Grupo I - 10 · Exame Nacional Biologia e Geologia 2.ª fase 2022
Tema: Biodiversidade, evolução e sistemática · Do exame 2.ª fase (2022)
Enunciado
Texto 2
Os dois picos mais elevados do Banco de Gorringe, Ormonde e Gettysburg, foram ilhas durante a glaciação Würm (100 000 a 10 000 anos). Na atualidade, estão, respetivamente, a 48 e a 28 metros de profundidade, na zona fótica (zona até onde chega a luz).
Os montes submarinos constituem um obstáculo à circulação das correntes submarinas, provocando a subida de águas profundas, ricas em nitratos e fosfatos, importantes para o crescimento do fitoplâncton.
No Banco de Gorringe, um local com elevada produtividade primária para um contexto oceânico, existe um ecossistema único, onde se registam 862 espécies.
Pensa-se que os montes submarinos que mais se aproximam da superfície, ao proporcionarem pontos de passagem nas rotas de migração de espécies, facilitam a sua dispersão nos oceanos.
O facto de espécies das faunas mediterrânica e africana terem colonizado os arquipélagos da Macaronésia – Canárias, Madeira e Açores – deve-se, pelo menos em parte, à existência do Banco de Gorringe e a eventos paleoclimáticos que provocaram variações paleogeográficas.
Uma das muitas missões científicas ao Banco de Gorringe, a LusoExpedição (2006), recolheu diversas amostras biológicas de peixes e de invertebrados marinhos. Em laboratório, estas amostras foram sujeitas a extração de DNA mitocondrial, herdado apenas da progenitora, com o intuito de determinar semelhanças e diferenças entre os indivíduos aí recolhidos e indivíduos recolhidos noutras áreas geográficas, nomeadamente na costa mediterrânica, na costa africana e nos arquipélagos da Macaronésia.
Os resultados obtidos permitem inferir relações filogenéticas e, cruzando-os com dados paleontológicos, pode ser estimado um relógio molecular para um determinado grupo de espécies.
Baseado em: M. S. A. Correia, «Avaliação da importância, potencial e constrangimentos da designação do Banco Gorringe como Sítio de Interesse Comunitário», Dissertação de Mestrado em Ecologia Marinha, Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, Departamento de Biologia Animal, 2013;
e em: http://eventos.ulusofona.pt/lusoexpedicao (consultado em setembro de 2020).
10. Explique, com base nos dados (Figura 1, da página 2, e Texto 2), de que modo a formação do Banco de Gorringe proporcionou as condições que levaram à enorme biodiversidade desta zona.
Na sua resposta, comece por identificar a deformação que deu origem ao Banco de Gorringe.

Resolução
Segundo os critérios oficiais de classificação
10. Explique, com base nos dados (Figura 1, da página 2, e Texto 2), de que modo a formação do Banco de Gorringe proporcionou as condições que levaram à enorme biodiversidade desta zona. Na sua resposta, comece por identificar a deformação que deu origem ao Banco de Gorringe.
Resposta: A resposta deve integrar e articular três tópicos essenciais: (A) A existência de uma falha inversa elevou as rochas do fundo oceânico (ou permitiu a formação do Banco de Gorringe); (B) O Banco de Gorringe situa-se parcialmente na zona fótica e recebe águas profundas ricas em nitratos e fosfatos, condições adequadas ao crescimento de seres fotossintéticos (fitoplâncton); (C) Os seres fotossintéticos servem de alimento a numerosas espécies marinhas, garantindo a sustentação de ecossistemas com elevada biodiversidade.
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