Grupo IV - 1 · Exame Nacional História A Época especial 2026
Tema: O mundo atual: fim da Guerra Fria, mundo unipolar, União Europeia e globalização · Do exame Época especial (2026)
Enunciado
GRUPO IV
O FIM DA GUERRA FRIA E O QUADRO GEOPOLÍTICO DO MUNDO ATUAL
Documento 1
Discurso do presidente norte-americano Bill Clinton
na National Geographic Society, Washington, D.C., 11 de junho de 1998
Hoje, quero falar-vos da nossa relação com a China, como ela se enquadra nas nossas
preocupações mais amplas a respeito do mundo no século XXI [...]. Essa relação ajudará [...]
a determinar se o novo século será de segurança, paz e prosperidade para o povo americano.
[...] A China é já a nação mais populosa do mundo. [...] Possui uma das economias que mais
5 crescem no mundo. Tem assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Nos últimos 25 anos, o país atravessou profundas transformações, emergindo do isolamento,
convertendo uma economia fechada num motor de crescimento, aumentando a cooperação
com o resto do mundo e elevando o padrão de vida [...] dos seus cidadãos.
O papel que a China escolher desempenhar na prevenção da proliferação de armas de
10 destruição maciça [...], no combate ao crime internacional e ao tráfico de droga, na proteção
ou na degradação do meio ambiente, [...] no respeito pelos direitos humanos ou na violação
destes, [...] moldará poderosamente o próximo século. Uma China estável, aberta e próspera,
que assuma as suas responsabilidades na construção de um mundo mais pacífico, é clara e
manifestamente do nosso interesse. [...]
15 Ao integrarmos a China na comunidade das nações e na economia global, ajudando a sua
liderança a compreender que uma maior liberdade serve na perfeição os seus interesses e
defende os nossos princípios, podemos apoiar de forma mais eficaz a causa da democracia
e dos direitos humanos na China. [...] O notável crescimento económico da China torna-a
cada vez mais dependente de outras nações para o acesso aos investimentos, aos mercados,
20 à energia e às ideias. Estes laços aumentam a necessidade de um Estado de Direito mais
sólido, de uma maior transparência e responsabilização, e trazem consigo poderosos agentes
de mudança – máquinas de fax e fotocopiadoras, computadores e a Internet. [...]
Integrar a China na comunidade das nações, ao invés de tentar excluí-la, é, claramente,
a melhor maneira de promover tanto os nossos interesses quanto os nossos valores. É a
25 melhor maneira de encorajar a China a seguir o caminho da estabilidade, da abertura e da
não agressão; a abraçar a economia de mercado, o pluralismo político e o Estado de Direito;
a unir-se a nós na construção de uma ordem internacional estável [...].
https://edition.cnn.com/ALLPOLITICS/1998/06/11/clinton.china/transcript.html (consultado em janeiro de 2026). (Texto traduzido e adaptado)
Documento 2
Discurso de Dana Rohrabacher, deputado do Partido Republicano,
na Câmara dos Representantes dos EUA, 24 de junho de 1998
O nosso país precisa de saber, e o povo da China precisa de saber, que existem outras vozes
nos Estados Unidos além da do Presidente dos Estados Unidos. [...] A questão é: como nos
relacionaremos, e como nos devemos relacionar com um país que [...] está a fortalecer a sua
capacidade militar de uma maneira que talvez ameace os seus vizinhos e que, eventualmente,
5 poderá ameaçar os Estados Unidos da América? [...]
Muitos países lutam hoje para construir uma democracia. A Rússia, que tentou realizar
eleições livres, enfrenta dificuldades para pôr em prática as regras democráticas, no momento
em que se esforça por construir uma sociedade mais livre. Há na sociedade russa muitos
obstáculos à democracia, mas há também pessoas empenhadas em construí-la. Nas
10 Filipinas, a luta é a mesma. No Bangladesh e noutros lugares, há dificuldades para construir a
democracia. [...] Na China, não há nenhum movimento rumo à democracia. [...] Existe, claro,
a sensação de que, se tratarmos uma ditadura como a China do mesmo modo que tratamos
as democracias, essa ditadura se tornará, em certa medida, mais democrática. Infelizmente, o
que temos visto é o inverso: ao abdicarmos das nossas próprias regras e princípios, ao invés
15 de assistirmos à liberalização e ao progresso no regime ditatorial da China comunista, vemos
esse país a degradar os nossos processos políticos. [...]
Para concluir, gostaria de dizer que, ao longo dos últimos 10 anos, mantivemos com a China
uma relação comercial injusta. [...] As nossas relações, os nossos laços com a China têm sido
nefastos em termos estratégicos, políticos e até económicos, já que os produtos chineses são
20 taxados a apenas 3% ou 4%, enquanto os nossos produtos chegam a sofrer tarifas de 30% ou
40%. O que permite aos chineses, todos os anos, obterem um superavit comercial de 50 mil
milhões de dólares, graças ao qual a China constrói uma máquina militar que poderá um dia
vir a matar milhões de americanos.
https://commdocs.house.gov/committees/intlrel/hfa51801.000/hfa51801_0.HTM (consultado em janeiro de 2026). (Texto traduzido e adaptado)
1.
Compare as duas perspetivas sobre a modernização da China e a sua projeção internacional, expressas nos documentos 1 e 2, quanto a dois aspetos em que se opõem.
Fundamente a sua resposta, articulando-a com excertos relevantes dos dois documentos.

Resolução
Segundo os critérios oficiais de classificação
1. Compare as duas perspetivas sobre a modernização da China e a sua projeção internacional, expressas nos documentos 1 e 2, quanto a dois aspetos em que se opõem. Fundamente a sua resposta, articulando-a com excertos relevantes dos dois documentos.
Resposta: Na resposta, podem ser explorados dois dos seguintes tópicos ou outros relevantes, fundamentados com excertos de ambos os documentos: • Relações da China com os EUA: - *Documento 1 (Bill Clinton):* defende que o aprofundamento das relações com a China favorece os interesses económicos e geopolíticos dos EUA («Essa relação ajudará [...] a determinar se o novo século será de segurança, paz e prosperidade para o povo americano.» OU «uma maior liberdade serve na perfeição os seus interesses e defende os nossos princípios» OU «unir-se a nós na construção de uma ordem internacional estável»). - *Documento 2 (Dana Rohrabacher):* defende que os EUA devem reequacionar os termos da sua relação com a China, considerando os efeitos nefastos para a sua economia ou interesses geoestratégicos («ao longo dos últimos 10 anos, mantivemos com a China uma relação comercial injusta» OU «os nossos laços com a China têm sido nefastos em termos estratégicos, políticos e até económicos»). • Relevância da China no mundo: - *Documento 1:* defende que a China será um parceiro relevante para a estabilidade política mundial, alavancada no crescimento da sua economia («a nação mais populosa do mundo. [...] Possui uma das economias que mais crescem no mundo» OU «Tem assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.» OU «Nos últimos 25 anos, o país atravessou profundas transformações, emergindo do isolamento» OU «Uma China estável, aberta e próspera, que assuma as suas responsabilidades na construção de um mundo mais pacífico»). - *Documento 2:* defende que o crescimento económico permitirá à China reforçar o seu poder militar e ameaçar a paz mundial («está a fortalecer a sua capacidade militar de uma maneira que talvez ameace os seus vizinhos» OU «poderá ameaçar os Estados Unidos da América» OU «a China constrói uma máquina militar que poderá um dia vir a matar milhões de americanos»). • Evolução política da China: - *Documento 1:* defende que a modernização económica potenciará a democratização do regime e o aprofundamento das liberdades individuais («profundas transformações, emergindo do isolamento» OU «uma maior liberdade serve na perfeição os seus interesses e defende os nossos princípios» OU «apoiar de forma mais eficaz a causa da democracia e dos direitos humanos» OU «encorajar a China a [...] abraçar a economia de mercado, o pluralismo político e o Estado de Direito»). - *Documento 2:* defende que não se vislumbra abertura política, mantendo-se um regime autoritário ou antidemocrático («não há nenhum movimento rumo à democracia» OU «ao invés de assistirmos à liberalização e ao progresso no regime ditatorial da China comunista, vemos esse país a degradar os nossos processos políticos»). • Efeitos da abertura económica da China: - *Documento 1:* defende as vantagens da abertura da China à economia de mercado e integração no comércio mundial («convertendo uma economia fechada num motor de crescimento» OU «aumentando a cooperação com o resto do mundo» OU «O notável crescimento económico da China torna-a cada vez mais dependente de outras nações para o acesso aos investimentos, aos mercados, à energia»). - *Documento 2:* defende que a abertura tem sido lesiva para os interesses comerciais dos EUA, dado o desequilíbrio tarifário («ao longo dos últimos 10 anos, mantivemos com a China uma relação comercial injusta» OU «os produtos chineses são taxados a apenas 3% ou 4%, enquanto os nossos produtos chegam a sofrer tarifas de 30% ou 40%» OU «permite aos chineses, todos os anos, obterem um superavit comercial de 50 mil milhões de dólares»).
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