Grupo I · Exame Nacional Português 2.ª fase 2024
Tema: Fernando Pessoa: ortónimo e heterónimos · Do exame 2.ª fase (2024)
Enunciado
PARTE B
Leia o poema e as notas.
As rosas amo dos jardins de Adónis 1,
Essas volucres 2 amo, Lídia, rosas,
Que em o dia em que nascem,
Em esse dia morrem.
5 A luz para elas é eterna, porque
Nascem nascido já o sol, e acabam
Antes que Apolo 3 deixe
O seu curso visível.
Assim façamos nossa vida um dia,
10 Inscientes 4, Lídia, voluntariamente
Que há noite antes e após
O pouco que duramos.
Ricardo Reis, Poesia, edição de Manuela Parreira da Silva, Lisboa, Assírio & Alvim, 2000, pp. 13-14.
NOTAS
1 Adónis – jovem da mitologia grega, símbolo de beleza masculina.
2 volucres – efémeras.
3 Apolo – deus grego do sol.
4 Inscientes – ignorantes.
4.
Explicite a importância da referência aos elementos da natureza para o desenvolvimento do pensamento do sujeito poético.
5.
Explique os quatro últimos versos do poema, tendo em conta o ideal de vida defendido pelo sujeito poético.

Resolução
Segundo os critérios oficiais de classificação
4. Explicite a importância da referência aos elementos da natureza para o desenvolvimento do pensamento do sujeito poético.
Resposta: Devem ser abordados os tópicos seguintes, ou outros igualmente relevantes: - as rosas representam a beleza e, simultaneamente, são comparáveis, na sua efemeridade, à vida humana (vv. 3 e 4); - o curso diurno do sol representa a duração da vida: para a rosa, um dia; para o ser humano, uma duração sempre limitada e efémera («O pouco que duramos» – v. 12).
5. Explique os quatro últimos versos do poema, tendo em conta o ideal de vida defendido pelo sujeito poético.
Resposta: Face à constatação da efemeridade da vida, o sujeito poético aconselha Lídia a que, tal como ele próprio (e à semelhança das rosas dos «jardins de Adónis» – v. 1): - viva o momento presente («Assim façamos nossa vida um dia» – v. 9), de acordo com o princípio epicurista do *carpe diem* (único caminho para a felicidade e para a ausência de dor), assumindo uma atitude de indiferença face à passagem do tempo, num esforço de autodisciplina; - assuma uma atitude deliberada de aceitação da efemeridade da vida e da inevitabilidade da morte («há noite antes e após / O pouco que duramos» – vv. 11-12).
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