Grupo II - 7 · Exame Nacional Português Época especial 2023
Tema: Gramática · Do exame Época especial (2023)
Enunciado
GRUPO II
Leia o texto.
A linguagem humana, baseada em símbolos, é inseparável da autoconsciência, pelo menos no sentido de que a única espécie de animais plenamente conscientes de si próprios, a nossa, é também a única espécie simbólica e linguística. Pelo mesmo motivo, ficamos sem resposta à pergunta de saber se pode existir raciocínio sem a linguagem humana (o contrário é impossível). É difícil ir mais longe, mas também é difícil imaginar uma espécie em que as duas propriedades, a comunicação baseada em símbolos e o pensamento racional, não estejam unidas. Pode raciocinar-se sem palavras? Não é o pensamento, precisamente, um monólogo interior?
Todos os animais comunicam entre si, mas só nós é que o fazemos por meio de símbolos, ou seja, de símbolos arbitrários (fruto do capricho e da invenção) que só são entendidos pela comunidade que os usa e que são incompreensíveis para os restantes, porque não são universais como os instintos. O mesmo é válido tanto para os sons (fonemas) que significam alguma coisa (uma palavra falada), como para uma estrela de cinco pontas no código militar, a borla dos doutorados numa cerimónia académica ou a aliança de casamento na vida social (pelo menos no Ocidente). Nenhum destes sinais está inscrito no nosso genoma. Para codificar conceitos, um objeto de adorno é o mesmo que um ritual fúnebre, uma obra de arte ou um idioma (os objetos de adorno e a arte paleolítica não se criaram para causar uma impressão estética no observador, ou não apenas para isso, mas para comunicar e partilhar ideias).
Cada um de nós, seres humanos, utiliza o nosso idioma, o da nossa comunidade linguística, quando mantemos conversas digitais, em chats, mas recorremos com frequência, o que é curioso, aos emoticons para conseguirmos que realmente nos compreendam. E estes ícones são internacionais e valem para todos os países. Não estão em inglês, espanhol, árabe ou chinês. Sem os emoticons perdem-se nuances importantes, como a ironia, o enfado, a simpatia, a cumplicidade, o amor, o humor, o pesar, etc. São os melhores veículos, mais eficazes e mais seguros, para transmitir emoções, mais do que as palavras escritas. Substituem as inflexões do tom de voz e a linguagem corporal que se perdem num chat. Ninguém é capaz de estar a falar durante muito tempo num tom neutro sem mexer um músculo, numa conversa em pessoa.
Olhe, leitor, para um quadro de emoticons. Verá que muitos deles correspondem a expressões faciais. Toda a gente os percebe, talvez por se terem generalizado com o uso dos telemóveis e de outros dispositivos, mas também, seguramente, porque fazem parte do património biológico da espécie e estão, como se costuma dizer, nos nossos genes (todos os seres humanos choram quando estão tristes). Pode ver-se assim como a biologia e a cultura convivem e se complementam nos seres humanos. Cada comunidade fala o seu idioma (a cultura), mas todos usamos os mesmos emoticons (a biologia).
Juan Luis Arsuaga, Vida, a Grande História – Uma Viagem pelo Labirinto da Evolução,
Lisboa, Temas e Debates, 2021, pp. 450-451.
7. As orações iniciadas por «que» na linha 12 e na linha 28 classificam-se como
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Resolução
Segundo os critérios oficiais de classificação
7. As orações iniciadas por «que» na linha 12 e na linha 28 classificam-se como
Resposta: (A) oração subordinada adjetiva relativa restritiva, no primeiro caso, e oração subordinada substantiva completiva, no segundo caso.
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