Grupo I - 21 · Exame Nacional Biologia e Geologia 1.ª fase 2022
Tema: Digestão, transporte e trocas gasosas · Do exame 1.ª fase (2022)
Enunciado
Texto 3
Nos últimos 20 anos, tem-se registado uma drástica diminuição na densidade populacional de Hippocampus guttulatus e de Hippocampus hippocampus na Ria Formosa, reveladora do forte impacto exercido pela ação humana neste ecossistema.
Sendo a Ria Formosa um local com interesse económico e turístico, onde as atividades náuticas são frequentes, foi desenvolvido um estudo com o objetivo de testar os efeitos da poluição sonora subaquática nas reações fisiológicas de H. guttulatus.
Usando o procedimento representado na Figura 3A, foram testadas, em locais da ria previamente selecionados, duas condições acústicas diferentes, com recurso a um barco com o motor em funcionamento, durante 3 minutos. Nos primeiro e segundo minutos, o barco esteve em movimento, descrevendo a trajetória X (intensidade sonora variável). Durante o terceiro minuto, o barco esteve parado, na posição Y (intensidade sonora constante). Foi contado o número de movimentos operculares por minuto (MOPM) de 46 indivíduos da espécie H. guttulatus (29 machos e 17 fêmeas), observados entre os 4 e os 10 metros de profundidade, e foram registados os valores da temperatura da água.
Os dados foram recolhidos durante a maré alta, altura em que as correntes se reduzem e em que a visibilidade debaixo de água é maior.
Foram também realizadas observações em outros dois locais: num dos canais com maior tráfego (canal de Olhão), de modo a registar a reação do cavalo-marinho ao ruído normal do movimento dos barcos, e na Estação Experimental do Ramalhete (EER), do Centro de Ciências do Mar (CCMAR), na ausência de estímulos sonoros.
O comportamento dos cavalos-marinhos, gravado em vídeo, foi analisado.
O gráfico da Figura 3B representa os valores médios dos MOPM em ambiente controlado, em condições normais de tráfego e ao fim dos primeiro, segundo e terceiro minutos dos ensaios experimentais. As diferenças entre as médias dos MOPM nas várias situações experimentais foram significativas.
21. Além da variação dos MOPM, observou-se que, no habitat natural, cerca de 37,5% dos cavalos-marinhos fugiram dos locais de observação.
Relacione os resultados obtidos no estudo, relativos à frequência dos movimentos operculares, com uma maior capacidade de fuga.

Resolução
Segundo os critérios oficiais de classificação
21. Relacione os resultados obtidos no estudo, relativos à frequência dos movimentos operculares, com uma maior capacidade de fuga.
Resposta: O aumento da frequência dos movimentos operculares conduz a uma maior taxa de ventilação das brânquias e a uma maior oxigenação do sangue. A maior quantidade de oxigénio fornecida às células musculares permite uma maior taxa de respiração aeróbia com maior produção de ATP (energia), o que potencia a resposta motora e a capacidade de fuga.
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