Grupo II - Itens 1 a 4 · Exame Nacional Português 1.ª fase 2023

Tema: Compreensão de texto não literário · Do exame 1.ª fase (2023)

Enunciado

GRUPO II

Leia o texto.

Olhar o céu numa noite escura, longe de cidades e regiões densamente povoadas, revela

um manto escuro densamente estrelado ao qual é difícil ficar indiferente (até um robô deve ficar

fascinado). Um espetáculo de uma simplicidade profunda, mas que cada vez menos pessoas

têm a oportunidade de ver, pelos mais variados motivos. Sobretudo em Portugal, um dos países

5 do mundo com maior poluição luminosa, que se tem vindo a acentuar cada vez mais.

Nos centros urbanos, e nos subúrbios, é hoje praticamente impossível vermos a nossa

própria casa celeste, a Via Láctea. Isso leva a algo estranho e paradoxal. O progresso por

vezes frenético da ciência e do conhecimento em geral leva-nos hoje à ideia mais nítida de

sempre sobre de onde vimos, como chegámos aqui, e do nosso lugar no Universo. No entanto,

10 nunca tantas e tantos de nós estiveram tão distantes de conseguir olhar e ver o céu na sua

plenitude. O céu, de onde vimos, para onde tudo o que nos compõe acabará por voltar, ainda

que faltem milhares de milhões de anos. Olhar o céu é apontar em direção às nossas origens

cósmicas, mas nunca tantos de nós irão viver sem ver o céu plenamente estrelado durante

tantas noites ao longo das suas vidas. Nunca tantos de nós dirigiram o olhar maioritariamente

15 para baixo. Um olhar focado em pequenos ecrãs que operamos com as nossas mãos e que

nos tornam por vezes cada vez mais isolados. Num mundo que é cada vez mais global, mas

por vezes tão conectadamente desconectado.

A nossa viagem em busca das nossas origens, olhando ou não o céu, parece ter começado

muito, muito cedo. Desde então, descobrimos que não somos nem estamos de todo no centro

do mundo, do Universo. O Universo é de tal forma imenso que, em comparação, somos

20 total e completamente insignificantes, espacial e temporalmente. Somos total e brutalmente

insignificantes.

Surpreendentemente, ainda nos socorremos de argumentos falsos mas convenientes.

Coisas que nos dizem que, afinal, somos mesmo muito importantes. Potencialmente eternos,

especiais. O céu, na sua beleza e grandiosidade, mas sobretudo na sua capacidade para

25 nos manter humildes e individualmente irrelevantes, é ainda a melhor ferramenta para nos

apercebermos do quão ligados estamos. Estamos ligados uns aos outros, ao nosso planeta,

ao sistema solar, à nossa galáxia. Paradoxalmente, olhar o céu e estudar o Universo é uma

das formas mais profundas e eficazes de nos valorizarmos humanamente no contexto da vida

30 na Terra. Um planeta único, belo, frágil. Tudo, sem inflamar demasiado o ego e sem termos a

mania de que somos demasiado bons.

David Sobral, Qual É o Nosso Lugar no Universo?, Lisboa, Planeta, 2022, pp. 21-22.

1.

Segundo o autor do texto, olhar o céu estrelado constitui uma experiência

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2.

Através da expressão «estranho e paradoxal» (linha 7), depreende-se que

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3.

De acordo com o autor do texto, os estudos levados a cabo sobre o Universo permitiram

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4.

A fim de pôr em destaque a intrínseca e inquebrável relação do homem com o Universo, o autor recorre a

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Enunciado: Grupo II - Itens 1 a 4 · Exame Nacional Português 1.ª fase 2023

Resolução

Segundo os critérios oficiais de classificação

1. Segundo o autor do texto, olhar o céu estrelado constitui uma experiência

Resposta: (B) que está dependente do contexto em que se encontra aquele que observa o céu.

2. Através da expressão «estranho e paradoxal» (linha 7), depreende-se que

Resposta: (A) o ser humano detém um conhecimento cada vez mais aprofundado, todavia não olha o céu, no qual se encontram respostas para a sua existência.

3. De acordo com o autor do texto, os estudos levados a cabo sobre o Universo permitiram

Resposta: (C) mostrar a desproporção entre a imensidão do Universo e a pequenez do ser humano.

4. A fim de pôr em destaque a intrínseca e inquebrável relação do homem com o Universo, o autor recorre a

Resposta: (B) uma metáfora, presente em «nossa própria casa celeste» (linhas 6 e 7).

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