Grupo I - 7 · Exame Nacional Português Época especial 2026
Tema: Os Lusíadas e Mensagem · Do exame Época especial (2026)
Enunciado
PARTE C
7. Tal como Eça de Queirós e Ruy Belo, também Luís de Camões refletiu sobre Portugal e os portugueses ao escrever a sua epopeia.
Escreva uma breve exposição na qual comprove a veracidade da afirmação anterior, baseando-se na sua experiência de leitura de Os Lusíadas.
A sua exposição deve incluir:
uma introdução ao tema;
um desenvolvimento no qual explicite duas reflexões do Poeta sobre o seu país e os seus contemporâneos, fundamentando cada um dos aspetos referidos em, pelo menos, um exemplo significativo;
uma conclusão adequada ao desenvolvimento do tema.

Resolução
Segundo os critérios oficiais de classificação
Escreva uma breve exposição na qual comprove que Luís de Camões refletiu sobre Portugal e os portugueses ao escrever a sua epopeia, baseando-se em Os Lusíadas.
Resposta: Devem ser abordados dois dos tópicos seguintes, ou outros igualmente relevantes: - Camões lamenta o desprezo que os portugueses demonstram pelas artes, não agindo, por isso, de acordo com o ideal de homem renascentista – aquele que consegue aliar as armas às letras. Através da referência a heróis da Antiguidade, que a par das façanhas guerreiras cultivavam as artes e as letras (como é o caso de Otávio, imperador romano, que compunha versos graciosos, embora a governação do império o ocupasse excessivamente, ou de Júlio César, líder militar, que se dedicava à escrita durante a campanha da Gália), o Poeta pretende incitar os portugueses a seguir-lhes o exemplo. - Camões critica o poder do ouro, pois é capaz de corromper tanto ricos como pobres/de transformar amigos em traidores, fazendo sobressair a falsidade humana/de pôr em causa a lealdade, por exemplo, no ato de entregar capitães aos inimigos. Este «metal luzente e louro»/«este encantador» cega as consciências, corrompe os mais puros e leva à adulteração na interpretação das leis, a ponto de o próprio clero ser seduzido pelo ouro. - Camões lamenta-se por «cantar a gente surda e endurecida» e por verificar que Portugal se encontra mergulhado numa «apagada e vil tristeza». Ele sente tristeza/revolta por constatar que aqueles a quem canta são insensíveis à sua obra e por a pátria se encontrar num estado de inércia e de indiferença, movida pela cobiça. Apesar disso, o Poeta afirma que o rei se deve alegrar, dado que tem ao seu dispor vassalos excecionais, incitando-o a compensar devidamente esses homens, os quais estão dispostos a dar a vida pelo rei.
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