Exercício 16 · Exame Nacional Economia A 2.ª fase 2026
Tema: O Estado, finanças públicas e políticas · Do exame 2.ª fase (2026)
Enunciado
16. Leia o texto seguinte.
Em Portugal, se considerarmos os últimos 50 anos – período após o 25 de Abril de 1974 –, verificamos que foram marcados por fases de forte desequilíbrio nas finanças públicas. Em 1977, em 1983 e em 2011, o país foi obrigado a solicitar apoio financeiro internacional. Estes apoios implicaram processos dolorosos de ajustamento da economia portuguesa.
Uma das faces mais notórias desses desequilíbrios prende-se com a existência, quase permanente, de défices orçamentais, que conduziram ao aumento do valor da dívida pública e comprometeram a capacidade de intervenção do Estado.
Por vezes, os Estados gostariam de utilizar a dívida para intervir, realizando investimentos nas pessoas – rede de escolas e hospitais públicos –, melhorando as acessibilidades e atraindo novos investimentos, em suma, melhorando as condições de vida das populações. Este processo de financiamento da despesa pública apresenta também alguns riscos, pode ser um fardo pesado, quando a dívida pública cresce demasiado depressa, e com ela os juros e encargos com a dívida, limitando a capacidade de o Estado intervir nas esferas económica e social.
Nuno Crespo e Nádia Simões, Uma Viagem ao Mundo das Ideias Económicas – vol. II, 1.ª ed., Coimbra, Conjuntura Actual Editora, 2024, pp. 34-35. (Texto adaptado)
Explicite, com base no texto, a limitação na capacidade de intervenção do Estado português na atividade económica, considerando:
– a relação entre o défice orçamental e a evolução da dívida pública;
– o efeito da evolução da dívida pública na evolução das despesas públicas correntes e (através destas) na capacidade de intervenção futura do Estado na atividade económica, considerando que as receitas públicas totais não sofrem alterações.

Resolução
Segundo os critérios oficiais de classificação
Explicite, com base no texto, a limitação na capacidade de intervenção do Estado português na atividade económica, considerando a relação entre o défice orçamental e a evolução da dívida pública, e o efeito da evolução da dívida pública na evolução das despesas públicas correntes e na capacidade de intervenção futura do Estado.
Resposta: Tópicos de resposta: • o aumento do valor da dívida pública resulta da existência de défices orçamentais (sucessivos) financiados por empréstimos (sem que a capacidade de amortização da dívida pública seja superior ao aumento da mesma); • a existência de dívida pública, ao provocar o aumento das despesas públicas (correntes) por via dos encargos com a (OU com os juros da) dívida, contribui para limitar as outras despesas públicas (considerando que as receitas públicas totais não se alteraram), de modo a não agravar o défice orçamental, o que compromete a capacidade de intervenção do Estado.
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