Exame Nacional História A 2023 · Época especial
Exame Nacional de História A 2023, Época especial: 10 exercícios com resolução. Temas: O legado da Antiguidade clássica: Atenas e Roma. Com correção imediata.
Temas do exame: O legado da Antiguidade clássica: Atenas e Roma · Antigo Regime: absolutismo, sociedade de ordens, mercantilismo e Luzes · As revoluções liberais e a implantação do liberalismo em Portugal · Revolução Russa, crise de 1929 e regimes totalitários na Europa entre as guerras · O mundo atual: fim da Guerra Fria, mundo unipolar, União Europeia e globalização
Grupo I - 1 · O legado da Antiguidade clássica: Atenas e Roma
GRUPO I
O LEGADO POLÍTICO E CULTURAL DA ANTIGUIDADE CLÁSSICA
1. A planta de Bracara Augusta evidencia uma das mais relevantes características do urbanismo romano, nomeadamente
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Grupo I - 2 · O legado da Antiguidade clássica: Atenas e Roma
GRUPO I
O LEGADO POLÍTICO E CULTURAL DA ANTIGUIDADE CLÁSSICA
2. O espaço urbano de Bracara Augusta constitui um testemunho da romanização do território da Península Ibérica, ao integrar
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Grupo I - 3 · O legado da Antiguidade clássica: Atenas e Roma
3. Considere as afirmações seguintes sobre o mundo romano no auge do Império, tendo por termo de comparação a civilização da Grécia clássica.
I. O território estava organizado em torno de um centro político unificador.
II. O culto cívico aos deuses constituía um importante fator de coesão social.
III. A cidadania foi progressivamente concedida a todos os homens livres.
Selecione a opção que avalia corretamente as afirmações, considerando as ruturas e as continuidades entre os dois períodos.
Grupo II - 1 · Antigo Regime: absolutismo, sociedade de ordens, mercantilismo e Luzes
GRUPO II
DOUTRINAS E DINÂMICAS ECONÓMICAS EM PORTUGAL, DO ANTIGO REGIME AO LIBERALISMO
Documento 1
Instruções políticas, por Luís da Cunha, diplomata ao serviço do rei D. João V (1736)
[O] príncipe deve contribuir ao alívio dos seus vassalos, tanto quanto for possível [...]; [...] e a primeira coisa em que o[s] poderia aliviar seria em reformar o abuso dos privilegiados, porque os tributos e encargos, de que estes são isentos, carregam sobre os mesmos povos, e por consequência prejudicam a fazenda real. [...]
A segunda, e absolutamente necessária reformação, é a do luxo, que da nobreza tem tão indignamente passado ao povo. [...] Conta a moda por um dos melhores ramos do [comércio de França]; e, pelo contrário, em Portugal é o maior da sua ruína, pois que para seguir esta quimérica 1 grandeza ou magnificência, deve tirar 2 tudo dos países estrangeiros [...]. Assim o entendeu o senhor rei D. Pedro, quando [...] proibiu os panos de fora [...].
O certo é que ele compreendia que [...] era necessário [...] impedir o luxo, favorecer o comércio e aumentar as manufaturas [...], e entretanto ficaria o dinheiro no reino, que é o que mais importa; pois que o maior avanço do comércio consiste em comprar pouco e vender muito, seja de particular a particular, ou de nação a nação. [...]
[O] príncipe que tiver muito dinheiro [...], ainda que possa comprar navios, de pouco lhe servirão [...] se não tiver marinheiros com que os animar. E isto é o que nos sucede, pois apenas os temos para a navegação das nossas frotas, nas quais não admitimos os das outras nações; e a razão porque os não temos, é porque nos falta a extensão do comércio, reduzindo-se toda a nossa marinha a uns poucos de navios, que vão e vêm do Brasil, e a um ou dois, que todos os anos também vão e vêm, ou não vêm da Índia.
Inglaterra e Holanda não são tão conhecidas pelo nome de potências marítimas por causa da sua situação, quanto pela extensão do seu comércio, com o qual aumentam as suas forças, devendo uma coisa e outra às companhias que formaram. [...]
Não há dúvida que a boa política comerciante requer que se aliviem os direitos dos géneros nacionais para que saiam, e se carreguem os estrangeiros para que não entrem, pelo menos, com tanta profusão. [...] A este propósito, [...] parece ser conveniente que Sua Majestade mandasse dar um balanço nas suas alfândegas; e achando [...] que as fazendas que entram excedem muito as que saem, veria claramente que a maioria se paga em ouro [...].
José Luís Cardoso (org.), Portugal como problema. A economia como solução, Lisboa, Fundação Luso-Americana/Público, 2006, pp. 121-141. (Texto adaptado)
1 ilusória.
2 comprar.
Documento 2
Comércio de Portugal com a Inglaterra e com o Brasil, em contos de réis 1, 1800-1830
Inglaterra · 1800-1807 · 1814-1821 · 1823-1830
Média anual das trocas · 14 685 · 15 149 · 11 197
Média anual das importações · 6210 · 9684 · 7079
Média anual das exportações · 8475 · 5465 · 4118
Média saldo anual · + 2265 · − 4219 · − 2961
Brasil · 1800-1807 · 1814-1821 · 1823-1830
Média anual das trocas · 22 320 · 15 210 · 7365
Média anual das importações · 12 773 · 8015 · 3798
Média anual das exportações · 9547 · 7195 · 3567
Média saldo anual · − 3226 · − 820 · − 231
Maria de Fátima Bonifácio, «Comércio externo e política pautal na 1.ª metade do séc. XIX», Ler História, 10 (1987), pp. 75-108. (Adaptado)
1 os totais incluem as reexportações, bem como as «exportações» de ouro e prata.
1. As considerações de Luís da Cunha sobre a necessidade de o monarca «reformar o abuso dos privilegiados» (documento 1, linha 2) concordam com uma das características do regime político então vigente,
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Grupo II - 2 · Antigo Regime: absolutismo, sociedade de ordens, mercantilismo e Luzes
GRUPO II
DOUTRINAS E DINÂMICAS ECONÓMICAS EM PORTUGAL, DO ANTIGO REGIME AO LIBERALISMO
Documento 1
Instruções políticas, por Luís da Cunha, diplomata ao serviço do rei D. João V (1736)
[O] príncipe deve contribuir ao alívio dos seus vassalos, tanto quanto for possível [...]; [...] e a primeira coisa em que o[s] poderia aliviar seria em reformar o abuso dos privilegiados, porque os tributos e encargos, de que estes são isentos, carregam sobre os mesmos povos, e por consequência prejudicam a fazenda real. [...]
A segunda, e absolutamente necessária reformação, é a do luxo, que da nobreza tem tão indignamente passado ao povo. [...] Conta a moda por um dos melhores ramos do [comércio de França]; e, pelo contrário, em Portugal é o maior da sua ruína, pois que para seguir esta quimérica 1 grandeza ou magnificência, deve tirar 2 tudo dos países estrangeiros [...]. Assim o entendeu o senhor rei D. Pedro, quando [...] proibiu os panos de fora [...].
O certo é que ele compreendia que [...] era necessário [...] impedir o luxo, favorecer o comércio e aumentar as manufaturas [...], e entretanto ficaria o dinheiro no reino, que é o que mais importa; pois que o maior avanço do comércio consiste em comprar pouco e vender muito, seja de particular a particular, ou de nação a nação. [...]
[O] príncipe que tiver muito dinheiro [...], ainda que possa comprar navios, de pouco lhe servirão [...] se não tiver marinheiros com que os animar. E isto é o que nos sucede, pois apenas os temos para a navegação das nossas frotas, nas quais não admitimos os das outras nações; e a razão porque os não temos, é porque nos falta a extensão do comércio, reduzindo-se toda a nossa marinha a uns poucos de navios, que vão e vêm do Brasil, e a um ou dois, que todos os anos também vão e vêm, ou não vêm da Índia.
Inglaterra e Holanda não são tão conhecidas pelo nome de potências marítimas por causa da sua situação, quanto pela extensão do seu comércio, com o qual aumentam as suas forças, devendo uma coisa e outra às companhias que formaram. [...]
Não há dúvida que a boa política comerciante requer que se aliviem os direitos dos géneros nacionais para que saiam, e se carreguem os estrangeiros para que não entrem, pelo menos, com tanta profusão. [...] A este propósito, [...] parece ser conveniente que Sua Majestade mandasse dar um balanço nas suas alfândegas; e achando [...] que as fazendas que entram excedem muito as que saem, veria claramente que a maioria se paga em ouro [...].
José Luís Cardoso (org.), Portugal como problema. A economia como solução, Lisboa, Fundação Luso-Americana/Público, 2006, pp. 121-141. (Texto adaptado)
1 ilusória.
2 comprar.
Documento 2
Comércio de Portugal com a Inglaterra e com o Brasil, em contos de réis 1, 1800-1830
Inglaterra · 1800-1807 · 1814-1821 · 1823-1830
Média anual das trocas · 14 685 · 15 149 · 11 197
Média anual das importações · 6210 · 9684 · 7079
Média anual das exportações · 8475 · 5465 · 4118
Média saldo anual · + 2265 · − 4219 · − 2961
Brasil · 1800-1807 · 1814-1821 · 1823-1830
Média anual das trocas · 22 320 · 15 210 · 7365
Média anual das importações · 12 773 · 8015 · 3798
Média anual das exportações · 9547 · 7195 · 3567
Média saldo anual · − 3226 · − 820 · − 231
Maria de Fátima Bonifácio, «Comércio externo e política pautal na 1.ª metade do séc. XIX», Ler História, 10 (1987), pp. 75-108. (Adaptado)
1 os totais incluem as reexportações, bem como as «exportações» de ouro e prata.
* 2. Explicite duas características do modelo económico mercantilista.
Fundamente as duas características com excertos relevantes do documento 1.
Grupo II - 3 · As revoluções liberais e a implantação do liberalismo em Portugal
GRUPO II
DOUTRINAS E DINÂMICAS ECONÓMICAS EM PORTUGAL, DO ANTIGO REGIME AO LIBERALISMO
Documento 1
Instruções políticas, por Luís da Cunha, diplomata ao serviço do rei D. João V (1736)
[O] príncipe deve contribuir ao alívio dos seus vassalos, tanto quanto for possível [...]; [...] e a primeira coisa em que o[s] poderia aliviar seria em reformar o abuso dos privilegiados, porque os tributos e encargos, de que estes são isentos, carregam sobre os mesmos povos, e por consequência prejudicam a fazenda real. [...]
A segunda, e absolutamente necessária reformação, é a do luxo, que da nobreza tem tão indignamente passado ao povo. [...] Conta a moda por um dos melhores ramos do [comércio de França]; e, pelo contrário, em Portugal é o maior da sua ruína, pois que para seguir esta quimérica 1 grandeza ou magnificência, deve tirar 2 tudo dos países estrangeiros [...]. Assim o entendeu o senhor rei D. Pedro, quando [...] proibiu os panos de fora [...].
O certo é que ele compreendia que [...] era necessário [...] impedir o luxo, favorecer o comércio e aumentar as manufaturas [...], e entretanto ficaria o dinheiro no reino, que é o que mais importa; pois que o maior avanço do comércio consiste em comprar pouco e vender muito, seja de particular a particular, ou de nação a nação. [...]
[O] príncipe que tiver muito dinheiro [...], ainda que possa comprar navios, de pouco lhe servirão [...] se não tiver marinheiros com que os animar. E isto é o que nos sucede, pois apenas os temos para a navegação das nossas frotas, nas quais não admitimos os das outras nações; e a razão porque os não temos, é porque nos falta a extensão do comércio, reduzindo-se toda a nossa marinha a uns poucos de navios, que vão e vêm do Brasil, e a um ou dois, que todos os anos também vão e vêm, ou não vêm da Índia.
Inglaterra e Holanda não são tão conhecidas pelo nome de potências marítimas por causa da sua situação, quanto pela extensão do seu comércio, com o qual aumentam as suas forças, devendo uma coisa e outra às companhias que formaram. [...]
Não há dúvida que a boa política comerciante requer que se aliviem os direitos dos géneros nacionais para que saiam, e se carreguem os estrangeiros para que não entrem, pelo menos, com tanta profusão. [...] A este propósito, [...] parece ser conveniente que Sua Majestade mandasse dar um balanço nas suas alfândegas; e achando [...] que as fazendas que entram excedem muito as que saem, veria claramente que a maioria se paga em ouro [...].
José Luís Cardoso (org.), Portugal como problema. A economia como solução, Lisboa, Fundação Luso-Americana/Público, 2006, pp. 121-141. (Texto adaptado)
1 ilusória.
2 comprar.
Documento 2
Comércio de Portugal com a Inglaterra e com o Brasil, em contos de réis 1, 1800-1830
Inglaterra · 1800-1807 · 1814-1821 · 1823-1830
Média anual das trocas · 14 685 · 15 149 · 11 197
Média anual das importações · 6210 · 9684 · 7079
Média anual das exportações · 8475 · 5465 · 4118
Média saldo anual · + 2265 · − 4219 · − 2961
Brasil · 1800-1807 · 1814-1821 · 1823-1830
Média anual das trocas · 22 320 · 15 210 · 7365
Média anual das importações · 12 773 · 8015 · 3798
Média anual das exportações · 9547 · 7195 · 3567
Média saldo anual · − 3226 · − 820 · − 231
Maria de Fátima Bonifácio, «Comércio externo e política pautal na 1.ª metade do séc. XIX», Ler História, 10 (1987), pp. 75-108. (Adaptado)
1 os totais incluem as reexportações, bem como as «exportações» de ouro e prata.
3. As perturbações políticas que afetaram Portugal nas primeiras décadas do século XIX contribuíram decisivamente para inverter o ciclo de prosperidade mercantil vivido desde os finais do século XVIII.
Exponha dois argumentos que sustentem esta afirmação, fundamentando a sua resposta com informação relevante do documento 2.
Grupo III - 1 · Revolução Russa, crise de 1929 e regimes totalitários na Europa entre as guerras
GRUPO III
REGIMES POLÍTICOS E RELAÇÕES INTERNACIONAIS
NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX
Documento 1 (conjunto documental)
Identificação das fontes
A – www.allworldwars.com/Russian%20WWII%20Propaganda%20Posters.html (consultado em 19/12/2022).
B – https://library.ucsd.edu/speccoll/visfront/generalismo.html (consultado em 19/12/2022).
C – https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/DiariodeLisboa/DiariodeLisboa_Indice_Total.htm (consultado em 19/12/2022).
D – https://fondazionefeltrinelli.it/app/uploads/2019/02/vignette-pop-ditalia-2-1-1.jpg (consultado em 19/12/2022).
Documento 2
Documento 3
Testemunho do escritor George Orwell acerca da sua participação na Guerra Civil de Espanha (1938)
Quando cheguei a Espanha, [...] a situação política não só não me dizia nada como não a
compreendia de todo. Sabia que havia uma guerra em curso, mas não fazia ideia de que tipo
de guerra era. Se me perguntassem porque me juntei à milícia, responderia: «Para lutar contra
o fascismo». [...] Enquanto milicianos, éramos soldados contra Franco, mas éramos também
5 peões num enorme tabuleiro onde se digladiavam duas teorias políticas. [...]
Pois aqui se opunha, finalmente, a democracia ao fascismo. Durante anos, os chamados
países democratas tinham estado a render-se ao fascismo, a cada passo. Aos japoneses
fora-lhes concedido agir a seu bel-prazer na Manchúria. Hitler subira ao poder e daí passou
a massacrar os seus oponentes de todos os quadrantes políticos. Mussolini bombardeara os
10 abissínios enquanto cinquenta e três nações [...] faziam sons pios, mas de fora. Mas quando
Franco tentou derrubar um governo moderadamente de esquerda, os espanhóis, contra todas
as expectativas, levantaram-se contra ele. [...] Franco não era estritamente comparável a
Hitler ou a Mussolini. A sua ascensão assentara num levantamento militar patrocinado pela
aristocracia e pela Igreja [...].
15 [A] classe operária espanhola não resistia a Franco [...] em nome da «democracia» [...]. A
sua resistência foi acompanhada por [...] uma insurreição revolucionária precisa. A terra foi
tomada pelos camponeses; muitas fábricas e a maior parte dos transportes foram tomados
pelos sindicatos; as igrejas foram destruídas e os padres expulsos ou mortos. O Daily Mail 1,
entre vivas do clero católico, foi capaz de representar Franco como um patriota que livrava
20 o seu país das hordas de «Vermelhos» diabólicos. [...] Assim que a insurreição rompeu, os
operários organizados responderam com convocatórias de greve geral, reivindicando [...]
armas de arsenais públicos. [...]
As propriedades dos grandes latifundiários pró-fascistas foram extensamente ocupadas
pelos camponeses. A par da coletivização da indústria e dos transportes, houve uma tentativa
25 de estabelecer os primórdios de um governo dos trabalhadores [...]. [...] O que se passara
em Espanha, na verdade, não foi meramente uma guerra civil, mas o princípio de uma
revolução. [...]
Tirando a Rússia e o México, nenhum país tivera a decência de vir em socorro do governo
[...]. [O] facto de o Partido Comunista, especialmente desde a chegada das Brigadas
30 Internacionais, parecer capaz de ganhar a guerra, granjeou-lhe imediatamente muito prestígio.
George Orwell, Homenagem à Catalunha, Porto, Livros do Brasil, 2021, pp. 181-188.
(Texto adaptado)
1 jornal diário britânico direcionado para a classe média e o primeiro a vender um milhão de cópias por dia.
1. Ordene cronologicamente as imagens A, B, C e D (documento 1), que se reportam aos regimes autoritários e totalitários na Europa da primeira metade do século XX.
Escreva a sequência correta das letras (da mais antiga para a mais recente).
º
Grupo III - 2 · Revolução Russa, crise de 1929 e regimes totalitários na Europa entre as guerras
GRUPO III
REGIMES POLÍTICOS E RELAÇÕES INTERNACIONAIS
NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX
Documento 1 (conjunto documental)
Identificação das fontes
A – www.allworldwars.com/Russian%20WWII%20Propaganda%20Posters.html (consultado em 19/12/2022).
B – https://library.ucsd.edu/speccoll/visfront/generalismo.html (consultado em 19/12/2022).
C – https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/DiariodeLisboa/DiariodeLisboa_Indice_Total.htm (consultado em 19/12/2022).
D – https://fondazionefeltrinelli.it/app/uploads/2019/02/vignette-pop-ditalia-2-1-1.jpg (consultado em 19/12/2022).
Documento 2
Documento 3
Testemunho do escritor George Orwell acerca da sua participação na Guerra Civil de Espanha (1938)
Quando cheguei a Espanha, [...] a situação política não só não me dizia nada como não a
compreendia de todo. Sabia que havia uma guerra em curso, mas não fazia ideia de que tipo
de guerra era. Se me perguntassem porque me juntei à milícia, responderia: «Para lutar contra
o fascismo». [...] Enquanto milicianos, éramos soldados contra Franco, mas éramos também
5 peões num enorme tabuleiro onde se digladiavam duas teorias políticas. [...]
Pois aqui se opunha, finalmente, a democracia ao fascismo. Durante anos, os chamados
países democratas tinham estado a render-se ao fascismo, a cada passo. Aos japoneses
fora-lhes concedido agir a seu bel-prazer na Manchúria. Hitler subira ao poder e daí passou
a massacrar os seus oponentes de todos os quadrantes políticos. Mussolini bombardeara os
10 abissínios enquanto cinquenta e três nações [...] faziam sons pios, mas de fora. Mas quando
Franco tentou derrubar um governo moderadamente de esquerda, os espanhóis, contra todas
as expectativas, levantaram-se contra ele. [...] Franco não era estritamente comparável a
Hitler ou a Mussolini. A sua ascensão assentara num levantamento militar patrocinado pela
aristocracia e pela Igreja [...].
15 [A] classe operária espanhola não resistia a Franco [...] em nome da «democracia» [...]. A
sua resistência foi acompanhada por [...] uma insurreição revolucionária precisa. A terra foi
tomada pelos camponeses; muitas fábricas e a maior parte dos transportes foram tomados
pelos sindicatos; as igrejas foram destruídas e os padres expulsos ou mortos. O Daily Mail 1,
entre vivas do clero católico, foi capaz de representar Franco como um patriota que livrava
20 o seu país das hordas de «Vermelhos» diabólicos. [...] Assim que a insurreição rompeu, os
operários organizados responderam com convocatórias de greve geral, reivindicando [...]
armas de arsenais públicos. [...]
As propriedades dos grandes latifundiários pró-fascistas foram extensamente ocupadas
pelos camponeses. A par da coletivização da indústria e dos transportes, houve uma tentativa
25 de estabelecer os primórdios de um governo dos trabalhadores [...]. [...] O que se passara
em Espanha, na verdade, não foi meramente uma guerra civil, mas o princípio de uma
revolução. [...]
Tirando a Rússia e o México, nenhum país tivera a decência de vir em socorro do governo
[...]. [O] facto de o Partido Comunista, especialmente desde a chegada das Brigadas
30 Internacionais, parecer capaz de ganhar a guerra, granjeou-lhe imediatamente muito prestígio.
George Orwell, Homenagem à Catalunha, Porto, Livros do Brasil, 2021, pp. 181-188.
(Texto adaptado)
1 jornal diário britânico direcionado para a classe média e o primeiro a vender um milhão de cópias por dia.
2. As afirmações seguintes, relativas aos princípios ideológicos do fascismo italiano, são todas verdadeiras.
I. Apologia da violência como forma de alcançar e de manter o poder político.
II. Supremacia da autoridade do Estado, submetendo o indivíduo ao todo nacional.
III. Defesa da harmonia e coesão sociais, opondo o corporativismo à luta de classes.
IV. Preservação da unidade nacional através da recusa da democracia parlamentar.
V. Carácter orgânico da comunidade nacional, conduzida por um líder carismático.
Identifique as duas afirmações que podem ser comprovadas através da análise da imagem D do documento 1.
Selecione exatamente duas opções.
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Grupo III · Revolução Russa, crise de 1929 e regimes totalitários na Europa entre as guerras
GRUPO III
REGIMES POLÍTICOS E RELAÇÕES INTERNACIONAIS
NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX
Documento 1 (conjunto documental)
Identificação das fontes
A – www.allworldwars.com/Russian%20WWII%20Propaganda%20Posters.html (consultado em 19/12/2022).
B – https://library.ucsd.edu/speccoll/visfront/generalismo.html (consultado em 19/12/2022).
C – https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/DiariodeLisboa/DiariodeLisboa_Indice_Total.htm (consultado em 19/12/2022).
D – https://fondazionefeltrinelli.it/app/uploads/2019/02/vignette-pop-ditalia-2-1-1.jpg (consultado em 19/12/2022).
Documento 2
Documento 3
Testemunho do escritor George Orwell acerca da sua participação na Guerra Civil de Espanha (1938)
Quando cheguei a Espanha, [...] a situação política não só não me dizia nada como não a
compreendia de todo. Sabia que havia uma guerra em curso, mas não fazia ideia de que tipo
de guerra era. Se me perguntassem porque me juntei à milícia, responderia: «Para lutar contra
o fascismo». [...] Enquanto milicianos, éramos soldados contra Franco, mas éramos também
5 peões num enorme tabuleiro onde se digladiavam duas teorias políticas. [...]
Pois aqui se opunha, finalmente, a democracia ao fascismo. Durante anos, os chamados
países democratas tinham estado a render-se ao fascismo, a cada passo. Aos japoneses
fora-lhes concedido agir a seu bel-prazer na Manchúria. Hitler subira ao poder e daí passou
a massacrar os seus oponentes de todos os quadrantes políticos. Mussolini bombardeara os
10 abissínios enquanto cinquenta e três nações [...] faziam sons pios, mas de fora. Mas quando
Franco tentou derrubar um governo moderadamente de esquerda, os espanhóis, contra todas
as expectativas, levantaram-se contra ele. [...] Franco não era estritamente comparável a
Hitler ou a Mussolini. A sua ascensão assentara num levantamento militar patrocinado pela
aristocracia e pela Igreja [...].
15 [A] classe operária espanhola não resistia a Franco [...] em nome da «democracia» [...]. A
sua resistência foi acompanhada por [...] uma insurreição revolucionária precisa. A terra foi
tomada pelos camponeses; muitas fábricas e a maior parte dos transportes foram tomados
pelos sindicatos; as igrejas foram destruídas e os padres expulsos ou mortos. O Daily Mail 1,
entre vivas do clero católico, foi capaz de representar Franco como um patriota que livrava
20 o seu país das hordas de «Vermelhos» diabólicos. [...] Assim que a insurreição rompeu, os
operários organizados responderam com convocatórias de greve geral, reivindicando [...]
armas de arsenais públicos. [...]
As propriedades dos grandes latifundiários pró-fascistas foram extensamente ocupadas
pelos camponeses. A par da coletivização da indústria e dos transportes, houve uma tentativa
25 de estabelecer os primórdios de um governo dos trabalhadores [...]. [...] O que se passara
em Espanha, na verdade, não foi meramente uma guerra civil, mas o princípio de uma
revolução. [...]
Tirando a Rússia e o México, nenhum país tivera a decência de vir em socorro do governo
[...]. [O] facto de o Partido Comunista, especialmente desde a chegada das Brigadas
30 Internacionais, parecer capaz de ganhar a guerra, granjeou-lhe imediatamente muito prestígio.
George Orwell, Homenagem à Catalunha, Porto, Livros do Brasil, 2021, pp. 181-188.
(Texto adaptado)
1 jornal diário britânico direcionado para a classe média e o primeiro a vender um milhão de cópias por dia.
3.
Desenvolva o tema A degradação do ambiente político internacional nas vésperas da Segunda Guerra Mundial, articulando os tópicos de orientação seguintes:
o contexto económico e político-ideológico da Europa nos anos 30;
a formação de um governo de Frente Popular em Espanha e a eclosão da guerra civil.
Na sua resposta,
apresente três elementos para cada tópico de orientação, evidenciando a relação entre os elementos dos dois tópicos;
integre, pelo menos, uma informação relevante de cada um dos documentos seguintes: imagem B do documento 1 e documentos 2 e 3.
4.
Alguns dos princípios ideológicos e das realizações do regime estalinista encontram-se evidenciados na imagem A do documento 1, em particular
Grupo IV · O mundo atual: fim da Guerra Fria, mundo unipolar, União Europeia e globalização
GRUPO IV
O ESTADO DO MUNDO À ENTRADA DO NOVO MILÉNIO: QUADRO GEOPOLÍTICO E ELEMENTOS MARCANTES DA ATUALIDADE
Documento 1
Presença dos EUA no mundo, na perspetiva do historiador Tony Judt (2002)
A América, além de provocar ressentimento pelo que é, alimenta a antipatia pelo que faz. [...] Os Estados Unidos costumam ser um cidadão internacional delinquente. Têm relutância em aderir a iniciativas conjuntas ou a acordos internacionais [...]. [...] A atitude da América em relação às Nações Unidas e aos seus organismos é fria, para não irmos mais longe. [...] Segundo o credo unilateralista da administração Bush [...], a Guerra Fria acabou e a poeira assentou. [...] A política externa tem que ver com interesses nacionais. Os interesses nacionais são servidos pelo exercício do poder. O poder tem que ver com armas e com a vontade de as usar, e nós [americanos] temos as duas coisas. [...]
Se os Estados Unidos querem vencer a sua guerra contra o terror, se querem ter êxito na [...] liderança mundial, vão necessitar da ajuda e da compreensão de terceiros, em particular no trato com Estados árabes, muçulmanos e outros pobres e ressentidos pelo seu atraso. [...] Os «Estados falhados», em cujos detritos os terroristas florescem, têm de ser reconstruídos – os Estados Unidos são culpados de não se interessarem por esta tarefa [...], num contraste deprimente com o seu desempenho em 1945. A América bombardeia e os outros ficam com o trabalho complicado e perigoso da reconstrução.
A União Europeia [...] contribui atualmente com dez vezes mais tropas para a manutenção de paz em todo o mundo do que os Estados Unidos [...]. [...] Não obstante a gabarolice de machão que por vezes passa por análise de política externa na Washington contemporânea, os Estados Unidos dependem completamente dos seus amigos e aliados para atingirem os seus objetivos. [...]
O propósito da Nato tornou-se obscuro, e as opiniões dividem-se [...] acerca de se saber se e como os europeus se devem organizar coletivamente para a sua própria defesa na ausência da ameaça soviética. A União Europeia, livre para se alargar para leste, está absorvida por debates internos sobre a forma de o fazer e das consequências para a sua governança. [...]
Por causa do euro, a UE impôs aos seus membros restrições severas em termos de despesa [...]. E a isto há que acrescentar a retórica anti-imigração incendiária da extrema-direita.
Tony Judt, Quando os factos mudam. Ensaios 1995-2010, Lisboa, Edições 70, 2015, pp. 197-215. (Texto adaptado)
Documento 2
O papel dos EUA na política mundial, segundo o presidente norte-americano George W. Bush (2003)
Aprendemos uma lição: os perigos do nosso tempo têm de ser enfrentados de forma ativa e vigorosa, antes que os vejamos abaterem-se novamente sobre os nossos céus e sobre as nossas cidades. E estabelecemos um objetivo: não permitiremos o triunfo do medo e da violência [...]. [...] Prendemos ou afastámos muitos dos líderes da Al Qaeda. Por todo o mundo estamos a caçar os assassinos um a um. [...]
No Iraque, um ditador fabrica e oculta armas que podem permitir-lhe dominar o Médio Oriente e intimidar o mundo civilizado – não iremos permiti-lo. [...] Mesmo que tenhamos de usar a força, os Estados Unidos e a nossa coligação estão prontos para ajudar os cidadãos de um Iraque libertado. Providenciaremos cuidados médicos aos doentes e estamos agora a mobilizar quase três milhões de rações de combate para alimentar os famintos. [...] Reconstruir o Iraque exigirá um compromisso firme de muitas nações, incluindo a nossa: permaneceremos no Iraque o tempo que for necessário [...]. [...] Depois de derrotarmos os inimigos, não deixámos para trás exércitos de ocupação, deixámos constituições e parlamentos. [...]
Ao enfrentar o Iraque, os Estados Unidos demonstram também o seu compromisso com instituições internacionais eficazes. Somos um membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. [...] O mundo precisa hoje e precisará no futuro de organismos internacionais com autoridade e determinação para travar a difusão do terror e das armas químicas, biológicas e nucleares. As ameaças a todos devem ser respondidas por todos. [...]
Ouvi atentamente os desejos de paz dos povos e dos líderes de todo o mundo. Todos desejamos a paz. A ameaça à paz não vem daqueles que procuram dar resposta às justas aspirações do mundo civilizado; a ameaça à paz vem daqueles que desrespeitam essas aspirações. Se tivermos de agir, agiremos para conter a violência e defender a causa da paz. [...]
Muito é pedido à América [...]. O trabalho que nos espera é exigente. [...] Contudo, a segurança da nossa nação e a esperança de milhões depende de nós, e os americanos não viram costas aos seus deveres por estes serem difíceis. Já enfrentámos grandes desafios no passado e enfrentaremos os desafios do nosso tempo.
https://georgewbush-whitehouse.archives.gov/infocus/bushrecord/documents/Selected_Speeches_George_W_Bush.pdf (consultado em 18/12/2022). (Texto traduzido e adaptado)
1.
Compare as duas perspetivas sobre a hegemonia norte-americana no mundo após o fim da Guerra Fria, expressas nos documentos 1 e 2, quanto a dois aspetos em que se opõem.
Fundamente a sua resposta com excertos relevantes dos dois documentos.
2.
Explicite dois desafios com que a União Europeia se confronta, no âmbito da construção do projeto comum.
Fundamente os dois desafios com excertos relevantes do documento 1.
Grupo IV - 3 · O mundo atual: fim da Guerra Fria, mundo unipolar, União Europeia e globalização
3. Desde o final dos anos 70 do século XX, um conjunto de transformações socioeconómicas tem conduzido à emergência de processos e modelos económicos que configuram o mundo atual.
Associe esses processos e modelos, que se encontram enumerados na coluna A, às frases que os identificam, apresentadas na coluna B. Todas as frases devem ser utilizadas. Cada frase deve ser associada apenas a um dos processos e modelos.
Selecione para cada frase da coluna B a alínea correspondente da coluna A:
COLUNA A
(a) Globalização
(b) Ambientalismo
(c) Neoliberalismo
()
Grupo IV - 4 · O mundo atual: fim da Guerra Fria, mundo unipolar, União Europeia e globalização
4. Complete o texto seguinte, selecionando a opção adequada para cada espaço.
Na folha de respostas, registe apenas as letras e o número que corresponde à opção selecionada em cada um dos casos.
Na transição do milénio, o mundo ocidental confronta-se com problemas
,
como é o caso dos movimentos migratórios, que suscitam, em alguns países, a implementação de medidas governamentais de carácter inclusivo, para promover a
.
A extraordinária complexidade daqui resultante expressa-se, num tempo marcado pela
dos fenómenos sociais, em manifestações muito diversificadas de cultura
.
a)
b)
c)
d)
.
.
.
.
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Pratica um tema com exercícios dos exames de todos os anos, misturados.
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