Grupo I - 10 · Exame Nacional Biologia e Geologia 1.ª fase 2024
Tema: Biodiversidade, evolução e sistemática · Do exame 1.ª fase (2024)
Enunciado
Texto 2
O Canhão da Nazaré foi um dos locais estudados pelas equipas multidisciplinares que integraram o projeto HERMES ( Hotspot Ecosystem Research on the Margins of European Seas) para o estudo dos ecossistemas marinhos da zona profunda ao largo da costa europeia, estando Portugal entre os 15 países envolvidos.
Nos sedimentos do canhão, foram identificadas várias espécies de foraminíferos, a diferentes profundidades. Estes organismos são protistas unicelulares, apresentam uma carapaça frequentemente carbonatada, reproduzem-se sexuada e assexuadamente e capturam o alimento através de pseudópodes, digerindo-o posteriormente.
No sector médio do canhão, a cerca de 3500 m de profundidade, abundam holotúrias da espécie Molpadia musculus, animais invertebrados de corpo alongado, da classe Holothuroidea, vulgarmente conhecidos como pepinos-do-mar, que se alimentam de matéria orgânica existente nos sedimentos. Estes animais, quando ameaçados ou capturados, contraem-se e expulsam grande parte dos órgãos internos, regenerando-os ao fim de alguns dias.
No sector inferior do canhão, a cerca de 4300 m de profundidade, existem anelídeos do género Siboglinum, que vivem dentro de tubos. Estes animais não possuem sistema digestivo na fase adulta, dependendo de bactérias endossimbióticas autotróficas para a sua nutrição. Estas bactérias, localizadas no interior de células do hospedeiro designadas por bacteriócitos, oxidam substâncias inorgânicas como o (sulfureto de hidrogénio) para obter energia. Essa energia é depois usada, num processo idêntico ao da fase química da fotossíntese, para a síntese de compostos orgânicos.
A Figura 3 representa a localização das bactérias no interior dos anelídeos Siboglinum.
Figura 3
Baseado em: M. Cunha et al., «Biodiversity of macrofaunal assemblages from three Portuguese submarine canyons (NE Atlantic)», in Deep-Sea Research II, n.º 58, 2011; em: K. A. Koho et al., «Benthic foraminifera in the Nazaré Canyon, Portuguese continental margin: Sedimentary environments and disturbance», in Marine Micropaleontology, n.º 66, 2007; em: M. Deguchi et al., «Actual distribution of bacteriocytes in the trophosome of a beard worm ( Oligobrachia mashikoi, Siboglinidae, Annelida): clarification using whole-mount in situ hybridization», in Acta Zoologica (Stockholm), n.º 88, 2007; e em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:The_Giant_Tube_Worm,_Riftia_pachyptila_and_its_Trophosome.png (consultado em outubro de 2023).
10. A existência, na atualidade, de relações de endossimbiose é um argumento a favor de um modelo que explica
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Resolução
Segundo os critérios oficiais de classificação
10. A existência, na atualidade, de relações de endossimbiose é um argumento a favor de um modelo que explica
Resposta: (A) a evolução dos seres procariontes para eucariontes.
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