Grupo I - 9 · Exame Nacional Biologia e Geologia 2.ª fase 2023

Tema: Biomoléculas, célula e transporte membranar · Do exame 2.ª fase (2023)

Enunciado

Texto 2

Os moluscos de água doce são, na atualidade, um dos grupos de seres vivos de invertebrados em perigo de extinção. Uma das espécies mais ameaçadas a nível nacional e mundial é o mexilhão-de-rio ( Margaritifera margaritifera), que pode ser encontrado, em populações estáveis, em dois rios transmontanos, o Tuela e o Rabaçal. Estes bivalves requerem águas correntes saturadas de oxigénio e frias. Para este regime térmico, contribui a vegetação ripícola 1, constituída por várias espécies de plantas caducifólias 2, em particular o amieiro ( Alnus glutinosa), que promove o ensombramento dos cursos de água.

O mexilhão-de-rio alimenta-se de organismos microscópicos e de partículas orgânicas que filtra da água quando esta passa pelas suas brânquias. Graças à ação de cílios, as partículas alimentares são encaminhadas para a boca e digeridas no estômago, através de reações catalisadas por enzimas. Os moluscos bivalves apresentam um sistema de transporte aberto e, em muitos casos, possuem uma proteína extracelular transportadora de oxigénio, a hemocianina.

O seu ciclo de vida (Figura 2) é bastante longo e complexo, comparativamente ao de outros invertebrados. Após a ocorrência da fertilização, as fêmeas libertam as larvas (gloquídios) para a coluna de água. Os gloquídios possuem uma estrutura em forma de gancho, com a qual se fixam às brânquias das trutas-de-rio ( Salmo trutta), parasitando-as de forma obrigatória. Ao fim de alguns meses, os juvenis do mexilhão-de-rio libertam-se do seu hospedeiro e enterram-se nos sedimentos do leito do rio, até atingirem a fase adulta.

Os amieiros estabelecem uma relação simbiótica com as bactérias da espécie Frankia alni, que se alojam e multiplicam em nódulos radiculares. Estas bactérias fixam o nitrogénio atmosférico, contribuindo para a sobrevivência das árvores em solos pobres e para a produção de folhas ricas em compostos nitrogenados, que, quando caem, servem de alimento aos invertebrados aquáticos. Estes invertebrados constituem, por sua vez, uma parte importante da dieta das trutas-de-rio.

Notas:

1 Vegetação ripícola – espécies vegetais que se encontram ao longo das margens dos rios.

2 Plantas caducifólias – plantas que perdem as folhas em determinada estação do ano.

Baseado em: A. Ferreira, «Margaritifera margaritifera em Portugal: principais ameaças à sua conservação», mestrado em Ecologia, Escola de Ciências, Universidade do Minho, 2018; e em: M. Pinto e J. Gaspar, «Doença do amieiro: uma séria ameaça à integridade dos bosques ripícolas», Floresta para Todos, Sociedade Portuguesa de Ciências Florestais, 2021.

9. As células de Alnus glutinosa distinguem-se das de Salmo trutta por possuírem organelos

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Resolução

Segundo os critérios oficiais de classificação

9. As células de Alnus glutinosa distinguem-se das de Salmo trutta por possuírem organelos

Resposta: (D) com DNA circular, responsáveis pela fixação de dióxido de carbono.

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