Grupo II · Exame Nacional Português Época especial 2022
Tema: Compreensão de texto não literário · Do exame Época especial (2022)
Enunciado
GRUPO II
Leia o texto e a nota.
Definido ao longo do tempo pela ação humana, o património cultural, longe de se submeter a uma visão estática e imutável, tem de ser considerado como um «conjunto de recursos herdados do passado», testemunha e expressão de valores, crenças, saberes e tradições em contínua evolução e mudança. O tempo, a História e a sociedade estão em contacto permanente. Nada pode ser compreendido e valorizado sem esse diálogo extremamente rico. Usando a expressão de Rabelais, estamos sempre perante «pedras vivas», já que as «pedras mortas» dão testemunho das primeiras. O património surge, nesta lógica, como um primeiro recurso de compromisso democrático em prol da dignidade da pessoa humana, da diversidade cultural e do desenvolvimento durável. E constitui um capital cultural resultante do engenho e do trabalho de mulheres e homens, tornando-se fator de desenvolvimento e incentivo à criatividade.
Quando falamos de respeito mútuo entre culturas e das diversas expressões da criatividade e da tradição, estamos a considerar o valor que a sociedade atribui ao seu património cultural e histórico ou à sua memória como fator fundamental para evitar e prevenir o «choque de civilizações», mas, mais do que isso, para criar bases sólidas de entreajuda e de entendimento. Impõe-se, deste modo, o reconhecimento mútuo do património inerente às diversas tradições culturais que coexistem no continente e uma responsabilidade moral partilhada na transmissão do património às futuras gerações. E não esqueçamos o contributo do património cultural para a sociedade e o desenvolvimento humano, no sentido de incentivar o diálogo intercultural, o respeito mútuo e a paz, a melhoria da qualidade de vida e a adoção de critérios de uso durável dos recursos culturais do território. Daí a importância da «cooperação responsável» na sociedade contemporânea, através da ação conjugada dos poderes públicos, do mundo da economia e da solidariedade voluntária.
Perante a exigência do reconhecimento mútuo do património inerente às diversas tradições culturais que coexistem e de uma responsabilidade moral partilhada na transmissão do património às futuras gerações, realizamos um exercício prático, em que, a propósito da herança cultural e da salvaguarda de marcos de memória, descobrimos a importância do diálogo entre valores e factos, entre ideais e interesses, entre autonomia e heteronomia. O certo é que os valores, quando reconhecidos socialmente, adquirem um carácter de permanência, tornam-se expressão da memória e do movimento, da tradição e da criação e aliam-se às constantes e invariáveis axiológicas 1 numa relação complexa em que o património e a herança culturais se tornam fatores de liberdade, de responsabilidade, de emancipação, de respeito mútuo e de afirmação da dignidade humana. Uma obra de arte, uma catedral ou uma choupana tradicional, um conto popular, as danças e os cantares, a língua e os dialetos, as obras dos artesãos, a culinária ancestral – eis-nos perante expressões de valores que põem em contacto a História e a existência individual, a razão e a emoção, que constituem a matéria-prima de uma cultura de paz.
Guilherme d’Oliveira Martins, Património Cultural – Realidade Viva, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2020, pp. 7-9.
NOTA
1 axiológicas – que dizem respeito à axiologia ou à filosofia dos valores.
1.
As palavras de Rabelais, transcritas no texto, confirmam a ideia defendida pelo autor de que o património cultural se caracteriza pela
()
2.
No segundo parágrafo, o autor defende a ideia de que
()
3.
De acordo com o desenvolvimento das ideias do autor ao longo do terceiro parágrafo, a enumeração presente nas linhas 33 a 35 exemplifica o modo como
()
4.
No contexto em que ocorre, o vocábulo «capital» (linha 9) remete para a ideia de
()

Resolução
Segundo os critérios oficiais de classificação
1. As palavras de Rabelais, transcritas no texto, confirmam a ideia defendida pelo autor de que o património cultural se caracteriza pela
Resposta: (B) transformação contínua que o enriquece.
2. No segundo parágrafo, o autor defende a ideia de que
Resposta: (C) o (re)conhecimento da diversidade cultural propicia o respeito mútuo e a paz nas sociedades.
3. De acordo com o desenvolvimento das ideias do autor ao longo do terceiro parágrafo, a enumeração presente nas linhas 33 a 35 exemplifica o modo como
Resposta: (B) o respeito pelos valores de cada sociedade contribui para a dignificação da pessoa humana.
4. No contexto em que ocorre, o vocábulo «capital» (linha 9) remete para a ideia de
Resposta: (A) herança.
A explicação passo a passo é Premium. Premium
Resolve-o aqui mesmo: correção automática, pistas e solução passo a passo.
‹ Grupo II · 2.ª fase 2022 · Grupo II - 1 · 1.ª fase 2021 ›
Mais exercícios de Compreensão de texto não literário
- Grupo II - 1 · 1.ª fase 2021
- Grupo II - 2 · 1.ª fase 2021
- Grupo II · 1.ª fase 2021
- Grupo II - Compreensão · 2.ª fase 2021
O exame completo · Época especial (2022)