Exercício 18 · Exame Nacional Filosofia Época especial 2025

Tema: Filosofia da ciência: Popper e Kuhn · Do exame Época especial (2025)

Enunciado

18. Considere o texto seguinte.

Estamos profundamente habituados a encarar a ciência como a única atividade que se aproxima constantemente de uma meta antecipadamente estabelecida na natureza.

Mas será que tal meta tem de existir? Não poderemos explicar [...] o sucesso da ciência em termos de evolução a partir do estado de conhecimento da comunidade [científica] num dado momento? Haverá alguma vantagem em imaginar que existe uma explicação completa, objetiva e verdadeira da natureza e que a medida adequada do sucesso científico é o grau em que nos aproxima dessa meta final?

T. Kuhn, A Estrutura das Revoluções Científicas, Lisboa, Guerra e Paz, 2009, pp. 230-231. (Texto adaptado)

Kuhn sugere que deveríamos abandonar o modo de entender o progresso da ciência a que «estamos profundamente habituados».

Concorda com a sugestão de Kuhn?

Na sua resposta, deve:

clarificar o problema apresentado no texto;

apresentar inequivocamente a sua posição;

argumentar a favor da sua posição.

Enunciado: Exercício 18 · Exame Nacional Filosofia Época especial 2025

Resolução

Segundo os critérios oficiais de classificação

Concorda com a sugestão de Kuhn? Na sua resposta, deve: clarificar o problema apresentado no texto; apresentar inequivocamente a sua posição; argumentar a favor da sua posição.

Resposta: A resposta integra os aspetos seguintes, ou outros igualmente relevantes: Clarificação do problema apresentado no texto: – Trata-se do problema de determinar qual das conceções de progresso seguintes é adequada ao modo como a ciência efetivamente evolui: o progresso da ciência pode ser entendido por referência a um estado de conhecimento final (firmado pela natureza), ou o progresso da ciência apenas pode ser entendido por referência a um (dado) estado de conhecimento prévio (OU da comunidade científica). Apresentação inequívoca da posição defendida. Justificação da posição defendida – cenários de resposta: *No caso de o examinando defender que deveríamos abandonar o modo de entender o progresso da ciência a que «estamos profundamente habituados» (concorda com Kuhn):* – a resolução de problemas, especialmente daqueles para os quais as teorias científicas anteriores/anteriormente estabelecidas não tinham uma explicação, é um indicador de sucesso científico; – é plausível entender tal sucesso científico como uma «evolução a partir do estado de conhecimento da comunidade científica num dado momento»; – para sabermos se essa evolução aproximaria a ciência de «uma explicação completa, objetiva e verdadeira da natureza», teríamos de dispor previamente de uma ideia suficientemente precisa «dessa meta final»; – ora, as novas teorias científicas adotadas pela comunidade científica – teorias que resolvem problemas que as teorias anteriores eram incapazes de explicar – são geralmente mudanças revolucionárias; – o facto de as novas teorias científicas serem geralmente mudanças revolucionárias torna implausível que se tenha uma ideia suficientemente precisa de um suposto estado de conhecimento final e, por conseguinte, que se conceba a evolução da ciência como uma aproximação gradual a essa meta. *No caso de o examinando defender que não deveríamos abandonar o modo de entender o progresso da ciência a que «estamos profundamente habituados» (discorda de Kuhn):* – as novas teorias científicas adotadas pela comunidade científica permitem explicar fenómenos que as teorias científicas anteriormente estabelecidas eram incapazes de explicar, mas raramente equivalem a mudanças revolucionárias; – de um modo geral, as novas teorias científicas incorporam leis, princípios e conceitos das teorias científicas anteriormente estabelecidas; – tais leis, princípios e conceitos (provenientes das teorias científicas anteriormente estabelecidas e incorporados nas novas teorias científicas) resistiram a testes rigorosos e independentes; – é plausível conceber que os elementos das teorias científicas precedentes incorporados nas novas teorias científicas tenham sido passos na evolução da ciência, passos que a aproximam de um estado de conhecimento final, ainda que se trate de um estado inalcançável; – é igualmente plausível conceber que as novas teorias adotadas pela comunidade científica, por serem mais abrangentes do que as precedentes, e caso resistam a testes igualmente rigorosos e independentes, sejam também passos na evolução da ciência, passos que igualmente a aproximam de «uma explicação completa, objetiva e verdadeira da natureza».

A explicação passo a passo é Premium. Premium

Resolve-o aqui mesmo: correção automática, pistas e solução passo a passo.

‹ Exercício 15 · 2.ª fase 2025 · Exercício 15 · 1.ª fase 2024 ›

Mais exercícios de Filosofia da ciência: Popper e Kuhn

O exame completo · Época especial (2025)