Grupo IV - 2 · Exame Nacional História A 2.ª fase 2026
Tema: Portugal do segundo pós-guerra à democracia: Estado Novo, guerra colonial e 25 de Abril · Do exame 2.ª fase (2026)
Enunciado
GRUPO IV
PORTUGAL DA REVOLUÇÃO DE ABRIL À ENTRADA NA EUROPA COMUNITÁRIA
Entrevista de Francisco Sá Carneiro 1 ao jornal O Comércio do Porto,
28 e 29 de setembro de 1975
As divisões dentro das Forças Armadas não só se manifestaram no 11 de Março, como depois em toda a evolução da crise do MFA [...]. De resto, ainda hoje subsistem, como é manifesto. [...] O general Spínola manifestou [...] os perigos que o país corria, derivados especialmente da ação de certos movimentos e agrupamentos políticos [...]. Traçou [...] um 5 panorama, que foi apelidado de catastrófico, da situação do país. Procurou [...] obstar a essa situação. E perante a inutilidade dos seus esforços, renunciou. [...]
Em 25 de Abril, não havia anticomunismo em Portugal. Pelo contrário, o Partido Comunista era considerado pela sua atuação na luta que desenvolveu contra o regime vindo de 1926. Hoje há, creio, um sentimento anticomunista, além das atitudes [...] antitotalitárias. [...] 10 O poder popular, o facto consumado da ocupação violenta, [...] tem servido para camuflar a atuação, quer do Partido Comunista, quer de certos movimentos à esquerda. E esse, o Partido Popular Democrático não pode, quanto a mim, respeitá-lo [...]. De resto, [...] [as] comissões de trabalhadores, comissões de moradores e outras [...] não podem, de modo algum, ser embrião de formação de um poder, [...] nem de subordinação do interesse do país aos interesses 15 particulares dessas organizações. [...]
«Regresso dos militares aos quartéis» é uma expressão simplista, que pode chocar muita gente. Mas facilmente se entende que às Forças Armadas não compete governar, que é inconveniente que governem [...]. Depois de [...] terem derrubado um regime autoritário e opressivo [...], é indispensável que todas as alterações de que o país necessita para 20 construir um regime de liberdade [...] sejam feitas com absoluto respeito pelos princípios democráticos [...]. [...]
Mais do que qualificar de direita ou de esquerda os perigos para a democracia, [...] parece-me que o que continuamos a enfrentar é o risco de um regime violento, da imposição de uma ditadura, baseados nesses fatores muito graves que continuam a afetar a vida do país.
Francisco Sá Carneiro, Textos. 3.º volume (1974-1975), Lisboa, Alêtheia Editores,
2010, pp. 203-217. (Texto adaptado)
1 fundador, em maio de 1974, e primeiro secretário-geral do Partido Popular Democrático (atual PSD).
2. Uma das causas que contribuiu para a derrocada do Estado Novo foi, conforme reflete o testemunho de Sá Carneiro (linhas 18-21),
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Resolução
Segundo os critérios oficiais de classificação
2. Uma das causas que contribuiu para a derrocada do Estado Novo foi, conforme reflete o testemunho de Sá Carneiro (linhas 18-21),
Resposta: (B) a ausência de pluralismo político e o exercício oficial da censura.
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