Exame Nacional História A 2025 · Época especial

Exame Nacional de História A 2025, Época especial: 9 exercícios com resolução. Com correção imediata.

Temas do exame: Expansão, Renascimento e Reforma: a abertura europeia ao mundo (séculos XV-XVI) · As revoluções liberais e a implantação do liberalismo em Portugal · Civilização industrial: economia, sociedade e Portugal da Regeneração à crise da monarquia · Revolução Russa, crise de 1929 e regimes totalitários na Europa entre as guerras · O mundo bipolar: Guerra Fria, Estado-Providência, descolonização e construção europeia · Portugal do segundo pós-guerra à democracia: Estado Novo, guerra colonial e 25 de Abril

Grupo I - 1 · Expansão, Renascimento e Reforma: a abertura europeia ao mundo (séculos XV-XVI)

GRUPO I

O ALARGAMENTO DO CONHECIMENTO DO MUNDO NOS SÉCULOS XV E XVI

O Oceano Atlântico e o «Novo Mundo» no Atlas Miller, elaborado pelos cartógrafos portugueses Lopo Homem, Pedro Reinel e Jorge Reinel, 1519

Biblioteca Nacional de França, in https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b525032239?rk=128756;0 (consultado em janeiro de 2025).

1. A informação presente no mapa evidencia consequências das viagens marítimas protagonizadas pelos povos ibéricos nos séculos XV e XVI, nomeadamente

Grupo I - 2 · Expansão, Renascimento e Reforma: a abertura europeia ao mundo (séculos XV-XVI)

GRUPO I

O ALARGAMENTO DO CONHECIMENTO DO MUNDO NOS SÉCULOS XV E XVI

O Oceano Atlântico e o «Novo Mundo» no Atlas Miller, elaborado pelos cartógrafos portugueses Lopo Homem, Pedro Reinel e Jorge Reinel, 1519

Biblioteca Nacional de França, in https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b525032239?rk=128756;0 (consultado em janeiro de 2025).

2. Um dos contributos dos portugueses para a inovação técnica e científica na Época Moderna, refletido no documento, consistiu

Grupo II - 1 · As revoluções liberais e a implantação do liberalismo em Portugal

1. Considere as afirmações seguintes sobre o modelo político dos regimes liberais europeus do século XIX, tendo por termo de comparação o que predominava no período do Antigo Regime.

I.

Os regimes políticos assentavam, na sua grande maioria, no princípio da sucessão dinástica.

II.

O poder político fundamentava-se no exercício da soberania nacional.

III.

A ordem constitucional alicerçava-se na separação e na independência dos poderes.

Selecione a opção que avalia corretamente as afirmações, considerando as ruturas e as continuidades entre os dois períodos.

()

Grupo II - 2 · As revoluções liberais e a implantação do liberalismo em Portugal

GRUPO II

LIBERALISMO E SOCIEDADE NA EUROPA DO SÉCULO XIX

Documento 1

O impacto do liberalismo na Sicília, no contexto da unificação italiana (c. 1860), segundo o romance histórico O Leopardo, de Tomasi di Lampedusa 1

Membro de uma linhagem que durante séculos nunca soubera fazer a soma das suas despesas nem a subtração das suas dívidas, [...] o pobre príncipe Fabrizio vivia num descontentamento permanente [...], contemplando a ruína da sua raça e do seu património sem dar mostras de qualquer atividade e, mais ainda, sem o menor desejo de lhe pôr cobro. [...]

Ciccio Ferrara, o contabilista, entrou no escritório. Era um homem baixo e seco que ocultava a alma idealista e ambiciosa de um liberal por detrás de uns óculos tranquilizadores e de umas gravatas imaculadas. Naquela manhã estava mais alegre do que de costume [...]: «Tristes tempos, Excelência», disse ele [...] «mas, depois de um certo alvoroço e de algum tiroteio, tudo correrá pelo melhor, e novos tempos de glória virão [...].» O Príncipe resmungava sem exprimir uma opinião. [...] Estava irritado não com os acontecimentos [...], mas com a estupidez de Ferrara, que identificara imediatamente com uma das futuras classes dirigentes. [...]

Pouco depois apareceu Russo, o administrador, o homem que o Príncipe considerava como o mais expressivo dos seus subordinados. Esbelto, [...] era a expressão acabada de uma classe em ascensão. [...] Fez sinal a Russo para se sentar, olhou-o fixamente nos olhos: «Pietro, falemos de homem para homem, também estás metido nesta história?» 2. Metido não estava, respondeu, era pai de família e riscos desses são coisa para rapazes [...]. «Mas devo dizer que o meu coração está com eles, com esses bravos rapazes. [...] Vossa Excelência bem sabe; não se pode mais: buscas, interrogatórios [...] um esbirro 3 em cada esquina; um homem de bem já não é livre para tratar da sua vida. Depois, pelo contrário, teremos liberdade, segurança, impostos mais baixos, facilidades, comércio. Toda a gente vai ficar melhor: só os padres é que vão perder. O Senhor protege os pobres [...], não a eles.»

D. Fabrizio sorria [...]. Pouco depois, algumas palavras proferidas por Russo aliviaram-no. «Tudo vai ficar melhor, acredite, Excelência. Os homens honestos e hábeis poderão afirmar-se O resto ficará como dantes.» Aquela gente, aqueles liberalzecos [...] só queriam ter a possibilidade de enriquecer mais facilmente. Mais nada. [...] Teve vontade de o dizer a Russo, mas a sua delicadeza inata deteve-o: «Compreendi perfeitamente: o que vocês querem não é destruir-nos a nós [...]; o que querem é ocupar o nosso lugar. Com suavidade, com boas maneiras, metendo-nos talvez no bolso alguns milhares de ducados. Não é assim? O teu neto, caro Russo, acreditará sinceramente que é barão; e tu [...] deixarás de ser o filho de um labrego [...]. Antes disso já a tua filha terá desposado um dos nossos [...]. “Para que tudo fique como está”».

Tomasi di Lampedusa, O Leopardo, Lisboa, Biblioteca Visão, 2000, pp. 9 e 26-29. (Texto adaptado)

1 publicado em 1958, O Leopardo, e o seu protagonista, o Príncipe Fabrizio de Salina, são inspirados na história e nos documentos de família do autor, um aristocrata siciliano.

2 confrontos militares contra a monarquia absoluta dos Bourbons na Sicília.

3 agente de polícia.

2. O triunfo do liberalismo no século XIX provocou profundas transformações na estrutura social herdada do Antigo Regime.

Exponha dois argumentos que sustentem esta afirmação, fundamentando-os com excertos relevantes do documento 1.

Grupo II - 3 · Civilização industrial: economia, sociedade e Portugal da Regeneração à crise da monarquia

3. Refira duas causas que justificam a relevância do movimento operário no início do século XX.

Fundamente cada uma das causas com uma informação relevante do documento 2.

Grupo II - 4 · Civilização industrial: economia, sociedade e Portugal da Regeneração à crise da monarquia

4. Os padrões de consumo burgueses no período da Belle Époque, parcialmente refletidos na categoria «Diversos» do documento 2, evidenciam

()

Grupo III - 1 · Revolução Russa, crise de 1929 e regimes totalitários na Europa entre as guerras

GRUPO III

1.

Complete o texto seguinte, selecionando a opção adequada para cada espaço.

Na folha de respostas, registe apenas as letras e o número que corresponde à opção selecionada em cada um dos casos.

No final da década de 20, ocorreu uma crise de

na economia dos EUA, que, associada a fenómenos de

, pôs fim à prosperidade económica dos anos anteriores. Ao provocar uma

generalizada, de que resultou a

de muitas empresas, esta crise teve consequências sociais e políticas muito significativas, tanto nos EUA como na Europa.

a)

b)

c)

d)

1. subsistência

1. especulação bolsista

1. inflação

1. estatização

2. superprodução

2. concentração empresarial

2. deflação

2. capitalização

3. subconsumo

3. competição comercial

3. estagflação

3. falência

Grupo III · Revolução Russa, crise de 1929 e regimes totalitários na Europa entre as guerras

GRUPO III

CRISE ECONÓMICA E RADICALIZAÇÃO POLÍTICA NOS ANOS 30 DO SÉCULO XX

Documento 1

Discurso radiofónico de Maurice Thorez 1, proferido no contexto da campanha eleitoral para as legislativas francesas (17/04/1936)

Há já cinco anos que a crise económica assola a indústria, a agricultura, o comércio e as finanças [...]. [...] As oficinas esvaziam-se. A classe operária foi condenada ao desemprego e o povo à miséria. Isto porque a riqueza [...] se tornou propriedade de uma minoria parasita que a explora apenas em seu proveito. [...] Sim, os responsáveis pela crise [...] são as «200 famílias que dominam a economia e a política» de França. [...]

Ao longo destas vicissitudes, [...] somente os detentores do poder financeiro permanecem imutáveis, encarnando o domínio perene do capital. O Banco de França, eis o poder que controla o governo legítimo e dita a sua vontade. Derruba os ministérios, subvertendo o sufrágio universal. Impõe ao povo francês governos encarregados de aplicar políticas favoráveis aos ricos e duras para os pobres e para os trabalhadores. [...]

Os governos nascidos dos tumultos fascistas 2 [...] cortaram nos salários, [...] nos subsídios dos necessitados, dos idosos, dos doentes [...]. [...] As restrições impostas agravaram a crise económica. [...] As lojas fecham por falta de clientes. [...] A gente comum das classes médias, [...] [está condenada] a uma vida de miséria e humilhação. [...]

Os reis da finança organizam, subsidiam e armam as fações que fomentam a guerra civil, que procuram impor-se ao povo através da violência e da demagogia. [...] Só o ódio ao povo, só o ódio à democracia une estes homens, que tomam por modelo os ditadores de Roma e de Berlim. [...] O fascismo é, de facto, o rebaixamento e a aniquilação do indivíduo, é a impossibilidade de cada indivíduo, na ausência da plena liberdade a todos garantida, fazer pleno uso do seu saber e do seu talento.

O fascismo é também, no plano internacional, uma política de intrigas e de provocações. O fascismo é a guerra. [...] Nós, comunistas, que nunca deixámos de denunciar a política dos governantes reacionários do nosso país em relação ao povo alemão, temos todo o direito de nos erguermos com indignação contra a recente tomada do poder por Hitler. [...] Hitler quer dividir o mundo em duas zonas, uma para a raça eleita, que deve dominar, a outra para onde serão relegadas as raças abastardadas e inferiores, sujeitas à submissão. [...]

O Partido Comunista orgulha-se de obedecer a uma única preocupação: servir a causa do povo. [...] Estamos felizes por termos disseminado a ideia da Frente Popular do trabalho, da liberdade e da paz, [...] e trabalhamos para unir a nação francesa contra as 200 famílias e os seus mercenários.

https://pandor.u-bourgogne.fr/archives-en-ligne/ark:/62246/r1067znlpczgsk/f1 (consultado em janeiro de 2024). (Texto traduzido e adaptado)

1 Secretário-geral do Partido Comunista Francês.

2 manifestação antiparlamentar organizada em Paris, em 6 de fevereiro de 1934, por grupos de direita e de extrema-direita e por associações de antigos combatentes, cujo impacto provocou a queda do governo.

Documento 2

Carta de Jean Goy 1, presidente da União Nacional dos Combatentes, ao diretor do jornal L'Écho de Paris (30/07/1936)

Senhor Diretor,

A União Nacional dos Combatentes [...] ficou [...] vivamente impressionada com os acontecimentos dos últimos meses, [...] [e] considera que cometerá uma falta grave se não denunciar o carácter revolucionário da dinâmica desencadeada pelos comunistas. [...] Considerando que [as reivindicações laborais] servem apenas para encobrir um movimento político que tende a sovietizar o país, o governo deve sinalizar o perigo e pôr fim aos tumultos, perigosos para as instituições.

Constatámos que, como nós, haveis denunciado a atuação de um partido que obedece às ordens de Moscovo. Pedimos-vos, assim, que pondereis uma ação conjunta para salvaguardar as liberdades individuais, a independência nacional, o respeito pela noção de propriedade e a defesa das instituições democráticas. [...]

[R]econhecereis que a tentativa de bolchevização da França nos coloca em risco, não apenas de uma guerra civil, mas de uma conflagração generalizada. Ora, não aspiramos a reivindicar o monopólio do patriotismo nem nos reservamos a exclusividade de velar pela salvaguarda da paz. Conhecemos os vossos sentimentos a este respeito, e por isso estamos convencidos de que, no campo restrito da luta para bloquear o caminho a uma ditadura comunista, e para evitar as suas consequências, podemos chegar a acordo.

https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k815980s/f1.item (consultado em janeiro de 2024). (Texto traduzido e adaptado)

1 deputado na Assembleia Nacional francesa, de 1924 a 1936. Participou, à cabeça da U.N.C., na manifestação de 6 de fevereiro de 1934.

2.

Explicite dois fatores socioeconómicos que contribuíram para o acentuar da radicalização política na década de 30.

Fundamente cada um dos fatores com um excerto relevante do documento 1.

3.

Compare as duas perspetivas sobre o ambiente de confrontação político-ideológica na Europa dos anos 30, expressas nos documentos 1 e 2, quanto a dois aspetos em que se opõem.

Fundamente a sua resposta com excertos relevantes dos dois documentos.

4.

Uma das especificidades da ideologia nazi no contexto dos regimes totalitários do século XX, evidenciada no documento 1 (linha 25), consiste

Grupo IV · Portugal do segundo pós-guerra à democracia: Estado Novo, guerra colonial e 25 de Abril

GRUPO IV

O ESTADO NOVO NO CONTEXTO INTERNACIONAL,

DO SEGUNDO PÓS-GUERRA À REVOLUÇÃO DE ABRIL

Documento 1 (conjunto documental)

Identificação das fontes

Documento 1 (conjunto documental)

A – Arquivo do Diário de Notícias (consultado em janeiro de 2024); B – http://tinyurl.com/mvs7xys5 (consultado em janeiro de 2024); C – http://tinyurl.com/4c69hdzh (consultado em janeiro de 2024); D – Arquivo do Diário de Notícias (consultado em janeiro de 2024).

Documento 2

Documento 3

«O Ultramar português e a ONU», discurso de António de Oliveira Salazar proferido na Assembleia Nacional, 30/06/1961

[T]em sido excecionalmente intensa a atividade das Nações Unidas no respeitante

aos territórios portugueses de além-mar. [...] Em 21 de abril [de 1961], nova resolução da

Assembleia Geral a chamar a atenção do Governo português para a urgência de introduzir

reformas em Angola [...] e para transferir a totalidade dos poderes para as populações dos

5 territórios a fim de as habilitar a fruir de completa independência. [...]

Os Estados Unidos têm quanto à Rússia comunista e aos perigos da sua expansão uma

política bem assente: apoiar [...] as potências do Ocidente europeu, com as quais colaboram

sem regatear meios através do Tratado do Atlântico Norte. [...] Tem a Rússia [...] uma

política igualmente bem definida quanto à África: a sua subversão como meio de contornar

10 a resistência da Europa. [...]

Houve manifestamente grave equívoco em considerar o Ultramar português como território

de pura expressão colonial; equívoco em pensar que a nossa Constituição Política podia integrar

territórios dispersos sem a existência de uma comunidade de sentimentos [...] expressiva da

unidade da Nação [...]. [...]

15 A maneira de ser portuguesa, os princípios morais que presidiram aos descobrimentos e

à colonização, fizeram que em todo o território nacional [...] se hajam constituído sociedades

plurirraciais [...]. [...] Pouco importa que alguns sorriam da nossa estrutura constitucional

que admite províncias tão grandes como Estados [...] e se entretenham a pôr em dúvida

soberanias, aliás indiscutíveis [...]. [...] [O] que seria de Angola na atual crise, se Angola não

20 fosse Portugal? [...]

[N]ão acharam nem o Conselho nem a Assembleia [da ONU] oportunidade para ordenar

aos terroristas que cessassem os seus morticínios e depredações, e tantos dos seus membros

o podiam ter feito com autoridade e eficácia. [...] Muitas pessoas, em face dos votos contrários

a Portugal e das abstenções, inferem do seu número um isolamento perigoso para o nosso país

25 [...]. Espero que não nos intimidemos [...]. [...] Embora sob a ação de uma intensa campanha de

difamação internacional, muito bem dirigida pela Rússia comunista [...], vemos que a mesma

não conseguiu [...] arrastar consigo a opinião dos países representados. [...]

Sejam quais forem as dificuldades que se nos deparem no nosso caminho e os sacrifícios

que se nos imponham para vencê-las, não vejo outra atitude que não seja a decisão de

30 continuar.

António de Oliveira Salazar, Discursos e Notas Políticas, 1928 a 1966, Coimbra, Coimbra Editora, 2016, pp. 977-989. (Texto adaptado)

1.

Ordene cronologicamente as imagens A, B, C e D (documento 1), que se reportam a contextos político-económicos nacionais e internacionais desde o segundo pós-guerra.

Escreva a sequência correta das letras.

.º

2.

Desenvolva o tema Os desafios da política colonial portuguesa no contexto internacional do mundo bipolar, articulando os tópicos de orientação seguintes:

novo quadro geopolítico marcado pela formação da ONU e pela Guerra Fria;

política colonial portuguesa entre o segundo pós-guerra e o fim do Estado Novo.

Na sua resposta:

apresente três elementos para cada tópico de orientação;

evidencie a relação entre os elementos dos dois tópicos, explorando, pelo menos, duas linhas de análise;

integre, pelo menos, uma informação relevante de cada um dos documentos 1, 2 e 3.

Grupo IV - 3 · O mundo bipolar: Guerra Fria, Estado-Providência, descolonização e construção europeia

GRUPO IV

O ESTADO NOVO NO CONTEXTO INTERNACIONAL,

DO SEGUNDO PÓS-GUERRA À REVOLUÇÃO DE ABRIL

Documento 1 (conjunto documental)

Identificação das fontes

Documento 1 (conjunto documental)

A – Arquivo do Diário de Notícias (consultado em janeiro de 2024); B – http://tinyurl.com/mvs7xys5 (consultado em janeiro de 2024); C – http://tinyurl.com/4c69hdzh (consultado em janeiro de 2024); D – Arquivo do Diário de Notícias (consultado em janeiro de 2024).

Documento 2

Documento 3

«O Ultramar português e a ONU», discurso de António de Oliveira Salazar proferido na Assembleia Nacional, 30/06/1961

[T]em sido excecionalmente intensa a atividade das Nações Unidas no respeitante

aos territórios portugueses de além-mar. [...] Em 21 de abril [de 1961], nova resolução da

Assembleia Geral a chamar a atenção do Governo português para a urgência de introduzir

reformas em Angola [...] e para transferir a totalidade dos poderes para as populações dos

5 territórios a fim de as habilitar a fruir de completa independência. [...]

Os Estados Unidos têm quanto à Rússia comunista e aos perigos da sua expansão uma

política bem assente: apoiar [...] as potências do Ocidente europeu, com as quais colaboram

sem regatear meios através do Tratado do Atlântico Norte. [...] Tem a Rússia [...] uma

política igualmente bem definida quanto à África: a sua subversão como meio de contornar

10 a resistência da Europa. [...]

Houve manifestamente grave equívoco em considerar o Ultramar português como território

de pura expressão colonial; equívoco em pensar que a nossa Constituição Política podia integrar

territórios dispersos sem a existência de uma comunidade de sentimentos [...] expressiva da

unidade da Nação [...]. [...]

15 A maneira de ser portuguesa, os princípios morais que presidiram aos descobrimentos e

à colonização, fizeram que em todo o território nacional [...] se hajam constituído sociedades

plurirraciais [...]. [...] Pouco importa que alguns sorriam da nossa estrutura constitucional

que admite províncias tão grandes como Estados [...] e se entretenham a pôr em dúvida

soberanias, aliás indiscutíveis [...]. [...] [O] que seria de Angola na atual crise, se Angola não

20 fosse Portugal? [...]

[N]ão acharam nem o Conselho nem a Assembleia [da ONU] oportunidade para ordenar

aos terroristas que cessassem os seus morticínios e depredações, e tantos dos seus membros

o podiam ter feito com autoridade e eficácia. [...] Muitas pessoas, em face dos votos contrários

a Portugal e das abstenções, inferem do seu número um isolamento perigoso para o nosso país

25 [...]. Espero que não nos intimidemos [...]. [...] Embora sob a ação de uma intensa campanha de

difamação internacional, muito bem dirigida pela Rússia comunista [...], vemos que a mesma

não conseguiu [...] arrastar consigo a opinião dos países representados. [...]

Sejam quais forem as dificuldades que se nos deparem no nosso caminho e os sacrifícios

que se nos imponham para vencê-las, não vejo outra atitude que não seja a decisão de

30 continuar.

António de Oliveira Salazar, Discursos e Notas Políticas, 1928 a 1966, Coimbra, Coimbra Editora, 2016, pp. 977-989. (Texto adaptado)

3. As afirmações seguintes, sobre o processo de construção do projeto europeu desencadeado após a Segunda Guerra Mundial, são todas verdadeiras.

I. A criação da CECA teve por objetivo aproximar economias europeias historicamente rivais.

II. A concretização de uma união aduaneira permitiu a formação de um mercado único europeu.

III. A criação de fundos financeiros destinou-se a promover a coesão económica do espaço europeu.

IV. Os fundadores do projeto europeu viam na cooperação económica um meio de salvaguardar a paz.

V. A assinatura do Tratado de Roma abriu caminho a uma cooperação económica mais ampla.

Identifique as duas afirmações que podem ser comprovadas através da análise da imagem A do documento 1.

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Grupo IV - 4 · Portugal do segundo pós-guerra à democracia: Estado Novo, guerra colonial e 25 de Abril

GRUPO IV

O ESTADO NOVO NO CONTEXTO INTERNACIONAL,

DO SEGUNDO PÓS-GUERRA À REVOLUÇÃO DE ABRIL

Documento 1 (conjunto documental)

Identificação das fontes

Documento 1 (conjunto documental)

A – Arquivo do Diário de Notícias (consultado em janeiro de 2024); B – http://tinyurl.com/mvs7xys5 (consultado em janeiro de 2024); C – http://tinyurl.com/4c69hdzh (consultado em janeiro de 2024); D – Arquivo do Diário de Notícias (consultado em janeiro de 2024).

Documento 2

Documento 3

«O Ultramar português e a ONU», discurso de António de Oliveira Salazar proferido na Assembleia Nacional, 30/06/1961

[T]em sido excecionalmente intensa a atividade das Nações Unidas no respeitante

aos territórios portugueses de além-mar. [...] Em 21 de abril [de 1961], nova resolução da

Assembleia Geral a chamar a atenção do Governo português para a urgência de introduzir

reformas em Angola [...] e para transferir a totalidade dos poderes para as populações dos

5 territórios a fim de as habilitar a fruir de completa independência. [...]

Os Estados Unidos têm quanto à Rússia comunista e aos perigos da sua expansão uma

política bem assente: apoiar [...] as potências do Ocidente europeu, com as quais colaboram

sem regatear meios através do Tratado do Atlântico Norte. [...] Tem a Rússia [...] uma

política igualmente bem definida quanto à África: a sua subversão como meio de contornar

10 a resistência da Europa. [...]

Houve manifestamente grave equívoco em considerar o Ultramar português como território

de pura expressão colonial; equívoco em pensar que a nossa Constituição Política podia integrar

territórios dispersos sem a existência de uma comunidade de sentimentos [...] expressiva da

unidade da Nação [...]. [...]

15 A maneira de ser portuguesa, os princípios morais que presidiram aos descobrimentos e

à colonização, fizeram que em todo o território nacional [...] se hajam constituído sociedades

plurirraciais [...]. [...] Pouco importa que alguns sorriam da nossa estrutura constitucional

que admite províncias tão grandes como Estados [...] e se entretenham a pôr em dúvida

soberanias, aliás indiscutíveis [...]. [...] [O] que seria de Angola na atual crise, se Angola não

20 fosse Portugal? [...]

[N]ão acharam nem o Conselho nem a Assembleia [da ONU] oportunidade para ordenar

aos terroristas que cessassem os seus morticínios e depredações, e tantos dos seus membros

o podiam ter feito com autoridade e eficácia. [...] Muitas pessoas, em face dos votos contrários

a Portugal e das abstenções, inferem do seu número um isolamento perigoso para o nosso país

25 [...]. Espero que não nos intimidemos [...]. [...] Embora sob a ação de uma intensa campanha de

difamação internacional, muito bem dirigida pela Rússia comunista [...], vemos que a mesma

não conseguiu [...] arrastar consigo a opinião dos países representados. [...]

Sejam quais forem as dificuldades que se nos deparem no nosso caminho e os sacrifícios

que se nos imponham para vencê-las, não vejo outra atitude que não seja a decisão de

30 continuar.

António de Oliveira Salazar, Discursos e Notas Políticas, 1928 a 1966, Coimbra, Coimbra Editora, 2016, pp. 977-989. (Texto adaptado)

4. Para a modernização da economia portuguesa no período salazarista contribuiu, conforme evidenciado na imagem D do documento 1,

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