Problema 3 · Portugués PAU Murcia Ordinaria 2026

Tema: Vocabulario: palabras y expresiones del texto por su definición (Encontre no texto) · Del examen Ordinaria (2026)

Enunciado

PRIMEIRA SECÇÃO: COMPREENSÃO DE LEITURA [3 PONTOS]

TEXTO

Negação Climática: Quando a Psicologia se torna arma política

Foi publicado na Nature Climate Change um artigo intitulado “The Political Psychology of Climate Denial” que revela que a negação das alterações climáticas não é fruto de ignorância ou falta de informação, mas antes o resultado de uma estratégia política deliberada, sustentada por mecanismos psicológicos profundos que moldam percepções, emoções e comportamentos coletivos. Os autores defendem que “a persistência e a disseminação da negação não podem ser explicadas apenas por oportunismo político”, sublinhando que existem forças psicológicas poderosas que tornam a rejeição da ciência não só confortável, mas, em certos contextos sociais e ideológicos, até moralmente “virtuosa”.

Entre esses fatores destaca-se a distância psicológica, que faz com que os impactos das alterações climáticas sejam percecionados como longínquos no tempo ou no espaço e, por isso, irrelevantes para a vida quotidiana. O enviesamento de disponibilidade leva indivíduos a desvalorizar tendências globais quando não existem eventos extremos recentes no seu contexto local. A dissonância cognitiva atua como um mecanismo de autoproteção, permitindo manter estilos de vida e modelos económicos ameaçados pela evidência científica. O enviesamento da confirmação, amplificado pelas redes sociais e por ecossistemas mediáticos polarizados, reforça crenças pré-existentes, enquanto a aversão à perda transforma políticas climáticas em supostas ameaças económicas ou identitárias. A identidade social e a ansiedade existencial fazem ainda da negação um sinal de pertença a determinados grupos, funcionando como marcador simbólico de lealdade.

Este enquadramento liga-se diretamente aos estudos de Daniel Kahneman, Nobel da Economia, que demonstrou de forma consistente como enviesamentos cognitivos afetam decisões mesmo entre gestores experientes e decisores racionais. Quando confrontados com riscos ambientais complexos, muitos líderes empresariais e políticos não escolhem a solução mais eficaz a longo prazo, mas sim a mais confortável no presente, reduzindo a dissonância psicológica ou evitando perdas imediatas. Como Kahneman escreveu em Thinking, Fast and Slow, “as pessoas não escolhem entre opções, escolhem entre descrições das opções”. Quando essas descrições são manipuladas estrategicamente, a racionalidade coletiva dissolve-se.

O artigo sublinha ainda que “factos isolados raramente mudam opiniões”. Para contrariar a negação climática, é necessário comunicar melhor: recorrer a narrativas locais, a vozes credíveis dentro das comunidades e a estratégias que integrem emoções, valores e identidades, em vez de depender apenas de dados abstratos. Caso contrário, a manipulação continuará a minar a ação coletiva e a atrasar respostas urgentes.

Estas técnicas não são casuais nem inocentes. São instrumentos de poder, usados para travar políticas públicas essenciais e preservar narrativas convenientes. Quando a verdade científica é relativizada e a opinião pública é conduzida por vieses emocionais explorados deliberadamente, o risco ultrapassa largamente a crise climática: ameaça a própria integridade da democracia. É fundamental não cedermos à tentação de nos alhearmos de uma sociedade cada vez mais rude, polarizada e perigosa. Se queremos um futuro baseado em conhecimento e responsabilidade, temos de comunicar melhor, mas também reconhecer que a liberdade de expressão não pode ser confundida com liberdade para manipular sistematicamente a verdade.

Baseado num artigo de Sofia Santos, Diário de Notícias

3. Encontre no texto as palavras que correspondem às seguintes definições de 3.1 a 3.4. Copie as palavras do texto na sua folha de respostas. [4 itens × 0,1 pontos = 0,4 pontos – respostas erradas não penalizam]

3.1.

Substantivo que significa “conflito interno causado por ideias ou ações incompatíveis”.

→ Parágrafo 2 →

3.2.

Substantivo que significa “capacidade de julgar de forma lógica e consistente”.

→ Parágrafo 3 →

3.3.

Substantivo plural que designa “relatos/estruturas discursivas usadas para comunicar e dar sentido a ideias ou acontecimentos”.

→ Parágrafo 4 →

3.4.

Substantivo que significa “sistema político baseado na soberania popular e no respeito por direitos e liberdades”.

→ Parágrafo 5 →

Enunciado: Problema 3 · Portugués PAU Murcia Ordinaria 2026

Solución

Según los criterios oficiales de corrección

3.1. Substantivo que significa “conflito interno causado por ideias ou ações incompatíveis”. → Parágrafo 2

Solución: dissonância / dissonância cognitiva

3.2. Substantivo que significa “capacidade de julgar de forma lógica e consistente”. → Parágrafo 3

Solución: racionalidade

3.3. Substantivo plural que designa “relatos/estruturas discursivas usadas para comunicar e dar sentido a ideias ou acontecimentos”. → Parágrafo 4

Solución: narrativas

3.4. Substantivo que significa “sistema político baseado na soberania popular e no respeito por direitos e liberdades”. → Parágrafo 5

Solución: democracia

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