor dos tratados e o sentido das negociações; a Espanha caiu, bem como a Áustria e a Checoslováquia.

Sebastian Haffner, História de um alemão. Memórias 1914-1933, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2005, pp. 19-85. (Texto adaptado)

1 pseudónimo de Raimund Pretzel, jornalista e historiador alemão; refugiado político na Inglaterra desde 1938.

2 referência à Primeira Guerra Mundial.

3 Raymond Poincaré, presidente do Conselho de Ministros francês.

4 Heinrich Brüning, chanceler da Alemanha.

3. A Europa do final dos anos 30 encontrava-se mergulhada numa aguda polarização política, de que resultou, como se infere do documento 2 (linhas 32-34),

()

Grupo III - 4 · Portugal da Primeira República ao Estado Novo (1910-1945)

4. Complete o texto seguinte, selecionando a opção adequada para cada espaço.

Na folha de respostas, escreva apenas as letras e o número que corresponde à opção selecionada em cada um dos casos.

Em Portugal, a conflitualidade que marcou a Primeira República deu a Salazar argumentos para organizar politicamente a nação com base no

a)

,

rejeitando o espírito da luta de classes no quadro ideológico de um vincado

b)

.

Neste contexto, o Estado Novo assumiu o objetivo de «regenerar» os portugueses, promovendo, através do aparelho

c)

,

realizações culturais que evidenciam a fusão do seu ideário com uma estética

d)

.

a)

b)

c)

d)

.

.

.

.

Grupo IV · O mundo bipolar: Guerra Fria, Estado-Providência, descolonização e construção europeia

GRUPO IV

PORTUGAL E O MUNDO NO QUADRO GEOPOLÍTICO DO SEGUNDO PÓS-GUERRA

Documento 1 (conjunto documental)

Documento 2

Discurso de Amílcar Cabral, líder do PAIGC 1, na Quarta Comissão 2

da Assembleia Geral das Nações Unidas, outubro de 1972

A primeira vez que nos dirigimos a esta Comissão foi a 12 de dezembro de 1962, [...] num momento crucial da história da nossa luta. [...] Sentindo soprar as brisas anunciadoras do que um dirigente inglês chamou o «Wind of change» 3, os colonialistas portugueses tinham desencadeado uma vasta ação de repressão policial e militar contra as forças nacionalistas. [...] Face a uma tal situação, achámos então que só uma intervenção adequada e eficaz da ONU a favor dos direitos inalienáveis do nosso povo poderia levar o governo de Portugal a respeitar a moral e a legalidade do tempo. [...]

Passaram-se quase dez anos e eis-nos de novo perante a 4.ª Comissão. [...] Não é [...] para pedir a V. Excelências que lancem um apelo aos aliados do governo de Portugal para que cessem de lhe conceder apoio [...], em particular algumas das principais potências da NATO, [...] [que] reforçaram a sua ajuda aos colonialistas portugueses [...]. [...] Para que Estados que se proclamam [...] defensores do «mundo livre» e da causa da autodeterminação e da independência dos povos teimem desta maneira em apoiar [...] o colonialismo mais retrógrado do mundo, é porque têm, pelo menos em sua opinião, boas razões para o fazer. [...]

Aqui estamos [...] para tentarmos, como antes, obter para o nosso povo em luta uma ajuda concreta [...]. Mas, como já o dissemos, a situação presentemente é [...] diferente da de 1962. Diferente é também a ajuda de que necessitamos. [...]

Qual é, face [...] à nossa determinação, a atitude do governo de Portugal? [...] Tendo sido obrigados a confessar que não podem ganhar a guerra [...], procuram, pois, aguentar de qualquer maneira [...]. [...] O desespero [...] é tanto mais compreensível que é certo que a luta dos povos irmãos de Angola e Moçambique se desenvolve com êxito e que o próprio povo de Portugal se revolta cada dia mais contra a guerra colonial. [...]

Antes de terminar, permiti-nos agradecer muito vivamente a todos os países africanos, aos países socialistas, aos países nórdicos e a outros, que dão à nossa luta a sua ajuda fraternal para nos facilitarem a tarefa grandiosa da libertação do nosso povo.

http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=04602.126#!1 (consultado em setembro de 2024).

(Texto adaptado)

1 Partido Africano para a Independência da Guiné e de Cabo Verde.

2 Comissão Especial de Políticas e Descolonização.

3 ventos de mudança.

1.

Ordene cronologicamente as imagens A, B, C e D (documento 1), relativas a processos políticos relevantes ocorridos após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Escreva a sequência correta das letras (por exemplo: B, D, C, A).

2.

Para edificar uma nova ordem mundial no segundo pós-guerra, houve a necessidade, evidenciada na imagem B do documento 1, de

3.

O contexto geopolítico do segundo pós-guerra condicionou, de forma decisiva, as dinâmicas político-militares em curso nos territórios coloniais africanos.

Exponha dois argumentos que sustentem esta afirmação, fundamentando-os com excertos relevantes do documento 2.

Grupo IV - 4 · Portugal do segundo pós-guerra à democracia: Estado Novo, guerra colonial e 25 de Abril

GRUPO IV

PORTUGAL E O MUNDO NO QUADRO GEOPOLÍTICO DO SEGUNDO PÓS-GUERRA

Documento 1 (conjunto documental)

Documento 2

Discurso de Amílcar Cabral, líder do PAIGC 1, na Quarta Comissão 2

da Assembleia Geral das Nações Unidas, outubro de 1972

A primeira vez que nos dirigimos a esta Comissão foi a 12 de dezembro de 1962, [...] num momento crucial da história da nossa luta. [...] Sentindo soprar as brisas anunciadoras do que um dirigente inglês chamou o «Wind of change» 3, os colonialistas portugueses tinham desencadeado uma vasta ação de repressão policial e militar contra as forças nacionalistas. [...] Face a uma tal situação, achámos então que só uma intervenção adequada e eficaz da ONU a favor dos direitos inalienáveis do nosso povo poderia levar o governo de Portugal a respeitar a moral e a legalidade do tempo. [...]

Passaram-se quase dez anos e eis-nos de novo perante a 4.ª Comissão. [...] Não é [...] para pedir a V. Excelências que lancem um apelo aos aliados do governo de Portugal para que cessem de lhe conceder apoio [...], em particular algumas das principais potências da NATO, [...] [que] reforçaram a sua ajuda aos colonialistas portugueses [...]. [...] Para que Estados que se proclamam [...] defensores do «mundo livre» e da causa da autodeterminação e da independência dos povos teimem desta maneira em apoiar [...] o colonialismo mais retrógrado do mundo, é porque têm, pelo menos em sua opinião, boas razões para o fazer. [...]

Aqui estamos [...] para tentarmos, como antes, obter para o nosso povo em luta uma ajuda concreta [...]. Mas, como já o dissemos, a situação presentemente é [...] diferente da de 1962. Diferente é também a ajuda de que necessitamos. [...]

Qual é, face [...] à nossa determinação, a atitude do governo de Portugal? [...] Tendo sido obrigados a confessar que não podem ganhar a guerra [...], procuram, pois, aguentar de qualquer maneira [...]. [...] O desespero [...] é tanto mais compreensível que é certo que a luta dos povos irmãos de Angola e Moçambique se desenvolve com êxito e que o próprio povo de Portugal se revolta cada dia mais contra a guerra colonial. [...]

Antes de terminar, permiti-nos agradecer muito vivamente a todos os países africanos, aos países socialistas, aos países nórdicos e a outros, que dão à nossa luta a sua ajuda fraternal para nos facilitarem a tarefa grandiosa da libertação do nosso povo.

http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=04602.126#!1 (consultado em setembro de 2024).

(Texto adaptado)

1 Partido Africano para a Independência da Guiné e de Cabo Verde.

2 Comissão Especial de Políticas e Descolonização.

3 ventos de mudança.

4. Refira duas consequências da política colonial portuguesa no período do Estado Novo.

Fundamente uma das consequências com uma informação relevante da imagem A do documento 1 e outra consequência com um excerto relevante do documento 2.

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